A Segunda Batalha de El Alamein (23 de outubro - 11 de novembro de 1942) foi uma batalha da Segunda Guerra Mundial que ocorreu perto da parada ferroviária egípcia de El Alamein. A Primeira Batalha de El Alamein e a Batalha de Alam el Halfa impediram o Eixo de avançar ainda mais para o Reino do Egito e foi um dos marcos decisivos no conflito do Norte da África.

Em outubro de 1942, o Tenente-General Bernard Montgomery, comandante do Oitavo Exército, iniciou sua ofensiva contra as forças do Eixo. Em uma batalha de 13 dias, o Panzerarmee Afrika do Eixo foi esmagado e forçado a recuar do Egito e da Líbia para as fronteiras da Tunísia. A vitória aliada em El Alamein marcou o limite do avanço do Afrika Korps e seus aliados italianos na Campanha do Deserto Ocidental.

A batalha pôs fim à ameaça do Eixo ao Canal de Suez, ao Oriente Médio e ao Irã, e reavivou o moral dos Aliados ocidentais, sendo seu primeiro grande sucesso contra o Eixo no Norte da África desde a Operação Crusader no final de 1941. O fim da batalha posteriormente coincidiu com a invasão aliada anglo-americana no Marrocos e na Argélia na Operação Tocha em 8 de novembro, que abriu uma segunda frente no norte da África para cercar e render as forças do Eixo na Tunísia.

A vitória da comunidade britânica em El Alamein levou o primeiro-ministro Sir Winston Churchill a afirmar que "este não é o fim, não é nem o começo do fim, mas é, talvez, o fim do começo". El Alamein foi uma vitória essencialmente do Reino Unido e das tropas da Commonwealth. Após a guerra, ele escreveu: "Antes de Alamein nunca tivemos uma vitória, depois de Alamein, nunca tivemos uma derrota".

Estratégia britânica e alemã Até o final de 1942, a iniciativa estratégica na frente ocidental estava predominantemente nas mãos da Wehrmacht. A Grã-Bretanha estava confinada à persecução de uma estratégia passiva, combatendo os alemães e italianos onde eles atacassem. Depois de El Alamein tudo mudaria.

A Grã-Bretanha era decididamente um poder imperial. As ilhas britânicas em si não contavam com os recursos naturais necessários para o sustento de uma indústria moderna. Assim, o povo britânico dependia das linhas vitais de comunicação com a América, África e Ásia. A estratégia britânica no Mar Mediterrâneo, pautada pela inferioridade (pelo menos em tese) de suas forças, era conter os italianos e garantir a existência dessas linhas de comunicação, cujos pontos críticos no Mediterrâneo eram Suez e Gibraltar.

A perda do Canal de Suez traria para os ingleses prejuízos incalculáveis, além de possibilitar aos alemães o acesso ao petróleo do Oriente Médio (que havia sido descoberto nos anos 20 e 30), bem como possivelmente a abertura de uma outra frente de ataque à União Soviética, pelo sul, além de facilitar as pressões para a possível entrada da Turquia na guerra. Dessa forma, o combate em El Alamein tornou-se prioritário.

A Marinha Real Britânica, mesmo empenhada na luta de morte no Atlântico e com a defesa de territórios no Pacífico, havia tido até o momento ponderável sucesso contra a Regia Marina Italiana. Em terra, após um início promissor nas hostilidades contra os italianos em 1940, os britânicos, amargavam severas derrotas, como a perda da Grécia, de Creta e da Tripolitânia, e pouco tinham o que mostrar pelo fantástico arsenal que acumulavam, muito dele provenientes aliados americanos. A própria lenda em torno da Raposa do Deserto era um alvo de guerra. Os ingleses o haviam elogiado e tentado assassiná-lo, mas nunca haviam conseguido realmente vencer Rommel no deserto. "Bater Rommel, o que mais importa?", comentara o primeiro-ministro. Churchill não poupou esforços para garantir o sucesso em El Alamein. Substituiu o General Auchinleck pelo General Bernard Law Montgomery como Comandante-em-Chefe do Oriente Médio, com o comando do 8º Exército, e supriu suas formações com um arsenal inédito na África do Norte, que incluía 300 modernos tanques Sherman americanos, que, com seu canhão de 75 mm, era mais do que páreo para os melhores tanques alemães no campo.

Para o alto comando alemão, as operações no norte da África sempre tiveram importância secundária, e nunca tiveram por objetivo a conquista do Egito, pelo menos até Rommel mostrar-lhes que isso não era impossível. O comprometimento alemão naquele continente se deu para conter os ingleses e auxiliar os italianos, que após a espetacular derrota em Beda Fomm viam-se no risco de ter que retirar-se do teatro da África Setentrional, o que bem poderia ter acontecido não fosse a decisão de desviar os blindados de O´Connor para a Grécia. Assim, os alemães pensaram em enviar uma pequena força de Panzers (Operação Sonnenblume) e um contingente aéreo para ajudar seus aliados meridionais a estancar o avanço inglês. Jamais imaginaram que pudessem chegar tão longe.

De fato, Rommel excedeu completamente suas ordens, e muitas vezes as descumpriu, percebendo de imediato as possibilidades que tinha uma força de blindados operando no vasto "mar" que era o deserto africano. Ele percebeu que os britânicos não eram tão fortes assim, e que as suas forças foram magnificadas pela dimensão das derrotas infligidas aos italianos. Mesmo com uma força destinada apenas a travar batalhas defensivas, de escopo limitado, o talentoso comandante conseguiu infligir derrota após derrota ao 8º Exército e aos seus adversários ingleses, os generais Archibald Wavell, Claude Auchinleck e Neil Ritchie.

