Tadeu da Fonseca Junges, conhecido pelo nome artístico Tadeu Jungle (São Paulo) é um artista multimídia e atua como videasta, fotógrafo, poeta, roteirista e diretor de cinema, TV e Realidade Virtual.
De família alemã, formou-se em Comunicação Social pela Escola de Comunicação e Artes da USP em 1980. No ano seguinte ganha bolsa da CAPES e vai estudar na San Francisco State University, Califórnia.
No começo da década de 80 torna-se um dos líderes no movimento de videoarte que surge no Brasil e investe em programas de televisão inovadores em emissoras como a TV Gazeta (TV Mix) e a TV Cultura (Fábrica do Som). Mais adiante o artista também atua no meio publicitário, consolidando-se como diretor de filmes e depois como diretor de cinema. Desde 2001 atua como fotógrafo realizando diversas exposições individuais e mantendo um dos projetos mais longevos na internet, o Foto de Segunda.
Em 2011 estréia seu primeiro longa-metragem de ficção, Amanhã Nunca Mais com Lázaro Ramos e o filme documentário Evoé, Retrato de um Antropófago sobre o dramaturgo Zé Celso Martinez Correa. Em 2014 é lançado o livro Videofotopoesia, reunindo trabalhos dos seus 30 anos de carreira artística. Dirige o primeiro documentário brasileiro em Realidade Virtual intitulado Rio de Lama, sobre a tragédia de Mariana, MG (vencedor de prêmio na ONU) e o primeiro filme em Realidade Virtual feito com os índios do Xingu: FOGO NA FLORESTA. Em 2018 lançou a [], produtora de Realidade Virtual e Aumentada. Lançou o seu terceiro documentário em VR: OCUPAÇÃO MAUÁ, na 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme retrata a incrível comunidade dos sem-teto no centro paulistano.
Anos 80 Em 1977, no começo do curso de Comunicação Social, realiza trabalhos em arte-correio e poesia visual. Seu poema adesivo FURE FILARODRIGUES, Luciana Jorge. STICKER: Colando Ideias. 2010, Dissertação do Mestrado em Artes, Unesp, São Paulo. ficou popular na USP em 1978 (em 1997 retoma o estilo com a série Você está aqui). No mesmo ano faz a sua primeira videoinstalação – Fish TV – no evento Multimidia Internacional, realizado na USP. Em 1979, consegue um emprego como estagiário na antiga TV Tupi. E no ano seguinte edita revistas de poesia e torna-se, junto com Walter Silveira, um dos pioneiros do grafite poético no Brasil com os dizeres: ORA H e ÉDIFICIL.
Com Walter Silveira, Ney Marcondes, Paulo Priolli, funda o grupo TVDO, responsável pelas experiências mais radicais do ponto de vista da invenção formal e da renovação dos recursos expressivos do vídeo, segundo o estudioso Arlindo Machado, que ainda chamou de “a melhor tradução para a mídia eletrônica do espírito demolidor e anárquico do cinema de Glauber Rocha.”
Em 1981, recebe uma bolsa da CAPES e faz a pós-graduação em cinema documentário na San Francisco State University. Ao retornar, realiza dois álbuns de poesia visual, o Suruba e Frequência das Aranha(sic), e vídeos que se tornaram clássicos da videoarte brasileira como Frau (1983), Non Plus Ultra (1985) e Heróis da Decadensia(sic) (1987) (presente no acervo da Cinemateca Brasileira e do Videobrasil); esses foram exibidos e premiados em diversos festivais e mostras, como o Festival Videobrasil, Fest Rio, Festival de Havana e Bienal Internacional de Arte de São Paulo.
Ao mesmo tempo que produz e lança seus filmes em festivais, inicia seus trabalhos na televisão, co-dirigindo com Nelson Motta e a TVDO, o programa "Mocidade Independente" na BAND. Em 1983 fica conhecido como apresentador do programa musical “Fábrica do Som”, na TV Cultura. Gravado no SESC Pompéia em São Paulo, o programa revelou bandas como Titãs, Barão Vermelho e Ultraje a Rigor e foi um marco para o rock brasileiro em pleno desenvolvimento.
Conhece o diretor e dramaturgo Zé Celso e junto com Walter Silveira passam um ano no Teatro Oficina trabalhando nos créditos do filme O Rei da Vela. O trabalho consistia em pintar o teatro inteiro com enormes caracteres os nomes dos artistas presentes no filme, na chamada Festa das Letras. Nessa época se aproxima de Wesley Duke Lee, com quem realiza videos.
