Há diferença entre sexo e gênero, podendo se referir tanto a papéis sociais baseados no sexo de uma pessoa (papéis de gênero) ou identificação pessoal do conhecimento interno baseado em gênero da pessoa (identidade de gênero). Cientistas sociais mais contemporâneos, cientistas de comportamental e biólogos, vários sistemas legais e corpos de governo, e agências intergovernamentais como a OMS fazem uma distinção entre gênero e sexo. Em algumas circunstâncias, o sexo de um indivíduo e o gênero não são compatíveis, e a pessoa pode ser transgênero.Prince, Virginia. 2005. "Sex vs. Gender." International Journal of Transgenderism. 8(4).

No discurso casual, sexo e gênero são frequentemente usados intercambiavelmente. Algumas línguas, como alemão ou finlandês, não têm palavras separadas para sexo e gênero. Alemão, por exemplo, usa Biologisches Geschlecht para sexo biológico, e Soziales Geschlecht para gênero quando fazendo a distinção.

Origem O sexólogo John Money introduziu a distinção terminológica entre sexo biológico e gênero social em 1955. Antes de seu trabalho, o uso do termo "gênero" era pouco comum em estudos acadêmicos (exceto para se referir a categorias gramaticais, por exemplo). No entanto, o significado da palavra dado por Money não se generalizou até à década de 1970, quando as teorias feministas abraçaram o conceito da distinção entre o sexo biológico e a construção social de gênero. Hoje, a distinção é rigorosamente seguida em alguns contextos, principalmente nas ciências sociais e em documentos escritos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Definições

Sexo O sexo refere-se à capacidade ou potencial de um organismo de produzir gametas grandes (óvulos) ou gametas pequenos (espermatozoides) e pode ser identificado à nascença por médicos com base nas genitálias ou com um rápido cariótipo. O sexo pode ser classificado em masculino e feminino.

Anisogamia, ou as diferenças de tamanho dos gametas (células sexuais), é a característica definidora dos dois sexos. Por definição, pessoas macho têm pequenas gametas (microgametas ou espermatozoides); indivíduos fêmea têm grandes gametas (óvulo, megagameta ou macrogameta).Martin Daly; Margo Wilson (1983). Sex, Evolution, and Behavior. Willard Grant Press. ISBN 978-0-87150-767-9. Em seres humanos, a determinação sexual se dá, primariamente, pelo gene SRY, normalmente presente no braço curto do cromossomo Y.

O consenso entre os cientistas é de que todos os comportamentos são fenótipos — complexas interações entre biologia e ambiente — e, portanto, a categorização inato ou adquirido é enganosa.Matt Ridley (2004). The Agile Gene: How Nature Turns on Nurture. HarperCollins. ISBN 978-0-06-000679-2. O termo diferenças sexuais é normalmente aplicado aos traços de dimorfismo sexual que se supõem terem ser evoluído como consequências da seleção sexual. Por exemplo, a "diferença sexual" humana quanto à estatura é uma consequência da seleção sexual, enquanto a "diferença de gênero" tipicamente vista como o comprimento dos cabelos (mulheres tendem a ter cabelos mais longos) não é.Linda Mealey (2000). Sex Differences: Developmental and Evolutionary Strategies. Academic Press. ISBN 978-0-08-054113-6.David C. Geary (2010). Male, Female: The Evolution of Human Sex Differences. American Psychological Association. ISBN 978-1-4338-0682-7. A investigação científica mostra o sexo do indivíduo influencia em seu comportamento.Haier, Richard J, Rex E Jung, and others, The Neuroanatomy of General Intelligence: Sex Matters, in NeuroImage, vol. 25 (2005): 320–327.Frederikse ME, Lu A, Aylward E, Barta P, Pearlson G (1999). Sex differences in the inferior parietal lobule. Cerebral Cortex 9 (8): 896–901. doi:10.1093/cercor/9.8.896. PMID 10601007.Marianne J. Legato; John P. Bilezikian (2004). Principles of Gender-specific Medicine. Gulf Professional Publishing. p. 70. ISBN 978-0-12-440906-4.

O sexo é notado como diferente de gênero no Oxford English Dictionary, onde ele diz que sexo "tende agora a referir-se às diferenças biológicas". A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma igualmente que "sexo refere-se à características biológicas e fisiológicas que definem homens e mulheres" e que "homem e mulher são categorias sexuais".Keith Brooke (2012). Strange Divisions and Alien Territories: The Sub-Genres of Science Fiction. Palgrave Macmillan. p. 177. ISBN 978-0-230-36027-3.

O dicionário Dicionário UNESP do português contemporâneo define sexo como "conjunto de caracteres estruturais e funcionais segundo um ser vivo é classificado como macho ou fêmea". UNESP. 2005. p. 1281. ISBN 978-85-7139-576-3.

Gênero

é uma gama de características pertencentes e diferenciadas entre a masculinidade, a neutralidade, a androginia e a feminilidade. Dependendo do contexto, essas características podem incluir o sexo biológico — seja ele masculino ou feminino —, as estruturas sociais baseadas no sexo, o papel social de gênero (e outros papéis sociais) e a identidade de gênero. Algumas culturas têm papéis de gênero específicos que podem ser considerados distintos da categoria "homens" e "mulheres", como a hijra na Índia e Paquistão.

