O foi um navio de guerra operado pela Marinha Imperial Japonesa e a quarta e última embarcação da Classe Kongō, depois do , e . Sua construção começou em março de 1912 nos estaleiros da Kawasaki em Kobe como um cruzador de batalha e foi lançado ao mar dezembro do ano seguinte, sendo comissionado na frota em abril de 1915. Era armado com uma bateria principal de oito canhões de 356 milímetros, possuía inicialmente um deslocamento de mais de 27 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 27 nós.
O navio passou seus primeiros anos patrulhando as águas perto da China durante a Primeira Guerra Mundial, porém pouco fez pela década seguinte. Depois disso a embarcação passou por duas grandes reconstruções, a primeira de 1926 até 1928 e segunda entre 1933 e 1934, em que sua blindagem foi reforçada, sua superestrutura reconstruída, seus maquinários substituídos, seus armamentos incrementados com uma defesa antiaérea, entre outras modificações. Estas várias alterações fizeram a Marinha Imperial Japonesa reclassificar o navio como um couraçado.
O Haruna operou perto da costa chinesa na Segunda Guerra Sino-Japonesa e depois teve uma carreira ativa durante a Segunda Guerra Mundial. Ele apoiou as invasões das Índias Orientais Holandesas e da Malásia e participou das batalhas de Midway e Guadalcanal em 1942, enquanto no ano seguinte movimentou-se entre diversas bases e fez surtidas em resposta a ataques de porta-aviões norte-americanos. Em 1944, o navio lutou nas batalhas do Mar das Filipinas e do Golfo de Leyte. O Haruna foi afundado por ataques aéreos em 28 de julho de 1945 e depois desmontado.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Kongō após suas modernizações para couraçados O Haruna foi o quarto cruzador de batalha da Marinha Imperial Japonesa. A Classe Kongō era tão grande, cara e bem armada quanto um couraçado, mas abria mão de proteção por uma velocidade maior. Foram projetados pelo engenheiro britânico George Thurston e encomendados em 1910 no Decreto de Expansão Naval Emergencial em resposta ao britânico . A classe foi projetada para se igualar aos cruzadores de batalha de outras grandes potências navais. O tamanho de seus canhões principais e o nível da proteção de sua blindagem, que compunha 23,3 por cento de seu deslocamento em 1913, eram muito superiores a de todos os outros navios capitais japoneses da época.
Como construído, o Haruna tinha 214,58 metros de comprimento de fora a fora, boca de 28,04 metros, calado de 8,22 metros e deslocamento normal de 27 384 toneladas. Seu sistema de propulsão tinha 36 caldeiras Kampon que impulsionavam duas turbinas a vapor Brown-Curtis, cada uma girando duas hélices, projetadas para produzirem 65,2 mil cavalos-vapor (48 mil quilowatts) de potência. O Haruna era capaz de alcançar uma velocidade máxima 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora). Ele carregava até 4,3 mil toneladas de carvão mais mil toneladas de óleo combustível que era borrifado sobre o carvão com o objetivo de aumentar sua taxa de queima, o que proporcionava um alcance de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora).
A bateria principal do Haruna consistia em oito canhões de 356 milímetros. Estes eram montados em quatro torres de artilharia duplas, duas na proa e duas na popa. Seus armamentos secundários originalmente tinham dezesseis canhões de 152 milímetros/50 calibres montados em casamatas a meia-nau, além de oito canhões de 76 milímetros. O navio também foi equipado com com oito tubos de torpedo submersos de 533 milímetros. O cinturão de blindagem superior tinha 152 milímetros de espessura, enquanto o cinturão inferior tinha espessura de 203 milímetros, com eles se afinando para 76 milímetros próximo da proa e da popa. O convés era protegido por uma blindagem que ia desde 38 milímetros até setenta milímetros de espessura. As torres de artilharia tinham placas de blindagem de até 229 milímetros de espessura. Por fim, a proteção da torre de comando chegava em até 229 milímetros de espessura.
