"Royals" é uma canção gravada pela cantora e compositora neozelandesa Lorde contida em seu extended play (EP) The Love Club (2013) e em seu primeiro álbum de estúdio, Pure Heroine (2013). A composição foi realizada pela própria musicista com o auxílio de Joel Little, o qual também ficou a cargo da produção desta e das demais faixas de ambos os trabalhos. Escrita em meados de 2012, as inspirações para a faixa foram variadas, sendo uma delas as canções que a artista escutara à época. Estas faziam demasiadas referências a objetos de luxo e à valorização da beleza, o que não agradava à jovem. Lorde, então, decidiu escrever uma faixa sobre o seu descontentamento para com tais canções e, com o auxílio de Little, concluiu a obra e diversas outras no Golden Age Studios, em Auckland, na Nova Zelândia, as quais foram reunidas em seu EP de estreia e disponibilizadas gratuitamente em 2012 em sua conta no SoundCloud. Devido ao elevado número de downloads realizados nesse meio período, "Royals" foi retirado da plataforma e foi oficialmente lançado em 8 de março de 2013 em território neozelandês, servindo como o single de estreia de Lorde.

Em termos musicais, "Royals" é uma canção pop minimalista, com influências de estilos eletrônico, chillwave, darkwave e grime, e apresenta batidas programadas que ecoam. Liricamente, a faixa critica os artistas pop contemporâneos por ostentarem em suas canções um estilo de vida luxuoso, que não representa a realidade dos ouvintes. O tema foi recebido com aclamação pelos críticos musicais, os quais elogiaram a sua instrumentação, letra e produção e enfatizaram a entrega vocal da intérprete. Consequentemente, foi eleito um dos melhores lançamentos do ano por publicações como Rolling Stone e Slant Magazine e recebeu nomeações a várias premiações ao redor do mundo, inclusive ao Grammy Awards de 2014, onde conquistou dois troféus, entre eles o de "Canção do Ano". Entretanto, parte de suas letras foi centro de controvérsia entre críticos, que a acusaram de racismo.

Comercialmente, "Royals" obteve um êxito inesperado. Culminou nas tabelas musicais de 45 países, como o Canadá, a Itália e a Irlanda, e alcançou a liderança na Nova Zelândia e no Reino Unido em sua primeira semana de vendas. Neste último, ao estrear no topo da UK Singles Chart, consagrou Lorde, então com dezesseis anos, como a mais jovem artista a alcançar a façanha desde Billie Piper, em 1998. Conquistou o mesmo feito nos Estados Unidos, onde, ao alcançar a liderança da Billboard Hot 100, converteu-a na mais jovem cantora a realizar a proeza desde Tiffany, em 1987. Nesta, o single permaneceu por nove semanas consecutivas no primeiro lugar e estabeleceu-se como o lançamento de uma artista feminina com o maior número de edições no ápice em 2013. Além disso, fez de Lorde a primeira mulher a liderar a Alternative Songs em dezessete anos. "Royals" foi a quinta faixa mais vendida em 2013 nos Estados Unidos, com mais de 4,4 milhões de cópias, e a segunda na Nova Zelândia, sendo em ambos os países a mais comprada de uma artista feminina. Até 2014, havia vendido mais de dez milhões de cópias em âmbito global, tornando-se um dos singles mais bem-sucedidos do mundo.

Foram lançados dois vídeos musicais relativos à canção. Dirigidos por Joel Kefali, ambos retratam a vida de quatro rapazes em um dia comum e consiste em cenas deles a realizar ações de cotidiano. O primeiro, com duração superior a quatro minutos, foi lançado em 12 de maio de 2013 no YouTube; entretanto, devido à ausência excessiva da intérprete, um segundo foi editado e inclui cenas em que Lorde executa o tema. Este, voltado para o público estadunidense e com duração de pouco mais de três minutos, foi enviado à plataforma Vevo um mês mais tarde. Como forma de divulgação, Lorde apresentou a canção em diversos programas televisivos, festivais e premiações, como o The Ellen DeGeneres Show, o iHeartRadio e o BRIT Awards de 2014. Além disso, foi regravado por artistas como Selena Gomez e Jason Derulo e recebeu diversos remixes.

