James Hamilton, 3.º Conde de Arran ( 1537 — 1609) foi um nobre e soldado escocês que lutou contra as tropas francesas durante a Reforma Escocesa. Nascido em 1532 ou 1536, James era o filho mais velho de James Hamilton, 2.º Conde de Arran,Calendar State Papers Scotland, volume 10 (1936), página 31, diz que ele tinha 57 anos em 1589: CSP Scotland, volume 1, (1898), página 362, diz que ele tinha 23 anos em 1560 que era o próximo na linha de sucessão da Coroa da Escócia depois de Maria da Escócia. Por intermédio de sua mãe Margaret Douglas era descendente de Jaime IV e de Joana da Escócia, filha de Jaime I.

Como potencial herdeiro real Hamilton esteve envolvido em várias negociações de casamento, todas elas fracassadas. Hamilton foi para a França em julho de 1548, provavelmente acompanhando, ou logo após Maria da Escócia,Merriman, Marcus, The Rough Wooings, Tuckwell (2000), 309 e nota. onde se tornou comandante da Garde Écossaise.Calendar State Papers Spanish, volume ix (1912), 269. Quando seu pai, na ocasião conhecido por 'Regente Arran,' tornou-se um duque francês, Hamilton recebeu seu título de Conde de Arran. A edição francesa de 1549 da Emblemes D'Alciat. de Andrea AlciatoAlciati (1549), divulgação na web pela Universidade de Glasgow, foi dedicada a ele.Bath, Michael, "Alciato and the Earl of Arran”, Emblematica. An Interdisciplinary Journal for Emblem Studies, 13 (2003), pp. 39-52 Um de seus símbolos pessoais era um coração perfurado com uma seta apontando para baixo.Calendar State Papers Scotland, vol. i, (1898), 286 Ele lutou pela Reforma Escocesa, mas passou os últimos 45 anos de sua vida em reclusão.Durkan, John, James, Third Earl of Arran, the Hidden Years, em Scottish Historical Review, volume LXV, 2, no. 180, outubro de 1986.

As pretendentes Maria da Escócia Maria de Guise contou ao embaixador inglês Ralph Sadler em março de 1543 que o pai de James, o Governador da Escócia, após a morte de Jaime V, o Regente Arran, pretendia casar a sua filha, a Rainha Maria I, com seu filho, algo que ela estava ansiosa para evitar.Clifford, Arthur ed., Sadler State Papers, vol. 1 (1809), 86. Porém, em dezembro de 1543, os enviados franceses ouviram seu pai dizer que queria que seu filho se casasse com a filha do rei Henrique VIII da Inglaterra, Lady Elizabeth.Dickinson, Gladys, ed., Two Missions of de la Brosse, SHS (1942), 40–41.

Em outubro de 1544, James foi levado para o Castelo de St. Andrews, onde foi recebido como hóspede pelo cardeal Beaton e serviu como garantia da aliança realizada entre seu pai e o cardeal.Hannay (1921), p.260: Accounts of the Treasurer of Scotland, vol. 8, p.319 Embora o pai de James, apoiasse publicamente o casamento da rainha infante com o inglês príncipe Eduardo, e mais tarde com o Delfim francês Francisco, ele tinha a esperança de que seu filho James se casaria com a Rainha dos Escoceses. Para tanto, o Abade de Paisley, John Hamilton planejou se reunir com o Lorde Somerville e o Conde de Angus em 28 de outubro de 1545, para obter apoio para o casamento de Hamilton. João, filho de Somerville escreveu para Maria de Guise dizendo que eles não seriam convencidos.Cameron, Annie I., ed., Scottish Correspondence of Mary of Lorraine, SHS (1927), 147–148. Alexander Crichton de Brunstane e um diplomata na França, Johannes Sturm, enviaram também avisos desta negociação de casamento para a Inglaterra. Sturm percebeu que o casamento dificultaria as negociações do tratado de paz anglo-francês.Letters & Papers, Henry VIII, vol.20 parte 2 (1907), nos. 622, 927 James permaneceu no castelo do cardeal e em fevereiro de 1546, foi lhe enviado um livro de exercícios em latim e uma cópia das Fábulas de Esopo.Hannay (1921), p.260: Accounts of the Treasurer of Scotland, vol. 8, p.440

