A eleição para o Senado federal dos Estados Unidos pelo Estado de Nova Iorque em 2000 foi realizada em 7 de novembro daquele ano, juntamente com a eleição presidencial e as eleições de representantes estaduais e federais. A então primeira-dama norte-americana Hillary Rodham Clinton, a primeira primeira-dama a concorrer para um cargo político eletivo, derrotou o congressista Rick Lazio.
A eleição teve início em novembro de 1998, quando o senador democrata durante quatro mandatos consecutivos Daniel Patrick Moynihan anunciou sua aposentadoria. Tanto o Partido Democrata quanto o Partido Republicano planejaram indicar candidatos proeminentes para concorrem ao cargo em aberto. No início de 1999, Hillary e o prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani eram indicados como os prováveis candidatos de seus respectivos partidos. No final de abril e em maio de 2000, Giuliani viveu um período tumultuado de quatro semanas, que culminou em sua retirada da disputa.
Os republicanos então escolheram o representante Rick Lazio para concorrer pelo partido. Esta eleição teve um recorde de despesas de campanha, estimado entre US$ 70 e US$ 90 milhões, e atraiu uma grande visibilidade nacional. Hillary mostrou força em áreas do norte do estado normalmente republicanas e um erro cometido em um debate por Lazio solidificou o apoio anteriormente instável da democrata entre as mulheres. Hillary acabou sendo eleita para o Senado na eleição geral de novembro de 2000 com 55% dos votos votos válidos, contra 43% de Lazio.
Uma vaga em aberto atrai candidatos proeminentes thumb|O senador democrata Daniel Patrick Moynihan, que decidiu não concorrer a reeleição em 2000.
Quando o senador durante quatro mandatos consecutivos Daniel Patrick Moynihan anunciou sua aposentadoria em 6 de novembro de 1998, a sua vaga no Senado anteriormente considerada segura para os democratas passou a ficar em aberta para o ciclo eleitoral de 2000. Tanto os democratas quanto os republicanos tentaram encontrar candidatos proeminentes e competitivos para disputar esta vaga em aberto.
O prefeito de Nova Iorque Rudy Giuliani, que foi impedido pela legislação municipal de concorrer a um novo mandato, imediatamente indicou interesse em concorrer. Devido ao seu perfil e a sua visibilidade elevada, Giuliani foi apoiado pelo Partido Republicado estadual, apesar de ele ter irritado muitos republicanos ao apoiar o então governador democrata Mario Cuomo ao invés do republicano George Pataki na eleição para o governo em 1994. Giuliani então se tornou o provável candidato republicano, e em abril de 1999 formou um comitê para explorar sua candidatura ao Senado. Ainda havia possíveis adversários na primária republicana. Rick Lazio, um congressista que representava Suffolk e Long Island, estava arrecadando fundos e era esperado que anunciasse sua candidatura em 16 de agosto de 1999; ele havia discutido abertamente uma primária contra Giuliani, acreditando que o seu histórico mais conservador seria atraente entre os eleitores republicanos. No início de agosto, sob pressão de figuras republicanas estaduais e nacionais, o governador Pataki anunciou seu apoio a Giuliani. Pataki prevaleceu e Lazio renunciou a sua candidatura, apesar da frustração de que Giuliani ainda não estava oficialmente concorrendo. Na época, Lazio declarou: "Se o prefeito quer ser candidato, eu acho que ele precisa entrar nesta disputa." O congressista de Nassau Pete King também considerou concorrer e tinha arrecadado alguns fundos.
