thumb|direita|350px|Barack Obama discursa na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2011.

Política externa do governo Barack Obama refere-se à forma como foi conduzida a política externa dos Estados Unidos ao longo da Presidência de Barack Hussein Obama, desde sua posse em 20 de janeiro de 2009 até deixar o cargo em janeiro de 2017. Obama nomeou sua ex-rival partidária, Hillary Rodham Clinton como Secretária de Estado de seu primeiro mandato, sendo sucedida por John Kerry a partir de fevereiro de 2013. Apoiadores da política externa de Obama costumam elogiar o que descrevem como sua cooperação com aliança e multilateralismo, seus esforços para encerrar a Guerra do Iraque, seu prosseguimento para com o processo de paz no Afeganistão, as tentativas de combater o terrorismo e a normalização das relações com Cuba.

Tais apoiadores são exemplificados por Hillary Clinton e John Kerry, assim como as conselheiras Susan Rice e Samantha Power, como os nomes-chave da política diplomática do governo Obama. Há um debate entre estudiosos se a política externa de Obama é parte de uma doutrina geral, sendo que ainda não há um consenso sobre o presumível estabelecimento de uma "Doutrina Obama".

Por outro lado, a Administração Obama tem sido criticada no espectro político. Políticos conservadores, como o republicano John McCain e o senador Lindsey Graham, já acusaram o Presidente de ser mais "refreado e ineficaz" em expandir a influência norte-americana. Alguns opositores até mesmo defendem que a política de "apaziguamento" liderada por Obama tem levado a um retrocesso do papel dos Estados Unidos no cenário internacional e a um desinteresse por parte de tradicionais aliados, como o Reino Unido. Por outro lado, liberais como Jimmy Carter e Dennis Kucinich têm acusado-o de "cinismo" político. Mais especificamente, alguns críticos afirmam que Obama tem seguido políticas imperalistas similares às de seu antecessor, George W. Bush, de quem buscou distanciar politicamente ao longo de sua campanha.

História

Antecedentes Barack Obama falou abertamente sobre sua política externa primeiramente em 23 de abril de 2007 no Conselho de Chicago sobre Assuntos Globais, no qual delineou seus objetivos diplomáticos em cinco pontos principais:

"Chegar a um fim responsável da Guerra do Iraque e focar nos desafios críticos da região;" "Construir verdadeiramente um arsenal militar do século XXI e demonstrar sabedoria ao operá-lo;" "Liderar um esforço global para encontrar uma ameaça que se eleva sobre todas as demais com rapidez - determinando, destruindo e paralisando o uso de armas de destruição em massa;" "Reconstruir e construir alianças e parcerias imprescindíveis a eliminar desafios e confrontar ameaças comuns," "Assegurar-se de que, apesar dos Estados Unidos apoiarem uma sociedade mais segura, somente os cidadãos destas nações podem mantê-las."

O Presidente-eleito Obama nomeou a antiga rival das primárias do partido, Hillary Clinton, como Secretária de Estado em 1 de dezembro de 2008 e manteve o Secretário de Defesa Robert Gates, nomeado pelo antecessor George W. Bush. Posteriormente, Obama nomearia o General James Jones como Conselheiro Nacional de Segurança e Janet Napolitano, Governadora do Arizona, como Secretária de Segurança Interna.

Clinton aformou acreditar que "a melhor forma de avançar com os interesses do país na redução de ameaças globais seria implementar soluções globais". E completou a nota defendendo o uso de smart power e administração apropriada das ferramentas a seu dispor - como diplomacia, cultura, economia e forças militares.

Nomeações de gabinete

A administração nomeou, ou manteve em serviço, 2.465 oficiais diplomáticos, a maioria deste diplomatas de carreira. Foram 150 funcionários no Caribe e 358 na Europa Ocidental. Os diplomatas de carreira eram predominantes nas regiões: América Central, América do Sul, África, Europa Oriental, Oriente Médio, Extremo Oriente e Oceania. Na Ásia Central, todos os enviados diplomáticos eram diplomatas de carreira.

