Metrópole do Éfeso () foi um território eclesiástico (metrópole) do Patriarcado de Constantinopla no oeste da Ásia Menor, na atual Turquia. O cristianismo na cidade do Éfeso foi introduzido já pelo por . A comunidade cristã local compreendia uma das Sete Igrejas da Ásia mencionadas no Livro da Revelação, escrito por . A metrópole permaneceu ativa até 1922-1923.

História

Cristianismo Primitivo

thumb|upright=1.05|Denário de Domiciano thumb|upright=1.05|Túmulo de

Houve uma comunidade judaica em Éfeso por mais de 300 anos quando visitou a cidade em torno de 53. Paulo partiu em sua terceira jornada missionária em 54. Ele gastou três meses lecionando numa sinagoga num esforços de convencer os judeus a aceitar a união com os gentis do cristianismo, mas sem sucesso. Pelos próximos dois anos ele ficou no Éfeso procurando converter os judeus e gentis helenizados, e parece ter feito muitas conversões.

Tradicionalmente diz-se que teria chegado no Éfeso durante o período quando Agripa I estava suprimindo a Igreja de Jerusalém. Lá, estão registros de João sendo preso pelo imperador Domiciano . Ele foi libertado no final de sua vida e retornou para o Éfeso, onde pensa-se que escreveu seu evangelho. A tradição afirma que a Virgem Maria viveu no Éfeso próximo de João. Apolo, um judeu de Alexandria que era discípulo de , chegou ao Éfeso e encontrou-se com Áquila e Priscila.

O cânone cristão identifica a Epístola aos Efésios como uma carta da Igreja no Éfeso, e João de Patmos menciona a igreja como uma das Sete Igrejas da Ásia no Livro da Revelação. Na Revelação (), a perseverança da igreja, escrutínio em direção a alegados apóstolos e ódio dos nicolaítas são louvados, mas diz-se que a igreja tem "deixado seu primeiro amor", pelo que a Revelação chama pelo retorno dele.

Com base nestas tradições, geralmente acredita-se que a cidade abrigou uma comunidade cristã significativa já nos séculos I-II. Éfeso é associado com a vida de vários santos do período, tal como , irmão de Barnabé, Hermione, Aristóbulo, Paulo de Tebas, Adaucto e sua irmã Calístene. Também cogita-se que Maria Madalena viveu ali. Contudo, segundo a tradição cristã, o primeiro bispo do Éfeso foi Timóteo, aluno de Paulo. Após o , o cristianismo e paganismo coexistiram na cidade, mas o cristianismo tornou-se a religião dominante no curso do tempo. Isso é principalmente evidente com base na conversão de monumentos religiosos, o aumento do uso de símbolos cristão, bem como a destruição de vários locais pagãos de culto. O apóstolo João tem seu túmulo no Éfeso.

Antiguidade Tardia

thumb|esquerda|upright=1.05|Mapa das dioceses da Ásia Menor , onde consta a Pisídia thumb|esquerda|upright=1.05|Soldo de Teodósio II

Após o Primeiro Concílio do Éfeso (325) e a organização da administração eclesiástica nas províncias romanas, Éfeso tornou-se a sé duma metrópole, com o nome metropolita sendo eleito pelos bispos de sua província. A organização precoce da Igreja equiparou-se àquela do Império Romano, e como Éfeso era a cidade mais importante da província da Ásia, seus bispos tornaram-se "metropolitas da Ásia", um título que permaneceu em uso muito depois da província deixar de existir.

Com base na importância desta sé, os metropolitas efésios reclamaram autoridade regional bem maior que as fronteiras de sua própria província eclesiástica, compreendendo boa parte da Ásia Menor, mas essa ambição foi ameaçada pela ascensão do Patriarcado de Constantinopla, um processo cimentado por um dos cânones do Segundo Concílio Ecumênico de 381 que deu ao bispo de Constantinopla precedência sobre todos os outros bispos que não o bispo de Roma. Embora as ambições efésias foram apoiadas pelo rival de Constantinopla, o Patriarcado de Alexandria, no Concílio da Calcedônia em 451 suas reivindicações sofreram um baque decisivo. O bispo da vizinha Esmirna, que havia sido subordinado do Éfeso e sua maior rival local pela proeminência na província da Ásia, tornou-se um arcebispo autocéfalo, enquanto o Éfeso foi despromovido para segunda posição entre as sés sujeitas a Constantinopla, depois de Cesareia Mázaca na Capadócia. Estes foram grandes reveses, que a concessão do título de "exarca da Diocese da Ásia" para os metropolitas efésios não podiam melhorar.