A congressista Nita Lowey foi a primeira candidata a ser esperada que se tornasse a escolhida dos democratas, enquanto o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano Andrew Cuomo também era mencionado como um possível candidato. Figuras democratas estaduais estavam preocupadas que nem Lowey nem outros candidatos tinham o poder para rivalizar com Giuliani, e que a vaga estaria perdida. No final de 1998, proeminentes políticos e assessores democratas, incluindo o congressista Charles Rangel, instaram a primeira-dama Hillary Rodham Clinton a concorrer. Se ela decidisse concorrer, esta seria uma ação sem precedentes. Ela passou um tempo considerável pensando na ideia enquanto Lowey esperava. Seus assessores políticos lhe disseram que a eleição seria difícil e alguns achavam que ela iria perder. Hillary então esperou que o processo de impeachment de Bill Clinton fosse concluído, o que resultou em sua absolvição em 12 de fevereiro de 1999.
Início da campanha de Hillary thumb|upright|Hillary durante um discurso em 2000.
Em 16 de fevereiro de 1999, o escritório da primeira-dama anunciou que ela estava considerando concorrer ao Senado. Uma vez que ficou claro que Hillary estava se preparando para concorrer, Lowey se afastou, embora ela iria se decepcionar com a oportunidade perdida. Em 7 de julho de 1999, Hillary anunciou formalmente um comitê exploratório;Gerth, Van Natta Jr., Her Way, pp. 208-209. o cenário do anúncio era a fazenda de Moynihan em Pindars Corners, na zona rural do Condado de Delaware. Bill Clinton estava menos entusiasmado com a candidatura da esposa. A realização do evento foi planejado por Mandy Grunwald, consultora política dos Clinton. Após anunciar sua entrada na disputa, a primeira-dama iniciou uma "excursão de escuta" em todas as partes de Nova Iorque. Ela planejava visitar todos os 62 condados para falar com pequenos grupos de nova-iorquinos.Gerth, Van Natta Jr., Her Way, p. 210. Durante a eleição, ela passou um tempo considerável fazendo campanha em regiões do norte do estado tradicionalmente republicanas. Hillary enfrentou acusações de ser uma aventureira política, já que nunca havia residido no estado de Nova Iorque nem participado diretamente da política estadual antes de sua eleição para o Senado.
Enquanto isso, em setembro de 1999, os Clinton compraram uma casa de US$ 1,7 milhão em Chappaqua, localizada ao norte da Cidade de Nova Iorque. Em novembro de 1999, Hillary anunciou que iria pôr de lado a maioria de seus deveres oficiais como primeira-dama para passar a residir em Nova Iorque e prosseguir com a sua campanha. Sua mudança ocorreu em janeiro de 2000, e a casa foi mobiliada com muitos objetos que o casal tinha de seus dias no Arkansas. Esta foi a primeira vez desde 1914, quando a primeira esposa de Woodrow Wilson morreu, que um presidente viveu na Casa Branca sem um cônjuge.
Os primeiros estágios da campanha de Hillary não ocorreram sem erros, e, como mais tarde ela escreveu, "Erros na política de Nova Iorque não são facilmente ignorados."Living History, p. 509. Em um ato muito divulgado, Hillary vestiu um boné de beisebol do New York Yankees em um evento em junho de 1999, apesar de ter sido uma torcedora de longa data do Chicago Cubs. Este ato gerou muitas críticas, e Thomas Kuiper viria a escrever um livro anti-Clinton intitulado: Eu sempre fui um fã dos Yankees: Hillary Clinton em suas próprias palavras. Em sua autobiografia de 2003, ela escreveu que colocar o boné tinha sido uma "má jogada", mas reiterou o que havia sido reportado pela imprensa na época de que era uma fã de Mickey Mantle, jogador dos Yankees durante as décadas de 1950 e 1960;Living History, página 509. em seu livro também foi publicado uma fotografia dela com um boné dos Yankees em 1992.Living History, foto 40 da primeira seção de fotos.
