A história do Clube Atlético Mineiro em competições internacionais de futebol iniciou-se em 1972, ano em que pela primeira vez disputou um torneio oficial a este nível. Desde então, o clube brasileiro, sediado na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, participou de 23 edições de competições continentais oficiais e de uma edição de uma competição intercontinental oficial, todas no futebol masculino. O Atlético Mineiro venceu quatro títulos oficiais internacionais: a Copa Libertadores da América uma vez (em 2013), a Copa Conmebol duas vezes (em 1992, a primeira edição, e em 1997), e a Recopa Sul-Americana uma vez (em 2014). O clube foi também vice-campeão da Copa Conmebol em 1995, da Copa Ouro em 1993 e da Copa Master da Conmebol em 1996.
Antes da existência de competições internacionais entre clubes, o Atlético Mineiro havia jogado contra equipes estrangeiras a nível amistoso desde 1929, e realizado uma excursão pela Europa em 1950. O clube, ao longo de sua história, também disputou e venceu competições internacionais não-oficiais no futebol masculino profissional, e torneios internacionais de categorias de base. O departamento de futebol feminino do clube não participou de competições internacionais.
Como campeão brasileiro em 1971, o clube se classificou para a Copa Libertadores de 1972, sua primeira participação continental. O Atlético posteriormente estreou nas primeiras edições da Copa Conmebol, em 1992, da Copa Ouro, em 1993, e da Copa Master da Conmebol, em 1996. Sua primeira e única participação na Copa Mercosul ocorreu na edição de 2000, e a estreia na Copa Sul-Americana ocorreu em 2003 (a primeira edição da qual clubes brasileiros participaram). A primeira e única participação do clube em uma competição intercontinental se deu na edição de 2013 da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, na qual terminou em terceiro lugar.
O maior placar do clube em vitórias a nível internacional oficial é 6–0, ocorrido duas vezes, contra o Mineros na Copa Conmebol de 1995, e contra o Cobreloa, na Copa Libertadores de 2000. O goleiro Victor é o jogador com mais partidas disputadas em competições internacionais oficiais pelo clube, com 41; os atacantes Guilherme e Jô são os recordistas de gols marcados, com 11 cada.
Antecedentes e contexto miniaturadaimagem|O Grünwalder Stadion (imagem), em Munique, foi o local onde o Atlético Mineiro jogou sua primeira partida fora do Brasil, durante uma excursão à Europa em 1950.|240px Anteriormente à criação de competições oficiais internacionais de futebol entre clubes, o Atlético Mineiro foi a primeira equipe de Minas Gerais a jogar contra um time estrangeiro, ao derrotar o Vitória de Setúbal, de Portugal, por 3 a 1 em Belo Horizonte, em 1929. Ao longo das décadas seguintes, o clube disputou partidas amistosas contra equipes estrangeiras, incluindo seleções nacionais, e em 1950, realizou sua primeira excursão pela Europa, durante a qual jogou dez partidas em cinco países. Realizada pouco depois do traumático Maracanaço, a turnê e os resultados conseguidos pelo Atlético, vários dos quais sob condições climáticas adversas e neve, foram vistos pela imprensa esportiva nacional da época como uma conquista histórica para o próprio futebol brasileiro.
A primeira competição continental organizada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), a entidade controladora do futebol na América do Sul, foi a Copa Libertadores da América de 1960. Antes deste torneio oficial, Robinson Alvarez, presidente do clube chileno Colo-Colo, havia idealizado um Campeonato Sul-Americano de Campeões, que foi realizado em Santiago em 1948. Em 1958, o presidente brasileiro da CONMEBOL, José Ramos de Freitas, contatou as associações nacionais com a intenção de instituir uma competição anual entre clubes do continente. No ano seguinte, em um congresso da CONMEBOL em Caracas, foi decidida a criação da Copa dos Campeões da América, posteriormente renomeada como Copa Libertadores da América em homenagem aos heróis da independência sul-americana.
