Lissós (), também grafada Lissos, Lisós ou Lissus, foi uma cidade portuária no sudoeste da ilha de Creta, Grécia, na área de Ágios Kirikos, perto da aldeia de Sougia, 70 km a sul de Chania. Como as cidades vizinhas de Syia e Pikilassós, Lissós foi um porto de , esta última situada no interior, cerca de 10 km a norte de Sougia.

Lissós foi fundada durante o período clássico e floresceu até à Antiguidade Tardia. O seu nome é atestado por inscrições. A história primitiva da cidade é desconhecida. Por inscrições e moedas do sabe-se que Lissós foi aliada do rei de Cartago Maga e juntou-se a uma liga (koinon) formado por Lissós, Syia, Poikilassos, Tarra, Irtakina e Eliros.

No sítio arqueológico, escavado em 1957–1958 por N. Platon, há restos de um teatro, aqueduto, cemitério e termas da Antiguidade, bem como basílicas paleocristãs. Foram descobertos muito objetos votivos, que estão expostos nos museus arqueológicos de Chania e de Heraclião. Em mais nenhum sítio arqueológico de Creta, à exceção de Gortina, foram encontradas tantas peças de escultura. Este facto testemunha a prosperidade e poder do (santuário de Esculápio dedicado a curas) de Lissós. A cidade tinha uma importante marinha mercante e de pesca, cunhava a sua própria moeda com imagens de Ártemis, um golfinho e a palavra LISION (dos lisianos).

A cidade é mencionada por Ptolomeu (3.17.3) e pelo geógrafo anónimo da Antiguidade conhecido como Stadiasmus e aparece na “Tabula Peutingeriana”, um mapa viário do Império Romano como distando 16 milhas de Cantanum (a atual ). No tempo de Hiérocles () era uma sede episcopal. A cidade ocupava uma pequena bacia e forma de anfiteatro, nas colinas frente ao mar. Robert Pashley identificou a cidade na primeira metade do e relatou a existência de de vestígios de um antigo templo, com colunas de granito e fragmentos de mármore, arquitraves e frontões junto à igreja de Panagia. Perto dali havia o que parecia outro templo e um teatro. Na parte sudoeste da planície havia túmulos construídos sobre rocha e com tetos em arco, cujo número foi estimado em cerca de cinquenta.

A cidade cunhou moedas, ao contrário de outras cidades vizinhas, o que atesta a sua importância comercial, devida à sua situação. O porto é mencionado por Cílax de Carianda (p. 18) e as moedas tinham motivos marítimos ou indicativos do culto de Díctina, comum naquela parte de Creta. Uma das moeda conhecidas apresenta o barrete e as estrelas de Dioscuri (Castor e Pólux) numa face e uma aljava e uma flecha na outra. Noutra moeda, o barrete é substituído por um golfinho e a aljava por uma cabeça feminina, provavelmente Díctina ou Ártemis.

Além do Asclepeion e de uma necrópole romana, no local há duas igrejas ortodoxas gregas: Ágios Kyrikos, com alguns frescos, e a capela de Panagia, construída com blocos de mármore reaproveitados.

Notas e bibliografia

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