Exercitando mais ainda a pluralidade de seu trabalho, faz experimentações paralelas que resultaram em exposições com vídeoinstalações e poemas-visuais em espaços como a Expo Hannover, Casa das Rosas, MIS-SP (por três anos consecutivos), Galeria São Paulo e Tate Gallery em Londres. Em 1984, é convidado, por Fernando Pacheco Jordão, para dirigir uma série de documentários intitulada AVESSO para a TV Cultura; dois anos depois funda a primeira escola de vídeo do país, The Academia Brasileira de Vídeo. À convite de Matinas Suzuki Jr, começa a primeira coluna especializada em vídeo no jornal Folha de S.Paulo. Mais tarde, em 1988 e 1989, assume a direção de programas musicais e jornalísticos como o TV MIX e o TV da Tribo.
Anos 90 Começa a dirigir o programa de televisão Gente de Expressão, em 1991, com Bruna Lombardi e viajam pelo mundo entrevistando celebridades. Ao voltar, em 1993, começa a dirigir filmes publicitários. Atuando na área por mais de uma década, dirigiu mais de 600 filmes. Também em 1993, Tadeu Jungle dirige o programa Tropicália – uma conversa a 2, com Gilberto Gil e Caetano Veloso para a TV Cultura.
Em 1994 participou como artista convidado do evento cultural ARTE/CIDADE, organizado pela Secretaria do Estado da Cultura, onde criou quatro instalações nos elevadores da Mostra. E em 1996 foi curador, junto com Lisette Lagnado, Stella Teixeira, Nelson Brissac Peixoto e outros, da exposição Antarctica Artes, onde 1300 jovens artistas brasileiros foram avaliados para que a exposição fosse feita com 62 deles, no Parque Ibirapuera.
Em 1996 funda a produtora Academia de Filmes e dirige diversos videoclipes e DVD’s musicais, de artistas como Arnaldo Antunes – com quem também colabora escrevendo a letra da música Poder, do álbum Silêncio de 1995 – e Zeca Baleiro. No ano seguinte se junta a outros 10 artistas de São Paulo e faz o outdoor "Lata de Luxo", na avenida Faria Lima. Retomando uma linguagem já usada nos anos 70, lança uma exposição com a frase-poema Você Está Aqui colada por toda a parte. E antes de fechar o ano realiza uma performance, intitulada Tecnobomber, onde convida todos a levarem eletrônicos quebrados para atirá-los em uma parede de inox; essa performance aconteceu no evento Arte Suporte Computador, Casa das Rosas. Entre 1998 e 2001 trabalha como apresentador de TV na série Cine Profissões da TV Futura, realizando mais de 100 programas.
Anos 2000 Em 2000 realizou uma videoinstalação sobre o escritor Guimarães Rosa intitulada Fala Rosa!; e a Pessoas do Brasil, em parceria com Carlos Rennó para a exposição Mundial de Hannover. No ano seguinte se dedica a fotografia, com a exposição Estradas, Camas e Reflexões, dirige quatro DVD’s documentais das peças do Teatro Oficina com Elaine Cesar e lança a série de adesivos Deus Está Aqui/Deus Não Está Aqui.
Já em 2002 faz uma intervenção não autorizada na abertura da XXV Bienal de São Paulo com o adesivo Art. Art! Art? Art... Participa de várias exposições coletivas, como a Brazilian Visual Poetry, no Mexico-Arte Museum, Texas; a 2080 e a Veracidade, no MAM-SP; a Subversão dos Meios e a Made in Brazil – 3 décadas de vídeo no Brasil, ambas no Itaú Cultural.Em 2003, é precursor de exposições online com a série intitulada Heavy Rain. Entre 2002 e 2006 realiza uma nova série de vídeos de arte como Sempre Tem Mais, Pesar, São Paulo Hip-hop, Passarela, entre outros, que atualmente estão disponíveis nos acervos do MAC e MAM de São Paulo. Em 2004 elabora mais projetos fotográficos: Espetáculo da Solidão, Chão, exibidos em exposição individual na Galeria Valu Ória e o projeto Povo da Praia, para o qual viajou por todo o litoral brasileiro fazendo retrato de pessoas(ainda inédito). Venceu o edital Janela Brasil, 2007 da TV Cultura e assim criou e dirigiu o documentário Amazônia Niemeyer – uma viagem pela Belém Brasília. No mesmo ano filmou 16 documentários, em parceria com Estela Renner, sobre 16 escritores em 16 cidades do mundo, para o projeto Amores Expressos, exibido a partir de 2011 em várias emissoras de TV.
