A intervenção militar árabe-ocidental na Síria refere-se a uma série de operações militares lançadas pelas forças aéreas e navais dos Estados Unidos, das nações europeias (como Reino Unido e França), da Austrália e dos países aliados árabes contra o grupo extremista Estado Islâmico (Daesh) em território sírio. O objetivo dos ataques é deter, conter e eventualmente destruir os fundamentalistas para impedir que eles tenham uma base de operações permanente na região.
Em 22 de setembro de 2014, Estados Unidos, Bahrein, Jordânia, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos começaram a atacar posições do Estado Islâmico dentro da Síria (assim como do Grupo Khorasan na Província de Idlib, a oeste de Alepo, e da Frente al-Nusra em torno de Ar-Raqqah ) como parte da Guerra contra o Estado Islâmico.
Em 2 de novembro de 2015, em resposta à intervenção, representantes do Ahrar al-Sham participaram de uma reunião com a Frente al-Nusra, o Grupo Khorasan, o Estado Islâmico e o Jund al-Aqsa, que visando unir os diversos grupos linha-dura contra a coalizão liderada pelos Estados Unidos e outros grupos rebeldes sírios moderados. Em 14 de novembro de 2014, foi revelado que as negociações entre al -Nusra, Jund al-Aqsa, Estado Islâmico e Ahrar al-Sham haviam falhado.
Em abril de 2017, em retaliação por um ataque químico na cidade de Khan Shaykhun, no noroeste da Síria, os Estados Unidos lançou um grande bombardeio naval contra alvos militares do regime Assad, o primeiro ataque intencional contra o governo local desde o início da guerra civil síria. Em abril do ano seguinte, o governo americano, apoiado diretamente por França e Reino Unido, lançou outro ataque aeronaval contra Assad. Ao fim de 2018, os Estados Unidos começaram a retirar seu aparato militar e seus oficiais da Síria.
Antecedentes miniaturadaimagem|esquerda|250px|Vídeo mostrando o bombardeio, feito pela força aérea dos Estados Unidos, de um quartel pertencente ao Estado Islâmico na cidade de Ar-Raqqah, na Síria, em 23 de setembro de 2014. A guerra civil na Síria começou em 2011, no contexto da Primavera Árabe. Se iniciou como uma mobilização midiática e popular contra o regime do presidente Bashar al-Assad e rapidamente eclodiu para uma revolta generalizada de civis armados e soldados desertores contra as forças do governo sírio. Contudo, a guerra rapidamente mudou de caráter, se tornando um conflito majoritariamente sectário e religioso. Grupos fundamentalistas começaram a tomar o controle da rebelião e ganharam grande influência. Entre essas facções, estava a organização extremista radical Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ou EIIL). Os militantes deste grupo tomaram rapidamente vários territórios na Síria. Em 2013, frente a crescente pressão do ocidente, grupos seculares e moderados (como o Exército Livre Sírio) lançaram ataques contra os fundamentalistas, iniciando um racha dentro da oposição. O Estado Islâmico (EI), contudo, melhor armado e mais bem preparado, resistiu e continuou a ganhar terreno até que em julho de 2014 proclamou a criação de um Califado, que englobava territórios na Síria e no Iraque.
Intervenção
A intensificação dos combates que ameaçavam desestabilizar toda a região e relatos de massacres de minorias e dissidentes por parte do EIIL, que terminou com milhares de mortes, acabou sendo o pretexto para que os Estados Unidos, e algumas nações árabes e europeias, lançassem ataques aéreos e navais contra os territórios controlados pelos jihadistas, tanto em solo sírio como no iraquiano. Além da campanha de bombardeios, os americanos, auxiliados por países da região e da OTAN, também afirmaram que iniciariam um programa em larga escala para treinar e armar grupos ditos como moderados dentro da oposição síria, como o chamado 'Exército Livre', com o propósito de prepara-los para combater as facções mais extremistas envolvidas no conflito, ao mesmo tempo que também travavam uma luta contra o regime Assad.
