Batalha de Isso foi a terceira grande batalha travada em 194 entre as forças do imperador Sétimo Severo e seu rival, Pescênio Níger, durante os eventos do "ano dos cinco imperadores".

Contexto Níger era o governador romano da Síria que havia sido aclamado imperador por suas tropas — assim como Severo — depois da morte de Pertinax.

Depois de sucessivas derrotas nas batalhas de Cízico e Niceia, ambas em 193, o exército de Níger conseguiu recuar com sucesso para os montes Tauro, onde passou a defender as Portas da Cilícia. Na época, o comandante das forças severianas, Tibério Cláudio Cândido, foi substituído por Públio Cornélio Anulino, provavelmente por não ter conseguido impedir a retirada ordenada do que restava do exército de NígerPotter 2004, p.104.

Batalha Finalmente, depois que Anulino chegou à Síria, a batalha final foi travada em maio de 1994, perto de Isso, o mesmo local onde Alexandre, o Grande, derrotou o rei persa Dario III em 332 a.C.. Severo se aproveitou dos reféns que havia feito entre os filhos dos governadores provinciais, que ficavam em Roma, e também das rivalidades locais entre as cidades da região, o que encorajou muitos destes governadores a mudarem de lado, o que resultou na deserção de uma legião inteira inteira e na sublevação de diversas cidades sob controle de Níger.

Os severianos atacaram primeiro, sob uma chuva de flechas, pedras e lanças. Segundo Dião Cássio, os legionários severianos se formaram em tartaruga (), uma formação na qual eles juntam seus escudos unidos uns aos outros para se protegeremThe Cambridge History of Greek and Roman Warfare: Rome from the Late Republic to the Late Empire, Cambridge University Press, 2007, pp.130-31. ISBN 0-521-78274-0. , e revidaram com seus próprios projéteisErdcamp, Paul. A Companion to the Roman Army, John Wiley and Sons, 2010, p.263. ISBN 1-444-33921-4. (porém, é possível que não tenha sido um testudo verdadeiro, geralmente utilizado durante cercos ou contra atacantes muito velozes, como a cavalaria). Na mesma hora, a cavalaria severiana atacou pela retaguarda. O combate foi duro, mas, no final, Severo conseguiu uma vitória decisiva e Níger fugiu para Antioquia. É provável que uma tempestade repentina tenha tido algum papel na vitória, diminuindo o moral das tropas de Níger, que estavam de frente para ela, pois eles atribuíram sua aparição a uma interferência divinaCampbell, J. B. War and Society in Imperial Rome, 31 BC-AD 284, Routledge, 2002, p.60. ISBN 0-415-27881-3. .

Um arco triunfal foi construído no local para comemorar a vitória.

Consequências Apesar da derrota de Níger não ter encerrado a guerra entre os dois rivais pelo controle do oriente (Níger foi capturado e assassinado dias depois), a cidade de Bizâncio resistiu ao cerco pelas tropas severianas até 196, possivelmente esperando que um terceiro rival pelo trono imperial, o governador da Britânia, Clódio Albino, que era, pelo menos nominalmente, aliado de Níger, derrotasse Severo no ocidente. Porém, o inverso ocorreu na Batalha de Lugduno.

Bibliografia

Potter, David S. The Roman Empire at Bay AD 180–395, Routledge, 2004. ISBN 0-415-10058-5.

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