Em meados de 1942, quando o OKW percebeu que era possível uma vitória total na África, e que isso poderia render enormes dividendos, já era talvez tarde demais. Naquela época a Alemanha encontrava-se no limite da utilização dos seus recursos e no ápice da sua grandeza territorial, guardando uma imensa frente que ia desde o Círculo Polar Ártico, na Noruega, aos desertos da África do Norte, no sul, e desde Stalingrado, no Volga, à costa Atlântica francesa. Com quase todas as forças engajadas na frente oriental, não seria sem sacrifícios que pudessem reforçar o desgastado Panzerarmee Afrika.

A situação de suprimentos para a força africana piorava a cada dia. Graças à atuação dedicada de tripulações da Marinha Real e da RAF, e, principalmente, à quebra das cifras navais alemãs (Projeto Ultra) os comboios que saíam da Itália eram afundados com regularidade crescente. Às vésperas da batalha em El Alamein, o afundamento de dois petroleiros, um dos quais trazendo combustível de aviação, limitou ainda mais a mobilidade do exército alemão.

Assim, a OKW e o Commando Supremo tinham que decidir entre tentar melhorar a situação de abastecimento com a ocupação da ilha de Malta, ou ir adiante e tentar a conquista do Egito. O Marechal Albert Kesselring, Comandante-em-Chefe Sul das forças alemãs, preferia a primeira alternativa, mas Rommel persuadiu os seus superiores de que podia vencer o 8º Exército Britânico mais uma vez. Dessa forma, fiaram-se mais uma vez no talento e sorte da "Raposa do Deserto", deixando-o combater com o que dispunha.

Já os italianos tinham as suas próprias dificuldades. O Alto Comando não sabia decidir se vergonha maior eram as derrotas fragorosas para forças inferiores britânicas ou o fato de que forças alemãs ainda menores realizavam o que para eles era o impensável. Desse modo, nunca viam com bons olhos o envio de mais tropas alemãs para a África e até as relações de Rommel com os seus comandantes, que nominalmente eram seus superiores, nunca foram as melhores.

Politicamente era desgastante para o Duce perder para Hitler os louros da campanha africana, empresa de enormes dimensões a que lançou o seu país, principalmente após o vexame na Grécia, onde Hitler igualmente roubou a cena. Ele tinha grandes planos de fundar um novo Império Romano, herdeiro do antigo, seguindo os passos dos antepassados latinos pela Grécia e norte da África. Porém passados poucos meses de guerra, o exército italiano, considerado nos anos trinta como uma força moderna e temível, revelou-se totalmente inepto para seus objetivos, e depois da fracassada aventura grega, Mussolini queria e precisava de uma vitória italiana, pois já estava bastante enfraquecido nas suas relações com a Alemanha e diante do mundo. Porém, simplesmente não dispunha dos meios para isso, e via-se na posição, péssima para ele, de depender dos alemães mais uma vez. Assim, a estratégia italiana era permeada pela dupla necessidade de os ingleses serem derrotados, e de não parecer que a vitória foi alemã.

Mas esses interesses não foram alcançados, pois o general Rommel, no auge de sua esperteza conseguiu ofuscar o exército italiano e fazer com que a mísera força de 100 mil homens dados a ele por Hitler triunfasse algumas vezes, o que o deixou conhecido como a Raposa do Deserto.

Ao observar canhões anti-aéreos do exército nazista, Rommel percebeu que com algumas modificações teria em suas mãos uma nova arma, e ordenou que os canhões fossem reclinados, o que modificou a trajetória do tiro, transformando-os em uma potente alternativa para combater divisões blindadas com alta precisão e com um alto poder de fogo de 88mm.

Rommel costumava atacar com sua divisão de Panzers e depois logo bater em retirada - para fazer o inimigo perseguí-lo - o que resultaria em um temível encontro com esses canhões modificados. Com essa tática, em junho de 1942, Rommel obrigou o exército britânico a recuar até a cidade de El Alamein, obrigando Winston Churchill a pôr o 8º exército em novo comando.

A campanha no Norte da África miniaturadaimagem|O general Bernard L. Montgomery, comandante das forças do Império Britânico no norte da África. Em Novembro de 1942, a campanha na África do norte se aproximava do seu terceiro ano. Após meses de lutas dramáticas para ambos os lados, na qual alternavam em sortes e reveses, a frente se estabilizara perto da fronteira egípcia, numa localidade conhecida como El Alamein. Já a situação estratégica pendia fortemente para o lado dos Aliados. O Eixo se mostrava incapaz de manter abastecido o seu exército na África, considerado pelos alemães, desde o começo, como uma força expedicionária em um teatro secundário. Inúteis foram os apelos do comandante do Afrika Korps, Marechal Erwin Rommel, no sentido de que o abastecimento tinha que ser garantido por forças aéreas e navais, ou o teatro no norte da África teria se ser abandonado. Alheios à real situação, tanto o OKW alemão quanto o Comando Supremo Italiano fizeram vista grossa às necessidades das tropas em África, eclipsadas que estavam pela luta de morte travada pelos alemães (e italianos)em Stalingrado e em toda a União Soviética.

Após a impressionante vitória alemã na frente de Gazala, a que se deve, acima de tudo, ao brilhantismo de Rommel e à tenacidade e experiência dos veteranos do Afrika Korps, as forças do Eixo foram no encalço do 8º Exército Britânico (no "Galope de Gazala"), através da fronteira egípcia até a localidade de El Alamein, onde o mar, ao norte, e a depressão de Qattara, ao sul, formavam barreiras naturais intransponíveis e estreitavam a frente de batalha.