Festas juninas no Brasil, também conhecidas como festas de São João por celebrarem a natividade de São João Batista (24 de junho), são as comemorações anuais brasileiras adaptadas do solstício de verão europeu que ocorre no meio do inverno do hemisfério sul. Estas festividades, introduzidas pelos portugueses durante o período colonial (1500-1822), são celebradas durante o mês de junho em todo o país. A festa é celebrada principalmente nas vésperas das solenidades católicas de Santo Antônio, São João Batista, São Pedro e São Paulo.
No interior do estado de São Paulo, as festas juninas estão diretamente ligadas à cultura caipira paulista, sendo quase sempre vinculadas às músicas típicas e à culinaria regional, a qual varia conforme o local, mas normalmente incluem itens derivados do milho, tais como curau, pamonha, pipoca e também pratos originários no estado, como o cuscuz paulista, paçoca de amendoim, pé de moleque, maçã do amor, pastéis, bolinhos e diversas outras iguarias doces e salgadas. Como as noites de junho normalmente são frias no território paulista, bebidas alcoólicas aquecidas, tais como o quentão e o vinho quente também estão sempre presentes nessas festividades.
Na região Nordeste do Brasil, em decorrência da predominância do clima árido ou semiárido, essas festas não apenas coincidem com o fim das estações chuvosas da maioria dos estados da região, como também oferecem às pessoas a oportunidade de agradecer a São João pela chuva. Elas também celebram a vida rural e apresentam roupas, comidas e danças típicas (principalmente a quadrilha).
Origens e história
thumb|Festa junina brasileira em Salvador, com bandeirinhas coloridas e dançarinos de quadrilha.
A festa junina em celebração ao São João, chega ao Brasil com os jesuítas, no século XVI. A primeira menção sobre a festa junina e o São João no Brasil, ocorre em palavras do jesuíta Fernão Cardim, em seu Tratado da Terra e da Gente do Brasil (século XVI), relatando que a festa de São João era uma das mais celebradas pelos povos indígenas das aldeias da Bahia, especialmente na região do recôncavo baiano. De acordo com Cardim, as aldeias eram tomadas por fogueiras, e os indígenas pulavam sobre elas com entusiasmo, muitas vezes sem se preocuparem com vestimentas, chegando inclusive a se queimar levemente. O relato evidencia a forma espontânea e entusiástica com que a festividade cristã foi incorporada às práticas culturais locais.Fernão Cardim, Tratado da Terra e da Gente do Brasil, c. 1583.
Vários aspectos do festival têm origem nas celebrações do solstício de verão europeu, como a criação de uma grande fogueira. Muitas dessas comemorações já ocorrem com influência da sociedade rural brasileira. As festividades geralmente aconteciam em um arraial, uma enorme tenda com telhado de palha que era reservada para festas importantes no interior do Brasil antigo. Como o clima brasileiro é muito diferente do europeu, os participantes brasileiros costumavam usar o festival como uma forma de agradecer pela chuva. Uma grande fogueira é acesa durante o festival. Isso se origina de uma história católica de uma fogueira sendo acesa para alertar Maria sobre o nascimento de João Batista e assim para ter sua assistência após o parto, Isabel teria que acender uma fogueira em um morro. A maioria dos festivais ocorria longe da costa, mais perto do interior, onde ficavam muitas plantações maiores. Ainda governadas por Portugal, as cidades litorâneas, especialmente em Pernambuco, se industrializaram e tiveram uma prosperidade econômica muito maior. Na esperança de promover esse crescimento, o rei Dom João modificou sua política econômica para favorecer cidades como Recife em detrimento dos interesses rurais. Conforme a festa junina continuou a ser praticada nas cidades modernas ela tornou-se muito maior. Hoje, o tamanho das celebrações ultrapassou o da Europa. Embora sejam praticados e organizados principalmente por escolas e paróquias, muitas cidades organizam sua própria grande celebração. Entre as maiores festas juninas celebradas no Brasil, estão o São João de Caruaru, o São João de Campina Grande, o São João de Aracaju, o Bumba meu boi de São Luís e o Encontro Nacional de Folguedos em Teresina.
Tradições
thumb|Fogueira de São João em Goiânia, Goiás. miniaturadaimagem|"Quadrilha" em Sergipe, Brasil miniaturadaimagem|Menina com fantasia de caipira miniaturadaimagem|Bandeirolas de São João em São José do Jacuípe, Bahia. Umbilicalmente ligadas à vida campesina, personificada nas figuras dos caipiras ou matutos, é comum que, durante os festejos juninos, os homens se vistam de fazendeiros com grandes chapéus de palha e as mulheres usem rabo de cavalo, sardas, dentes pintados e vestidos xadrezes, notadamente nos estados do Sul e Sudeste do Brasil.
Piedades populares Os aspectos religiosos e de piedade popular do ciclo junino são numerosos e constituem parte fundamental das celebrações dedicadas a Santo Antônio de Lisboa, São João Batista e São Pedro. Em todo o Brasil, as festividades são acompanhadas por práticas devocionais como a Trezena de Santo Antônio, as novenas e tríduos dedicados a São João e São Pedro, procissões terrestres e fluviais, levantamento de mastros e bandeiras dos santos, além de diversas manifestações de religiosidade popular transmitidas entre gerações. Entre as tradições mais difundidas destacam-se as simpatias associadas a Santo Antônio, invocado como santo casamenteiro, bem como a realização de casamentos coletivos promovidos por paróquias e administrações públicas durante o período junino. Também são características do ciclo as fogueiras acesas em honra aos três santos juninos, tradição cuja origem é associada ao anúncio do nascimento de São João Batista e que posteriormente foi estendida às celebrações de Santo Antônio e São Pedro. Em diversas localidades litorâneas e ribeirinhas, São Pedro é homenageado com procissões marítimas e fluviais, refletindo sua condição de padroeiro dos pescadores. No Maranhão, por sua vez, destaca-se a tradição das fogueiras de paneiros, acesas por ocasião das festividades de São Marçal, em 30 de junho, encerrando simbolicamente o ciclo junino com grandes estruturas de palha e cestos trançados que iluminam ruas e arraiais da cultura popular maranhense.
