Cristian Brayner (Brasília, 19 de junho de 1977) é um gestor cultural, escritor, museólogo, tradutor, crítico literário, professor e pesquisador brasileiro.
Graduado em Direito, Filosofia, Letras (Língua e Literatura Francesa), Biblioteconomia, Museologia e Tradução, possui mestrado em Ciência da Informação, doutorado em Literatura e Práticas Sociais, tendo realizado seu pós-doutorado em História na Fundação Casa de Rui Barbosa.
Atualmente é Secretário de Cultura e Memória do Superior Tribunal de Justiça.
Biografia Nascido no subúrbio de Brasília, foi vendedor ambulante de cocada durante dez anos. Desde cedo, Brayner desenvolveu uma relação especial com os livros, na sua primeira visita a uma biblioteca, acompanhado da irmã mais velha, ouviu a leitura de A Arca de Noé e, o recebimento de seu primeiro livro, O Cesto de Juncos, presente de um vizinho português; a competição entre colegas da escola para ler o maior número de livros durante as férias; e as visitas diárias à Biblioteca Érico Veríssimo, localizada no subúrbio do Distrito Federal, onde comparava enciclopédias.
Aos 18 anos, inspirado pelo livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco, decidiu cursar Biblioteconomia na Universidade de Brasília (UnB). Após um estágio na Universidade Laval, graduou-se em Tradução, Letras (Língua e Literatura Francesas) e Filosofia, concluindo esta última com a apresentação da monografia A Nostalgia do Todo: A Prática das Virtudes no Itinerário da Alma em Santo Agostinho. Além disso, Brayner formou-se em Direito, dedicando sua monografia de conclusão de curso à análise da possibilidade de responsabilização penal do Estado pelo descumprimento do instituto do depósito legal.
Desejando aprofundar seus conhecimentos em documentação histórica, foi admitido na Scuola Vaticana di Paleografia, Diplomatica e Archivistica, mas optou por ingressar no Mestrado em Ciência da Informação da Universidade de Brasília, onde sua dissertação ("Os arquivos das primeiras prelazias e dioceses brasileiras no contexto da legislação e práticas arquivísticas da Igreja Católica") foi premiada na primeira edição do Concurso Latino-Americano de Investigación em Bibliotecología, Documentación, Archivística y Museología Fernando Baéz (Argentina).
Brayner concluiu seu doutorado em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília, com a tese e livro Devotos e Devassos: Representação dos Padres e Beatas na Literatura Anticlerical Brasileira (EdUSP, 2014), indicado ao Prêmio Jabuti em duas categorias (melhor crítica literária e melhor capa) e vencedor do Prêmio Casa de las Américas (Cuba), na categoria literatura brasileira. Produziu estudos sobre a relação entre a literatura e o sagrado, com especial interesse nos fenômenos da mística e do anticlericalismo.
Em 2016/2017, foi diretor do departamento de livro e bibliotecas (DLLLB) do Ministério da Cultura do Brasil (MinC) e, e subsecretário do departamento de patrimônio cultural do Distrito Federal devido estudos nesta área, como bibliotecário da Câmara dos Deputados desde 2009. Brayner buscou fortalecer o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler) e a presença brasileira nas feiras internacionais de livro.
Em maio de 2017, como diretor do departamento de livro e bibliotecas do MinC reuniu-se com a Associação Brasileira das Editoras Universitárias para discutir o projeto de distribuição de obras dessas editoras às bibliotecas públicas brasileiras e também obter informações sobre as dificuldades para o cumprimento da Lei do Depósito Legal (editores enviam exemplares da obra à biblioteca nacional). Em agosto de 2017, deixou o cargo de diretor do departamento, por dificuldades devido "cortes orçamentários e a anomalia institucional"; em oito meses esteve subordinado a quatro ministérios durante o governo presidencial de Michel Temer. Retornando assim a função de bibliotecário da Câmara dos Deputados e o ramo das políticas públicas do livro.
