A Clínica Burzynski é uma clínica médica localizada no Texas, Estados Unidos. Foi fundada em 1976 por Stanislaw Burzynski e oferece tratamentos sem comprovação científica contra o câncer. A clínica é mais conhecida pela controvérsia da sua suposta "Terapia Antineoplastônica", uma "quimioterapia" que usa compostos por eles denominados "antineoplastônicos", criados pelo fundador da clínica nos anos 70.
A clínica tem sido foco de várias críticas por causa da forma de promoção da terapia com antineoplastônicos, dos valores pagos pelos pacientes com câncer, que pagam para participar de "ensaios" dos antineoplastônicos e também por causa de problemas na condução desses ensaios. Isso causa problemas significativos para os pacientes e, por isso, alguns casos foram levados à justiça por terem sido vendidas terapias sem a aprovação dos conselhos médicos e por outras causas.
Existe consenso científico de que a terapia antineoplastônica não funciona e há poucas possibilidades de que ela realmente venha a tratar o câncer. Testes clínicos iniciados em 1993 e patrocinados pelo National Cancer Institute foram encerrados devido à impossibilidade de se encontrar pacientes aptos para serem testados. Um estudo da não encontrou nenhum benefício do tratamento. Mais de 60 estudos clínicos Fase 2 e Fase 3 foram registrados por Burzynski desde meados dos anos 90, mas nenhum resultado foi publicado. O afirmou que: "Resultado final: não existem evidências claras que apoiem os efeitos anticâncer dos tratamentos antineoplastônicos em humanos."
À partir de 1998 Burzynski foi autorizado a prescrever seus antineoplastônicos apenas como parte de um ensaio clínico registrado. Mais de sessenta ensaios foram registrados, mas apenas um foi concluído e os resultados não foram publicados. Os ensaios foram descritos pelo ex-advogado de Burzynski como uma "piada" e um "artifício".
Os ensaios foram suspensos (não foram autorizados novos pacientes) depois de uma sequência de inspecções da FDA que encontrou problemas graves (pela terceira vez consecutiva) no Conselho de Administração da clínica em janeiro de 2013. De acordo com o jornal USA Today, que acompanhou o caso de perto, os problemas estão relacionados à má conduta tanto da clínica quanto de Burzynski como investigador principal.
Stanislaw Burzynski Stanislaw Rajmund Burzynski é o fundador, presidente e membro do conselho superior do controverso Burzynski Research Institute Inc., localizado em Houston e Stafford, no estado do Texas, EUA.
Ele nasceu em 23 de Janeiro de 1943, em Lublin, na Polônia. Se formou aos 24, na , e publicou catorze trabalhos acadêmicos. No ano seguinte ele obteve o seu Doutorado em bioquímica.Smith, 1992, p.136: "ele conseguiu o seu Ph.D. em bioquímica com uma tese intitulada 'Investigações em aminoacidos e peptídeos no soro sanguíneo de pacientes saudáveis e pacientes como insuficiência renal crônica'."
Burzynski emigrou para os Estados Unidos em 1970, trabalhando no até 1977, quando criou o Laboratório de Pesquisas Burzynski, onde ele administrava a terapia antineoplastônica, inicialmente para os 21 pacientes que foram tratados com o que eles achavam ser um "tratamento experimental". Essa atuação fez com que ele fosse acusado imediatamente de conduta antiética e por isso se tornou suspeito de ser um mercador de falsas esperanças.".Smith, 1992, p.138
Tendo se exilado da medicina convencional, Burzynski perseguiu o caminho de promover suas ofertas usando publicidade, e "buscando agressivamente... pacientes terminais de câncer", levando-o diversas vezes a uma controvérsia com a mídia.
Burzynski fundou o Instituto de Pesquisas Burzynski em 1984. Ele foi o autor de diversas publicações de pesquisa sobre antineoplastônicos e tem patentes americanas dos seus tratamentos.
Em 2013, Burzynski foi "agraciado" com o prêmio depreciativo da James Randi Educational Foundation chamado , que é dado em todos os dias 1° de Abril para desmascarar enganações e fraudes.
