"Triangle" é o terceiro episódio da sexta temporada da série de ficção científica The X-Files. Ele foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos em pela Fox. O episódio foi escrito e dirigido por Chris Carter, criador e produtor executivo da série. "Triangle" é um episódio autônomo, como a maioria dos episódios de The X-Files, sem nenhuma conexão com o arco de mitologia da série. Ele teve um índice Nielsen de 10.8 e foi assistido por 18.20 milhões de telespectadores. O episódio foi bem recebido pela crítica, com muitos comentando sobre seu estilo de direção único.
A série centra-se nos agentes especiais do FBI Fox Mulder e Dana Scully que trabalham em casos ligados ao paranormal, chamados de Arquivos X. Mulder acredita no paranormal, enquanto Scully é uma cética que avalia o trabalho de Mulder pelo ponto de vista da ciência. Neste episódio, Mulder viaja até um navio transatlântico que misteriosamente apareceu no Triângulo das Bermudas. Lá, ele percebe que viajou no tempo até – o início da Segunda Guerra Mundial. Soldados nazistas invadiram o navio à procura do "Martelo de Thor", algo que poderá dar-lhes a vitória no conflito. Enquanto Isso, Scully, depois de descobrir sobre o desaparecimento de Mulder através dos Pistoleiros Solitários, corre pelo Edifício J. Edgar Hoover procurando alguém que possa ajudá-la a encontrar seu parceiro.
"Triangle" é notável pelo estilo único em que foi filmado. Inspirado pelo filme Rope, dirigido por Alfred Hitchcock, muitos dos planos filmados foram editados para que parecessem uma única longa tomada. Além disso, o episódio mostra o elenco principal e recorrente, como Gillian Anderson, Mitch Pileggi, William B. Davis, Chris Owens e James Pickens, Jr., interpretando seus personagens normais como também personagens de 1939 abordo do navio. Vários dos temas de "Triangle" foram examinados criticamente – o conceito de "nazistas dos sonhos", a aparição de personagens modernos interpretando personagens do passado e a ramificação de que todo o episódio foi apenas um sonho.
Enredo Fox Mulder está inconsciente depois de sua lancha ser destruída. Ele é levado a bordo do navio de passageiros britânico Queen Anne. Quando ele é levado até o capitão, Mulder tenta explicar que o Queen Anne desapareceu no Triângulo das Bermudas em 1939, afirmando que ele reapareceu em 1998. A tripulação rejeita a história e suspeitam que ele é um espião nazista. Nesse momento, o navio é tomado por tropas da SS sob o comando de um coronel que se parece com o Homem Fumante; eles colocam o navio em curso para a Alemanha Nazista. A tripulação do Queen Anne prende Mulder nos aposentos do capitão, onde ele ouve uma transmissão de rádio anunciando o início da Segunda Guerra Mundial. Mulder percebe que, na verdade, foi ele que viajou para 1939, e não o Queen Anne para 1998.
Enquanto isso, no presente, os Pistoleiros Solitários contam a Dana Scully que eles perderam contato com Mulder, que partiu procurando o Queen Anne sozinho. Scully fala com o Diretor Assistente Alvin Kersh e com o Agente Jeffrey Spender antes de voltar-se para Walter Skinner, que lhe entrega informações do Pentágono. Scully vai embora com os Pistoleiros Solitários para encontrar Mulder. No Queen Anne, um marinheiro britânico conta que os alemães estão procurando uma arma chamada "Martelo de Thor". Mulder fala que o "Martelo de Thor" não é uma arma, mas um cientista que construirá uma arma. Entretanto, o marinheiro era um espião nazista, e Mulder e o resto da tripulação são trancados na sala de máquinas. Um dos marinheiros, que é muito parecido com Kersh, decide colocar o navio em rota para a Jamaica, porém Mulder fala para ele voltar por onde vieram a fim de passar pela fenda temporal e reaparecer em 1998.
