Wilson Barcellos Tibério (Porto Alegre, — Mazan, França, ), foi um artista plástico brasileiro, pintor, desenhista e escultor. O pintor e escultor, foi o terceiro dos quatro filhos do ferreiro Armando Tibério com a costureira Eraldina Barcellos. Seus irmãos mais velhos eram Armando e Rubens Tibério; Eraldo Tibério era o irmão mais novo. Tanto Eraldo quanto Eraldina faleceram quando Wilson ainda era criança. Sua paixão pelo desenho manifestou-se ainda na infância, quando passava horas copiando imagens. A atividade, que se tornava cada vez mais central em sua vida, era motivo de tensão familiar, sobretudo com o pai, que não aceitava o desejo do filho de se tornar artista.
Aos nove anos, Tibério perdeu a mãe, vítima de tuberculose aos 38 anos. A morte materna marcou profundamente sua infância. Alguns anos depois, o novo casamento do pai intensificou esse sentimento de perda, ao mesmo tempo em que se agravavam os conflitos dentro de casa. Os castigos corporais contra o jovem, que insistia em seguir o caminho da pintura, tornaram-se cada vez mais frequentes. Aos 16 anos, Wilson Tibério foge de casa, para seguir sua formação artística. Iniciou seus estudos de desenho aos 13 anos, no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre foi aluno de Bruno Lechowski. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 16 anos.Em 1936, Tibério chegou ao Rio de Janeiro, onde teve uma passagem simbólica registrada no jornal A Batalha. Em uma nota sobre um afogamento na Praia das Virtudes, lê-se: “Quando se banhava, quasi pereceu afogado o scenographo Wilson Tibério, residente à rua Maria Quiteria n. 90. Foi salvo pelos encarregados do posto de salvamento local e soccorrido pela Assistência Municipal.” Wilson Tibério atuou nos cursos livre do Núcleo Bernardelli, que questionava o ensino acadêmico da Escola Nacional de Belas Artes. Desde o começo, sua produção esteve enraizada na vida social da população afro-brasileira, abordando danças populares, favelas, retratos de sujeitos silenciados e denúncias da opressão e da pobreza nas margens da sociedade brasileira.
Os rituais afro-brasileiros, como o batuque, os candomblés cariocas e o vodu, estiveram entre os temas centrais das primeiras telas de Wilson Tibério. Esse interesse marcou o início de uma investigação artística mais ampla sobre as matrizes africanas no Brasil e resultou em sua primeira exposição individual, intitulada Motivos Afro-Brasileiros. A mostra foi inaugurada no dia 17 de outubro de 1945, 17h, na Galeria de Arte do Edifício da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, sob o patrocínio da própria ABI. A exposição foi dedicada ao sociólogo e antropólogo Arthur Ramos, reconhecido por seus estudos sobre as populações negras no Brasil. Na imprensa da época, Tibério foi apresentado como um dos artistas nacionais dedicados à representação de temas afro-brasileiros, com trabalhos inspirados em motivos negros e em questões sociais e étnicas. A exposição permaneceu aberta até 31 de outubro e foi destacada como um momento importante em sua trajetória artística.
Em 1947, recebe da Embaixada da França uma bolsa de estudos para aperfeiçoar sua técnica de pintura mural. Na França, Tibério se envolveu com artistas e pensadores do novimento Negritude, especialmente com Alioune Diop, escritor e fundador do jornal e casa de edição Présence Africaine e viajou para o continente africano, ficando por longo período especialmente no Senegal e na Costa do Marfim
Após mudar-se para Paris em 1947, Wilson Tibério passou a desenvolver sua carreira em diálogo com o ambiente artístico e intelectual francês do pós-guerra. Na França, frequentou círculos ligados à Présence Africaine, revista, editora e livraria que reuniu importantes nomes da negritude, do pan-africanismo e dos movimentos anticoloniais. Esse contexto contribuiu para ampliar sua pesquisa sobre temas afro-brasileiros, africanos e diaspóricos. A partir de Paris, Tibério também estabeleceu conexões com artistas e intelectuais negros de diferentes países, participando de uma rede internacional que articulava arte, política, memória e identidade negra. Esteve sempre ativo com os movimentos políticos movimentos políticos tendo se inscrito no Partido Comunista antes de deixar o Brasil e continuo em contato com partido ainda em sua estadia na França.
Wilson Tibério faleceu em 20 de julho de 2005, em Mazan, na França. Suas cinzas foram depositadas no Cemitério de Montparnasse, em Paris.
Obras A presença de obras de Wilson Tibério em acervos brasileiros é relativamente restrita. Entre as instituições que preservam trabalhos do artista estão a Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, vinculada ao Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que possui uma obra; o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, em São Paulo, com seis obras; o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, que conserva uma obra em sua coleção; e o Museu de Arte do Rio, no Rio de Janeiro, que também possui uma obra do artista. A dispersão dessas obras em diferentes instituições evidencia a presença ainda limitada, mas significativa, de Tibério em coleções públicas e museológicas no Brasil.
Auto-retrato, 1941 Bahia Cena de candomblé Praça onze Súplica Aldeia dos meus antepassados , 1948 Entrada de honra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Exposições II Salão de do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, 1940. Salão Nacional de Belas Artes, menção honrosa, Rio de Janeiro, 1941. Exposição de artistas gaúchos, Sociedade Brasileira de Belas Artes, Associação Cristã de Moços, Rio de Janeiro, 1941. Salão da Associação Brasileira de Imprensa, Rio de Janeiro, 1945. Motivos rituais Afro-brasileiros, Ministério da Educação, Rio de Janeiro, 1946. Exposição de Um Quadro Só, Instituto Brasil-Estados Unidos, Rio de Janeiro, 1946. Pintores Negros, no Museu Afro Brasil, São Paulo, 2008.
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