Terapia Antineoplastônica Antineoplastônica é uma palavra cunhada por Stanislaw Burzynski para um grupo de peptídeos, derivados de peptídeos e misturas usados como tratamentos alternativos do câncer. A palavra é derivada de neoplasma.
A Terapia Antineoplastônica vem sendo oferecida nos EUA desde 1984 e não foi aprovado para uso geral devido a falta de evidência clínica. Os compostos não são licenciados como drogas ao invés disso são administradas como parte dos ensaios clínicos feitos pela Clínica Burzynski e do Instituto de Pesquisas Burzynski. Apesar de Burzynski e seus associados alegarem sucesso no uso da combinação de antineoplastônicos para o tratamento de vários tipos de doenças, não há evidência de eficácia clínica para esse método.
Oncologistas descreveram os estudos de Burzynski como sendo falhos, sendo considerados "nonsense científico". Em especial, cientistas independentes foram incapazes de reproduzir os resultados positivos alegados por Burzynski em seus estudos.
Não existem evidências convincentes de nenhum teste de controle aleatório dos antineoplastônicos indicando que sejam úteis para o tratamento do câncer. A Food and Drug Administration (Administração de Drogas e Alimentos dos EUA, órgão público equivalente ao Ministério da Saúde de vários países, não aprovou o uso de antineoplastônicos para o tratamento de nenhuma doença.Antineoplastons National Cancer Institute A American Cancer Society não encontrou nenhuma evidência de que os antineoplastônicos tenham quaisquer efeitos positivos no tratamento do câncer, e tem recomendado que as pessoas não gastem seu dinheiro em tratamentos que envolvam antineoplastônicos. Uma revisão médica de 2004 descreveu esse tratamento como sendo uma "terapia não comprovada".
Burzynski afirmou que começou a investigar o uso de antineoplastônicos depois de detectar o que ele considerou importantes diferenças nos peptídeos encontrados no sangue de pacientes de câncer e de pacientes do grupo de controle. Burzynski primeiro identificou os antineoplastônicos a partir do sangue humano. Desde então peptídeos similares foram isolados a partir da urina, e os primeiros lotes do tratamento de Burzynski foram isolados de urina coletada em um parque do Texas. Desde 1980 ele vem reproduzindo os compostos sinteticamente.
A primeira fração de peptídeos ativos identificados foram chamados de antineoplastônicos A-10 (3-fenilacetilamino-2,6-piperidinediona). Do A-10, antineoplastônico AS2-1, uma mistura de 4:1 de ácido fenilacético e fenilacetilglutamina, foram derivados.NCI Drug Dictionary, Definitions of antineoplastons A10 and AS2-1 O website da Clínica Burzynski afirma que o princípio ativo do antineoplastônico A10-I é fenilacetilglutamina.
Publicações Burzynski publicou alguns poucos ensaios alegando efetividade para os antineoplastônicos, muito embora os revisores tenham criticado esses ensaios como sendo "desenhados de forma obscura"," e o Instituto Nacional do Câncer estadunidense afirme que nenhum relatório de controle aleatório ou ensaios mostrando a efetividade dos antineoplastônicos foi publicado em uma revista científica com revisão por pares. Pesquisadores independentes não conseguiram reproduzir os benefícios alegados por Burzynski. A evidência para a Terapia de Antineoplastônicos é, após 35 anos de pesquisa, ainda "inconclusiva".
Estudos Fase 2
Um estudo de Fase II foi conduzido com pacientes com o astrocitoma anaplástico ou glioblastoma multiforme e foi conduzido com a supervisão do Instituto Nacional do Câncer Estadounidense. Entretanto devido aos critérios impostos por Burzynski, por mais de dois anos apenas nove pacientes se qualificaram, seis dos quais foram avaliados. Todos os seis pacientes mostraram que o tumor continava a aumentar depois de um tratamento de 16 a 66 dias, e 5 pacientes sofreram efeitos colaterais neurológicos causados pelos antineoplastônicos. Todos os nove pacientes morreram, oito deles devido ao aumento dos tumores. Os autores do estudo concluíram que: "A eficácia dos antineopastônicos A10 e AS2-1 continua indefinida. Nós fomos incapazes de detectar eficácia em nenhum dos seis pacientes acessados."