Em 11 de novembro de 1999, em um evento na Cisjordânia, a primeira-dama foi fotografada beijando a bochecha de Suha Arafat, esposa do presidente da Palestina Yasser Arafat, após Suha ter proferido um discurso no qual afirmou que Israel tinha envenenado deliberadamente palestinos através da degradação ambiental e da utilização de "gás venenoso". Alguns defensores israelenses disseram que ela nunca deveria ter beijado a esposa do líder palestino, especialmente após tais comentários inflamatórios. No dia seguinte, Hillary divulgou uma declaração pedindo a israelenses e palestinos que se abstenham de "fazer acusações inflamatórias". Ela também afirmou que o negociador palestino Saeb Erekat tinha dito a ela que Suha estava se referindo a "gás lacrimogêneo" e não "gás venenoso". O beijo tornou-se um tema de campanha, especialmente entre os eleitores judeus. Hillary alegou que, como uma formalidade semelhante a um aperto de mão, se ela não o fizesse teria causado um incidente diplomático. Hillary mais tarde escreveu que a tradução ao vivo do árabe para o inglês não conseguiu transmitir a natureza exata das observações de Suha: "Se eu estivesse consciente de suas palavras de ódio, eu teria as denunciado no local."Living History, pp. 509-510.
Surpreendentemente, Hillary enfrentou uma erosão de apoio entre as eleitoras durante sua campanha, com suas intenções de voto em declínio ao longo de 1999. Isso foi em parte um padrão típico observado com mulheres candidatas, que recebiam um surto inicial de apoio feminino, mas que, em seguida, desaparecia; no caso de Hillary, isso também ocorreu em parte devido aos seus tropeços iniciais. Mas também refletiu o conjunto particular de uma mistura de sentimentos que as mulheres tiveram com o seu casamento e sua ambição pelo poder. O problema era especialmente agudo entre alguns dados demográficos do sexo feminino.
A campanha de Hillary visitou com uma van todos os condados, o que ajudou a neutralizar a ideia de que era uma aventureira política, e muitos moradores de Nova Iorque diziam que ela "parece um de nós." Ela discutiu questões locais, como o apoio aos preços da indústria leiteira, tarifas das viagens aéreas, os níveis de matrículas nas faculdades e a fuga de cérebros em partes do estado. Suas posições políticas foram bem adaptadas aos diferentes condados do estado. Em janeiro de 2000, participou do programa Late Show with David Letterman, e estabeleceu um relacionamento com o apresentador David Letterman que continuaria ao longo de seus anos como senadora e em sua campanha presidencial de 2008.Gerth, Van Natta Jr., Her Way, p. 211. Em fevereiro de 2000, anunciou oficialmente sua candidatura em Purchase, e adotou o nome "Hillary" para seu material de campanha. Desconfiada pela imprensa desde a campanha presidencial de Bill em 1992 e de seus primeiros dias como primeira-dama, ela impôs limites de acordo com sua disponibilidade para que a imprensa pudesse segui-la de sua van
Início da campanha de Giuliani thumb|upright|Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova Iorque, em novembro de 2009.
Uma pesquisa do Instituto Marista divulgada em janeiro de 1999 indicou Giuliani com 10% de vantagem sobre Hillary. Em janeiro de 2000, a pesquisa do Marista revelou que a vantagem havia caído para 9%. As táticas do prefeito envolvia atrair a campanha de Hillary intencionalmente com exageros deliberados, mantê-los fora de equilíbrio e para trás no ciclo de respostas. Giuliani enfatizou sua representação da primeira-dama como uma aventureira. Ele fez uma visita de um dia a Little Rock, onde anunciou que iria hastear a bandeira do Arkansas na prefeitura de Nova Iorque. Quando Hillary visitou Nova Iorque, ele declarou: “Espero que ela conheça o caminho. Espero que ela não se perca em uma das ruas laterais.” A campanha republicana preparou um dossiê de 315 páginas sobre a democrata, que incluía o período da primeira-dama na Wellesley College; e que também incluía onze páginas do que denominaram de "Ações e Comentários Estúpidos". Giuliani não tinha problemas em arrecadar dinheiro, e obteve 40% de seus recursos de doações de fora do estado.