Miguel Gastão da Cunha (São João del-Rei, 27 de julho de 1863 – Rio de Janeiro, 4 de julho de 1927) foi um diplomata, jurista e político brasileiro. Atuou como deputado federal por Minas Gerais e exerceu funções diplomáticas em diversos países, destacando-se como representante do Brasil na Sociedade das Nações.
Aliado do Barão do Rio Branco, integrou a geração de diplomatas responsáveis pela consolidação da política externa brasileira no início do século XX.
Biografia
Miguel Gastão da Cunha nasceu em São João del-Rei, filho do médico e político Balbino Cândido da Cunha e de Antonia Carolina Pinto da Fonseca.
Formou-se em 1884 pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
Iniciou sua carreira na magistratura, atuando como promotor público e juiz em diferentes comarcas de Minas Gerais.
Ingressou posteriormente na política, sendo eleito deputado federal por Minas Gerais, destacando-se por sua atuação parlamentar e por sua aproximação com o Barão do Rio Branco.
Em 1907, ingressou no serviço diplomático brasileiro, exercendo funções como ministro plenipotenciário e embaixador em diversos países europeus, além de representar o Brasil na Sociedade das Nações.
Após se aposentar, dedicou-se ao jornalismo no Rio de Janeiro, mantendo vínculos com sua cidade natal, onde retornava periodicamente.
Faleceu em 4 de julho de 1927.
Casa do Embaixador Gastão da Cunha
Histórico
A residência onde nasceu e foi criado localiza-se na atual Rua Dr. Balbino da Cunha, nº 190, no Centro Histórico de São João del-Rei.
O imóvel pertenceu à família Cunha, permanecendo sob posse de seus descendentes ao longo de várias gerações.
Construída provavelmente na primeira metade do século XIX, a edificação integra o conjunto de sobrados urbanos associados às elites locais do período.
Ao longo do século XX, sofreu alterações decorrentes da dinâmica urbana, incluindo desmembramentos do lote original e adaptações de uso.
Características arquitetônicas
A casa é um sobrado de arquitetura colonial, implantado diretamente no alinhamento da rua e estruturado em dois pavimentos principais, com bloco posterior incluindo porão.
A construção apresenta:
estrutura em adobe com sistema autoportante; planta em “L” e volumetria composta; fachada simétrica com portas e janelas ritmadas; portas-balcão com guarda-corpo em ferro fundido; cobertura em telhado cerâmico tipo capa e bica.
A organização interna segue o padrão das residências coloniais urbanas, com pavimento inferior destinado a serviços e pavimento superior reservado à área social e íntima.
Inserção urbana
O imóvel situa-se em área de grande relevância histórica, nas proximidades do Largo de São Francisco e da Igreja de São Francisco de Assis, em setor caracterizado por edificações coloniais, ecléticas e modernas.
A via onde se localiza constitui importante eixo de circulação urbana, com intenso fluxo de veículos e pedestres.
Conservação
O imóvel apresenta estado de conservação considerado precário, com problemas estruturais e construtivos relevantes.
Entre os principais danos observados destacam-se:
infiltrações e umidade; fissuras e rachaduras; deterioração de elementos de madeira por insetos xilófagos; degradação de esquadrias e forros; instalações elétricas e hidráulicas comprometidas.
Proteção patrimonial
A casa integra o conjunto arquitetônico e urbanístico de São João del-Rei, tombado em nível federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938.
Possui ainda tombamento individual em nível municipal, conforme Decreto nº 3005, de 15 de julho de 2004.
Ver também
Centro Histórico de São João del-Rei Barão do Rio Branco
Bibliografia
Categoria:Naturais de São João del-Rei Categoria:Diplomatas de Minas Gerais Categoria:Deputados federais do Brasil por Minas Gerais Categoria:Representantes do Brasil na Sociedade das Nações