Entre 1959 e 1968 os campeões e vice-campeões da Taça Brasil de Futebol foram os representantes brasileiros na Copa Libertadores; a competição nacional havia sido criada com o intuito de selecioná-los. Clubes brasileiros não participaram das edições de 1966, 1969 e 1970 da Copa Libertadores, e em 1971 o campeão e o vice do Torneio Roberto Gomes Pedrosa preencheram as vagas brasileiras. De 1972 a 1989, os campeões e vices do Campeonato Brasileiro foram os representantes brasileiros; de 1990 a 1999 a segunda vaga foi ocupada pelos vencedores da Copa do Brasil. A Copa Libertadores teve um aumento no número de participantes em 2000, e desde então os vice-campeões e outras equipes melhores colocadas no Brasileiro também passaram a se classificar para o torneio.
A Copa Libertadores foi a única competição continental na América do Sul até a criação da Supercopa Libertadores em 1988 e da Recopa Sul-Americana em 1989. A primeira era disputada pelos vencedores anteriores do principal torneio continental, enquanto que na segunda se enfrentavam os vencedores da Libertadores e da Supercopa do ano anterior. Em 1992 foi instituída a Copa Conmebol, um torneio para as equipes melhores classificadas em seus campeonatos nacionais que não haviam se qualificado para a Copa Libertadores. Outras "Copas" menores foram introduzidas pela CONMEBOL ao longo da década de 1990, algumas delas com apenas uma edição, na maior parte das vezes envolvendo vencedores de competições anteriores. A Copa Mercosul e a Copa Merconorte substituíram a Supercopa em 1998, e posteriormente incorporaram a Copa Conmebol em 2000. Ambas foram substituídas em 2002 pela Copa Sul-Americana, que permanece como a segunda competição mais importante do continente. Em 2009, a confederação sul-americana introduziu a Copa Libertadores da América de Futebol Feminino, que passou a existir desde então como a única competição internacional oficial para esta categoria.
A nível intercontinental, entre 1968 e 1998, de forma intermitente, foi disputada a Copa Interamericana, entre os campeões continentais da CONMEBOL e da CONCACAF (a entidade que governa o futebol nas Américas Central e do Norte, e no Caribe). Entre 1969 e 2004, a confederação sul-americana e a UEFA (o órgão administrativo do futebol europeu), organizaram conjuntamente a Copa Intercontinental, uma competição entre os vencedores da Copa Libertadores e da Taça dos Clubes Campeões Europeus (posteriormente, Liga dos Campeões da UEFA). A Copa Intercontinental foi substituída em 2005 pela Copa do Mundo de Clubes da FIFA, que reúne os vencedores das seis confederações continentais.
História Primeiras participações (1972–81) A primeira participação do Atlético Mineiro na Copa Libertadores ocorreu na edição de 1972, para a qual se classificou como campeão do primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol em 1971. Na primeira fase, o Atlético foi sorteado para o Grupo 3, juntamente com os clubes paraguaios Olimpia e Cerro Porteño, e com o também brasileiro São Paulo, vice-campeão do Brasileirão. O Atlético não conseguiu avançar para fase seguinte, após empatar quatro jogos e perder um para o Cerro Porteño. Uma partida contra o Olimpia, jogada no Paraguai, foi encerrada aos 84 minutos com o placar em 2 a 2, porque o Atlético teve cinco jogadores expulsos, e os pontos dados ao clube paraguaio. De acordo com o lateral-esquerdo atleticano Oldair, o Olimpia praticou um jogo violento, e em um dado momento os jogadores atleticanos tentaram revidar, mas acabaram sofrendo mais violência, inclusive da polícia local. miniaturadaimagem|O Estádio Serra Dourada (imagem), em Goiânia, foi palco de um jogo-desempate entre Atlético Mineiro e Flamengo pela Copa Libertadores da América de 1981.|240x240px|alt=Seção lateral de um estádio oval, com assentos azuis e brancos vazios, vista do campo; o céu está azul e sem nuvens. O Atlético não participou da Copa Libertadores novamente até 1978, classificando-se como vice-campeão do Brasileirão de 1977, no qual perdeu para o São Paulo na final. Os clubes brasileiros foram novamente designados para o Grupo 3, desta vez acompanhados das equipes chilenas Unión Española e Palestino. O Atlético se classificou invicto para a fase seguinte, com quatro vitórias e dois empates. Na fase semi-final, então disputada na forma de um triangular, a equipe enfrentou os argentinos Boca Juniors e River Plate. O Atlético venceu apenas uma partida, contra o River, e o Boca avançou para as finais, que venceu.
