thumb|253px|Isatis tinctoria (ilustração). thumb|253px|Planta jovem (menos de 1 ano). thumb|253px|Folhas caulinares (aparecem apenas no segundo ano de crescimento). thumb|253px|Aspecto geral da inflorescência. thumb|253px|Isatis tinctoria (hábito da planta frutificada). thumb|253px|Siliquas de Isatis tinctoria (colecção do MHNT). thumb|253px|A caça ao unicórnio, tapeçaria tingida com lírio-dos-tintureiros (amarelo), ruiva-dos-tintureiros (vermelho) e pastel (azul). thumb|253px|Engenho de pastel (na Turíngia, 1752). thumb|253px|Corante comercial produzido com extracto de pastel. thumb|253px|Processamento de pastel. Isatis tinctoria L., 1753Isatis tinctoria - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet (consultado em 26 de dezembro de 2013). é uma espécie de plantas com flor da família das Crucíferas, comummente conhecida como pastel-dos-tintureiros ou simplesmente pastel.

É uma planta herbácea bienal, originária do sudoeste e centro da Ásia,Giorgia Spataro, «Genetic Variation and Population Structure in a Eurasian Collection of Isatis tinctoria L.», Genetic Resources and Crop Evolution, vol. 54, n.º 3, may 2007, pp. 573–584 (ISSN 0925-9864 1573-5109, DOI 10.1007/s10722-006-0014-4). que em tempos foi muito cultivada nas regiões temperadas da Eurásia como planta tintureira e medicinal.Isatis tinctoria - International Plant Names Index Utilizada para pinturas corporais e para fins medicinais desde o Neolítico europeu, a planta foi intensamente comerciada na Europa durante a Idade Média e a Renascença para produção de corante azul para tinturaria e pintura. O corante, manufaturado a partir do extrato fermentado das folhas, caiu em desuso com a introdução do anil obtido do índigo tropical e, posteriormente, com a generalização do uso das anilinas e outros corantes de síntese.

Descrição O pastel-dos-tinteiros é um hemicriptófito bienal, embora possa raramente ser perene de vida curta, em geral monocárpico (morre após a maturação das sementes), de raiz aprumada,Tela Botanica Le réseau de la botanique francophone: Isatis tinctoria. tetraploideG. Spataro, "Assessment of the reproductive system of Isatis tinctoria L.", Euphytica, vol. 159, n.os 1-2, Janeiro de 2008, pp. 229–231 (ISSN 0014-2336 et 1573-5060, DOI 10.1007/s10681-007-9479-2). (número cromossómico 2n=4x=28), muito semelhante no hábito, ramificação e aspecto das folhas ao nabo silvestre e à couve. Em plena maturação forma uma planta robusta, que alcança 30–150 cm de altura, glabra a hirsuta, sub-glauca, erecta quando em flor, produzindo numerosas inflorescências ramificadas anteriormente.Tropicos.org. Missouri Botanical Garden : Isatis tinctoria. Consultado a 26 de dezembro de 2013.

No primeiro ano após a germinação, a planta forma uma roseta de folhas basais com pecíolo curto (pecíolo com 0,5-5,5 cm de comprimento). As folhas são amargas e fortemente adstringentes, com coloração verde, ligeiramente glaucas na face superior, oblanceoladas, com 5–20 cm de comprimento e 1–3 cm de largura, muito variáveis em tamanho, geralmente muito maiores nas plantas cultivadas.www.eFloras.org — Flora of North America : Isatis tinctoria. São estas as folhas colhidas para a extracção do pigmento. No primeiro ano a planta não floresce, podendo mesmo permanecer sem florir mais um ano, mantendo as folhas em roseta, se as condições ambientais forem desfavoráveis.