Realiza trabalhos em vídeo para três museus: o videoinstalação Versus para o MIS-SP (2003), o vídeo de abertura e exposição perene do Museu da Língua Portuguesa (2006), cria a Sala da Exaltação, também de exibição perene, com as torcidas brasileiras, para o Museu do Futebol (2008).
Anos 2010 Em 2010 dirigiu e roteirizou – em conjunto com Estela Renner – o episódio Ela Faz Cinema, da minissérie Amor em Quatro Atos, da TV Globo. Dirigiu e formatou a série de humor É Tudo Improviso, transmitido pela Band e em novembro de 2011 lançou seu primeiro longa, Amanhã Nunca Mais, produzido pela Fox Filmes e protagonizado por Lázaro Ramos. No mesmo ano ele lança no cinema o documentário Evoé, o Retrato de um Antropófago (2011), sobre o dramaturgo Zé Celso e co-dirigido por Elaine César e realização do Itaú Cultural.
Em 2012 tem uma retrospectiva de seu trabalho apresentada na Cinemateca Brasileira, onde suas principais produções como o Amanhã Nunca Mais, Evoé (2011), Frau (1983) são exibidos e discutidos com o próprio diretor. No ano seguinte dirige dois vídeos para o lançamento do Museu do Amanhã no Rio de Janeiro e uma série de cinco programas documentais sobre a televisão brasileira para o canal VIVA. Realiza a performance Flecha no Instituto Oi Futuro do Rio de Janeiro e na Escola São Paulo. Ainda no Instituto Oi Futuro realiza a exposição Videofotopoesia, que iniciará o processo para a criação do livro de mesmo nome. O livro bilíngue que trata dos 30 anos da carreira artística de Tadeu Jungle, lançado em dezembro de 2014, consolida sua vocação para a invenção e a inovação; bem como a atuação em multi plataformas que vão do papel às novas tecnologias.
Em 2013
2100, série de ficção dramática para TV. Escrita com Estela Renner e André Sirângelo. Ainda não produzida. “Videofotopoesia” exposição individual com videoinstalação, instalação site specific e poemas visuais, no Instituto Oi Futuro Flamengo, Rio e Janeiro. “Mitologias por procuração”, coletiva com o poema visual Tudo pode (Perder-se), no MAM-SP. “Circuitos cruzados, o MAM encontra o Centre Pompidou”, coletiva com o vídeo São Paulo hip hop, no MAM-SP. Videoarte 2013, coletiva, vídeo Medo, no Instituto Oi Futuro Ipanema.
2014
Lança o livro Tadeu Jungle – VIDEOFOTOPOESIA, com um panorama de trabalhos nessas áreas. Instituto Oi Futuro. Camarim, série de 16 vídeos para internet, com bonecos, para o Greenpeace, nas eleições de 2014. Com Fernando Salem e Fernando Gomes. Musicália, programa musical infantil. Criado com Fernando Salem para a Maria Farinha Filmes. Lança na internet o videopoema Tatu-bola não bebe Coca-Cola e também no MAR _ Museu de Arte do Rio de Janeiro.
2015
Realiza a videoinstalação VERSUS - 4K para exposição Itinerante do Museu do Futebol, São Paulo. Realiza a videoinstalação da Sala do Humano para o Museu do Amanhã, Rio de Janeiro. Performance com Walter Silveira na abertura da exposição ARTÉRIA 40 anos na Caixa Cultural, RJ.
2016
Lança o filme documentário em realidade virtual Rio de Lama, sobre a tragédia de Mariana. Jurado no Festival de Cinema Publicitário em Cannes, na categoria de Entretenimento. Membro do Conselho da Poiesis. Exposições coletivas de Poesia Visual na Galeria Baró, SP e na Casa das Rosas, SP. Rio de Lama é exibido na 32° Bienal de São Paulo, na Ocataperaterreiro, de Bené Fonteles e no Festival Sunny Side of the Doc, na França. Ganha prêmio no 14° Cineamazônia. Palestra sobre Realidade Virtual no Global Media and Information Literacy (MIL) Week, da UNESCO; nos jornais Folha de S.Paulo e Estado de São Paulo, no RioContent Market, na Universidade Anhembi-Morumbi, na Associação Brasileira de Cinematografia (ABC), no Clube de Criação do Paraná, no Telas Fórum e nas agências de publicidade NBS e McCann-Rio.
2017