História Início de carreira thumb|240px|O Haruna durante seus testes marítimos em 23 de janeiro de 1915 O batimento de quilha do Haruna ocorreu no dia 16 de março de 1912 nos estaleiros da Kawasaki em Kobe. A maioria dos componentes usados na construção foram produzidos no Japão. Devido a uma escassez de rampas de lançamento disponíveis, o Haruna e o foram os primeiros navios capitais da Marinha Imperial construídos por estaleiros japoneses particulares. Seu lançamento ocorreu em 14 de dezembro de 1913 e a equipagem começou no início de 1914. O capitão Funakoshi Kajishiro foi designado como seu oficial chefe encarregado da equipagem. O Haruna foi finalizado em 19 de abril de 1915 e comissionado no mesmo dia. Passou oito meses em testes e foi designado em 13 de dezembro para a Divisão de Couraçados 3. A embarcação deixou Sasebo em 9 de abril de 1916 para uma patrulha de dez dias pelo Mar da China Oriental. Foi colocado na reserva em 1º de dezembro de 1917.
O Haruna estava realizando exercícios de artilharia próximo de Hokkaido no dia 12 de setembro de 1920 junto com seus irmãos e outros navios quando uma explosão de retrocarga destruiu o canhão de estibordo da primeira torre de artilharia principal, matando sete tripulantes, ferindo oito e danificando seriamente o teto blindado da torre. A Marinha Imperial conduziu uma investigação que concluiu que um estopim defeituoso acendeu os sacos de pólvora dentro da culatra, detonando o projétil enquanto ainda estava no canhão. A torre foi consertada no Arsenal Naval de Yokosuka e a elevação máxima de todos os canhões principais foi aumentada em sete graus. O navio voltou para a reserva três meses depois.
A assinatura do Tratado Naval de Washington em 6 de fevereiro de 1922 limitou o tamanho da Marinha Imperial para uma razão de 5:5:3 com Reino Unido e Estados Unidos, significando que os japoneses poderiam ter três navios capitais para cada cinco dos britânicos e norte-americanos. Isto ocorreu porque o Japão estava limitado a um único oceano, enquanto os outros tinha acesso a dois. O Japão mesmo assim ficou com mais navios que França e Itália. O tratado também proibiu a construção de novos navios capitais até 1931, com nenhuma embarcação podendo exceder 36 mil toneladas de deslocamento. Foi permitido que navios capitais existentes fossem aprimorados com protuberâncias antitorpedo e conveses blindados, contanto que essas modificações não excedessem três mil toneladas. Na época que o tratado foi totalmente implementado, o Japão tinha três classes de navios capitais da época da Primeira Guerra Mundial: os cruzadores de batalha da Classe Kongō e os couraçados das classes Fusō e Ise.
Reconstrução thumb|240px|esquerda|O Haruna em 25 de maio de 1928 A Marinha Imperial, impedida de construir novos navios capitais, decidiu aprimorar e reconfigurar suas embarcações já existentes. O Haruna entrou em uma doca seca do Arsenal Naval de Yokosuka em julho de 1926 para se tornar o primeiro navio japonês a passar por um grande processo de modernização e reconstrução. Sua blindagem horizontal sobre os depósitos de munição e sala de máquinas foi fortalecida, espaços internos foram ampliados e protuberâncias antitorpedo foram adicionadas na linha d'água, como permitido pelo Tratado Naval de Washington. Ele também foi modificado para acomodar três hidroaviões. Suas 36 caldeiras originais foram removidas e substituídas por dezesseis novas caldeiras Kampon, enquanto novas turbinas a vapor foram instaladas. A chaminé dianteira foi removida e a segunda chaminé foi alargada e aumentada. As modificações no seu casco aumentaram o peso da blindagem em quatro mil toneladas, violando os termos do Tratado Naval de Washington. O Haruna passou a ser capaz de alcançar uma velocidade máxima de 29 nós (54 quilômetros por hora), sendo reclassificado em julho de 1928 como um couraçado.
