Searle começou trabalhando na filosofia da linguagem e realmente não foi até que ele estava na meia-idade que ele entrou acidentalmente na filosofia da mente. Ele pensou que estava apenas tentando responder como funciona a linguagem, que os ruídos que saem de nossas bocas são apenas ruídos físicos, ondas acústicas, e ainda assim esse som é um fenômeno físico natural que tem significado. Com esse pensamento, Searle entrou no campo da filosofia da mente tentando descobrir como é que a partir da física chegamos na a semântica? Como, a partir do ruído, encontramos o significado? Então, isso é parte de uma questão geral sobre a natureza da relação entre a realidade humana e da realidade básica, como descrita pela física e química. Por 40 anos, esse tipo de pergunta tem sido uma preocupação constante de Seale. Ele declarou que ele não encontrou nenhum filósofo da mente que diz o que precisa ser dito, e por isso que ele escreve tantos livros sobre o assunto. Ele diz que vai continuar a escrever, apenas porque há muitas visões equivocadas que ainda estão por aí a fora. Ele ressalta que a pior catástrofe na filosofia da mente foi Descartes.Searle: it upsets me when I read the nonsense written by my contemporaries por Zan Boag (2014)

Problema do corpo e mente

Searle argumenta que nossa herança de René Descartes fez com que o problema corpo-mente pareça um problema insolúvel. Descartes acreditava que mentes e corpos são tipos de coisas radicalmente diferentes, com atributos essenciais distintos e incompatíveis: Corpo é um material inerentemente, movendo-se através do espaço e divisível em partículas; mentes são inerentemente conscientes, e a consciência não é estendida no espaço nem divisível em partes. Como entidades independentes, a mente e o corpo podem, portanto, existirem uma sem o outro. Assim, a pessoa (aquela entidade tem propriedades físicas e mentais) tem duas propriedades que são tão radicalmente distintas, Descartes alega. Assim, o subjetivo, o aspecto da primeira-pessoa da consciência deve ser algo distinto, além e acima, das propriedades neurais subjacentes.

A maioria dos filósofos, no entanto, assim como muitos, se não a maioria dos cientistas, rejeitam o dualismo em favor do materialismo: Não há nada para além das operações neurais do cérebro.Journal of Consciousness Studies Impact Factor & Information publicado pela "Researchgate.net" - ISSN 1355-8250 (2015) "Há um sentido em que o materialismo é a religião de nosso tempo", Searle observa. No entanto, os materialistas argumenta ele, não exorcizaram o fantasma de Descartes. Ao abraçar o lado da dicotomia cartesiana entre matéria e consciência, com sua visão redutora da matéria, eles não podem oferecer qualquer explicação plausível da mente.Mind: A Brief Introduction por J. Searle, dando seu próprio ponto de vista na introdução do livro da série "Fundamentals of Philosophy Series" publicado pela Oxford University Press ISBN 0195157346 ISBN 978-0195157345 (2005) A dicotomia os leva a tentar explicar a inexistência dela, ou mesmo a negar pura e simplesmente a realidade da consciênciaStill Deferring to Descartes? por David KelleyPh.D. (2005)

Para Searle, a confusão sobre objetividade e subjetividade é apenas a ponta do iceberg do problema mente-corpo tradicional. Embora, ele acredita, que o ideal seria que os cientistas estariam melhor se eles simplesmente ignoraram esse problema, pois em sua opinião, os cientistas são vítimas tanto das tradições filosóficas como qualquer outra pessoa, e muitos deles, como muitos filósofos, ainda estão sob o domínio das categorias tradicionais da mente e corpo, mental e físico, dualismo e materialismo, etc. A forma mais simples de se colocar o problema corpo-mente, diz Searle, é descobrir qual exatamente é a relação da consciência com o cérebro? Para ele há duas partes para este problema, a parte filosófica e uma parte científica. Ele acredita que teoria do Naturalismo Biológico da uma solução simples para a parte filosófica. Ele afirma que a solução é consistente com tudo o que sabemos sobre a biologia e sobre como o mundo funciona.

Consciência e outros tipos de fenômenos mentais são causados ​​por processos neurobiológicos no cérebro, e eles são realizados na estrutura do cérebro. Na teoria do Naturalismo biológico, a mente consciente é causada por processos cerebrais e ela é em si mesma uma característica do nível superior do cérebro. Why I Am Not a Property Dualist por John R. Searle (2004) thumb|200px|right|Qual exatamente é a relação da alma com o corpo? Searle nos pede para observarmos duas características da solução filosófica. Primeiro, a relação dos mecanismos do cérebro para a consciência é uma das causas. Processos no cérebro causam as nossas experiências conscientes. Searle propõe que a melhor maneira de mostrar como algo é possível é mostrar como efetivamente existe. As dores por exemplo, são concretamente causadas por processos neurofisiológicos que ocorrem no tálamo e no córtex sensorial. Durante muito tempo, inúmeros biológicos e filósofos pensaram que era impossível explicar a existência da vida em bases puramente biológicas. Julgavam que além dos processos biológicos deveria ser necessário algum outro elemento, deve postular-se algum élan vital para emprestar a vida ao que, de outro modo, era matéria morta e inerte. Houve anteriormente uma disputa entre o vitalismo e o mecanicismo, porém hoje não é levado a sério. Hoje conseguimos compreender melhor o caráter biológico dos processos que são características dos organismos vivos. Logo que compreendemos como as características típicas dos seres vivos têm uma explicação biológica, já não constitui para nós mistério algum que a matéria deva ser viva. Ainda não entendemos completamente os processos, mas compreendemos o seu caráter geral, e que há certas atividades eletroquímicas específicas que ocorrem entre os neurônios ou módulos neuronais e talvez outras características do cérebro, esses processam a consciência e causam as nossas experiências conscientes.