No , a metrópole esteve envolvida em várias disputas eclesiásticas. O Primeiro Concílio do Éfeso foi realizado em 431, e o Segundo Concílio do Éfeso, por vezes chamado de "Concílio Roubado", foi realizado em 449. O patriarca Cirilo de Alexandria presidiu o primeiro concílio, que foi convocado pelo imperador para resolver a controvérsia nestoriana. O bispo efésio Memnão, apoiado por Cirilo, condenou o arcebispo de Constantinopla Nestório por heresia. O julgamento foi realizado apressadamente, antes dos apoiantes orientais de Nestório pudessem chegar. Quando a delegação oriental liderada pelo patriarca antioqueno chegou eles ficaram escandalizados com o que havia acontecido e presidiram seu próprio julgamento. Eles consideraram Cirilo e Memnão culpados e prenderam-os e receberam uma severa reprimenda imperial. Cirilo subornou oficiais do governo para readquirir sua posição. Dois anos depois, João e Cirilo chegaram a um acordo mútuo que temporariamente resolveu a disputa, até o papa , o Campeão da Ortodoxia, conveniar o Segundo Concílio do Éfeso.

thumb|Soldo de Zenão (r. 474–475; 476–491) thumb|Soldo de Justiniano

Em 475, o miafisista patriarca de Alexandria , apoiado pelo imperador Basilisco , restaurou o miafisista Paulo como metropolita do Éfeso durante o concílio conveniado na cidade, que tratou da questão de aceitar a circular miafisista de Basilisco. O patriarca Acácio de Constantinopla recusou-se a aceitar estas decisões e forçou o imperador a anulá-las. Os bispos da Diocese da Ásia renunciaram as decisões do concílio, enquanto o metropolita efésio Paulo foi deposto durante o segundo reinado do imperador Zenão .

Entre os metropolitas efésios mais importantes do estava Hipácio (ca. 530) e João. O primeiro lançou uma campanha contra o monofisitismo e cooperou estreitamente com o imperador Justiniano em várias questões eclesiásticas. Por outro lado, o metropolita miafisista João foi um missionário significativo, que pregou na cidade do Éfeso bem como no vale vizinho do rio Meandro e Sárdis. Sob permissão de Justiniano, converteu aproximados pagãos ao cristianismo.

Período bizantino médio e tardio

Éfeso continuou a desempenhar um papel ativo nas várias disputas eclesiásticas durante o período medieval. Quando a iconoclastia eclodiu (), o metropolita Teodósio foi um ardente advogado contra os ícones. Contudo, alguns dos clérigos locais recusaram-se a implementar uma política oficial que condenava o culto das imagens. Isso resultou em medidas estatais drásticas, incluindo a intervenção do exército, sob o general Miguel Lacanodraco, e expulsões massivas de monges.

thumb|esquerda|upright=1.05|Histameno de thumb|esquerda|upright=1.05|Áspro traqueia de

No séculos seguintes a metrópole manteve seu poder na hierarquia eclesiástica. Na Notititae Episcopatuum de período bizantino médio e tardio, Éfeso continuou a ser classificada em segundo lugar, depois de Cesareia, entre as metrópoles do Patriarcado de Constantinopla. Na segunda metade do , após a promoção do arcebispado autocéfalo de Esmirna como uma metrópole separada, Éfeso perdeu controle sobre três bispados: Foceia, Magnésia no Sípilo e Clazômenas, que permaneceram sob a metrópole recém-criada. Na primeira metade do , o estilita São Lázaro viveu sobre uma coluna nos confins do Monge Galésio, alguns quilômetros ao norte da cidade. O metropolita deu pouca atenção ao santo, e frequentemente foi suspeito ou abertamente hostil a ele.