A definição em uso da Organização Mundial de Saúde para seu trabalho é que "'gênero' refere-se aos papéis, comportamentos, atividades e atributos socialmente construídos que uma determinada sociedade considera apropriados para homens e mulheres" e que "'masculino' e 'feminino' são categorias de gênero."

A GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation) faz uma distinção entre sexo e gênero em sua mais recente Media Guide Reference: sexo é "a classificação de pessoas como homem ou mulher" no nascimento, com base em características corporais, como cromossomos, hormônios, órgãos reprodutivos internos e genitália. A identidade de gênero é "o senso interno e pessoal de ser um homem ou uma mulher (ou um menino ou uma menina)".

Alguns filósofos feministas afirmam que o gênero é totalmente indeterminado pelo sexo.Robert Benewick; Philip Green (2002). The Routledge Dictionary of Twentieth-Century Political Thinkers. Routledge. pp. 84–86. ISBN 978-1-134-86467-6.

O gênero, no sentido de distinções sociais e comportamentais, surgiu de acordo com evidências arqueológicas há "pelo menos cerca de 30.000 anos".Adovasio, J. M., Olga Soffer, & Jake Page, The Invisible Sex: Uncovering the True Roles of Women in Prehistory (Smithsonian Books & Collins (HarperCollinsPublishers), 1st Smithsonian Books ed. 2007 (ISBN 978-0-06-117091-1)), p. . Mais evidências foram encontradas há cerca de "26.000 anos",Adovasio, J. M., et al., The Invisible Sex, op. cit., p. 170 & see pp. 185–186. pelo menos, no Sítio arqueológico de Dolní Věstonice e outros, onde é hoje a República Checa.Adovasio, J. M., et al., The Invisible Sex, op. cit., p. . Isto é, durante o período de tempo do Paleolítico Superior.

O significado histórico do gênero, em última análise, derivado do latim genus, era "tipo" ou "variedade". Por volta do século XX, este significado era obsoleto e o único uso formal de gênero se deu na gramática. Isso mudou no início de 1970, quando o trabalho de John Money, particularmente o popular livro de faculdade Man & Woman, Boy & Girl, foi abraçado pela teoria feminista. Este significado de gênero é agora predominante nas ciências sociais; embora em muitos outros contextos, gênero inclui ou substitui sexo.

West e Zimmerman e o "fazendo gênero" Usado principalmente em estudos de sociologia e de gênero, o termo fazendo gênero refere-se ao conceito de gênero como um desempenho socialmente construído que acontece durante as interações humanas de rotina e não como um conjunto de qualidades essenciais com base no sexo biológico de alguém. O termo apareceu pela primeira vez no artigo de Candace West e Don Zimmerman Doing gender, publicado no jornal Gender and Society. Escrito em 1977, mas apenas publicado em 1987, Doing Gender é o artigo publicado mais citado da Gender and Society. West e Zimmerman afirmam que para entender o gênero como atividade é importante diferenciar entre sexo, categoria de sexo e gênero.

Transgeneridade

A transgeneridade é um grupo de identidades e experiências de sexo e variação de gênero, mudanças e misturas.<ref name="TRANS">Davidson, Megan. 2007. "Seeking Refuge Under the Umbrella: Inclusion, Exclusion, and Organizing Within the Category Transgender''. Sexuality Research & Social Policy. </ref> Isto é, quando o sexo observado de um indivíduo ao nascer não corresponde com o sexo com o qual se identifica. Sob a égide do transgênero inclui-se transexuais e pessoas não-binárias. As pessoas transexuais (e algumas não-binárias) muitas vezes se submetem à cirurgia de redesignação de sexo, tomam hormônios ou mudam seu estilo de vida para se sentirem mais confortáveis.

Teoria feminista Antecedentes do uso feminista de gênero incluem o trabalho da antropóloga Margaret Mead, que demonstrou que os papéis masculinos e femininos são culturalmente variáveis ​​e não biologicamente determinados, e da filósofa Simone de Beauvoir, que declarou a famosa frase: "Não se nasce mulher, torna-se mulher", argumentando que as mulheres são socialmente construídas como o Outro dos homens.

O livro Sex, Gender and Society (1972) de Ann Oakley foi fundamental na transformação do conceito de gênero de Money e Stoller em uma ferramenta analítica crítica, e o influente ensaio "The Traffic in Women" (1975) de Gayle Rubin introduziu a expressão sistema sexo/gênero como "o conjunto de arranjos pelos quais uma sociedade transforma a sexualidade biológica em produtos da atividade humana". Desde então, a distinção tem sido usada por feministas para desafiar a ideia de que as desigualdades entre homens e mulheres são naturais.

No entanto, as feministas que defendem que o sexo também é construído criticam-na. Feministas materialistas francesas como Christine Delphy, Colette Guillaumin e Monique Wittig argumentaram que a naturalização do sexo negligencia seu caráter social. Com base em Wittig, Judith Butler escreve:

Limitações

Inseparabilidade de fatores biológicos e culturais A distinção atual entre a diferença de termos "sexo vs. diferença de gênero" tem sido criticada como enganosa e contraproducente. Estes termos sugerem que o comportamento de um indivíduo pode ser dividido em fatores biológicos e culturais separados. Em vez disso, todos os comportamentos são fenótipos - um complexo entrelaçamento de ambos natureza e criação.Francis, D., & Kaufer, D. (2011). Beyond Nature vs. Nurture. The Scientist. 2011