Quermesses Nas regiões Sul e Sudeste, as festas juninas encontram-se fortemente associadas às quermesses, celebrações comunitárias tradicionalmente organizadas por paróquias, capelas e associações locais para arrecadação de recursos e promoção do convívio social. Nesses eventos, a programação religiosa costuma ser acompanhada por barracas de comidas típicas, apresentações musicais, quadrilhas, brincadeiras, bingos e leilões de prendas, constituindo uma das formas mais características de celebração do ciclo junino nessas regiões. Na cidade de São Paulo, destaca-se a Quermesse do Calvário, realizada pela Paróquia São Paulo da Cruz, em Pinheiros, amplamente reconhecida como uma das maiores e mais tradicionais quermesses da capital paulista, atraindo anualmente grande público e figurando entre os principais eventos juninos do município.
Comidas de milho As comidas de milho constituem um dos elementos gastronômicos mais característicos das festas juninas brasileiras, especialmente no Nordeste Oriental, onde o ciclo de São João coincide tradicionalmente com o período da colheita do milho. Em razão dessa associação entre calendário agrícola e calendário festivo, é comum que as celebrações juninas sejam marcadas pelo consumo de pratos preparados a partir do cereal recém-colhido, entre os quais se destacam a pamonha, o mungunzá, o milho cozido, o curau, os bolos de milho, a cocada de milho e diversas outras receitas típicas. A abundância dessas preparações durante o mês de junho reflete a histórica importância econômica e cultural do cultivo do milho para as comunidades rurais nordestinas, fazendo com que o alimento se tornasse um dos principais símbolos gastronômicos do ciclo junino e das comemorações dedicadas aos santos de junho.
Brincadeiras thumb|Guerra de espadas em Sairé, Pernambuco thumb|Apresentação de um bacamarteiro
Durante o ciclo junino, notadamente no âmbito das quermesses e festas paroquiais, é comum a organização de barracas com brincadeiras diversas, que servem, a um só tempo, como meio de arrecadar fundos e de entretenimento para a comunidade. As brincadeiras são, também, parte integral das festividades do mês de junho nas escolas de ensino básico.
Pescaria: as crianças usam uma vara de pescar para pegar latas ou papel desenhado para se parecer com peixes de uma caixa. Corrida do saci: as crianças pulam em uma perna até o final de uma linha em uma corrida, imitando o movimento do personagem folclórico saci perere. Corrida de três pés: onde dois participantes amarram uma das pernas na perna do parceiro e correm com a outra. Jogo de argolas: anéis são jogados em garrafas na tentativa de cair no gargalo. Tiro ao Alvo: lançamento de dardo na tentativa de ganhar mais pontos.
Danças Danças ao longo do festival envolvem a quadrilha. A maioria dessas danças surgiu na Europa do século XIX, trazidas pelos portugueses. A quadrilha apresenta formações de casais em torno de um casamento simulado, cujos noivos são o foco central da dança. Isso reflete a fertilidade da terra. Existem vários tipos de dança dentro da categoria de quadrilha. A cana-verde, uma subcategoria de estilos de dança fandango, é mais popular no sul e é principalmente improvisada. As danças envolvendo o bumba meu boi também marcam presença nesta festa, onde a dança gira em torno de uma mulher que deseja comer a língua de um boi. Seu marido mata o boi, para desespero do dono do boi. Um curandeiro entra e ressuscita o boi e todos os participantes comemoram.
Acompanhando essas danças está um gênero musical conhecido como forró. Este gênero tradicional utiliza principalmente sanfonas e triângulos, e tem como foco a vida e a luta dos caipiras. A música foca muito na saudade, um sentimento de nostalgia ou desamparo, pela vida rural na fazenda. Versões mais modernas da música podem incluir guitarras, violinos e bateria.
Pau de sebo
Música
Samba junino
Por estado
Bahia thumb|Esculturas juninas em Cruz das Almas, na Bahia
Ceará São João de Maracanaú thumb|São João de Maracanaú
Maneiro-pau
Festa de Santo Antônio de Barbalha
Espírito Santo
Maranhão thumb|São João do Maranhão
Pará
Paraíba Na Paraíba, o São João constitui um amplo ciclo de festas populares que tradicionalmente se inicia em 1.º de junho com a abertura da Trezena de Santo Antônio, estendendo-se ao longo de todo o mês com celebrações religiosas, manifestações culturais e grandes eventos festivos. Entre as principais festividades destacam-se o São João de Campina Grande, o São Pedro de Belém, o São João de Patos e a Festa do Bode Rei, realizada em Cabaceiras, que associa as tradições juninas à caprinocultura característica do semiárido paraibano. Paralelamente às grandes festas, o caráter religioso do período permanece vivo em manifestações de devoção popular, como a Festa de Santo Antônio de Fagundes, também conhecida como Festa da Pedra de Santo Antônio, que atrai anualmente milhares de romeiros e devotos para o ritual de passagem por baixo da pedra associada ao santo casamenteiro, uma das mais conhecidas tradições religiosas juninas do estado.
Campina Grande
Belém
Patos thumb|São João de Patos
Santa Rita thumb|São João de Santa Rita
Pernambuco thumb|São João de Caruaru