Desenvolvimento Antecedentes Em 2009, Lorde, nome artístico de Ella Yelich-O'Connor, participou de um show de talentos da escola em que estudava em Auckland, onde se apresentou com um cover de "Warwick Avenue" (2008), da musicista britânica Duffy. A intérprete, que na época tinha doze anos de idade, teve o vídeo de sua performance filmado pelo pai de um amigo dela. A fita com a gravação acabou por parar nas mãos de Scott Maclachlan, um agente musical que posteriormente conseguiu um contrato para Yelich-O'Connor com a gravadora Universal Music da Nova Zelândia, para o lançamento de seu primeiro álbum de estúdio. Após gravar algumas canções em estúdio, ela liberou gratuitamente em sua conta no SoundCloud o EP The Love Club, que chegou a registrar mais de sessenta mil downloads feitos pelos seus admiradores. Foi neste EP em que o público pôde ouvir "Royals" oficialmente pela primeira vez, assim como outros trabalhos da jovem artista. Mais tarde, The Love Club ficou disponível para compra na iTunes Store, loja virtual da Apple, de diversos países, chegando a atingir a segunda posição na lista dos discos mais vendidos em território neozelandês.

Antes de iniciar sua carreira musical, Yelich-O'Connor possuía grande fascínio pela realeza, especialmente por líderes como Maria Antonieta, Luís XVI de França e o último czar russo, Nicolau II da Rússia. Por conta de sua admiração por estes monarcas, a cantora decidiu utilizar como nome artístico Lorde, que é um título nobiliárquico implementado pelos ingleses. Essa sua apreciação pela nobreza viria a influenciar posteriormente a elaboração de "Royals".

Influências e composição

"Royals" foi escrita pela própria Lorde ao lado de Joel Little. Este último, além de ter ficado encarregado da produção da faixa, trabalhou com a cantora em todas as outras músicas de The Love Club. A composição da obra ocorreu em uma semana durante as férias escolares da artista, onde nesse mesmo período, mais duas músicas de seu EP também foram elaboradas. Foram várias as inspirações para a escrita de "Royals". Uma delas veio após a intérprete ver uma imagem no National Geographic Channel. Naquele momento, ela teve a ideia de compor uma melodia sobre a luxúria presente na vida de músicos pop. A foto, que despertou nela este interesse, mostrava George Brett, um jogador de baseball, autografando uma bola, e usando uma camisa onde estava estampado a palavra 'Royals'. Segundo a própria, foi este evento que inspirou o título. Outro fato que a influenciou na composição de "Royals" foi a paixão da intérprete pela aristocracia. Numa entrevista para o VH1, ela falou sobre este sentimento: "Obviamente, eu tive esse fascínio pela aristocracia em toda a minha vida. Sabe, os reis e as rainhas de 500 anos atrás... eles eram como estrelas do rock. Se houvesse TMZ naquela época, eles iriam falar sobre Henrique VIII de Inglaterra e Maria Antonieta e todos aqueles povos [da nobreza]".

Ainda segundo Lorde, outra inspiração para "Royals" foram as músicas que ela estava ouvindo durante a composição da canção. "Quando escrevi 'Royals', estava escutando bastante rap, mas também muitas faixas de Lana Del Rey, até porque ela é, obviamente, muito influenciada pelo gênero hip hop, mas ao perceber todas aquelas referências para bebidas caras, roupas bonitas e belos carros, pensei 'Isso é muito opulento, mas também é uma bobagem". Além de Del Rey, a intérprete também revelou que escutara à época o álbum Watch the Throne (2011), uma colaboração entre os rappers Kanye West e Jay-Z, e os trabalhos de ASAP Rocky. Entretanto, a artista percebeu que aquelas canções fazem demasiadas referências a estilos de vida luxuosos, que não representavam a sua realidade e não a agradavam e, de acordo com a própria, foi o motivo pelo qual ela escreveu a canção: "É sobre toda essa opulência ridícula e fantasiosa que está em todo lugar [no mercado musical]. Lana Del Rey está sempre cantando sobre estar nos Hamptons, ou dirigir sua Bugatti Veyron, ou quaisquer coisas desse tipo, e, naquele momento, eu e os meus amigos estávamos em uma festa preocupados com o modo como iríamos para casa, porque não podíamos pagar um táxi. Essa é a nossa realidade. Se eu escrever sobre qualquer outra coisa, eu não estarei falando a verdade".

