Sociedade Literária germanica (Sodalitas litteraria Germaniae) ou simplesmente, Sociedade Literária (Sodalitas litterária) eram as Associações Científicas de estudiosos e seguidores do Humanismo renascentista na Europa Central, cuja existência ofereceu uma plataforma de intercâmbio para o desenvolvimentos de suas ideias.siehe Literatur Tibor Klaniczay: Celtis und die Sodalitas Litteraria Germaniam.S. 81 siehe Literatur Ernst Jungkenn: Johann von Dalberg und Jakob Köbel als Mitglieder der Sodalitas litteraria Rhenana.S. 169

miniatura|200px|<center>Marcilio Ficino o grande mentor da Cabala Renascentista e das Sociedades Literárias. miniatura|200px|<center>Retrato do humanista Conrad Celtis (1459-1508), por Ludwig Bechstein dos Duzentos homens alemães de 1854. miniatura|200px|<center>Johannes Trithemius, co-fundador da Sociedade literária renana. miniatura|200px|<center>Epitáfio de bronze de Filippo Buonaccorsi, Igreja Dominicana em Cracóvia. miniatura|200px|<center>Membros da Academia Platônica Florentina: Marcilio Ficino, Christophoro Landino, Angelo Poliziano e Gentile de Becchi. miniatura|200px|<center>Johann III von Dalberg. Bipo de Worms entre os anos 1482/1503 e reitor da Universidade de Heidelberg. miniatura|200px|<center>Vitraux da Igreja Evangélica em Neckarsteinach com as representações de São Jorge, (acima à esquerda), Filipe von der Pfalz, conde palatino do Reno (acima à direita), Otto von Hirschhorn com Margaret de Handschuhsheim (canto inferior esquerdo) e a Virgem Maria (abaixo à direita). O original data de 1483, está localizado no museu e foi substituído por uma réplica. miniatura|200px|<center>Albert Brudzewski. miniatura|200px|<center>Nuremberg e o castelo imperial em 1895. Foi nesta cidade que a Sodalitas Staupitziana teve sua sede. miniatura|200px|<center>O humanista, astrônomo e médico austríaco, Georg Collimitius, reformulador da Sociedade literária Dunubiana, sediada em Viena e então chamada Sodalitas Collimitiana miniatura|200px|<center>Johannes von Staupitz. miniatura|200px|<center>Joachim von Watt

A concepção original As escolas filosóficas ou escolas filosóficas literárias não foram escolas literárias simplesmente e nem promoviam nenhum movimento filosófico, mas eram, antes de tudo, escolas (confrarias) ou Sociedades que favoreciam e promoviam o estudo teológico, filosófico, científico por excelência e tiveram sua concepção a partir das ideias, dos ideais formativos do filósofo e poeta latino Conrad Celtis,Laurens p.405 que ficou conhecido como o propagador mais ardente do humanismo na Alemanha e Áustria, durante o transcurso da história. Elas foram a exemplo de seu princípio de criação academias, precursoras do academicismo e Academias como as concebemos hoje, com as alterações pertinentes de cada época, século ou modus operandi. Celtis abriu quatro Confrarias ou Escolas filosóficas literárias: A Sociedade literária Vistuliana, com sede na Cracóvia; a Sociedade literária renana, com sede em Maiz; a Sociedade literária húngara, com sede em Bratislava e a mais influente de todas, a Sociedade literária Dunubiana, com sede em Viena.

