Florbela é um filme português de género drama biográfico de 2012, escrito e realizado por Vicente Alves do Ó e produzido por Pandora da Cunha Telles e Pablo Iraola. O filme foi editado numa minissérie intitulada Perdidamente Florbela, para ser exibida na RTP1. Esta obra é protagonizada por Dalila Carmo, Ivo Canelas e Albano Jerónimo. e inspirada na vida da poetisa portuguesa Florbela Espanca, a partir do seu período de crise literária.

O filme Florbela estreou em Portugal no dia 8 de março de 2012 e no Brasil no dia 1 de maio de 2014, e a minissérie Perdidamente Florbela foi transmitida a partir de 26 de dezembro de 2012, na RTP1.

Produção

O guião de Vicente Alves do Ó chegou a ter o título provisório de ‘A Flor mais Bela’, tal como noticiado em abril de 2011.

A complexidade da personagem de Florbela Espanca levou Dalila Carmo a pesquisar lendo «os poemas dela e a biografia escrita pela Agustina Bessa-Luís e vou ter aulas com a Glória de Matos para melhor contextualizar a personagem».

Vicente Alves do Ó defendeu como primeira previsão de data de estreia do filme o dia 8 de dezembro de 2011, por ser a data de nascimento e morte de Florbela Espanca. No entanto, Florbela teve antestreia mais tarde, no dia 28 de fevereiro, no Cinema São Jorge, em Lisboa, com todo o elenco e equipa técnica, e viria a estrear em sala no dia 8 de março de 2012. Tal como havia sucedido com Filme do Desassossego', de João Botelho, Florbela, esteve em digressão por Portugal, após a sua estreia comercial, por 54 cidades, de Norte a Sul e ainda ilhas dos Açores e Madeira.

Perdidamente Florbela, a versão do filme editada numa minissérie de três episódios, estreou na RTP no dia 26 e manteve-se na grelha até ao dia 28 de dezembro de 2012, no horário das 21h25m. A RTP1 voltaria a repor os episódios a partir de 28 de abril de 2013.

Sinopse A alma inquieta de Florbela não é conciliável com a vida de dona de casa e esposa na província, ela não está a conseguir escrever nem amar. Ao receber uma carta do seu adorado irmão Apeles, um oficial da Aviação Naval, Florbela decide ir ter com ele a Lisboa em busca de inspiração. Na capital, ela pode enfim conhecer tudo o que desejava: amantes, festas, revoltas populares,... Embora o marido tente resgatá-la para a normalidade e o seu irmão tenha falecido num acidente aéreo, Florbela sente que encontrou o seu lugar. Assim surge a inspiração para os seus maiores poemas.

Elenco e personagens Principais Dalila Carmo, como Florbela Espanca. Ivo Canelas, como Apeles Espanca. Albano Jerónimo, como Mário Lage. José Neves, como António.

Elenco adicional António Fonseca, como João Espanca. Maria Ana Filipe, como Adelaide. Anabela Teixeira, como Júlia Alves. Beatriz Leonardo, como Florbela (8 anos). Graciano Dias, como Alberto. Carmen Santos, como Henriqueta (1923). Marques D'Arede, como Sr. Lage. Rita Loureiro, como Sophia de Arriaga. Miguel Ferreira, como Doutor.

Minissérie

O filme conta também com uma versão mais longa para a televisão, no formato de minissérie com três episódios. Intitulada Perdidamente Florbela, a minissérie foi exibida na RTP1 nos dias 26 a 28 de dezembro de 2012, a partir das 22h25m.

Sinopse geral Na página oficial da RTP pode ler-se a seguinte sinopse: «O retrato íntimo de Florbela Espanca. A história de uma mulher apaixonada e que apaixonou.