Eventualmente, Mulder é levado ao salão de bailes do navio e forçado a identificar o cientista. Depois dos nazistas matarem dois passageiros, uma mulher que se parece com Scully fala aos nazistas que eles estão matando pessoas inocentes à toa e que Mulder nada sabe. Mulder diz que um dos homens que foram mortos era o cientista, porém o verdadeiro "Martelo de Thor" se revela. Antes dos nazistas conseguiram matar Mulder e "Scully", as máquinas param e vários marinheiros britânicos invadem o salão e começam uma briga generalizada. No meio desse caos, Mulder e "Scully" escapam. Enquanto isso, Scully e os Pistoleiros Solitários encontram o Queen Anne e descobrem que ele é apenas um navio-fantasma.
Em 1939, enquanto os britânicos continuam lutando contra os nazistas no salão de bailes, Mulder diz a "Scully" que ela precisa dar a volta com o navio e retornar ao Triângulo das Bermudas para passarem pela fenda temporal. Mulder agarra "Scully" e a beija, "caso eles nunca se encontrem novamente". "Scully" dá um soco nele, e ele pula para fora do navio. Mulder acorda em um hospital no ano de 1998, cercado por Scully, os Pistoleiros Solitários e Skinner. Ele tenta explicar sobre sua viagem para 1939 e os oficiais nazistas, também contando a Scully que ela estava lá com ele, porém todos acham que ele está delirando. Depois de Skinner e os Pistoleiros Solitários irem embora, Mulder chama Scully de volta e diz que a ama. Scully acha que a confissão é um efeito dos medicamentos, revira os olhos e sai. Meisler 2000, pp. 30-39
Produção Desenvolvimento e filmagens thumb|left|300px|As cenas que se passam no Queen Anne foram filmadas abordo do RMS Queen Mary. Chris Carter, criador e produtor executivo de The X-Files, desenvolveu a ideia de "Triangle" enquanto trabalhava no episódio "The Red and the Black", da quinta temporada. Meisler 2000, p. 39 Carter usou mais filme gravando aquele episódio do que qualquer outro diretor na história da série, com a exceção de Kim Manners. A equipe fez um troféu de brinquedo para ele, o inspirando a escrever um episódio com ação contínua como um modo de minimizar o uso de filme. Meisler 2000, p. 40 Carter projetou "Triangle" em um estilo similar ao filme Rope, dirigido por Alfred Hitchcock. Inicialmente, os executivos da Fox estavam hesitantes e aprovar a produção do episódio porque acreditava-se que ele custaria mais que os usuais US$ 2.5 mihões. Carter, para persuadi-los, contou aos executivos que "Triangle" teria elementos do estilo de direção de Hitchcock, um movimento que ele mais tarde chamou de "um gancho fácil". Carter também citou como inspiração a adaptação que The Twilight Zone fez do conto "An Occurrence at Owl Creek Bridge".
As cenas abordo do Queen Anne foram filmadas abordo do famoso navio de passageiros RMS Queen Mary, que há muito foi transformado em um hotel. Anderson, Gillian (1998). Electronic Press Kit for "Triangle". Fox Broadcasting Company. A equipe de The X-Files passou cinco dias filmando no Queen Mary, erguendo andaimes ao redor da ponte de comando para bloquear as luzes que vinham de Long Beach, Califórnia. A equipe instalou grandes sistemas de irrigação, com um suprimento constante de água, para simular a chuva nas cenas da ponte. Carter, Chris. The X-Files – The Complete Sixth Season: comentário em áudio de "Triangle" [DVD]. Estados Unidos: Fox Home Entertainment, 2002. Carter, insatisfeito com a decoração remodelada, redecorou e colocou novos carpetes em partes do Queen Mary para que o visual ficasse mais parecido com o final da década de 1930. Meisler 2000, p. 41
Gillian Anderson, em entrevista antes do episódio ser finalizado, afirmou que estava muito ansiosa para ver a cena em que Dana Scully corre por todo o Edifício J. Edgar Hoover tentando localizar Fox Mulder. Ela mais tarde comparou "Triangle" com um teatro ao vivo, algo que ela já havia feito anteriormente. Lowry 1995, pp. 15-16 Os quatro atos do episódio foram filmados em várias tomadas contínuas, editadas de forma a dar a impressão de quatro atos perfeitos. Isso incluía as cenas no FBI; quando os atores entraram no elevador cenográfico, o cenário que eles entrariam logo em seguida tinha de ser construído atrás das portas. Muitas vezes durante as filmagens as portas abririam antes do cenário ser finalizado, estragando toda a tomada.