Desde que Burzynski foi forçado a administrar o tratamento apenas como parte de estudos registrados, algo como 60 estudos de Fase II foram registrados no site clinicaltrials.gov. Entretanto nenhum dos resultados desses estudos foi publicado.
Estudos de Fase III Em dezembro de 2010, um estudo de fase III planejado foi registrado, mas subsequentemente não abriu para recrutamento de pacientes.
Eficácia O consenso entre os profissionais da comunidade médica, bem representado pela Sociedade Americana do Câncer e pelo Instituto de Pesquisas do Câncer do Reino Unido entre outros, é que a terapia não é comprovada, que a Clínica Burzynski é cara e que a probabilidade de que o tratamento resulte em alguma melhora clínica como é afirmado é baixa devido à ausência de mecanismos críveis e os fracos resultados após 35 anos de investigação. Enquanto a terapia de antineoplastônicos é alardeada como sendo uma alternativa não tóxica à quimioterapia, David Gorski afirma se tratar de uma forma de quimioterapia com uma quantidade significativa de efeitos colaterais.A "terapia geneticamente direcionada" do Dr. Stanislaw Burzynsk: Ele pode fazer aquilo que ele alega fazer contra o câncer?, David Gorski, Science Based Medicine
A eficácia clínica da terapia de antineoplastônicos e suas combinações para várias doenças tem sido sujeitos de vários estudos por Burzynski e seus associados, mas eles não produziram nenhuma evidência clara de sua eficácia. Não há nenhuma evidência de estudo aleatório controlado na literatura científica que diga que os antineoplastônicos sejam úteis para o tratamento do câncer e o FDA não aprovou o uso desses produtos para nenhuma doença.Antineoplastons National Cancer Institute O American Cancer Society disse que desde 1983 que não há evidências de que os antineoplastônicos tragam algum efeito benéfico em relação ao câncer e recomenda que as pessoas não comprem esses produtos pois eles podem ter sérias consequências para a saúde dos pacientes que usam essa terapia. Em 2004 um relatório médico descreveu o tratamento com antineoplastônicos como uma "terapia não comprovada".
Em 1998, três proeminentes oncologistas foram indicados pela revista semanal de Washington chamada "The Cancer Letter" para conduzir uma revisão independente dos estudos clínicos de Burzynski. Eles concluiram que os estudos foram mal desenhados, que não seriam interpretáveis, e que eram "tão falhos que não se poderia nem determinar se ele realmente funcionaria". Um deles caracterizou a pesquisa como "nonsense científico". Além de questionar os métodos de pesquisa de Burzynski os oncologistas encontraram uma possibilidade considerável de toxicidade que poderia ameaçar a vida dos pacientes tratados com os antineoplastônicos.
Cientistas indepententes não conseguiram reproduzir os resultados positivos relatados nos estudos de Burzynski: O National Cancer Institute notou que nenhum pesquisador além de Burzynski e seus funcionários foram bem sucedidos em replicar os seus resultados, e o diz que "a evidência científica não suporta as alegações feitas de que as terapias com antineoplastônicos é eficaz em tratar ou prevenir o câncer."
A forma como é promovida a terapia de antineoplastônicos, que é chamada de "terapia geneticamente direcionada", é também controversa porque não está relacionada com a terapia genética real.
Estudos Clínicos Antes de 1997, pacientes simplesmente eram tratados pela cínica sem monitoramento externo. Depois de um acordo com o FDA que limitou Burzynski em administrar os antineoplastônicos somente para pacientes em estudos clínicos, Burzynski então desenhou um estudo para incluir todos os seus pacientes atuais em um grande estudo clínico como descrito pelo seu advogado, Richard Jaffe: