O Edifício Acaiaca é um arranha-céu de 30 andares em estilo art déco, situado no centro de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no Brasil. Localiza-se na Avenida Afonso Pena, 867, e tem cerca de de altura.
Projetado em 1943 por Luiz Pinto Coelho para o empresário Redelvim Andrade, o edifício foi construído durante a Segunda Guerra Mundial e recebeu um abrigo antiaéreo em seu subsolo. Foi inaugurado em 1947, ano em que Belo Horizonte comemorou seu cinquentenário.
O Acaiaca tornou-se um dos marcos verticais mais conhecidos da Belo Horizonte de meados do século XX. Durante um breve período, foi o edifício mais alto do Brasil e permaneceu entre os mais altos de Minas Gerais por várias décadas, antes de ser superado por torres posteriores, como o Edifício Aureliano Chaves e o Concórdia Corporate.
O edifício é conhecido pelas duas figuras monumentais de temática indígena presentes em sua fachada. Seu nome remete a uma antiga lenda da região de Diamantina, segundo a qual um grande cedro chamado ‘‘Acaiaca’’ teria abrigado o casal responsável por repovoar a Terra após uma inundação. A fachada também integra um vocabulário brasileiro do art déco que incorporou motivos indígenas e da cultura marajoara à arquitetura e ao desenho decorativo.
Ao longo do tempo, o Edifício Acaiaca abrigou o Cinema Acaiaca, lojas, escritórios, órgãos públicos, instituições de ensino, grupos políticos e os primeiros estúdios da TV Itacolomi, a primeira emissora de televisão de Minas Gerais. Na década de 2020, o Mirante Acaiaca e o abrigo antiaéreo restaurado abriram partes do edifício à visitação, a eventos e à programação cultural. Sua fachada e seu saguão de entrada são protegidos pelo conselho municipal de patrimônio de Belo Horizonte.
História
Planejamento e construção
O Edifício Acaiaca foi construído no centro de Belo Horizonte, na Avenida Afonso Pena, 867, próximo às ruas Espírito Santo e Tamoios. A localização situava o edifício nas proximidades da área do governo estadual, do Parque Municipal e do Santuário São José. Antes do início da construção, o terreno era ocupado pela primeira igreja metodista de Belo Horizonte, que existia no local desde os primeiros anos da capital planejada.
O empreendimento foi encomendado por Redelvim Andrade, empresário oriundo da região de Diamantina que se mudou para Belo Horizonte em 1928. Andrade atuava na extração e no comércio de cristal de rocha e já havia construído o Edifício Randrade, na Praça Raul Soares. Para o Acaiaca, contratou Luiz Pinto Coelho, seu genro, que projetou o edifício em 1943.
A construção começou em 1943, quando a Segunda Guerra Mundial ainda estava em andamento, e o edifício foi inaugurado em 1947. O contexto da guerra deixou sua marca no projeto: o subsolo recebeu um abrigo antiaéreo construído segundo normas federais de defesa civil adotadas no Brasil em 1942.
Quando foi inaugurado, o Acaiaca deu à Belo Horizonte seu primeiro arranha-céu.
Inauguração e destaque inicial
miniaturadaimagem|Imagem histórica, em estilo de cartão-postal, do Edifício Acaiaca e do Cinema Acaiaca.
O Edifício Acaiaca foi inaugurado em 1947, ano em que Belo Horizonte comemorou seu cinquentenário. Com 30 andares e cerca de de altura, elevava-se muito acima de grande parte da região central da cidade.
Durante um breve período, foi o edifício mais alto do Brasil e permaneceu entre os mais altos de Minas Gerais por várias décadas. Após a sua construção ultrapassou a altura de arranha-céus em São Paulo, como o Edifício Martinelli, porém foi logo ultrapassado com a conclusão do Edifício Altino Arantes, também em São Paulo, com .