Após o assassinato do cardeal Beaton, em 1546, James foi mantido prisioneiro pelos inimigos de seu pai no Castelo de St. Andrews, que lhe ofereceram como refém em troca do auxílio de uma frota inglesa para auxiliá-los na quebra do cerco instalado pelo Governador da Escócia. Henrique VIII estava disposto a dar esse apoio, porém ele nunca se materializou.State Papers Henry VIII, volume 5, (1836), 560–561, 565, 572, 576 A fim de limitar os problemas em potencial, em 14 de agosto de 1547, o Parlamento da Escócia declarou que James já não era mais a terceira pessoa na sucessão à coroa da Escócia enquanto durasse o seu cativeiro.Letters & Papers Henry VIII, vol. 21 parte 1, (1908), no. 1456 Apesar das promessas de Henrique, o cerco foi desfeito por uma intervenção naval francesa.Bonner, Elizabeth, The Recovery of St Andrews Castle in 1547, English Historical Review, junho (1996), 578–598, Bonner desconsidera a importância de Arran em St Andrews, p 597.

As noivas francesas Em abril de 1548, Henrique II da França ofereceu Françoise, filha do Duque de Montpensier para ser a noiva de Arran.Merriman, Marcus, The Rough Wooings, Tuckwell (2000), 301–302. James se juntou à rainha Maria, na França, em julho de 1548. Lá, ele se tornou comandante do Garde Écossaise. Em 24 de janeiro de 1553 foi contratado o armeiro real francês Bénédict Claye para fornecer-lhe uma armadura decorada com gravuras e bordas douradas, um morrião e uma borguinhota, e acessórios para serem entregues antes de 8 de abril de 1553.Grodecki, Cathérine, Documents du Minutier Central des Notaires de Paris: Histoire de l'Art au XVIe siècle, 1540-1600, vol. 2, Archives Nationales, (1986), 279 no.959

Depois que Maria foi prometida em casamento ao Delfim, uma série de damas da corte foram sugeridas como noivas para James, inclusive em maio de 1557 a Mademoiselle de Bouillon, filha de Diana de Poitiers e de Henrique II,Labanoff, A., Lettres de Marie Stuart, vol.1, Dolman, Londres (1852), 42–43. Claude e Louise de Rieux, que se casou com René, Marquês de Elbeuf, e Jeane de Savoie. Nada resultou de qualquer um destes planos de casamento.Durkan (1986), 159.

Consorte de Elizabeth Em 1558, com o apoio de John Knox e John Jewel, Bispo de Salisbury, Arran se tornou uma garantia nas aspirações de seu pai, que tentava negociar o seu casamento com Elizabeth I para selar uma aliança anglo-escocesa.Calendar State Papers Scotland, vol. 1, (1898), 215, 216, junho de 1559, parecer favorável dos Senhores da Congregação. Embora o bispo Jewel fosse favorável a realização do casamento o mais tardar em junho de 1560,Hastings-Robinson ed., The Zurich Letters 1558–1579, Cambridge (1842), 82–83 e a própria opinião de Elizabeth não fosse ainda conhecida, os amigos do Conde de Arran, Ralph Sadler e Thomas Randolph não puderam mascarar a sua crescente preocupação com seu caráter instável em suas correspondências oficiais. Elizabeth comunicou formalmente sua rejeição ao seu pedido em 8 de dezembro de 1560 para os embaixadores escoceses William Maitland, o Conde de Morton e o Conde de Glencairn.Adams, Simon ed., Household Accounts of Robert Dudley, Earl of Leicester, CUP, (1995), 146 nota.

Lady Catherine Gray Em setembro de 1560 Sarlabous, o capitão francês do Castelo de Dunbar, tentou espalhar um boato de que o conselho de Elizabeth havia proposto um plano de casamento alternativo para Arran, com a herdeira real inglesa Catherine Grey, filha da Duquesa de Suffolk.CSP Scotland, vol. 1, (1898), 483, setembro de 1560. A filha de um comerciante de Edimburgo, Alison Craig, descrita por Randolph como 'uma boa moça bonita ', foi também cogitada em dezembro de 1561 para ser a futura esposa para Arran, porém, as interferências do Conde de Bothwell, do Lorde John Stewart, do Prior de Coldingham e de René, Marquês de Elbeuf levaram a um impasse nas negociações.CSP Scotland, vol. i, 582–583