África thumb|direita|230px|Obamas assistem ao Serviço Memorial de Nelson Mandela no FNB Stadium. Ao fundo, Susan Rice, Valerie Jarrett e Eric Holder. Ainda que integrantes do continente africano, Argélia, Egito, Marrocos, Tunísia, Líbia e Saara Ocidental não são considerados parte da África Subsaariana e, portanto, não correspondem ao tópico "África" para a política externa dos Estados Unidos. Pelo contrário, estas nações são consideradas como integrantes do Oriente Próximo em se tratando de relações internacionais estadunidenses.

Durante sua campanha presidencial em 2008, Obama ressaltou suas prioridades para o desenvolvimento de uma política africana incluindo mover-se para paralisar "o que autoridades estadunidenses consideram genocídio em Darfur, combater a pobreza e carestia, e expandir os recursos financeiros do continente." Alguns analistas acreditaram, no entanto, que a nomeação de Susan Rice como Embaixadora às Nações Unidas seria um indicativo de que Obama teria o continente como prioridade em sua agenda externa.

Em janeiro de 2013, a então Secretária de Estado Hillary Clinton afirmou em comitê do Senado que sua administração priorizaria "combater os esforços da al-Qaida em se refugiar nos países do Corno de África; auxiliar nações africanas na conservação e aproveitamento de seus recursos naturais; chegar uma conclusão do conflito no Congo; findar o regime autocrático no Zimbábue e a devastação humana em Darfur."

Em 4 de junho de 2009, Obama visitou a cidade do Cairo, onde discursou para o "Mundo árabe" e seguiu viagem rumo à África subsaariana, discursando também perante o Parlamento de Gana. Darfur, República Democrática do Congo, Gana e Zimbábue têm desempenhado um papel crucial nas políticas externas do governo Obama com foco na África. Pouco tempo depois, Clinton repetiu o trajeto de Obama pelo continente, visitando também Angola, Cabo Verde, Quênia, Libéria, Nigéria e África do Sul. Segundo analistas, foi uma das poucas vezes na história em que tanto a Casa Branca quanto o Departamento de Estado empreenderam viagens oficiais ao mesmo continente.

Conflito na Somália Obama têm mantido interesse em sustentar o Governa Transicional Nacional em Mogadishu. Para este fim, assim como aplacar as atividades terroristas e os ataques de piratas na região, os Estados Unidos têm fornecido contingente militar especial, incluindo armamentos de alta tecnologia militar visando influenciar a Guerra Civil Somália e neutralizar membros proeminentes da Al-Shabaab.

Pirataria thumb|esquerda|245px|O Maersk Alabama capitaneado por Richard Phillips e sequestrado por piratas somalis em 2009. Uma das primeiras medidas tomadas pelo governo Obama foi assinar um memorando de entendimento com o Quênia, que permitiria o julgamento de piratas capturados em águas africanas pela justiça queniana.

Em 8 de abril de 2009, nos primeiros meses do governo Obama, piratas somalis sequestraram Richard Phillips, capitão de um navio estadunidense durante uma tentativa de saquear sua carga. Obama autorizou militares estadunidenses a negociarem o resgate de Phillips, que permaneceu refém por cinco dias. O marinheiro foi resgatado em 12 de abril pelos Navy SEALs numa operação que deixou três dos sequestradores mortos e a rendição de um deles.

A reação de Obama diante do sequestro de Phillips têm sido duramente criticada pela imprensa, enquanto outros menosprezam seu papel durante as operações de resgate. Em 2014, o presidente intensificou operações militares no Corno de África em resposta também ao ataque ao mercado Westgate no Quênia. Uma força-tarefa iniciou ataques por drones contra piratas e membros da al-Qaeda.

