thumb|Rei dos ratos preservado no Museu Zoológico de Estrasburgo, França Rei dos ratos (mais raramente grafado "rei-das-ratas") é um termo que determina quando um certo número de ratos ficam presos uns aos outros pela cauda, colados por sangue, sujeira, gelo, excrementos ou simplesmente enlaçados. Supõe-se que os roedores unidos dessa forma cresçam ao mesmo tempo, experimentando uma calcificação nos ossos da cauda que acaba fundindo os animais para sempre. O número de ratos do fenômeno varia, sendo 32 o maior número de ratos fundidos já encontrado. O rei dos ratos formado naturalmente por muitos destes roedores são raros. O fenômeno é particularmente associado à Alemanha, onde um maior número de casos foi relatado. Casos também já foram relatados na França, na Polônia, nos Países Baixos, na Estônia e na Indonésia.
Dado a raridade deste fenômeno, ele chega a ser considerado um ser criptídeo a ser estudado pela criptozoologia. No folclore europeu, os reis dos ratos são associados a várias superstições e eram frequentemente vistos como um mau presságio, particularmente associados à peste.
Etimologia do termo
thumb|Roi des rats achado em 1986 na região de Vendée na França, hoje em exibição no Muséum d'Histoire Naturelle de Nantes O termo alemão original, Rattenkönig, foi adaptado (como calque), no inglês, para "Rat King" e, na França, para "Roi des rats".
O termo não foi originalmente usado em referência a ratos reais, mas para pessoas que viviam de outros. Conrad Gessner em Historia animalium (1551-1558) declarou: "Alguns querem que o rato seja poderoso na sua velhice e seja alimentado por seus filhotes: isso é chamado de rei dos ratos". Martinho Lutero declarou: "finalmente, há um Papa, o rei dos ratos bem lá no topo". Mais tarde, o termo se referia a um rei sentado em um trono de caudas atadas.
Uma teoria alternativa afirma que o nome em francês era rouet de rats (ou uma roda giratória de ratos, com os rabos atados sendo raios de roda), com o termo se transformando ao longo do tempo em roi des rats.
História miniaturadaimagem|Xilogravura medieval exibindo um rei dos ratos. O mais antigo relato de um rei dos ratos data de 1564.
Em dezembro de 1822, na vila de Döllstädt, no leste da Alemanha, trabalhadores agrícolas encontraram dois reis dos ratos distintos dentro da mesma viga oca do telhado de um celeiro: um formado por 28 ratos e outro por 14, todos adultos, vivos e aparentemente saudáveis. Os animais foram mortos pelos trabalhadores e, com grande dificuldade, separados; notou-se que a cauda de cada rato libertado mantinha a marca da impressão das caudas dos demais, evidenciando o quão apertado era o nó.
Pretensas espécimes de reis dos ratos são mantidas em alguns museus. O museu de história natural Mauritianum, em Altemburgo, Turíngia, exibe o maior rei dos ratos mumificado conhecido, com um total de 32 ratos entrelaçados, que foi encontrado em 1828 numa chaminé de um moinho em Buchheim.
Outro espécime conhecido, formado por oito ratos-pretos (Rattus rattus) jovens com as caudas entrelaçadas por crina de cavalo, foi encontrado durante a década de 1930 ao cair do forro de um galpão da empresa de transportes Keith Ramsey Ltd, em Dunedin, Nova Zelândia. O espécime está em exibição no Museu Otago.
Imagens de raio-X de um rei dos ratos descoberto em 1963 pelo fazendeiro P. van Nijnatten em Rucphen, Países Baixos, como publicado pelo criptozoologista M. Schneider, consistindo de sete ratos, exibia formações de calos nas fraturas das caudas, o que indicaria que os animais sobreviveram por um período extenso de tempo com as caudas enroladas.
O fenômeno pode ter escasseado quando o rato-marrom (Rattus norvegicus) substituiu o rato-preto (R. rattus) no século XVIII. Os avistamentos tem sido esporádicos na era moderna; o caso mais recente sendo a descoberta numa fazenda na região de Võrumaa, na Estônia em 16 de janeiro de 2005.
Em agosto de 2021, na região de Stavropol, no sul da Rússia, o fazendeiro Alibulat Rasulov encontrou cinco ratos vivos com as caudas entrelaçadas em um campo de melancias alagado pela chuva. Diferentemente da maioria dos casos registrados, os animais foram libertados pelo próprio descobridor, sem intervenção científica ou museológica.
Em outubro de 2021, no condado de Põlvamaa, na Estônia, foi encontrado um rei dos ratos com 13 ratos, parte deles ainda vivos. O rei dos ratos foi levado para a Universidade de Tartu e eutanasiado humanamente, pois os ratos não tinham como se libertar. Antes disso, os cientistas conseguiram filmar o rei dos ratos vivo. O espécime faz parte da coleção do Museu de História Natural da Universidade de Tartu.
Esquilos No ano de 2018 deu-se a notícia sobre o aparecimento de um rei dos ratos embaraçado com grama, galhos e pedaços de plástico; formado por cinco esquilos-cinzentos (Sciurus carolinensis) encontrados por um morador em Wisconsin, nos Estados Unidos, levados para um centro de reabilitação da vida selvagem e submetidos por veterinários a uma operação de quase meia hora de separação de suas caudas.
Hipóteses científicas e ceticismo Uma das explicações propostas para a formação natural do fenômeno está relacionada ao comportamento do rato-preto (Rattus rattus), considerado um bom trepador e que, segundo essa hipótese, teria um reflexo de agarrar com a cauda. No inverno, esses ratos se aglomeram em ninhos para se aquecer, o que poderia favorecer o entrelaçamento involuntário das caudas; substâncias como sebo, urina e fezes atuariam então como agentes que tornariam o nó praticamente impossível de desfazer.
Parte da comunidade científica, no entanto, mantém ceticismo quanto à origem espontânea de muitos espécimes, argumentando que seria difícil para os ratos sobreviverem por muito tempo nessa condição, sobretudo em temperaturas mais altas ou caso mordessem a própria cauda ou a de outro indivíduo na tentativa de se libertar. Por isso, suspeita-se que ao menos parte dos exemplares preservados em museus tenha sido produzida artificialmente, amarrando-se as caudas de ratos já mortos.
Na cultura popular The Last of Us Part II Uma criatura conhecida como Rat King (Rei dos Ratos) aparece no jogo de ação e aventura de 2020, The Last of Us Part II. É um amálgama de múltiplos humanos infectados que aparece no meio da trama, quando a protagonista Abby explora os andares subterrâneos de um hospital em Seattle, que foram o marco zero para o surto na cidade mais de 20 anos antes.
Três atores foram amarrados juntos para realizar a captura de movimento para a criatura. Originalmente, era para ela aparecer no jogo anterior, mas os desenvolvedores não conseguiram encontrar um momento adequado para incluí-la, então ela foi colocada de lado.
Ao criar o Rat King e sua luta de chefão, a equipe se inspirou no jogo de 2016 Inside, no curta-metragem Zygote de Neill Blomkamp de 2017, no filme Annihilation de 2018, no jogo God of War de 2018 e na terceira temporada da série Stranger Things da Netflix. O codiretor Kurt Margenau descreveu a ideia por trás do Rei dos Ratos como a visão da equipe sobre "o que acontece com eles [os infectados] quando ficam à toa por muito tempo".
Ligações externas
Categoria:Criptídeos Categoria:Roedores mitológicos Categoria:Folclore da Alemanha