"Hands to Myself" é uma canção da artista musical estadunidense Selena Gomez, gravada para o seu segundo álbum de estúdio Revival (2015). Foi composta por Mattman & Robin, Max Martin, Justin Tranter e Julia Michaels, e produzida pelos três primeiros — os quais também encarregaram-se da produção vocal. Uma das oito músicas compostas por Tranter e Michaels para o disco, a faixa foi desenvolvida para acrescentar uma perspectiva nova e feminina ao projeto. Ao contrário das obras anteriores, as quais foram recebidas pela cantora através da Interscope Records, esta foi elaborada com a presença de Gomez no estúdio, pois ela sentiu que possuía semelhanças emocionais com Michaels. Apesar do desejo da gravadora de que o produto já estivesse em processo de mixagem, eles tiveram quatro dias extras para se encontrarem em estúdio e gravaram uma demo produzida por Mattman & Robin que foi posteriormente enviada para o sueco Max Martin — o qual acrescentou efeitos vocais e realizou pequenos ajustes.

Descrita pela cantora como "um lindo acidente" e "provavelmente a melhor do álbum", "Hands to Myself" foi lançada oficialmente como o terceiro single do disco em 26 de janeiro de 2016, dia no qual foi enviada para rádios mainstream estadunidenses. Penúltima faixa a ser concluída para o álbum, é uma canção derivada dos gêneros dance-pop e synthpop movimentada com instrumentação que inclui palmas, baixo, sintetizadores, piano, bateria, um riff de guitarra obscuro reminiscente ao de "Where Is My Mind?", de Pixies, e percussão ligeiramente saltitante — inspirada por um copo que Michaels estava batendo durante a sessão de elaboração da obra. Gomez utiliza seus vocais mais altos para o belting e também seus vocais ofegantes e baixos em uma oitava acima de um sussurro. Liricamente, o número possui como temas a sedução e o flerte, tratando também de encontrar o amor através de situações boas e ruins.

"Hands to Myself" foi apreciada por críticos musicais, que elogiaram sua produção e suas letras atípicas, bem como a performance vocal versátil de Gomez. Alguns deles também deram ênfase ao trecho "Até poderia, mas por que iria querer?",No original: "I mean I could, but why would I want to?". citando-o como um dos melhores momentos na música pop em 2015, e também selecionaram a canção como uma das melhores do ano. Comercialmente, obteve um desempenho positivo, listando-se nas vinte primeiras colocações em tabelas musicais de vários países, como Austrália, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Nova Zelândia — onde tornou-se o mais bem sucedido da artista até o momento —, Noruega e Suécia. Nos Estados Unidos, atingiu a sétima colocação como melhor na Billboard Hot 100 durante a semana na qual "Same Old Love" também estava entre as dez melhores, e converteu-se no terceiro número um da cantora na genérica Pop Songs.

O vídeo musical correspondente foi dirigido por Alek Keshishian e estreou em 21 de novembro de 2015 exclusivamente na plataforma de streaming Apple Music, sendo lançado na Vevo dois meses depois. As cenas retratam Gomez como uma fã de um ator de Hollywood, e invade a casa dele. Quando este chega ao local, ela é presa e, depois da prisão, é revelado que os fatos ocorridos eram parte de um filme estrelado por ambos. Críticos avaliaram o trabalho positivamente, elogiando sua cinematografia e a aparência de Gomez, descrevendo-o como o seu vídeo mais sensual e revelador até o momento. Para a divulgação de "Hands to Myself", a intérprete cantou-a no evento de moda Victoria's Secret Fashion Show e no humorístico Saturday Night Live incluindo-a também no repertório da Jingle Ball Tour promovida pela iHeartRadio. A composição também foi dublada pelas modelos da Victoria's Secret em um vídeo feito em promoção ao evento da marca, usada em um comercial do Beats Pill — o qual também serviu como uma prévia do vídeo musical —, aparelho desenvolvido Beats Electronics, e regravada pelo australiano Troye Sivan.

Antecedentes e desenvolvimento Em junho de 2014, foi divulgado pelo portal Mstarz que Gomez lançaria no final daquele ano um álbum de grandes êxitos, que iria tornar-se seu último trabalho com a Hollywood Records. Em setembro seguinte, o Hits Daily Double noticiou que a cantora havia assinado um novo contrato com John Janick, chefe da Interscope Records, após sete anos com sua antiga gravadora. Na época, ela já tinha vendido mais de 2.8 milhões de álbuns e 18.1 milhões de singles somente nos Estados Unidos, incluindo seus discos com a banda Selena Gomez & the Scene. O contrato foi confirmado pela intérprete apenas no dia 13 de dezembro daquele ano, através de seu Instagram. Seu último lançamento com a Hollywood foi For You, álbum de grandes êxitos distribuído em 24 do mês anterior. Com isso, a musicista começou a trabalhar na criação de seu segundo álbum de estúdio. O primeiro single do novo CD, "Good for You", foi distribuído em 22 de junho de 2015, após uma grande divulgação por parte da artista. Depois, ela anunciou que a obra seria intitulada Revival e chegaria às lojas em 9 de outubro daquele ano. Outra música, "Same Old Love", serviu como o segundo single do produto, com "Me & the Rhythm" sendo lançada promocionalmente.