Geralmente no segundo ano após a germinação, e a partir de um pequeno tronco erecto que se prolonga até 4–5 cm acima do solo, a planta emite de um a cinco caules erectos, formando escapos robustos que podem chegar a 1,50 m de altura, nos quais surgem as folhas caulinares, com filotaxia alterna, sésseis, amplexicaules, com longas aurículas agudas na base, com 10–80 mm de comprimento, 5–25 mm de largura, linear-lanceoladas as mais próximas da base, lanceoladas as superiores. O tamanho das folhas, particularmente o seu comprimento, diminui progressivamente ao longo do caule, sendo as folhas superiores muito menores do que as mais próximas da roseta basal. A folhas caulinares apresentam coloração verde brilhante ou verde azulado (consoante as variedades), com uma nervura central esbranquiçada, bem marcada e alargada na base da folha.Luciana G. Angelini, «Differences in leaf yield and indigo precursors production in woad (Isatis tinctoria L.) and Chinese woad (Isatis indigotica Fort.) genotypes», Field Crops Research, vol. 101, n.º 3, Março de 2007, pp. 285–295 (ISSN 0378-4290, DOI 10.1016/j.fcr.2006.12.004). A pubescência é variável.

A planta produz entre maio e setembro abundantes flores hermafroditas amarelas, agrupadas em inflorescências do tipo racemo, com 30-80 flores em cada, formando panículas corimbiformes, ebracteadas, que se alongam até aos 10(-15) cm na maturação. As flores são pequenas, com 3–5 mm de diâmetro, de coloração amarela, inseridas em finos pedúnculo que atingem 5–10 mm de comprimento na fase de maturação do fruto. Os pedúnculos são tão finos e flexíveis que as flores são facilmente agitadas pela mais ténue brisa. A flor é formada por 4 sépalas, com 2-2,5 mm de comprimento, de coloração verde-amarelado. As 4 pétalas são amarelas, com 3-4,5 mm de comprimento, 1,5–2 mm de largura, insertas em posição cruciforme alterna em relação às sépalas. As flores contêm 4 (+2) estames (tetradinâmicos, quatro com filetes compridos e dois curtos), nectários anulares, com 2 carpelos abertos e soldados pelos bordos.

As flores são polinizadas por insectos e as vagens amadurecem cerca de um mês após a polinização. A espécie é considerada uma planta melífera, sendo frequentemente visitada pelas abelhas.Nature jardin: Isatis tinctoria.

O fruto é uma siliqua pequena, embora muito variável em tamanho, com 10–20 mm de comprimento, 2,5–5 mm de largura, oblonga, pendente, estreitando-se em direcção à base, com ápice truncado a arredondado, geralmente mais largo na zona média (onde está o lóculo), glabras a escassamente pubescentes. Quando madura apresenta coloração castanho-escuro a negra. A semente, alada, tem 2–3 mm de comprimento, 1 mm de largura, com perfil elipsoidal alongado e coloração castanha.

Isatis tinctoria apresenta grande polimorfia no que respeita à forma do fruto, à forma e ao tamanho das aurículas (lobos) da base das folhas caulinares e à quantidade de indumento.

Distribuição A espécie é nativa das estepes e zonas semi-desérticas do Cáucaso e do oeste e centro da Ásia, mas encontra-se naturalizada em quase todas as regiões temperadas e subtropicais da Eurásia, com maior prevalência no sueste e centro da Europa e no norte da China. O centro de diversidade (ou centro de Vavilov) situa-se na Ásia Central.

A espécie espalhou-se por uma vasta região, tendo sido cultivada desde tempos muito remotos em toda a Europa, particularmente na Europa Ocidental e do Sul. Em consequência, a planta é considerada espontânea no Norte de África, na Europa (especialmente na região mediterrânica, sendo abundante na Córsega), na Ásia ocidental, sueste de Rússia e Ásia Central até à região de Xinjiang, no noroeste da China.

Nalgumas regiões dos Estados Unidos, a espécie Isatis tinctoria é considerada como espécie invasora.Thomas Bechtold, Rita Mussak (editores), Handbook of Natural Colorants. Wiley-Blackwell, 2009, 434 pp. Portugal

A espécie está presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental, de onde é autóctone, encontrando-se naturalizada no arquipélago da MadeiraChecklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira e nos Açores.Isatis tinctoria - Portal da Biodiversidade dos Açores</ref>

No que toca à distribuição em Portugal Continental, o pastel-dos-tintureiros marca presença na zona da Terra QuenteTransmontana.

Não se encontrando protegida por legislação portuguesa ou da União Europeia.<ref>Isatis tinctoria - Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira) - Sociedade Lusitana de Fitossociologia

Ecologia Ocorre de preferência em solos secos a muito secos, em terrenos incultos ao longo de estradas, sobre afloramentos rochosas, sobre em rochas e em matagais e pastagens mediterrânicos. É considerada uma espécie termófila.

