A seguir está uma lista de pronúncias não nativas que falantes de inglês produzem ao tentar falar línguas estrangeiras. Muitas delas decorrem da transferência de regras fonológicas da língua inglesa para a nova língua, bem como de diferenças gramaticais e sintáticas com que se deparam.
Este artigo usa a notação do Alfabeto fonético internacional. Veja Wikipédia:AFI e IPA chart for English para uma introdução.
Esperanto Enquanto falantes anglófonos tendem a assimilar /m/ como [ɱ] antes de /f/ ou /v/, bem como /n/ como [ŋ] antes de /k/ ou /ɡ/, nenhum desses processos ocorre de forma rigorosamente regular em esperanto. Entretanto, uma vez que o próprio Zamenhof reconheceu esse tipo de assimilação, há debate sobre se isso constitui realmente um erro.Blanke, Detlev (2001), Studoj pri interlingvistiko, Studien zur Interlinguistik, KAVA-PECH, pp. 41, 330–331, ISBN 80-85853-53-1 Falantes tendem a pronunciar o esperanto /ɛ/ como [eɪ], a vogal presente na palavra inglesa pay.Eichholz, R.; Eichholz, V. Falantes tendem a reduzir vogais átonas.Eichholz, R.; Eichholz, V. Falantes tendem a pronunciar /x/ como [k] ou têm dificuldade em pronunciá-lo. Essa dificuldade está por trás da gradual mudança de ⟨ĥ⟩ para ⟨k⟩ (veja Esperanto phonology#Loss of phonemic ''ĥ''). Falantes tendem a pronunciar a consoante rótica como [ɹ], em vez de uma vibrante múltipla alveolar. Falantes de sotaques não-róticos tendem a não pronunciar o r em final de palavra ou antes de consoante. Outras dificuldades de pronúncia estão relacionadas à pronúncia de dígrafos. O dígrafo ⟨sc⟩ representa /st͡s/, embora falantes possam substituí-lo por [s] ou [sk]. O dígrafo ⟨kn⟩ representa /kn/, embora falantes possam silenciar o /k/. O ⟨g⟩ no dígrafo ⟨ng⟩ é sempre pronunciado.
Alemão Existem várias vogais da língua alemã que criam dificuldades para falantes de língua inglesa: Um dos casos mais difíceis é o /eː/ alemão, pois está mais à frente na boca do que nas variedades padrão do inglês; assim, falantes podem pronunciar o alemão Geht como se fosse o inglês gate. De forma similar, falantes podem pronunciar o alemão /oː/ com a vogal de goat, de modo que ohne é pronunciado [ˈəʊnə]. Falantes de inglês tendem a ter dificuldades com as vogais anteriores arredondadas /øː/, /œ/, /yː/ e /ʏ/. Falantes têm também dificuldades com o alemão /ɡ/ e /aː/, este último possivelmente pronunciado como [æ] ou [ɑː], respectivamente. Falantes de inglês também têm dificuldade com os dois sons representados por ch ([x] e [ç]) em alemão, particularmente com o último. Geralmente, ambos são substituídos por [k]; a substituição de [ç] por [ʃ] também é comum. Falantes de inglês têm igualmente dificuldade com o r gutural de muitos dialetos alemães.Jones & Ward (1969: 33)
Chinês (mandarim) Falantes de inglês têm dificuldade com os quatro tons lexicais do mandarim.
Russo Alguns falantes têm dificuldade com o r vibrante [r] do russo, especialmente o palatalizado [rʲ], uma vez que nenhum dos dois é um som do inglês. Falantes não-róticos, mesmo após aprenderem o r vibrante, são propensos a omitir /r/ em palavras russas como удар [uˈdar] ('golpe') e горка [ˈɡorkə] ('outeiro'). Dependendo do dialeto, falantes possivelmente têm dificuldade com o l velarizado [ɫ], que em russo contrasta com o palatalizado [lʲ], em posições que não sejam a coda silábica. Dificuldades com as vogais russas: Muitos falantes de inglês não têm o [ɨ] em seu sistema (embora seja um alofone em alguns dialetos; veja weak vowel merger) e têm dificuldades em geral para produzir esse som. Em seu lugar, possivelmente produzem [ɪ]. Falantes podem substituir /e/ pelo ditongo presente em day; por exemplo, pronunciando [ˈdeɪlə] em vez de [ˈdʲelə] para дело ('assunto'). Falantes provavelmente ditongam /u/, fazendo сижу [sʲɪˈʐu] ('eu sento') soar mais como [sɪˈʒʊu]. Alguns falantes podem também centralizar essa vogal para [ʉ]. Falantes também podem ditongar /i/ de maneira similar, especialmente em sílabas abertas. Falantes podem ter dificuldades com o russo /o/, pronunciando-o como [ɔ] ou [oʊ]. É provável que falantes tornem o segundo elemento dos ditongos russos insuficientemente fechado, fazendo-os soar como ditongos do inglês (por ex., [druzʲeɪ] em vez de [druzʲej]) ou os pronunciem longos demais. Falantes podem pronunciar /a/ como [æ] em sílabas fechadas, como в так ('tão'), e como [ɑ] em sílabas abertas, como в два ('dois'). Falantes também possivelmente têm dificuldade com o sistema de redução vocálica do russo, bem como com outros alofones vocálicos. Tendência a inverter a distribuição de [ɐ] e [ə]. Falantes de inglês tendem a pronunciar [ə] na posição pré-tônica, exatamente onde o russo exige [ɐ], enquanto pronunciam [ɐ] em posições pré-pré-tônicas, onde o russo usa [ə]. Dessa forma, falantes podem dizer голова ('cabeça') como [ɡɐləˈva] em vez de [ɡəlɐˈva], e сторона ('lado') como [stɐrəˈna] em vez de [stərɐˈna]. Não há indicadores gráficos que sinalizem a tonicidade correta em russo. Falantes devem memorizar onde reside o acento primário e secundário em cada palavra, sendo provável que cometam erros. Falantes tendem a não realizar a geminação de consoantes duplas.
Ver também Pronúncias não-nativas de inglês Redução de sotaque
Referências
Bibliografia Blanke, Detlev (2001), Studoj pri interlingvistiko, Studien zur Interlinguistik (in Esperanto and German), KAVA-PECH, ISBN 80-85853-53-1 Gottfried, T.L.; Suiter, T.L. (1997), "Effect of linguistic experience on the identification of Mandarin tones", Journal of Phonetics 25: 207–231, doi:10.1006/jpho.1997.0042 Hall, Christopher (2003), Modern German pronunciation: An introduction for speakers of English (2nd ed.), New York: Manchester University Press Jones, Daniel; Ward, Dennis (1969), The Phonetics of Russian, Cambridge University Press Zamenhof, L.L. (1963), Fundamento de Esperanto, Esperantaj Francaj Eldonoj
Categoria:Aquisição da linguagem Categoria:Comparação de línguas Categoria:Fonologia