Para se compreender a organização das confrarias fundadas por Celtis, faz necessária a compreensão de sua formação. Ela se deu entre 1487-1489, durante a sua estadia em Florença onde estudou com Marsilio Ficino e em Roma quando estudou com Pomponio Leto (Júlio Pomponius Laetus) - que por sua vez havia estudado com Lorenzo Valla - nas academias estruturadas ao tipo "Academia platônica". S. 82 Após a sua estadia na itália, ele viajou por diversos países para incrementar seus estudos e onde também dava palestras e cursos, ele foi para Erfurt, Rostock, Leipzig, etc. Quando em Heidelberg, ele recebeu instrução de Johann Dalberg e do humanista, filósofo e alquimista Rudolf Agricola. Seu nome verdadeiro era Conrad Meissel ou Konrad Bickel, mas usava o pseudônimo de Celtes Protucius (o primeiro dos Celtas), e, por isso, era chamado de Conrad Celtis. Ele abriu várias escolas e tornou-se um hermetista de sua época.

Os humanistas italianos enamorados do idealismo platônico, trouxeram para Florença os estudos e ensinamentos praticados na Academia Platônica e as antigas tradições do academicismo greco-latinas do platonismo, do Médio platonismo, do pitagorismo, Neopitagorismo e das Antigas Escolas Filosóficas da antiguidade, a exemplo das escolas antigas como a Universidade de Constantinopla, a Escola de Filosofia de Atenas, etc. Este conjunto de estudos e práticas já havia sido objeto de orientação para outros filósofos ocidentais, como por exemplo Alain de Lille, Pedro Abelardo, Johannes Scotus Eriugena, mas nascia, agora de uma forma acadêmica, na Europa ocidental, o neoplatonismo renascentista, e foi através de Cosimo de Médici [talvez] que, influenciado filósofo Gemisto Pletão, quem fundou a Academia Platônica Florentina, em 1442, e confiou, em 1446, a sua direção ao médico e teólogo, Marsilio Ficino. Nesta Academia se estudava a filosofia platônica, o neoplatonismo, humanismo, literatura, ciências, poesia e as artes de um modo geral. Estudavam-se nelas as obras de Platão, Porfírio, Plotino, Galeno, Hipócrates, Aristóteles, Averróis, Avicena, Dionísio, o Areopagita, Hermes Trismegisto, etc. Os ensinamentos de Ficino eram uma síntese da Filosofia cristã com a filosofia platônica, a defesa da imortalidade da alma e a divindade de Cristo. Ao mesmo tempo que em Florença, existia a Academia Romana, fundada por Pomponio Leto e que ficaria marcada pela conspiração, desbaratada, contra o papa Paulo II (1464-1471). Os nomes ilustres desta Academia Romana, além de Celtis, foram Bartolomeo Platina, Filippo Buonaccorsi, Giovanni Sulpizio de Veroli, etc

Sobre os objetivos Celtis concebeu e projetou o Sodalitas como uma organização livre e informal (fraternidade de amigos) e, cujo objetivo principal, era o estudo e prática das disciplinas humanísticas e da literatura individualmente entre os membros e, em particular, confiava que assim se daria a sua proliferação. A atitude crítica dos humanistas para com a Escolástica e suas raízes teológicas ensaiava um conflito com o sistema teológico dominante e, por isso, alguns membros, da Solidas agiam com cautela e moderação. S. 169

Pretendiam os humanistas, promover o estudo da ciência clássica antiga e enfatizá-lo nas Universidades da escolástica. Esta mudança trouxe reivindicações que concluíram no distanciamento da universidade convencional e do academicismo, que rechaçaram as novas ideias. Como pré-requisito para o estudo metódico e científico com as fontes originais, fez-se necessário o estudo das línguas antigas, especialmente do latim original, mas também do grego e do hebraico. Como uma marca, as novas concepções da nova linha do pensamento ocidental, este humanismo ficou conhecido como: América Latinizada ou helenização Graecizada.

Organização das escolas A empresa tinha um presidente e um secretário. O termo latino Solitas significa amizade, companheirismo e o termo que definiria o membro ou adepto das novas ideias era Sodalis. Aquele que fosse aceito como membro deveria demonstrar a séria intenção de promover os objetivos da empresa e deveria ter algum grau de educação humanista.