Os primeiros bombardeios aéreos ocidentais na Síria aconteceram a 22 de setembro de 2014, e foram logo confirmados pelo secretário de imprensa do Pentágono, o vice-almirante John Kirby. Sob ordens do presidente americano Barack Obama, os ataques foram feitos por forças navais e aéreas dos Estados Unidos, apoiado inicialmente por uma coalizão de nações árabes. Aviões caça e drones não tripulados realizaram boa parte dos bombardeios, acompanhados por duas ondas de mísseis de cruzeiro BGM-109 Tomahawk disparados por navios de guerra americanos estacionados no mar Vermelho e no golfo Pérsico. Dúzias de militantes islamitas foram mortos nas primeiras horas."U.S. hits ISIS with airstrikes in Syria". Página acessada em 23 de setembro de 2014. Ao menos quatro locais na região norte da Síria foram atingidos, com cerca de vinte alvos do Estado Islâmico sendo destruídos. Entre os locais bombardeados estavam uma base da chamada Brigada 93, que pertencia ao exército sírio, mas que havia sido capturada pelos extremistas. Segundo fontes, a província de Raqqa foi o principal alvo das bombas e mísseis. Postos de comando e controle, depósitos de munição e outras bases de operações teriam sido atingidas por lá. miniaturadaimagem|esquerda|250px|O grupo de batalha do porta aviões americano USS Carl Vinson. Em formação estão os navios de guerra HMS Defender (britânico), o FS Jean Bart (francês) e o USS Bunker Hill (americano). Junto com as forças armadas americanas, pelo menos cinco nações árabes também conduziram ataques na Síria. Aviões do Bahrein, Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos também lançaram ofensivas aéreas contra os fundamentalistas do EIIL. Fontes ligadas a oposição síria confirmaram que alvos de uma milícia chamada Khorasan, ligada a Frente Al-Nusra, também foram bombardeados. Explosões também foram registradas nas províncias de Alepo e Idlib. Os bombardeios continuaram nos dias seguintes, atingindo quartéis, centros de treinamento e postos de controle dos extremistas. Na madrugada do dia 25 de setembro, ao menos doze pequenas refinarias de petróleo em controle do EIIL foram atacadas por aviões americanos, sauditas e árabe-emiradenses, matando pelo menos 20 militantes do grupo. Os ataques aconteceram dentro e ao redor da província de Deir Ezzor, que faz fronteira com o Iraque. Segundo um porta-voz do comando militar americano, o objetivo da incursão seria atingir uma das principais fontes de renda do Estado Islâmico, a exportação clandestina de petróleo (os lucros da organização seriam de, pelo menos, US$ 2 milhões de dólares diários). A região norte da Síria, quase que em toda a sua totalidade controlada pelos jihadistas, tem sido o principal alvo das bombas da coalizão."New airstrikes, new tactic to beat ISIS". Página acessada em 25 de setembro de 2014. Segundo o departamento de defesa americano, os bombardeios também atingiram as zonas leste e central da Síria, atingindo posições do EI em cidades como Homs, Minbej e Raqqa. Ataques aéreos também foram registrados contra militantes extremistas que cercavam a cidade curda de Ain al-Arab, na fronteira sírio-turca. Enquanto isso, os combates terrestres em toda a região se intensificavam."Coalizão internacional ataca o Estado Islâmico no centro e no leste da Síria". Página acessada em 27 de setembro de 2014.
Ao fim de setembro, aviões americanos e árabes começaram uma campanha de bombardeios sistêmicos contra a cidade curda de Kobanê, no norte da Síria. A região, de importância estratégica, fica na fronteira com a Turquia. Apesar das baixas infligidas ao Estado Islâmico, os milicianos da organização continuavam avançando, enquanto violentos combates aconteciam rua por rua na cidade contra os guerrilheiros curdos."Kobane: Air strikes help Syria town curb IS". Página acessada em 16 de outubro de 2014."Ataques a Kobane mataram ‘várias centenas’ de militantes, dizem EUA". Página acessada em 16 de outubro de 2014. Depois de quatro meses, ao fim de janeiro de 2015, os militantes do EIIL acabaram sendo expulsos da cidade, mas continuavam a resistir nas regiões vizinhas. Os ataques aéreos da Coalizão foram reportados como sendo fundamentais para o resultado favorável desta batalha."Curdos expulsam Estado Islâmico de Kobani após batalha de quatro meses". Página acessada em 6 de fevereiro de 2015.
Enquanto no Iraque havia a presença de tropas no solo para auxiliar e treinar os iraquianos, na Síria havia a ausência de uma força terrestre confiável para dar apoio a aviação aliada e combater o Estado Islâmico. Em maio de 2015, em uma ação rara, militares das forças especiais americanas conduziram um incursão em solo sírio, que terminou na morte de Abu Sayyaf (um dos cabeças do EI na região) e de diversos militantes que protegiam a área. Nenhuma perda foi reportada do lado americano."U.S. conducts raid in Syria, says it kills senior Islamic State leader". Página acessada em 24 de julho de 2015. miniaturadaimagem|esquerda|250px|Um caça americano F-18 Super Hornet decolando do USS Dwight D. Eisenhower para executar missões na Síria. Ao fim do primeiro semestre de 2015, os ataques da Coalizão se focaram na fronteira entre o Iraque e a Síria, na província de Ar-Raqqah (a base do poder do Estado Islâmico no território sírio) e contra o grupo Khorasan (ligado a al-Qaeda)."Source: Al Qaeda group in Syria plotted attack against U.S. with explosive clothes". Página acessada em 24 de julho de 2015. Entre setembro de 2014 e junho de 2015, os ataques aéreos aliados mataram mais de três mil islamitas na Síria."About 3000 people, including 162 civilians, killed in US- coalition airstrikes on areas in Syria". Página acessada em 24 de julho de 2015. A Turquia, que desde o começo da intervenção estrangeira queria que a Coalizão priorizasse derrubar Bashar al-Assad, começou, em julho de 2015, a lançar suas próprias ofensivas aéreas contra o EI, em resposta a diversas atividades dos extremistas em seu território, incluindo um atentado a bomba na cidade turca de Suruç (que havia matado mais de 30 pessoas)."Turquia ataca Estado Islâmico pela primeira vez". Página acessada em 24 de julho de 2015. Ao fim de setembro do mesmo ano, a França (que participava apenas das ações militares no Iraque) expandiu sua campanha de bombardeios para a Síria."França lança 1º ataque aéreo contra ‘EI’ na Síria". Página acessada em 27 de setembro de 2015. Ao fim de outubro, o governo americano enviou cerca de 50 soldados das forças especiais para melhor assessorar as tropas rebeldes da oposição no solo, escalando ainda mais a participação Ocidental no conflito sírio."What's next for U.S. troops in Syria?". Página acessada em 30 de outubro de 2015. Já em meados de novembro, em resposta a uma série de atentados terroristas em Paris, aviões das forças aéreas da França e dos Estados Unidos, lançaram múltiplos bombardeios contra alvos do Estado Islâmico na província de Raqqa, atingindo centros de comando do grupo, postos de recrutamento e treinamento de guerrilheiros jihadistas, além de depósitos de munição."France launches 'massive' airstrike on Isis stronghold of Raqqa". Página acessada em 16 de novembro de 2015.