O edifício logo passou a fazer parte da paisagem cotidiana do centro de Belo Horizonte. Erguia-se em uma das interseções mais movimentadas da cidade e podia ser visto de diversos pontos da capital. Seus andares superiores e sua cobertura tornaram-se posteriormente conhecidos pelas vistas amplas da cidade, mesmo depois que novas torres modificaram o horizonte urbano.
Usos e ocupantes posteriores
Após a inauguração, o Edifício Acaiaca tornou-se um movimentado endereço de uso misto no centro de Belo Horizonte. Suas lojas incluíam estabelecimentos de roupas femininas e comércio de luxo, enquanto o mezanino abrigou uma casa noturna durante a década de 1950. O Cinema Acaiaca ocupava a parte inferior do prédio e tornou-se um de seus espaços públicos mais conhecidos. A sala tinha capacidade para cerca de 900 pessoas e permaneceu em funcionamento até o fim da década de 1990. O antigo cinema foi posteriormente transformado em uma igreja evangélica, conservando-se no local parte dos antigos assentos.
Os andares superiores entraram para a história da radiodifusão em Minas Gerais. A TV Itacolomi, primeira emissora de televisão do estado, instalou seus estúdios nos 23.º e 24.º andares do Acaiaca. A emissora pertencia ao grupo Diários Associados e entrou no ar em 8 de novembro de 1955, com sua inauguração realizada no alto do edifício. A TV Itacolomi mudou-se posteriormente para outro endereço e saiu do ar em 1980, depois que o governo federal cassou as concessões de várias emissoras da Rede Tupi.
Órgãos públicos e instituições de ensino também passaram pelo edifício. A representação mineira do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) funcionou no local, assim como a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A política também chegou ao Acaiaca. Antes do golpe de 1964, o 11.º andar foi utilizado por um grupo empresarial conhecido como Novos Inconfidentes, ligado à oposição a João Goulart em Minas Gerais. O mesmo andar também abrigava o sindicato da indústria têxtil. A historiadora Heloisa Starling examinou os Novos Inconfidentes e o golpe de 1964 em um estudo sobre a política mineira.
No século XXI, o Acaiaca continuou a abrigar escritórios, consultórios, órgãos públicos, serviços, espaços para eventos e atividades religiosas na área do antigo cinema. Visitas à cobertura e passeios pelo abrigo trouxeram recentemente visitantes a partes do edifício que, por muito tempo, foram conhecidas sobretudo por trabalhadores, ocupantes e frequentadores do cinema.
Arquitetura e características
miniaturadaimagem|Vista do Edifício Acaiaca ao nível da rua em 2025.
Projeto e estrutura
O Edifício Acaiaca é um edifício alto em estilo art déco situado no centro de Belo Horizonte, na Avenida Afonso Pena, 867, próximo às ruas Espírito Santo e Tamoios. Luiz Pinto Coelho o projetou em 1943, e o edifício foi inaugurado em 1947, quando prédios comerciais mais altos começavam a transformar as ruas centrais da cidade. A torre tem 30 andares e cerca de de altura.
Sua fachada maciça e seu perfil vertical pertencem ao conjunto de edifícios altos art déco e protomodernos construídos em Belo Horizonte antes que a arquitetura moderna, com maior uso de vidro, se tornasse comum na cidade nas décadas de 1950 e 1960. A estrutura do edifício inclui pilares internos em forma de cogumelo. Esses elementos permitem a retirada das paredes divisórias, transformando andares individuais em grandes salões abertos. Essa flexibilidade ajudou posteriormente alguns pavimentos a serem adaptados para novos usos, inclusive eventos e áreas de visitação. Os elevadores atendem aos 25 andares inferiores; os níveis superiores são alcançados por escadas e incluem áreas de máquinas e do condomínio.
A fachada e o saguão de entrada são protegidos pelo conselho municipal de patrimônio de Belo Horizonte. Em 2020, a fachada foi repintada e as duas grandes figuras de temática indígena foram restauradas.
Nome e simbolismo da fachada
miniaturadaimagem|Uma das efígies de temática indígena presentes na fachada.