Á época, foram eles os Sodalis, os mais respeitados estudiosos de todos os campos do conhecimento e s que pertenciam à sua aliança forma os que forneceram suporte para os estudiosos das universidades.

Aqueles que saiam de seus torrões para ingressar à "Ordem", os iniciantes, não era necessário que tivessem residência fixa ao serem aceitos e nas cidades onde havia várias Sodalis nas proximidades, criavam-se paragens ou locais de reunião, eram as Hospes. Essa permanência temporária tornou-se uma preocupação para as Sodalis respeitadas e tudo se acertou com a chamada "seção" ou o "Contubernium Sodalium", onde discutiu-se sobre o alojamento e as refeições necessárias para os iniciantes. S. 169, 170

Declínio e dissolução Após a morte de seu fundador e líder espiritual, Conrad Celtis, as atividades e os efeitos das "Sodalitates litteraria", apesar do nível extraordinariamente elevado de educação e criatividade de seus membros, tendeu a retroceder. A readequação do pensamento, tendo coo base a concepção original, da Sodalitas litteraria, assim chamada moderna, também contribuiu para evitar o colapso iminente da busca do conhecimento religioso pelas classes educadas. Mesmo os bispos estavam unidos com os estudiosos, a fim de evitar o cisma dentro da Igreja. O cisma de Lutero em 1517 dividiu a comunidade religiosa em distritos Sodalitas que permaneceram fiéis à antiga igreja, e outros que se colocaram inteiramente favoráveis à igreja emergente da reforma. As comunidades fundadas sob a orientação humanista de Celtis, desapareceram. S. 170 Alguns de seus alunos fundaram Sodalitates litterarie com sua ênfase principal apoiada na literária científica da Reforma e que teve certa importância, porém não logrou substitui àquela da formação original ou primeira.

As Sociedades literárias fundadas por Celtis A Sociedade literária Vistuliana A Sociedade literária Vistuliana, Sodalitas Litterarum Vistulana ou Sociedade polonesa de ciências foi fundada na Polônia, com sede na Cracóvia, por Conrad Celtis em 1488. Também chamada de Congregação literária de Vístula, ela caracterizava-se como uma Sociedade Acadêmica Internacional. No tempo de sua fundação, Conrad Celtis, estudava (em seu primeiro ano) matemática e astronomia (1488-1491), na Academia de Cracóvia e depois Universidade daquela cidade.

Para fundar a Sociedade literária Vistuliana, Celtis tomou como modelo as academias italianas, especificamente a Academia Romana. Os cursos ministrados eram a Matemática, a Astronomia e as Ciências naturais.

História No final do século XV, começaram a se formar círculos de estudos, entre os pensadores e intelectuais humanistas, no entorno da Universidade de Cracóvia, fundada em 1364. Cracóvia à época era a capital polonesa (1038-1596), era o principal foco das atividades na Polônia e foi neste círculo, frequentado por nobres e eclesiásticos, que encontrou lugar o escritor e refugiado político, de origem italiana, Filippo Buonaccorsi, denominado Calímaco (1437-1496). Ele tornou-se adjunto do arcebispo de Lviv Gregório de Sanok e ao bispo Zbigniew Olesnicki, depois tornou-se secretário do rei da Polônia Casimiro IV Jagielo e tutor de seus filhos. Um desses filhos, o rei Sigismundo I, o Velho (1506-1548), casou com a Bona Sforza, filha de Gian Galeazzo Sforza, duque de Milão e, com isso teve início o Renascimento polonês.

Na polônia desenvolvia-se um polo de filosofia, mais acercados a Varsóvia, da chamada Escola de Varsóvia e tiveram representantes como Nicolau Copérnico, Wawrzyniec Goslicki, Andrzej Maksymilian Fredro, Alfred Tarski, e que, por sua vez, embora a escola polonesa sofresse desde muito a influência das escolas italianas, estes filósofos (poloneses) exerceram grande influência sobre países próximos.

Os membros conhecidos