O Haruna foi designado em 10 de dezembro de 1928 para a Divisão de Couraçados 4 na capacidade de navio especial do imperador Hirohito. Pelo ano seguinte a embarcação operou entre Sasebo, Ryojun e o Mar da China Oriental. Nobuhito, Príncipe Takamatsu e irmão mais novo de Hirohito, foi designado em 1.º de fevereiro de 1929 para a tripulação do couraçado. O Haruna foi transferido em 20 de novembro para a Divisão de Couraçados 1 e foi colocado na reserva em 1.º de dezembro de 1930. O Tratado Naval de Londres, assinado em 22 de abril, havia colocado ainda mais restrições nas forças navais dos cinco países signatários, incluindo o Japão. Vários dos couraçados mais antigos e obsoletos da Marinha Imperial foram descartados e a proibição da construção de novos navios capitais foi ampliada até 1937.
O navio transportou Hirohito em 8 de novembro de 1931 para uma visita oficial para a prefeitura de Kumamoto, dois meses depois da invasão japonesa da Manchúria. A Sociedade das Nações estabeleceu em 25 de fevereiro de 1933 que a invasão da Manchúria tinha violado a soberania chinesa. O Japão se recusou a aceitar o julgamento e saiu da organização no mesmo dia. Os japoneses também renunciaram de seus compromissos com o Tratado Naval de Washington e o Tratado Naval de Londres, dessa forma eliminando todas as restrições sobre o número e tamanho de seus navios de guerra. O Haruna foi designado para a Divisão de Couraçados 1 em 20 de maio.
Pré-guerra thumb|240px|O Haruna em 1935 O Haruna entrou em uma doca seca do Arsenal Naval de Kure em 1.º de agosto de 1933 em preparação para aprimoramentos que permitiriam que ele operasse junto com a frota de porta-aviões. Sua popa foi alongada em 7,9 metros, enquanto sua superestrutura foi reconstruída no estilo mastro pagode para permitir a instalação de novos equipamentos. Suas caldeiras foram removidas e substituídas por onze novas caldeiras Kampon, também recebendo novos modelos de turbinas a vapor. Uma catapulta de lançamento e trilhos foram instalados para permitir a operação de hidroaviões de reconhecimento Nakajima E8N e Kawanishi E7K.
Sua blindagem foi bastante aprimorada. O cinturão principal foi fortalecido para uma espessura uniforme de 203 milímetros, enquanto anteparas diagonais a profundidas de 127 a 203 milímetros também foram adicionadas para reforçar o cinturão de blindagem. As proteções das torres de artilharia principais foram fortalecidas para 254 milímetros, com 102 milímetros de blindagem sendo instalados em partes do convés. A blindagem das áreas próximas dos depósitos de munição também foi fortalecida para cem milímetros. A reconstrução foi finalizada em 30 de setembro de 1934. Suas reformas aumentaram sua velocidade máxima para 30,5 nós (56,5 quilômetros por hora), mesmo com um significativo aumento de deslocamento, com a Marinha Imperial reclassificando o Haruna como um couraçado rápido.
O navio foi designado em 1º de junho de 1936 para a Divisão de Couraçados 3. O Haruna realizou treinamentos de artilharia e patrulhas pelo litoral chinês no decorrer de 1937, principalmente próximo de Tsingtao. O Japão declarou guerra contra a China oficialmente em 7 de julho de 1937, iniciando a Segunda Guerra Sino-Japonesa. A embarcação transportou forças do Exército Imperial Japonês um mês depois para a China em preparação para campanhas contra os Nacionalistas Chineses. O Haruna voltou para a reserva em 1.º de dezembro. Ele foi designado um "navio de serviço especial" em 15 de novembro de 1940 e cinco meses depois retornou para a Divisão de Couraçados 3.
Segunda Guerra Primeiros anos