A Comarca do Rio de São Francisco foi uma comarca instituída por alvará régio de João VI em 3 de junho de 1820, desmembrada a partir da comarca do Sertão de Pernambuco.

Corresponde, hoje, aos 183 mil quilômetros quadrados da região do Oeste Baiano compreendida entre a margem ocidental do Rio São Francisco e as divisas da Bahia com os estados de Goiás, Minas Gerais, Piauí e Pernambuco no Brasil.

À época do Império do Brasil, mais precisamente em 1845, a população foi estimada em 20 mil habitantes.

Criação A origem da comarca do Rio de São Francisco remete ao desmembramento da Comarca do Sertão de Pernambuco, sediada na Vila de Flores, então capitania de Pernambuco. Essa divisão visava atender a reivindicações da população de Vila da Barra, já que a distância entre a vila e a sede da comarca tornava a correição impraticável devido à inacessibilidade do ouvidor, acarretando o acúmulo de presos por falta de medidas judiciais.

A comarca abrangia as regiões das vilas de Pilão Arcado, Campo Largo (atual Cotegipe) e Carinhanha, tendo por sede a Vila da Barra, conforme texto extraído do primeiro artigo do alvará: Após a criação da comarca, foi nomeado em 20 de novembro de 1820 para o cargo de ouvidor o português e bacharel João Carlos Leitão, onde tomou posse na Vila da Barra em 18 de novembro de 1821 e atuou nas vilas da comarca até 1823, devido ao contexto do processo da Independência do Brasil. Em 18 de fevereiro de 1823, o juiz João de Araújo Costa foi nomeado como novo ouvidor interino da comarca.

Cessão Esta região pertenceu à província de Pernambuco até meados de 1824. Devido ao movimento separatista da Confederação do Equador, Pedro I a desligou do território pernambucano como punição e para evitar a irradiação das ideias republicanas do movimento. A comarca foi transferida para a província de Minas Gerais, de acordo com o decreto de 7 de julho de 1824:

Este foi o último território desmembrado de Pernambuco, impondo àquele estado uma grande redução da extensão territorial, de 250 mil quilômetros quadrados para os quilômetros quadrados atuais. Após três anos sob administração mineira, a região foi anexada à Província da Bahia em 15 de outubro de 1827 por outro decreto real:

Embora o decreto tenha especificado a incorporação provisória da comarca, o território da antiga comarca permanece como parte do Estado da Bahia até a atualidade. Este caráter inicialmente provisório tem sido um dos vetores para movimentos que pleiteiam a criação do Estado do Rio São Francisco, chegando a haver propostas protocoladas no Congresso para desmembrar do território baiano e transformá-lo em um novo estado, sem sucesso todavia.

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