«Florbela Espanca é um dos vultos mais importantes da poesia portuguesa do século XX. A sua história pode ser contada com ou sem escândalo, ou fascinação pelo escândalo, mas será sempre a história de uma mulher apaixonada e que apaixonou. Reinventou o conceito de ser poeta, hoje em dia indissociável da música dos Trovante que todos sabemos de cor, “E dizê-lo a toda a gente”. Esta série é o retrato íntimo de Florbela: Uma vida cheia de sofrimento, mas uma poesia que se eternizou pelo seu encanto nunca longe da sensualidade.»

Lista de episódios Episódios Transmissão Original Dia da Semana Audiências Estreia de Temp. Final de Temp. 3 26 de dezembro de 2012 28 de dezembro de 2012 Quarta-feira a Sexta-feira 2,6% (rating)5,1% (share) Abaixo, estão listados os episódios de Perdidamente Florbela, exibidos entre 26 e 28 de dezembro de 2012: Título Argumento Realização Transmissão Original Rating Episódio n.º 1 Vicente Alves do Ó Vicente Alves do Ó 26 de dezembro de 2012 3,0% 1894. Florbela nasce na pequena vila alentejana de Vila Viçosa. Filha de mãe solteira, quando completa poucos anos de vida é tirada dos braços da mãe pelo pai, João, e levada para uma nova vida. A infância é marcada pelos livros, a vontade de escrever e o irmão Apeles que cresce a seu lado e sob o olhar cuidado da madrasta, Mariana. Anos mais tarde, Florbela conhece aquele que viria a ser o primeiro marido, Alberto. O casamento é marcado, mas a vida a dois não satisfaz uma mulher que questiona tudo. Dá aulas, vive aqui e ali, percorrendo o sul do país, até que uns poemas publicados num jornal de Lisboa revolucionam a cabeça da jovem poetisa. Em 1919 publica o primeiro livro com a ajuda do pai, divorcia-se para escândalo local e muda-se para Lisboa onde conhece o segundo marido, António, militar de carreira e que a levaria novamente para longe do bulício da capital. Mas este segundo casamento acaba em fracasso e a violência das palavras transforma-se em violência física. No rescaldo deste período menos feliz, Florbela conhece Mário Lage, abandona a escrita e prepara-se para uma nova etapa na sua vida. Episódio n.º 2 Vicente Alves do Ó Vicente Alves do Ó 27 de dezembro de 2012 2,7% Estamos em 1925. Florbela abandona a casa onde vivia com o segundo marido e instala-se na vida do terceiro - Mário Lage. É um período difícil. A família dela - pai e irmão - não viram com bons olhos o segundo divórcio e cortam relações com ela. Entretanto, a vida em Matosinhos é calma, demasiado calma para uma mulher com sede de viver e uma carta de Apeles vem destabilizar tudo. O irmão mais novo de Florbela pede-lhe que o visite em Lisboa. Tem quatro dias de licença e podem assim fazer as pazes e retomar a proximidade que sempre tiveram. Florbela faz uma mala e parte, à procura do irmão, da vida, da adrenalina que deixou para trás quando casou com Mário. Em Lisboa, o reencontro é poderoso e Florbela está disposta a esquecer, por alguns dias, a sua vida no Norte do país. Mas a visita intempestiva de Mário perturba-a e este triângulo de vontades só pode correr mal. E corre ainda pior quando Florbela percebe que o irmão nunca irá desistir da carreira de piloto-aviador que ela tanto teme e que, o seu instinto feminino não para assombrar. Episódio n.º 3 Vicente Alves do Ó Vicente Alves do Ó 28 de dezembro de 2012 2,0% Apeles morre num desastre de avião em pleno Tejo e Florbela cai numa espiral de loucura e sofrimento que a levam ao internamento. Mas a morte também serve para ajustar contas com a vida e Florbela, recuperada, decidida, faz uma mala e parte para Vila Viçosa, o lugar onde tudo começou e reencontra o passado: o pai, o primeiro marido, a biblioteca e os livros onde escreveu pela primeira vez, a paisagem alentejana. Neste seu regresso ela tenta, pela última vez, encontrar-se a si mesma. Mas nem tudo é simples, nem a vida lhe dá todas as respostas. A morte de Apeles foi e é um rude golpe na sua estabilidade e Florbela equaciona a sua própria vida. Até que um momento de desespero a faz reconsiderar tudo até mesmo o seu destino. E diante do fantasma do irmão e do amor que lhe tem, ela decide, mergulhar uma última vez e voltar a escrever. Mais não seja, escrever o irmão e assim vencer a morte que o levou.