Para maior autenticidade, atores britânicos e alemães interpretaram os marinheiros britânicos e os soldados nazistas, cujos diálogos eram quase inteiramente em alemão. Trevor Goodard, que interpretou o primeiro tripulante britânico, é na verdade australiano, enquanto que Madison Mason, que interpretou o Capitão Yip Harburg, é americano; ele criou um sotaque britânico para o papel. The X-Files – The Complete Sixth Season: "The Truth About Season Six" [DVD]. Estados Unidos: Fox Home Entertainment, 2002. O diálogo de William B. Davis era totalmente em alemão, língua que ele não fala. O ator mais tarde explicou, "Eu realmente não sabia que falaria tanto alemão até receber o roteiro, que simplesmente dizia 'Homem Fumante (em alemão)'". Para aprender suas falas, um dos atores alemães gravou todos os diálogos de Davis em uma fita. Ele recebeu a gravação duas semanas antes das filmagens e foneticamente decorou suas falas; ele afirmou que o método "pareceu funcionar bem – pelo menos para as pessoas que não falam alemão! Foi um pouco mais desafiador porque havia pessoas no programa que realmente falavam alemão, que eu achei um pouco injusto". O único membro do elenco principal de The X-Files que falavam alemão era Mitch Pileggi, que havia estudado na Alemanha.Ele reescreveu muitas de suas falas pois elas não faziam sentido no contexto das cenas. Hurwitz & Knowles 2008, p. 158 A tagline que normalmente aparece ao final da sequência de créditos iniciais, "The Truth Is Out There" ("A Verdade Está Lá Fora"), foi traduzida para o alemão: "Die Wahrheit ist Irgendwo Da Draußen".
Tempo real thumb|right|200px|A ideia de fazer um episódio em tempo real veio de Chris Carter. Filmado em tempo real, "Triangle" foi projetado para parecer que foi gravado em quatro tomadas ininterruptas de onze minutos. Carter explicou, "Eu disse [para o elenco e equipe] 'Não seria legal já que temos 44 minutos de programa se fizéssemos um episódio com quatro tomadas de onze minutos e juntássemos tudo?' E todos olharam pra mim como seu eu estivesse maluco". Hurwitz & Knowles 2008, p. 157 Para filmar o episódio, o operador de câmera Dave Luckenbach usou uma steadicam. Porém, a steadicam usada podia carregar apenas um rolo de quatro minutos de filme; então, cortes discretos eram necessários. Luckenbach posteriormente comparou as consequências físicas das filmagens com uma partida de futebol americano, "Você tem um jogo na sexta-feira, e acorda sábado realmente sentindo". Os cortes geralmente ocorreram durante panorâmicas ou em momentos que a tela ficava totalmente preta. Com a exceção de Mulder pulando para fora do Queen Anne, o outro momento de corte que é possível ser observado claramente ocorre quando a tela é dividida entre dois períodos de tempo. Muitas tomadas precisavam ser quase perfeitas, porém no oitavo dia de filmagens apenas duas das dez tomadas foram consideradas satisfatórias.
Os dois últimos atos apresentam uma mise-en-scène sofisticada com tela dividida. Entretanto, ao invés de mostrar dois eventos diferentes, cada lado mostra o mesmo evento a partir de ângulos praticamente idênticos. Quando Scully passa por um corredor no tempo presente, ela faz isso ao mesmo tempo que Mulder e a versão de 1939 de Scully. Isso foi filmado de tal maneira que os atores passam uns pelos outros no corredor, também trocando de lado na tela dividida. O efeito foi inspirado no vídeo clipe musical da canção "Closing Time", da banda Semisonic.