Depois de mais dois anos de ausência da Copa Libertadores, o Atlético se classificou para a edição de 1981 como vice-campeão do Campeonato Brasileiro de 1980, no qual foi derrotado para o Flamengo. As finais havim tido arbitragem polêmica, com o atacante atleticano Reinaldo expulso diretamente, após marcar dois gols. Os representantes brasileiros novamente foram inseridos no Grupo 3, com Olimpia e Cerro Porteño (os quais o Atlético enfrentou pela segunda vez em uma fase de grupos da Libertadores). Os dois encontros entre as equipes brasileiras terminaram empatados em 2 a 2, e ambos os clubes venceram dois jogos e empataram dois contra os paraguaios, o que significou empate em pontos entre Flamengo e Atlético. As regras da competição previam jogo-desempate, em campo neutro, para se determinar qual equipe avançaria para as semifinais.
A partida foi jogada no dia 21 de agosto no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, um campo escolhido pelo Flamengo. Ao Atlético coube selecionar o árbitro, José Roberto Wright, que até antes da partida era tido como o melhor do país. Aos 33 minutos de jogo, Reinaldo, atacante e principal jogador do Atlético, recebeu um cartão vermelho direto após cometer uma falta no jogador flamenguista Zico, descrita pela imprensa como "normal" e "sem muita violência". Depois da falta, o jogador atleticano Éder foi expulso por reclamação, e o jogo foi interrompido. Um tumulto se iniciou, em que Palhinha e Chicão também foram expulsos, por insultarem o árbitro. Após o Atlético ficar com sete jogadores, o goleiro João Leite alegou uma lesão quando a partida foi reiniciada, mas Wright se recusou a interrompê-la. O defensor atleticano Osmar, então, segurou a bola com as mãos, impedindo o reinício, pelo que também foi expulso. A partida então terminou como um empate sem gols aos 37 minutos, porque o Atlético tinha menos de sete jogadores em campo. O resultado assegurou a classificação do Flamengo, que tinha o melhor saldo de gols na fase de grupos.
Após a partida, o Atlético tentou apelar para uma corte da Conmebol para que ela fosse anulada, sem sucesso. De acordo com Wright, a falta cometida por Reinaldo de fato foi "normal", mas a expulsão se deu em decorrência de um advertência verbal anterior. O árbitro também declarou que Éder, Palhinha e Chicão eram "chegados à indisciplina", e que teve de expulsar Éder para não perder o controle da partida. O episódio e a atuação do árbitro Wright foram descritas pela imprensa brasileira e sul-americana à época como "vergonha", "deplorável" e "vexame". O Flamengo avançou às semifinais e posteriormente venceu a competição.
Primeiros títulos e finais (1992–98) miniaturadaimagem|O Atlético Mineiro venceu seu primeiro título internacional oficial, a Copa Conmebol de 1992, no Estádio Defensores del Chaco (imagem).|230x230px|esquerda|alt=Dois times de futebol, um de verde e outro de branco, preparando-se para iniciar uma partida, em um estádio com arquibancadas vermelhas e brancas, com mais pessoas nesta; o céu está nebuloso e azul.