Quando o imperador foi deposto em 1078, ele foi feito bispo do Éfeso. Após dois anos a cidade foi capturada pelos turcos seljúcidas, e ele retornou para Constantinopla onde viveu o resto de sua vida. Durante os anos após a queda de Constantinopla para a Quarta Cruzada (1204), a metrópole foi parte do Império de Niceia. O Patriarcado de Constantinopla foi transferido para Niceia neste período e isso levou ao aumento do prestígio dos metropolitas efésios. O imperador casou-se com uma princesa latina e em 1219 iniciou negociações para unir as igrejas. O então metropolita do Éfeso, Nicolau Mesarita, foi um dos principais oponentes desta política. Ele também foi muito influente na eleição dos patriarcas ecumênicos. Os metropolitas locais também estiveram envolvidos no cisma arsenita, que dizia respeito às questões levantadas após a deposição do patriarca em 1259. Pelo fim do reinado da dinastia lascárida a igreja do Éfeso parece ter sido rica. O metropolita Nicéforo foi para Niceia em 1206 com grande quantidade de dinheiro e foi eleito como patriarca, embora morreu logo depois.

Período Otomano

thumb|Metrópoles gregas ortodoxas anatólias ca. 1880

Miguel Luludes foi o último metropolita efésio antes da conquista da cidade pelos turcos ocorrida em outubro de 1304 ou 1305. Ele escapou para Creta e os turcos converteram a Igreja de São João Evangelista numa mesquita. Apesar disso, devido a sua antiga proeminência a hierarquia da Igreja Ortodoxa Grega fez esforços extraordinários para manter a sé ativa. Um novo metropolita, Mateus, não foi eleito até 1329, e levou 10 anos de tentativas infrutíferas e subornos dos emires locais antes que ele pudesse finalmente tomar residência em sua sé. Após chegar no Éfeso ele teve de lidar com a hostilidade dos novos governantes, enquanto todas as igrejas já haviam sido convertidas em mesquitas. Mateus foi finalmente permitido utilizar uma pequena capela como sua nova catedral. Em 1368, o patriarca ecumênico emitiu um pronunciamento unindo o metropolita de Pírgio com o Éfeso "para sempre"; o documento assinala que a metropolitana efésio não havia sido capaz pelos três anos anteriores de reintroduzir a sua igreja devido à hostilidade local. Mas mesmo esta união não evitou o declínio ainda maior do metropolita, e por 1387 a pequena comunidade não podia apoiar nem mesmo um pequeno sacerdote; como resultado, ao metropolita foi concedido as sés de Pérgamo, Clazômenas e Nova Foceia.

thumb|esquerda|O futuro , último metropolita efésio

Dificuldades similares também foram enfrentadas no pelo metropolita Marcos Eugênico, um importante membro da delegação grega no Concílio de Ferrara-Florença para discutir a reunião das igrejas em 1438-1439. Marcos foi o porta-voz das delegações ortodoxas e opôs-se fortemente a qualquer compromisso com os católicos romanos e fez muito para evitar que a união ocorresse. Mais adiante, como resultado da conquista otomana e subsequente introdução do islamismo na região no , o elemento cristão local declinou dramaticamente. Isso teve um impacto negativo na administração eclesiástica, pois as conversões da população indígena — frequentemente pela força — foram em larga escala.

Durante o , a sé da metrópole mudou-se para Teira (moderna Tire), enquanto provavelmente durante o final do foi transferida para Magnésia no Sípilo (moderna Manisa). Do , como resultado do aumento do elemento grego ortodoxo na Anatólia, algumas novas metrópoles foram criadas e consequentemente a área da Metrópole do Éfeso foi reduzida. No entanto, a jurisdição da diocese do Éfeso ainda incluía uma vasta área na Anatólia Ocidental e foi dividida em três distritos metropolitanos: Magnésia, Cordélio e Cidônies (moderna Ayvalik).