Lúcio Postúmio Megelo () foi um político da gente Postúmia da República Romana, eleito cônsul por três vezes, em 305, 294 e 291 a.C. com Tibério Minúcio Augurino, Marco Atílio Régulo e Caio Júnio Bubulco Bruto respectivamente.Fasti Capitolini [em linha]Louis Moréri, Le grand Dictionaire historique, ou le mélange curieux de l'histoire sacrée et profane (1759), Suite chronologique des consuls romains, p.84s [google books]George Crabb, Universal Historical Dictionary: Or Explanation of the Names of Persons and Places in the Departments of Biblical, Political and Eccles. History, Mythology, Heraldry, Biography, Bibliography, Geography, and Numismatics, Volume 2 (1833), History of Rome, p.537 [google books]
Membro da antiga gente patrícia dos Postúmios, uma das principais envolvidas no chamado Conflito das Ordens, a luta dos plebeus pela igualdade política em Roma, a carreira de Megelo foi marcada pelo seu comportamento arrogante e opressivo em relação a seus colegas magistrados e com os cidadãos da República.Arnold, pg. 391 Sua carreira também foi intimamente ligada com a Terceira Guerra Samnita, pois era um dos principais generais romanos da época, o que lhe permitiu galgar até os mais altos cargos políticos. Megelo utilizou livremente suas vitórias para avançar sua carreira, muitas vezes desconsiderando a lei (como seu claro desrespeito às Leges Genuciae para conseguir seu terceiro mandato em 291 a.C.).
Lúcio Postúmio Megelo, cônsul em 262 a.C., era seu filho.
Início da carreira Megelo ganhou proeminência pela primeira vez durante seu mandato como edil curul, por volta de 307 a.C.,Broughton, pg. 165 quando ele multou pesadamente ("pecunia multaticia") todos os que violavam a Lex Licinia Sextia apoderando-se de terras públicas.Forsythe, pg. 342 Com o dinheiro arrecadado, Megelo prometeu construir um templo dedicado à deusa romana Vitória, uma promessa que ele cumpriu em 294 a.C.
Primeiro consulado (305 a.C.) thumb|direita|upright=1.3|Mapa do centro da península Itálica na época da Segunda Guerra Samnita (326–304 a.C.).
Megelo foi eleito cônsul em 305 a.C. com Tibério Minúcio Augurino.Lívio, Ab Urbe condita IX, 44. Já nos movimentos finais da Segunda Guerra Samnita, os dois cônsules se dirigiram a Sâmnio para continuar a guerra, cada um numa região diferente: Postúmio seguiu para Tiferno e Megelo, a Boviano (Bojano). Postúmio, que comandava a coluna oriental, superou uma forte resistência samnita em Tiferno antes de se juntar novamente à coluna de Megelo. Juntos, os exércitos lutaram na Batalha de Boviano, que foi a vitória decisiva e final da guerra, pois os samnitas pediram a paz após a perda de Boviano.
Retornando a Roma, Megelo e seu colega, o cônsul sufecto Marco Fúlvio Curvo Petino, tomaram as cidades de Sora, Arpino e Cerênia.Salmon, pg. 251 Lívio afirma que Megelo teria recebido um triunfo por sua vitória, mas esta informação não é confirmada pelos Fastos Triunfais.Broughton, pg. 166Smith, pg. 1008
Período intermediário (304–295 a.C.) Com o reinício das hostilidades, em 298 a.C., Roma rapidamente se viu precisando de comandantes militares com experiência em combate contra a coalização de inimigos, com samnitas ao sul aliados com os etruscos, úmbrios e gauleses ao norte. Assim, em 295 a.C., com Roma ameaçada por uma iminente invasão, Megelo, um cidadão privado e inelegível novamente para o consulado por causa da Lei Genúcia, recebeu poderes de um propretor como um "privatus cum imperio" ("cidadão privado com poder de império").Oakley, pg. 10 Ele recebeu o comando de uma legião, acampada no monte Vaticano, do lado direito do Tibre.Oakley, pgs. 274; 282 & 288 Como parte da campanha que culminaria na Batalha de Sentino, Megelo recebeu ordens de atacar os etruscos, em particular os exércitos e o território à volta da cidade de Clúsio.Broughton, pg. 178Oakley, pg. 292 Acredita-se que ele não esteve envolvido em mais nenhuma campanha de relevo e retornou para Roma logo depois que seu exército foi debandado.Oakley, pg. 293; Smith, pgs. 1008-1009
Segundo consulado (294 a.C.)