Zimbábue Ásia Em 2011, a então Secretária de Estado Hillary Clinton anunciou um rebalanceamento da política externa com maior ênfase no continente asiático, especialmente em resposta ao acelerado crescimento econômico da República Popular da China como potência regional. Clinton defendeu um "investimento crescente substancial - diplomático, econômico e estratégico - na região Ásia-Pacífico". Em meados de 2014, muitos analistas não relataram mudanças significativas e argumentaram que os Estados Unidos estariam negligenciando a região novamente. O apoio de Barack Obama à Parceria Transpacífico foi motivado, em grande parte, por sua política de valorização dos países da região.

Leste Asiático thumb|esquerda|230px|Barack Obama discursa na abertura do Diálogo Estratégico e Econômico China-Estados Unidos, 27 de julho de 2009 thumb|direita|230px|Barack Obama é recebido no Palácio da Paz de Phnom Penh, 2012. A então Secretária de Estado Hillary Clinton empreendeu sua primeira viagem oficial à Ásia em 15 de fevereiro de 2009, com paradas no Japão, China, Coreia do Sul, Filipinas e Indonésia. Clinton realizou uma extensiva viagem à região, incluindo basicamente três grandes viagens a vários países do continente entre 2009 e 2011. Em julho de 2012, Clinton visitou Mongólia, Vietnã, Laos e Camboja. A visita ao Laos foi a primeira realizada por um Secretário de Estado estadunidense em mais de 57 anos.

Em 1 de abril de 2009, Obama e o Presidente da China Hu Jintao anunciaram o estabelecimento do "Diálogo Estratégico e Econômico China-Estados Unidos", liderado por Clinton e Timothy Geithner e Dai Bingguo e Wang Qishan. Em maio do mesmo ano, Obama nomearia Jon Huntsman, Jr., então governador de Utah, como embaixador à China. Huntsman foi o primeiro embaixador nomeado pelo Presidente Obama, indicando que as relações entre os dois países eram as mais vitais da era moderna para os Estados Unidos. Mais tarde, no mesmo ano, Obama e Clinton realizaram uma viagem à China, sendo a primeira visita de Estado do presidente ao continente asiático. A comitiva presidencial também visitou o Japão, Singapura e Coreia do Sul. Estados Unidos e China também se chocaram recentemente por conta das reivindicações sobre o Mar do Sul da China, também reivindicado por Vietnã, Filipinas e Malásia.

Em 2014, Obama afirmou que os Estados Unidos reconheceram o Tibet como parte da China, porém encorajando o governo chinês a tomar medidas que preservem a identidade cultural, religiosa e linguística do povo tibetano.

Coreia do Norte thumb|direita|230px|Barack Obama e Lee Myung-bak após encontro na Casa Azul, 2010. A Coreia do Norte é um dos países de maior tensão diplomática com os Estados Unidos, devido especialmente à posse de armamentos nucleares e sua atividade militar na região. Pouco tempo após a posse de Obama, a Coreia do Norte retomou sua atuação no cenário internacional, negando acusações de planejar um teste balístico nuclear intercontinental, que levaram à condenação pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. As relações entre os dois países tensionaram ainda mais após a prisão dos jornalistas estadunidenses Euna Lee e Laura Ling por sua entrada ilegal no território norte-coreano. No mesmo ano, o governo do país asiático anunciou sua intenção de relativizar o Armistício de 1953, retomando o conflito bélico com o país vizinho, e forçando o Comando Militar Estadunidense na região a decretar estado de vigilância. Em 2010, ocorreram outros dois maiores incidentes com a Coreia do Norte: o naufrágio de um navio militar sul-coreano relacionado às atividades militares norte-coreanas; e o Bombardeamento de Yeonpyeong.

Japão thumb|esquerda|230px|Barack Obama e o Imperador Akihito e Imperatriz Michiko, no Palácio Imperial, em 2014. Ao fundo, o Príncipe Nahurito e o Primeiro-ministro Shinzo Abe.