"Hands to Myself" é uma das oito canções compostas por Julia Michaels para Revival. Inicialmente, Michaels enviou algumas de suas obras para Gomez através da Interscope Records. Contudo, a cantora decidiu se encontrar com a compositora pessoalmente, deduzindo pelas letras que ambas possuíam similaridades emocionais. De acordo com Michaels, a musicista disse-lhe: "Eu sinto que você está passando pelo mesmo que eu, porque tudo que sinto você escreve. É uma parte muito grande da minha vida que é até assustadora". Como resultado, as duas começaram a trabalhar com o colaborador de longa data de Michaels, Justin Tranter. Michaels explicou que foi sua primeira colaboração com um artista da indústria musical; anteriormente, ela apenas escrevia as canções e as enviava para as gravadoras. Tranter viu a colaboração como "definitivamente uma combinação de pessoas querendo sair no lucro". Penúltima faixa a ser gravada para o disco, "Hands to Myself" foi descrita por Gomez como um "lindo acidente" e "provavelmente a melhor do álbum". Após o sucesso de "Good for You", também desenvolvida pelo trio, ela decidiu trabalhar com Michaels e Tranter por quatro dias extras, mesmo com a Interscope querendo que o disco já estivesse em processo de mixagem. Antes do começo das sessões, a cantora sentiu já ter explorado todos os temas que desejava em Revival, mas queria material adicional que fosse novo em uma perspectiva feminina.

A composição da música começou com o gancho "Não consigo me segurar", que foi gravado por Michaels pelo celular enquanto Selena o cantava no carro. Em seguida, Gomez perguntou a Tranter e Robin Fredriksson, do duo de produção Mattman & Robin: "Isso é estúpido? Acho que poderia ficar bem legal". Mais tarde, a compositora sugeriu à cantora que a canção tivesse um som reminiscente ao do artista Prince, o qual a estadunidense concordou com entusiasmo. Michaels também estava batendo um copo na mesa durante a sessão, o que inspirou um som semelhante na produção da música. Outro trecho, "O seu gim com suco em metáfora".No original: "Your metaphorical gin and juice". foi uma linha que Tranter tentou usar em outras "mil canções". O trio gravou uma demo em um dia sob a produção de Mattman & Robin, que sugeriram para a vocalista enviá-la ao produtor sueco Max Martin, para que este desse maior produção vocal. Inicialmente insegura, Gomez aceitou a sugestão. Martin respondeu-a imediatamente pelo FaceTime, descrevendo a canção como a melhor que havia ouvido no ano todo. Ele incluiu ad libs e ganchos vocais no final do refrão, ajustando também seu pré-refrão. A gravação de "Hands to Myself" ocorreu nos estúdios Wolf Cousins Studios em Estocolmo e Interscope Studios em Santa Mônica, Califórnia.

Composição

"Hands to Myself" é uma canção movimentada derivada dos gêneros dance-pop e synthpop, com duração de três minutos e vinte segundos (3:20). Inicia-se com um fundo mínimo e uma batida esparsa e pulsante. Seu instrumental é trabalhado com o uso de bateria, baixo, palmas, percussão ligeiramente saltitante, sintetizadores, guitarra e piano. Em seguida, a batida é pressionada e mudada conforme um riff obscuro de guitarra reminiscente ao de "Where Is My Mind?", da banda Pixies, é tocado por baixo dela. Usando sua voz mais baixa e vocais ofegantes, Gomez canta em uma oitava acima de um sussurro, abrangendo sua voz entre as notas de si bemol maior3 e dó5 e proferindo sua enunciação com uma sequência de sílabas consecutivas em "Não-con-sigo-me-se-gu-rar".

No pré-refrão, a canção apresenta um som de "pop tribal" com piano e sintetizadores sendo proeminentemente empregados. Gomez expande seu alcance vocal usando o belting nas linhas "Porque todos os altos e baixos / Fazem amor uns com os outros / E eu estou tentando / Tentando, tentando, tentando". No refrão, ela é acompanhada por vocais de apoio ofegantes, fornecidos por Michaels. Antes do refrão final, a música é cortada e a intérprete canta "Até poderia, mas por que iria querer?". desacompanhada, em uma sequência melódica. A faixa termina em uma dinâmica musical efervescente, com a voz da artista alternando-se entre diferentes suspiros. De acordo com a partitura publicada pela Kobalt Music Publishing America no Musicnotes.com, "Hands to Myself" foi composta no tom de mi bemol maior maior, com um ritmo moderado de 111 batidas por minuto. Apresenta uma sequência básica de acordes formada por mi bemol, sol menor, dó menor e si bemol maior como sua progressão harmônica, com os vocais da artista abrangendo-se entre as notas si bemol maior3 e dó maior5.

Liricamente, "Hands to Myself" é uma canção audaciosa que trata da sedução e do flerte, falando também sobre encontrar amor através de situações boas e ruins. Sam Wolf, da revista Vice, opinou que, em uma primeira audição, as letras sugerem que a faixa seja uma típica canção sobre desejo sexual, mas uma "tendência mais obscura" se torna aparente; ele explicou: "Há duas narrativas em jogo — uma verdade superficial e outra mais hostil". De acordo com Wolfson, o trecho "Todos os altos e baixos" implica um relacionamento afetado por drogas e saúde mental, posteriormente manifestados na linha "Os médicos dizem que você não faz bem". Spencer Kornhaber, periodista do The Atlantic, observou que a frase "O seu gim com suco em metáfora" "repreende a ideia de que [pessoas da] geração Y como Gomez, de 23 anos de idade, não entendem o significado de 'literal'; é uma descrição redundante, já que é pouco provado que ela está falando sobre um coquetel; e é mais uma prova da grande influência do gangsta rap de Long Beach".

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