Em 294 a.C., foi eleito novamente, desta vez com Marco Atílio RéguloLívio, Ab Urbe condita X, 32.. Megelo recebeu o comando das forças do sul.Oakley, pg. 349 Primeiro Megelo foi para SoraLívio, Ab Urbe condita X, 33. e, de lá, seguiu para Marsica e para a Apúlia, onde foi derrotado e forçado a fugir. Depois de ser ferido, viu-se obrigado a se refugiar em Lucéria com uns poucos homens.Forsythe, pg. 327
Retornando a Roma para se recuperar de seus ferimentos, dedicou o Templo da Vitória, no Palatino, construído com as multas que aplicou durante seu mandato como edil curul. Depois de se recuperar, voltou para Sâmnio, onde capturou Miliônia (moderna Ortona dei Marsi)Lívio, Ab Urbe condita X, 34 e Ferentino, que fora abandonada para os romanos.Smith, pg. 1009
Relatos contraditórios afirma que Megelo também esteve na Etrúria em 294 a.C., mas tendem a ser desconsiderados por estudiosos modernos.Forsythe, pgs. 326-329 No final da temporada de campanhas militares, celebrou um triunfo sobre os samnitasOakley, pg. 372 que ficou famoso pois seus inimigos no Senado alegaram que ele não era devido, pois ele havia deixado a província que o Senado lhe apontou quando voltou para Roma ao ser ferido, uma tecnicalidade.Oakley, pg. 374 Ignorando a oposição, Megelo celebrou o triunfo sem a costumeira permissão do Senado, o que lhe valeu um considerável número de inimigos.Oakley, pg. 373
Período intermediário (293–292 a.C.) thumb|direita|upright=1.3|Mapa do centro da península Itálica na época da Terceira Guerra Samnita (298–290 a.C.). Logo que deixou o cargo, em 1 de janeiro de 293 a.C., Megelo foi imediatamente ameaçado com processo por seus atos como cônsul pelo tribuno da plebe Marco Câncio. Porém, com a crise em curso por causa da guerra contra os samnitas, sua habilidade militar ainda era desesperadamente necessária. Consequentemente, Megelo foi nomeado legado pelo cônsul Espúrio Carvílio Máximo e um acordo foi alcançado para suspender seu processo até o final da temporada.Arnold, pg. 392Broughton, pg. 181 Porém, as vitórias alcançadas por Carvílio Máximo, especialmente a Batalha de Aquilônia, na qual Megelo lutou, fizeram com que o julgamento jamais fosse realizado, pois seus adversários acreditavam que sua popularidade significava que ele seria inevitavelmente considerado inocente.
No final de 292 a.C., Megelo foi nomeado interrex para convocar a Assembleia das centúrias e realizar as eleições consulares.Broughton, pg. 183 Durante o processo, motivado pelo fato de que a guerra contra Sâmnio estava virtualmente vencida, ele tomou a decisão completamente fora do normal de nomear a si mesmo, violando a Lei Genúcia, que proibia que uma mesma pessoa servisse como cônsul novamente no espaço de dez anos.