A cantora começou a elaborar os versos da faixa ainda na sua casa e esse processo durou trinta minutos. Quando esteve no estúdio de gravação, ela mostrou as letras que havia composto para o produtor Joel Little, que lhe disse, "Sim, isso é bem legal". Posteriormente, os dois concluíram "Royals" bem como mais outras duas canções do EP The Love Club em uma semana. Enquanto Little ficava encarregado da produção, a artista focava-se na composição dos temas, nos quais ela escrevia um pouco a cada dia.

Lançamento

Primeiramente, "Royals" foi disponibilizada por Lorde de forma gratuita em seu perfil na plataforma SoundCloud, em novembro de 2012, juntamente com The Love Club, um EP que contém outras quatro faixas escritas pela própria. A cantora comentou sobre a decisão de liberar o trabalho dizendo: "Eu quis disponibilizar o EP gratuitamente porque somos [ela e os seus amigos] adolescentes, e não temos um cartão de crédito. Eu pensei, 'Quem tem um cartão de crédito aos dezesseis anos?'. Simplesmente achei que as pessoas com a minha idade apreciá-lo-iam". Entretanto, a reação do público e da mídia quanto ao trabalho foi imediata na Internet e, em dezembro do mesmo ano, "Royals" foi transmitida pela primeira vez em uma estação radiofônica neozelandesa, por meio da George FM. O tema foi retirado de circulação após registrar um número elevado de downloads e, em 8 de março de 2013, foi enviado às lojas virtuais da Nova Zelândia e da Austrália. Jason Flom, presidente da gravadora Lava Records, no entanto, havia escutado a obra ainda na plataforma e, imediatamente, assinou um contrato com Lorde. Flom começou a promover a canção e a artista na indústria estadunidense em março daquele ano. Numa entrevista com a Billboard, ele comentou: "Enviei um e-mail a todas as 'pessoas-chave' do iTunes pouco após assinar o contrato [com Lorde] e eu disse, 'Isso realmente me recorda de quando fechei um contrato com Tori Amos'. Sinto que Lorde terá o mesmo impacto". No dia 19 do mesmo mês, o single foi, então, disponibilizado nas lojas virtuais do país, porém, recebeu pouca divulgação.

No entanto, o que representou o passo fundamental para popularizar a canção em nível internacional, segundo Jason, foi "Royals" ter sido adicionada à lista de Sean Parker, no Spotify, em 2 de abril. Posteriormente, a canção estreou na Spotify Viral Chart, que lista as canções mais populares entre o público do serviço, onde conseguiu alcançar o topo em maio de 2013 e, no mesmo mês, registrou um aumento em suas reproduções on-line em território estadunidense. Dois meses depois, "Royals" foi enviada às estações de rádio alternativas dos Estados Unidos e, em 13 de agosto, foi inclusa na Contemporary Hit Radio. Em outras regiões do planeta, "Royals" também foi disponibilizada a partir de agosto. Na Áustria e na Finlândia, a obra foi lançada digitalmente no dia 2 daquele mês. Em 5 de agosto, foi comercializada no mesmo formato em França, em Luxemburgo e em Portugal, enquanto que no Reino Unido o seu lançamento ocorreu em 20 de outubro. O tema também foi promovido atrás de remixes lançados em parceria com artistas como The Weeknd, Rick Ross, Wale, Magazeen, T-Pain, este último criticado por realizar alterações em suas letras e, de acordo com a MTV, transformar os sentimentos anti-bling da canção em uma celebração extravagante da vida, entre outros.

Estrutura musical e letra