Receção AudiênciasFlorbela, de Vicente Alves do Ó, foi o filme nacional mais visto de 2012, ultrapassando os 21 mil espectadores em sala no fim de semana de estreia, gerando uma receita de 92.000€. Em sala, o filme viria a gerar uma receita de 174.543,51€.

A sua transmissão na RTP1 encontrou uma audiência modesta. O episódio de estreia de Perdidamente Florbela foi o oitavo programa da RTP mais visto do dia, com 3,0% de rating e 5,9% share.

Prémios e nomeaçõesCaminhos do Cinema Português de 2012 (Portugal) Categoria ResultadoMelhor filme Melhor atriz — Dalila Carmo Melhor som — Jaime Barros e Elsa Ferreira Melhor caracterização — Abigail Machado Festival de Cinema de Bogotá de 2013 (Colômbia) Categoria ResultadoMelhor filme, Círculo Precolombino de Ouro Melhor realizador, Círculo Precolombino de Ouro Globos de Ouro de 2013 (Portugal) Categoria ResultadoMelhor atriz — Dalila Carmo Melhor filme Prémios Sophia de 2013 (Portugal) Categoria ResultadoMelhor atriz — Dalila Carmo Melhor atriz secundária — Anabela Teixeira Melhor realizador — Vicente Alves do Ó Melhor fotografia — Luís Branquinho Melhor som — Jaime Barros, Tiago Matos e Elsa Ferreira Melhor guarda-roupa — Sílvia Grabowski Melhor filme Melhor ator principal — Albano Jerónimo Melhor ator principal — Ivo Canelas Melhor ator secundário — António Fonseca Melhor argumento original — Vicente Alves do Ó Melhor direção artística — Sílvia Grabowski Melhor som — Guga Bernardo Melhor caracterização — Abigail Machado e Mário Leal Melhor montagem — João Braz

Merchandising DVD O dia 18 de novembro de 2012 marcaria o lançamento do DVD de Florbela, editado pela Alambiquede. A versão integral do filme em DVD foi também distribuída pelo jornal Público a 14 de novembro de 2012.

EspecificaçõesConteúdosData de Lançamento<small> 1 disco Vídeo: Anamórfico 16:9 Áudio: Português Dolby Digital 2.0 Stereo<small> 114 minutos Estras: Making of<small> Zona 2: 18 de novembro de 2012

Florbela, Apeles e eu O cineasta Vicente Alves do Ó escreveu o livro "Florbela, Apeles e eu", o seu segundo romance, apresentado em julho de 2014, onde conta a história de Florbela Espanca de uma forma mais extensa do que pôde no filme Florbela.Sinopse''''': Florbela Espanca casa pela terceira vez. É mulher, nora, irmã, filha, amiga. É tudo, menos poeta. Vive entre a realidade de Matosinhos e a ficção de uma outra existência que abandonou no papel. E todos os dias se questiona, todos os dias é real na sua guerra privada entre aquilo que os outros querem e aquilo que ela ambiciona. É neste intervalo mágico e possível que o autor se revela. É neste período entre o casamento com o Doutor Lage e a morte do irmão Apeles que tudo acontece, numa viagem ao mais íntimo poema de uma mulher que viveu fora do corpo, fora do género, acima do chão, rasgando a condição e tentando sempre encontrar uma verdade que nunca chegou. Ou será que chegou? Nesta viagem iniciática, Florbela, Apeles e o autor questionam tudo ou questionam a existência pura do sonho e da vida - como se todos nós fossemos feitos do desejo, da dor e dessa constatação trágica de não saber viver.

Ligações externas

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