Terceiro consulado (291 a.C.) thumb|esquerda|upright=1|Estátua de um soldado samnita em Pietrabbondante, na Itália. Depois deste movimento bastante polêmico, Megelo acabou eleito com Caio Júnio Bubulco Bruto.Lívio, Ab Urbe condita XXVII, 6.8. Seu primeiro ato foi exigir que Sâmnio fosse designada seu teatro de operações, sem esperar o usual sorteio pelos comandos provinciais. Apesar das árduas objeções de Caio Júnio, que decidiu não impor seu veto, o pedido de Megelo acabou atendido e ele partiu imediatamente com suas tropas, apesar de a resistência já estar quase completamente esmagada e o cônsul do ano anterior, Quinto Fábio Máximo Gurges, ainda estar em campo com seu exército com poderes proconsulares.Arnold, pgs. 392-3
No decurso dos dois anos anteriores, Megelo conquistou grandes porções de terras florestadas dos samnitas, que, embora tecnicamente fosse terras públicas, ele estava tratando como se fossem suas. Depois de marchar para a fronteira de Sâmnio, ao invés de seguir imediatamente até Gurges, que estava cercando Comínio, Megelo utilizou cerca de de seus soldados para começar a limpar a terra, o que levou um considerável período de tempo, antes de finalmente avançar.Oakley, pg. 509; Smith, pg. 1009Arnold, pg. 393 Segundo Dionísio de Halicarnasso, o invejoso Megelo impediu que Gurges tomasse a fortaleza samnita de Comínio.Oakley, pg. 188 Aproximando-se da cidade, ele escreveu para Gurges ordenando-lhe que deixasse Sâmnio. Gurges declinou, declarando que seu comando lhe havia sido concedido pelo Senado, e escreveu para Roma pedindo que o Senado confirmasse a ordem. O Senado enviou uma delegação de senadores até Megelo ordenando que ele não desfizesse um decreto do Senado.Arnold, pg. 393 Megelo respondeu aos enviados que, como ele era o cônsul romano legitimamente eleito, ele é que comandava o Senado e não cabia ao Senado ditar como ele deveria realizar seus deveres.Arnold, pg. 394 Ele então marchou para Comínio e forçou Gurges a renunciar ao seu comando. Gurges não tinha outra escolha a não ser obedecer e Megelo, assumindo o comando dos dois exércitos, imediatamente enviou Gurges de volta para Roma. Comínio rapidamente caiu e Megelo imediatamente realizou uma campanha contra os hirpínios, seguida pela captura de Venúsia.Salmon pg. 275Broughton, pg. 182
Com Venúsia tomada, Megelo recomendou que Senado a transformasse numa colônia e, apesar de a sugestão ter sido aceita, os senadores foram convencidos pelos Fábios, que eram inimigos jurados de Megelo,Torelli, Mario, Studies in the Romanization of Italy (1995), pg. 153 a não nomearem Megelo como um dos comissários responsáveis por determinar a distribuição das terras aos colonos e supervisionar a fundação da nova colônia. Furioso, Megelo decidiu distribuir todo o resultado de seus saques entre os soldados para que nada sobrasse para o Tesouro Romano. Além disso, ele debandou seus exércitos antes que seu sucessor pudesse chegar para assumir o comando. Retornando a Roma, ele exigiu um novo triunfo pelas suas vitórias, o que foi negado pelo Senado. Ele pediu então o apoio do povo, mas teve uma recepção morna. Incansável, Megelo pediu a ajuda dos tribunos da plebe e, embora tenha conseguido o apoio de três, os outros sete vetaram o pedido. O Senado, por sua vez, votou um triunfo para o homem que ele expulsou, Quinto Fábio Máximo Gurges, permitindo que ele reivindicasse o crédito pela captura de Comínio.
Anos finais Como consequência de seu comportamento agressivo, assim que Megelo deixou o cargo, em 1 de janeiro de 290 a.C., foi processado por dois tribunos da plebe com a acusação de ter empregado tropas do estado em suas próprias terras.Oakley, pg. 509 Ele foi condenado pelas trinta e três tribos romanas e multado em asses, a multa mais pesada imposta a um cidadão romano até então.Arnold, pg. 395
A última atividade pública conhecida de Megelo ocorreu em 282 a.C., quando Roma recebeu o pedido de interceder em nome da cidade de Túrio, que estava sofrendo com raides dos lucanos e brutos. Quando os romanos navegaram seus próprios navios até a baía de Tarento, os tarantinos assumiram o ato como uma violação do tratado que proibia navios romanos no local. Eles atacaram os navios com sucesso e imediatamente atacaram Túrio, capturando cidadãos romanos no processo.Forsythe, pgs. 350-351 Roma enviou Megelo até Tarento para exigir a soltura deles e a entrega dos tarentinos que haviam atacado Roma.Broughton, pg. 189 Suas exigências foram rejeitadas imediatamente e Megelo foi tratado sem o costumeiro respeito dispensado a embaixadores; os tarentinos zombaram sua toga romana, sua pronúncia imperfeita do grego e, quando levavam Megelo para fora da cidade, eles aparentemente urinaram nele.Forsythe, pg. 351
Ver também
Notas
Bibliografia
Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século IV a.C. Categoria:Romanos antigos do século III a.C. Categoria:Nascidos no século IV a.C. Categoria:Mortos no século III a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Ano de morte desconhecido Categoria:Segunda Guerra Samnita Categoria:Postumii Categoria:Inter-rei Categoria:Propretores da República Romana