Pode ser cultivada em qualquer tipo de solo, embora prefira solos ligeiros. Necessita de elevada humidade para germinar e de boa exposição solar para atingir o máximo desenvolvimento, embora tolere algum ensombramento. O seu habitat preferido nas regiões de distribuição natural são as zonas declivosas e abertas com boa exposição solar. Nas regiões onde se naturalizou aparece frequentemente em zonas perturbadas de carácter ruderal e em falésias e outros locais bem drenados.

Taxonomia A espécie Isatis tinctoria foi descrita por Carolus Linnaeus, Biodiversity Heritage Library (Biodiversity Heritage Library) : 358691#page/112. a autoridade científica da espécie, que publicou a descrição na sua obra Species Plantarum 2: 670. 1753.Isatis tinctoria - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 26 de dezembro de 2013).Isatis tinctoria - International Plant Names Index.

Etimologia Do que toca ao nome genérico, Isatis, este provém do vocábulo grego clássico ἴσατις, isatis, que ulteriormente derivou no substantivo latino isatis, empregado por Plínio, o Velho, no livro XX:59,Pline l'Ancien, Histoire naturelle, Gallimard, nrf, Bibliothèque de la Pléiade, 2013. termo derivado de isazein «sarar»,J-C. Rameau, D. Mansion, G. Dumé, C. Gauberville, Flore Forestière Française, guide écologique illustré, 3 région méditerranéenne. Ministère de l'agriculture et de la pêche, 2008, 2426 p. porque segundo Dioscórides (II, 185),Pedanius Dioscorides of Anazarbus, De materia medica (translated by Lily Y. Beck), Olms - Weidmann, 2011, 630 p. a planta ἴσατις αγρια seria empregada para cicatrizar as feridas.

Quanto ao epíteto específico, tinctoria, este deriva do latim tinctura «tintura».

Relativamente ao nome comum, «pastel», chega ao português por via do termo occitano pastèl,Marcel Lachiver, Le dictionnaire du monde rural, Fayard, 2006. que por seu turno deriva do termo latino pasta, aplicado porque durante o processo de fabrico do corante as folhas de Isatis tinctoria eram esmagadas por moenda em atafonas, conhecidas por engenhos de pastel, até formarem uma pasta que era deixada fermentar e secar. Do nome da pasta tintureira o termo foi generalizado para designar a planta do qual era extraída. O termo também depois se alargou para abarcar o pastel como técnica de pintura com recurso as bastões corantes e para designar a gama de tons de azul suave produzidos pelo pigmento.

A designação «pastel-dos-tintureiros» é frequentemente usada para a planta como forma de reduzir a ambiguidade face aos diversos étimos.

Subespécies e variedades válidas Estão aceites como válidas as seguintes subespécies, variedades e cultivares:NCBI: Isatis tinctoria.Theplantlist: Isatis tinctoria Subespécies : Isatis tinctoria subsp. athoa (Boiss.) Papan. Isatis tinctoria subsp. campestris (Stev. ex DC.) Kulcz. Isatis tinctoria subsp. canescens Malag. Isatis tinctoria subsp. corymbosa (Boiss.) P.H.Davis Isatis tinctoria subsp. jacutensis N. Busch Isatis tinctoria subsp. koelzii Jafri Isatis tinctoria subsp. oblongata (DC.) N. Busch Isatis tinctoria subsp. praecox (Kit. ex Tratt.) Domin & Podp. Isatis tinctoria subsp. tinctoria L. Isatis tinctoria subsp. tomentella (Boiss. & Balansa) P.H.Davis Variedades e cultivares : Isatis tinctoria var. canescens Gren. & Godr. Isatis tinctoria var. indigotica (Fortune) T.Y. Cheo & K.C. Kuan Isatis tinctoria var. praecox (Kit. ex Tratt.) W.D.J. Koch Isatis tinctoria var. tinctoria L. Isatis tinctoria var. vulgaris W.D.J. Koch Isatis tinctoria var. yezoensis (Ohwi) Ohwi

Sinonímia