Diogo Pires, o Velho ou Diogo Pires-o-Velho (séc. XV-XVI) foi um escultor português do período gótico.
Sabe-se que viveu na transição do século XV para o XVI, tendo estado em atividade, pelo menos, entre os anos de 1473 e 1513. A continuidade da sua oficina foi assegurada pelo filho (ou sobrinho), Diogo Pires, o Moço.
Biografia / Obra
A sua formação artística fez-se durante o reinado de D. Afonso V, "correspondente ao período mais classicista do gótico nacional". Mais tarde foi contemporâneo dos grandes artistas do período manuelino, mas a sua idade avançada já não lhe permitiu adaptar-se verdadeiramente ao novo gosto, que seria praticado com grande qualidade pelo seu sucessor, Diogo Pires, o Moço.Dias, Pedro – A escultura de Coimbra do gótico ao maneirismo. Coimbra: Câmara Municipal de Coimbra, 2003. ISBN 972-98917-0-2
O trabalho de Diogo Pires, o Velho representa um avanço relativamente à dos mestres que o precederam, apesar de se caracterizar ainda por figuras onde predomina a dureza de atitudes típica do gótico. Pouco afeito à criação em série, soube imprimir uma identidade às suas obras, individualizando a representação dos diversos santos, representando os panejamentos de forma mais natural do que os seus antecessores, conferindo às figuras uma serenidade de expressão e uma monumentalidade que indiciavam o futuroPereira, José Fernandes – Dicionário de Escultura Portuguesa. Lisboa: Editorial Caminho, SA, 2005. ISBN 972-32-1723-8. "Algumas das suas soluções […] parecem indicar um conhecimento da escultura italiana, pelo que não é exagerado afirmar que os seus trabalhos contêm traços pré-renascentistas"Pereira, Paulo – Arte Portuguesa: História Essencial. Lisboa: Círculo de Leitores; Temas e Debates, 2011, p. 391, 392, 395. ISBN 978-989-644-153-1.
Em obras como Santo André (MNMC), Diogo Pires, o Velho introduz, na escultura, as primeiras manifestações da simbólica manuelina. "A inovação surge na distribuição das roupas, de pregas finas caindo com naturalidade e delicadeza numa anatomia que se adivinha ainda rígida". Os elementos mais originais podem, no entanto, detetar-se na cabeça, com uma particular individualização da personagem: "rosto sisudo, marcado por cabelos e barbas longos e escorridos, definidos por sulcos com leves ondulações, pescoço grosso, olhos rasgados, boca cerrada".
O "magnífico" túmulo de Fernão Teles de Meneses corresponde a um avançado padrão escultórico, "a par do que de melhor se fazia na Europa de então". A arca feral é preenchida por elementos decorativos vegetalistas envolvendo a heráldica familiar. "O jacente revela um tratamento convencional de talhe macio, mas a estrutura superior do túmulo não se enquadra na tradição gótica nacional. De facto, o grande dossel, cujo panejamento é levantado por dois «homens selvagens» em substituição dos habituais anjos tenentes confere-lhe uma marca distintiva remetendo o seu traçado para influências transalpinas, lembrando obras de Agostino di Duccio".
Igualmente relevante é o Túmulo do Conde de Ourém, que apresenta um jacente de excelente qualidade para a escultura portuguesa da época; à serenidade e sobriedade dessa figura associa-se a profusa ornamentação da arca feral, "composta por fitas com temas vegetalistas combinados com a heráldica de D. Afonso e uma inscrição comemorativa em cursivo gótico, enquanto os frontais e faciais são ornamentados por ramos vegetalistas segundo um sistema de simetria que prenuncia, decididamente, o renascimento".
Algumas obras Apesar das incertezas quanto à autoria de diversas obras, são-lhe atribuídas, entre outras, as seguintes: Senhora com o Menino , 1481; Leça da Palmeira. Túmulo de Fernão Teles de Meneses, 1478-1481; Igreja do Mosteiro de S. Marcos, Universidade de Coimbra. Túmulo de Afonso de Bragança, Marquês de Valença, Conde de Ourém, c. 1485-87; cripta da Igreja da Colegiada de Nossa Senhora da Misericórdia, Ourém. Santo André, c. 1500; Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC), Coimbra. Santo André; Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Lisboa. São Tiago, c. 1500; MNAA, Lisboa. São Sebastião; MNAA, Lisboa. S. Pedro; Igreja Matriz de Oliveira do Conde. Nossa Senhora com o Menino; MNAA, Lisboa.
Bibliografia
Dias, Pedro – A escultura de Coimbra do gótico ao maneirismo. Coimbra: Câmara Municipal de Coimbra, 2003. ISBN 972-98917-0-2 Pereira, José Fernandes – Dicionário de Escultura Portuguesa. Lisboa: Editorial Caminho, SA, 2005. ISBN 972-32-1723-8 Pereira, Paulo – Arte Portuguesa: História Essencial. Lisboa: Círculo de Leitores; Temas e Debates, 2011. ISBN 978-989-644-153-1 dos Santos, Reinaldo dos – A escultura em Portugal (1º volume). Lisboa: Bertrand (irmãos), Lda., 1948.
Categoria:Escultores de Portugal Categoria:Escultores de Portugal do século XV