O Filho de José e Maria é um álbum de estúdio de Odair José, lançado em LP em 1977.

História Em meados da década de 1970, Odair José era um dos artistas mais conhecidos da música brasileira e um dos campeões de vendas de discos no Brasil, com uma carreira voltada para o estilo romântico popular. Ligado então à Polygram, selo popular da extinta gravadora Philips, o compositor desejava fazer um álbum duplo com 24 canções que, em ordem cronológica, falasse de uma fase do protagonista, desde seu nascimento até a sua morte. O projeto resultou no álbum O Filho de José e Maria, um disco conceitual totalmente distinto dos trabalhos românticos anteriores de Odair José e cujo protagonista era uma espécie de Jesus Cristo contemporâneo, que se envolve com drogas e coloca em dúvida sua própria condição sexual e, após longos anos de solidão e rejeição social, assume a sexualidade aos 33 anos e passa a viver plenitude da felicidade..

A inspiração para o trabalho veio da influência de livros de Gibran Kalil Gibran e do rock de Joe Walsh, Humble Pie, Jeff Beck e Peter Frampton. Odair foi acompanhado pela banda Azymuth, tendo uma sonoridade soulEntre o “brega” e o rock: a ressignificação da Música de Odair José e funk.

Mas os produtores da Philips não queriam lançar um álbum duplo de Odair José, muito menos com uma temática tão controversa, então o compositor transferiu-se para o selo RCA Victor, que por sua vez permitiu o lançamento do disco, mas com apenas 10 das 24 faixas pretendidas. O LP chegou ao mercado em maio de 1977 e desagradou a Igreja Católica. Odair foi ameaçado de excomunhão por, entre outras coisas, canções como "O Casamento" (cujo conteúdo diz que José e Maria não eram casados quando conceberam o seu filho e se separam lá pelo meio da história. O pretensioso disco conceitual foi o maior fracasso comercial de Odair naquela década, sendo ignorado pelo público e massacrado pela crítica musical. Após esse fiasco comercial, Odair José retomaria a linha romântico-popular, mas nunca mais alcançaria o sucesso comercial que teve naquela década.

Odair José sobre - E a partir desse disco, as pessoas começaram a fazer questionamentos sobre a minha competência para vender discos, mas foi até legal, porque você ter a obrigação de todo disco ter de vender é uma bosta. Até porque você não consegue isso a vida inteira. E se você analisar, essa coisa de fazer sucesso, fazendo músicas direto, é um ciclo de sete anos. Pode ver, todo mundo, tem raras exceções, só aguentaram sete anos, pode reparar, Beatles mesmo: sete anos."

Em 2017, o jornalista Mauro Ferreira se referiu ao álbum como "a primeira ópera-rock do universo pop nacional".

Faixas NºTítuloCompositoresDuração1Nunca MaisOdair José02:472Não Me Venda Grilos (Por Direito)Odair José03:103Só Pra Mim, Pra Mais NinguémOdair José03:004É Assim...Odair José/Maxine02:575Fora da RealidadeOdair José/David Lima03:546O CasamentoOdair José06:027O Filho de José e MariaOdair José03:118O Sonho TerminouOdair José03:229De Volta Às Verdadeiras OrigensOdair José02:5110Que LoucuraOdair José02:50

Músicos Odair José: voz, violão e guitarras Don Charley: arranjos de cordas e metais Jaime Alem: guitarra e violão Hyldon: guitarra José Lanforge: voice-box e harmônica Robson Jorge: piano Fender Rhodes Ivan Conti "Mamão": bateria Alex Malheiros: baixo José Roberto Bertrami: órgão, clarinete e Arp. String

Ficha técnica Direção artística: Durval Ferreira Coordenação artística e direção de estúdio: Guilherme Araújo Técnicos de gravação: Stélio Carlini, Eduardo Rapetti e Mário Jorge Bruno Técnico de mixagem: Luiz Carlos T. Reis Corte: José Oswaldo Martins e Pedro Fontanari Filho Arte: Rodrigo Argollo Ferrão Fotografia: Ivan Klingen Coordenação gráfica: Ney Tavora Gravado e mixado em 16 canais nos estúdios da RCA Victor, Rio de Janeiro

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