O nome do edifício relaciona a torre a uma lenda do antigo Arraial do Tejuco, atual Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. Redelvim Andrade, empresário que encomendou o edifício, era originário daquela região.
Em versões locais da lenda, um grupo indígena vivia nas proximidades do povoado e reverenciava um grande cedro. A árvore era conhecida como ‘‘Acaiaca’’. No início do mundo, o rio Jequitinhonha e seus afluentes subiram até cobrir a terra. Apenas um casal sobreviveu, subindo na árvore; depois que as águas baixaram, os dois desceram e começaram a povoar novamente a Terra.
O nome também possui significado botânico. No uso brasileiro, ‘‘acaiacá’’ é um dos nomes populares de ‘’Cedrela fissilis’’, árvore nativa mais conhecida como ‘‘cedro’’ ou ‘‘cedro-rosa’’. Esse uso botânico ajuda a explicar por que versões modernas da lenda identificam a Acaiaca como um cedro.
As duas figuras monumentais de temática indígena presentes na fachada transportam o nome para a decoração do edifício. Foram concebidas como homenagem ao grupo indígena lembrado na lenda, cuja história era associada à força e ao poder.
As figuras também fazem parte da linguagem art déco do prédio. O arquiteto Alexandre Fraga descreveu o Acaiaca como uma forma brasileira de art déco com elementos marajoaras. Nas décadas de 1930 e 1940, o art déco brasileiro frequentemente incorporava referências indígenas, marajoaras, guaranis, tupis e tupinambás à arquitetura, às artes aplicadas, à publicidade e aos nomes de lojas, empresas e edifícios.
Abrigo antiaéreo
O subsolo do edifício contém um abrigo antiaéreo, planejado quando a torre estava sendo projetada durante a Segunda Guerra Mundial. O Brasil adotou regras de defesa passiva antiaérea em 1942, determinando a construção de abrigos ou outras obras de proteção em edifícios com cinco ou mais pavimentos ou com mais de de área coberta. Luiz Pinto Coelho incluiu o abrigo antes da inauguração do prédio, em 1947, depois do fim da guerra, e o espaço nunca chegou a ser utilizado para sua finalidade emergencial.
O abrigo ocupa parte do subsolo do edifício. Posteriormente, foi utilizado como área de carga e descarga. Quando preparado para a visitação pública em 2025, o espaço possuía um anexo e duas salas principais, chamadas de celas, com capacidade para cerca de 80 pessoas. O percurso de visitação também inclui rotas de fuga e um túnel que leva ao exterior da estrutura.
O abrigo restaurado foi aberto a visitas guiadas em janeiro de 2025 e passou a integrar o circuito cultural do edifício. A visita inclui murais e outros elementos relacionados ao período da guerra.
Uso atual e proteção patrimonial
miniatura|Vista lateral do Santuário São José com o Edifício Acaiaca.
O Edifício Acaiaca permanece como prédio comercial no centro de Belo Horizonte, abrigando escritórios, empresas, serviços e espaços abertos ao público em seus pavimentos. Em 2025, a administração do condomínio informou ao BHAZ que o edifício possuía cerca de 500 salas e recebia aproximadamente 5 mil pessoas em um dia comum, número inferior às cerca de 8 mil registradas antes da pandemia de COVID-19. O 25.º andar foi adaptado para eventos. O 26.º andar abriga o Mirante Acaiaca, terraço de visitação com áreas abertas, pérgolas de madeira e um deque com vista de 360 graus da cidade.
O acesso público cresceu durante a década de 2020. O mirante foi aberto como atração na cobertura, com vistas para a Serra do Curral, o Santuário São José, a Praça Sete e o Parque Municipal. Em janeiro de 2025, o abrigo antiaéreo restaurado foi aberto a visitas guiadas, conduzindo os visitantes pelo refúgio do período da guerra e por suas passagens subterrâneas de fuga. Em 2026, alimentação, música, eventos e programação cultural haviam sido incorporados por meio do Circuito de Entretenimento, Arte e Cultura.