Novamente Maria Após a morte do marido de Maria, Francisco II da França em 1560, e o aparente fracasso do plano de casamento inglês, seu pai tentou arranjar o seu casamento com a rainha da Escócia, sugerido pela primeira vez na sua infância.CSP Scotland, vol. i (1898), 476, 31 de agosto de 1560. George Buchanan, que não simpatizava com Maria, sugeriu que ela havia explorado seu afeto real por ela, em novembro de 1561, ao espalhar um boato de que ele planejou sequestrá-la do Palácio de Holyrood para a casa dele em Kinneil, e usou isso para justificar o reforço da guarda real armada.Buchanan, George, tradução Aikman, James, History of Scotland, vol. ii, Glasgow, Blackie Fullarton (1827), 450–451 (Bk. XVII,cap XXIII) Embora o pai de Arran tivesse colocado em dúvida o boato, e as descobertas de Thomas Randolph confirmassem a visão de Buchanan, a segurança física foi reforçada no Palácio de Holyroodhouse.Calendar State Papers Scotland, vol. i, (1898), 574. Thomas Randolph to Cecil, 7 de dezembro de 1561.

Monsieur de Beaufort Tem sido sugerido que Arran esteve preso na França de 1557 a 1558 por ser um protestante.Durkan (1986), 160. Quando seu pai mudou sua crença da fé católica para a protestante, em junho de 1559, Arran estava na propriedade francesa de seu pai em Châtellerault, talvez no Chateau de la Brelandiere, e tornou-se um fugitivo de Henrique II da França.CSP Scotland, vol,i (1898), 223, 334. Fez o seu trajeto na busca de segurança em direção à Suíça em julho, depois de passar quinze dias se escondendo na floresta,Nicholas Throckmorton to Elizabeth, 27 July 1559, Forbes, Full View, vol. 1 (1740), 173. chegou a Genebra, e seguiu em seguida para Zurique, onde foi acolhido por Pietro Martire Vermigli, e continuou sua viagem até Lausanne.CSP Scotland, vol.i (1898), 234, Cecil to the Lords of the Congregation 28 de julho de 1559. Ele se encontrou com o agente inglês Thomas Randolph (conhecido pelo pseudônimo Barnaby) e viajou incógnito até a Escócia via Flandres. Em Londres, ele foi recebido na casa de William Cecil em WestminsterCalendar State Papers Foreign Elizabeth, vol.i, no. 1274, 1290, 1293. e teve uma entrevista com a rainha Elizabeth no jardim de Hampton Court.CSP Scotland, vol. 5, (1907), 375; Calendar State Papers Foreign Elizabeth, vol. 2 (1865), p.33n; Teulet, Papiers, vol. 1, p.357 A fuga da França foi idealizada por Cecil e o embaixador inglês em Paris, Nicholas Throckmorton.

No fim de junho de 1559, Throckmorton escreveu a Cecil descrevendo como Arran tinha sido cruelmente tratado na França. Depois de Arran ter deixado alguns de seus guardas escoceses havia lutado com alguns soldados franceses. Um dos comissários franceses encarregados de prender Arran tentou pedir desculpas a Maria, Rainha dos Escoceses, com quem ele tinha estreita relação. Throckmorton ouviu que Maria havia denunciado ele como um "arrant traitor", e ele esperava que essa notícia ajudasse a melhorar a política pró-ingleses na Escócia. Throckmorton esperava que o portador escocês da carta, Sandy Whytelaw, fizesse isso, e embora Sandy não fosse amigo do pai de Arran ele iria aumentar o apoio ao casamento de Arran e Elizabeth.<ref>Stevenson, Joseph, ed., Calendar of State Papers Elizabeth, 1558-1559, vol.1, Londres (1863), p.340, no.888: Forbes, Patrick, ed., A Full View of the Public Transactions of the Reign of Elizabeth, vol.1 (1740), p.147.</ref>

A jornada do Conde até a Escócia foi relatada nas cartas de John Jewel para Pietro Martire Vermigli e Heinrich Bullinger. Em sua correspondência, Arran era conhecido pelo codinome "Críton", Randolph como "Pânfilo" e Elizabeth como "Glicério".Hastings-Robinson ed., The Zurich Letters 1558–1579, vol. 1, Cambridge (1842), 56–57, 79; citando também Forbes, A Full View of the Public Transactions in the reign of Queen Elizabeth, vol. i, Londres (1740), 136,147,162,166,171,183,212; (as cartas para Bullinger não mais existem) Apesar deste segredo, o comandante inglês em Berwick, Sir James Croft estava ciente do plano em 14 de junho.CSP Scotland, vol. 1 (1898), 215, Croft to Thomas Parry.