As experiências conscientes são sobre algo ou alguma coisa. O dualistas questionam como podem os átomos no vazio ter intencionalidade? Como podem eles ser acerca de alguma coisa?

Sobre este problema Searle da o exemplo da sede, que certos tipos de sede são causados no hipotálamo por sequências de explosão nervosas. A sede é causada por uma série de acontecimentos no sistema nervoso central. A sede é um estado intencional. As experiências visuais e auditivas, as sensações táteis, a fome, a sede, e o desejo sexual, são todos causados por processos cerebrais e realizam-se na estrutura do cérebro e são todos fenômenos intencionais.

Searle lida com o problema de como inserimos nós a subjetividade dos estados mentais no interior de uma concepção objetiva do mundo real falando que a existência da subjetividade é um fato que pode ser estudado da forma científica objetiva como qualquer outro fato. Assim a explicação da subjetividade dos estados mentais, visto que é justamente um fato óbvio que a evolução biológica produziu certos tipo de sistemas biológico, a saber, os cérebros humanos e de certos animais, que têm características subjetivas. O estado presente de consciência de uma pessoa é uma característica do cérebro dela, mas os seus aspectos conscientes são a ela acessíveis de um modo que não são acessíveis a uma outra pessoa. A existência da subjetividade é um fato objetivo da biologia. Searle comenta que é um erro definir “ciência” em termos de certas características existentes. Se o fato da subjetividade vai contra uma certa definição de “ciência”, então é a definição e não o fato que teremos de abandonar.Mind: A Brief Introduction por John Searle

Para o problema da causação mental: explicar como é que os eventos mentais podem causar eventos físicos. Como é que, por exemplo, algo “imponderável” e “etéreo”, como o pensamento pode suscitar uma ação? A resposta apresentada por Searle é que os pensamentos não são imponderáveis e etéreos. Quando temos um pensamento, está efetivamente a ocorrer à atividade cerebral. A atividade cerebral causa movimentos corporais mediante processos fisiológicos. Porque os estados mentais são característicos do cérebro, têm dois níveis de descrição – um nível superior em termos mentais e um nível inferior em termos fisiológicos. Os mesmos poderes causais do sistema podem descrever-se em qualquer um dos dois níveis. Segundo a concepção para Searle, a mente e o corpo interagem, mas não são duas coisas diferentes, visto que os fenômenos mentais são justamente características do cérebro. Uma maneira de caracterizar esta posição é vê-la como uma asserção do fisicalismo e do mentalismo.

Suponhamos que nós definimos o “fisicalismo ingênuo” como a concepção de que tudo o que existe no Mundo são partículas físicas com as suas propriedades e relações. O poder do modelo físico da realidade é tão grande que é difícil ver como podemos contestar seriamente o fisicalismo ingênuo. E definamos, o “mentalismo ingênuo” como a concepção de que os fenômenos mentais existem realmente. Existem, de fato, estados mentais; alguns deles são conscientes; muitos têm intencionalidade; todos têm subjetividade; e muitos funcionam causalmente na determinação dos eventos físicos no Mundo. O mentalismo e o fisicalismo ingênuos são perfeitamente consistentes entre si. Na realidade, tanto quanto sabemos algo sobre o modo como o mundo funciona, eles não só são consistentes, mas são ambos verdadeiros.

Em segundo lugar, estes processos não nos força a qualquer tipo de dualismo, porque a forma da causação é de baixo para cima, e o efeito resultante é simplesmente uma característica do nível superior do cérebro em si, não uma substância separada. A consciência não é como algum fluido esguichado para fora pelo cérebro. Um estado de consciência é sim um estado de que o cérebro está dentro. Assim como a água pode estar no estado líquido ou sólido, sem que liquidez e solidez sejam substâncias separadas, do mesmo modo a consciência é um estado que o cérebro está, sem ser a consciência uma substância separada. thumb|120px|right|Consciência é um fenômeno causado por processos físicos no cérebro? Searle oferece a solução filosófica sem usar nenhuma das categorias tradicionais de "dualismo", "monismo ", "fisicalismo" ou "materialismo", e todas as outras categorias. Ele acredita que essas categorias são obsoletas e afirma que se aceitarmos essas categorias, então temos o seguinte quadro: Temos uma escolha entre dualismo e do materialismo.

De acordo com o dualismo, a consciência e outros fenômenos mentais existem em um reino ontológico diferente de todo o ordinário mundo material da física, química e biologia. E de acordo com o materialismo a consciência não existe. Searle conclui que nem o materialismo ou o dualismo como tradicionalmente interpretados, nos permite obter uma resposta à pergunta: Qual exatamente é a relação da consciência com o cérebro?

Dualismo diz que existem dois tipos de fenômenos no mundo, o mental e o físico; materialismo diz que há apenas um, o material. Dualismo acaba com a possibilidade de uma bifurcação da realidade em duas categorias distintas e, portanto, torna impossível explicar a relação entre o mental e o físico. Mas o materialismo acaba por negando a existência de qualquer irredutível qualitativo estado mental subjetivo de sensibilidade ou consciência. Em suma, o dualismo torna o problema insolúvel; materialismo simplesmente nega a existência de qualquer fenômeno para ser estudado, e, portanto, nega qualquer problema.

Consciência