Em 2018, como então subsecretário do Patrimônio Cultural do Distrito Federal participou do seminário para discutir a informação pública no ambiente brasileiro, organizado pelo Departamento de Informação e Cultura, da Escola de Comunicação e Arte (ECA), da Universidade de São Paulo (USP). Com o objetivo de estudar/debater os caminhos da informação pública, apresentando duas propostas: o plano do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) do Ministério da Cultura (MinC) e; o projeto desenvolvido pela ECA/USP. Em 2019, participou da audiência pública da Comissão de Cultura que debateu o fortalecimento dos sistemas de bibliotecas públicas no Brasil.
Em junho de 2023, lançou o livro Leitores que vão para o inferno (independente), sobre a censura aos livros e as falas notícias que intensificaram nos últimos anos. Neste mesmo ano, por sua dedicação em promover o acesso à literatura para pessoas em situação de vulnerabilidade, foi agraciado com o título de Cidadão Mato-Grossense pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Também foi semifinalista do Prêmio Jabuti pelo Clube de Leitura dos Livros Banidos.
Em 2022 participou da elaboração do Plano Estadual do Livro, da Leitura, da Literatura e da Biblioteca de Mato Grosso (PELLLB-MT), Lei nº 11.820, de 28 de junho. Faz a formação de bibliotecários e agentes de leitura no estado, no Fórum de Bibliotecas Públicas de Mato Grosso desde 2017, na Universidade Federal de Rondonópolis e, no Instituto Federal do Mato Grosso. Também apóia a Academia Mato-Grossense de Letras.
Publicações Leitores que vão para o inferno. Brasília: Ed. do Autor, 2023. Bibliotecas brasileiras acessíveis. Brasília: Conselho Federal de Biblioteconomia, 2021. Bibliografia Brasília. Brasília: Edições Câmara, 2020. A biblioteca de Foucault: reflexões sobre ética, poder e informação. São Paulo: É Realizações, 2018. As bibliotecas beneditinas do Brasil: diagnóstico preliminar. Memória e Informação, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 87-99, jul./dez. 2017. O culto católico e a representação do corpo masculino na literatura anticlerical brasileira (século XIX). Varia História, Belo Horizonte, v. 30, p. 443-459, 2014. Devotos e devassos: representação dos padres e beatas na literatura anticlerical brasileira. São Paulo: EdUSP, 2013. Pastoreando ovelha ou rebanho? A figura da comunidade cristã à luz do decreto Presbyterorum Ordinis. Interações: Cultura e Comunidade, Uberlândia, v. 8, p. 117-127, 2013. A prática das virtudes no itinerário místico de Santo Agostinho. Brasiliensis, Brasília, v. 1, p. 81-105, 2012. Babel (confusão ou salvação?): religiosidade, secularização e mercado em "Babylon", de Zeca Baleiro. Ciências da Religião: História e Sociedade, Juiz de Fora, v. 7, n. 1, p. 28-49, 2009. Religião, patologia e feminilidade: uma análise da saudade em O homem (1887), de Aluísio Azevedo. Horizonte, Belo Horizonte, v. 6, p. 89-107, 2007. Os primeiros arquivos eclesiásticos brasileiros (1551-1854): diagnóstico. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 3, p. 25-44, 2007. Conhecer para conservar: a constituição e dispersão dos fundos arquivísticos da Igreja Católica na cidade de Goiás (GO). Arquivística.net, Brasília, v. 2, p. 52-69, 2006. Normas bibliográficas do Seminário Redemptoris Mater. Brasília: Centro de Estudos Filosófico-Teológicos Redemptoris Mater, 2012. 70 p. Os primeiros arquivos eclesiásticos brasileiros no contexto da legislação e práticas arquivísticas da Igreja Católica. Biblioclastía: los robos, la represión y sus resistencias en bibliotecas, archivos y museos de Latinoamérica. Buenos Aires: Eudeba, 2008. p. 69-140.
Prêmios Premio Casa de las Américas (2016) – Categoria "Literatura Brasileira".
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