Esta página é sobre os casamentos Reais da Família real sueca a partir do ano 1800.

Jean-Baptiste Bernadotte (posterior rei Carlos XIV João) e Desidéria Clary

A Casa Real da Suécia é a Casa de Bernadotte, originária da província francesa de Béarn e pertencente à classe média do século XVIII. O primeiro casamento da Família Real sueca foi o de Jean-Baptiste Bernadotte, posteriormente Carlos XIV João da Suécia. Nascido em Pau em 1763 e filho de um advogado, se alistou nas forças armadas aos 17 anos e foi sargento maior nas véperas da revolução, coronel em 1792 e general da divisão em 1794. Uniu-se a Napoleão Bonaparte na Itália e foi embaixador na Áustria em 1798.

Jean-Baptiste Bernadotte casou-se por o civil em 1798 em Sceaux, nos arredores de Paris, com Desidéria Clary (1777-1860), filha mais nova do comerciante de Marsella, François Clary e irmã da esposa de José Bonaparte, Julie. Desidéria esteve prometida a Napoleão, que mais tarde se converteria em padrinho do único filho de Jean-Baptiste Bernadotte e Desidéria, Óscar (futuro rei Óscar I), nascido em 1799.

Jean-Baptiste Bernadotte foi nomeado sucessor ao trono da Suécia em 1810, o que mudou a sua vida num instante. No ano seguinte, a 6 de Janeiro de 1811, Desidéria Clary chegava a Estocolmo pela primeira vez como a nova Princesa herdeira da Suécia. Ela tratou de adaptar-se à vida no país e à vida na corte no Palácio Real, regressou a França seis meses depois, a 4 de Junho de 1811, e nunca conseguiu aprender o idioma sueco. Tiveram que passar 12 anos para que volta-se à Suécia como rainha Desidéria para assistir ao casamento do seu filho, Óscar, em junho de 1823.

Jean-Baptiste Bernadotte foi proclamado rei da Suécia e da Noruega em 1818. Conhecido como Carlos XIV João, reinou até ao final dos seus dias com inteligência e cheio das suas ideias revolucionárias da sua juventude. A rainha Desidéria foi coroada na Catedral de Estocolmo a 21 de agosto de 1829 e faleceu em 1860 de um ataque de coração.

Príncipe Óscar (posterior rei Óscar I) e Josefina de Beauharnais

O casamento católico entre o príncipe Óscar (1799-1859) e Josefina de Leuchtenberg (1807-1876), filha de Eugenio de Beauharnais, duque de Leuchtenberg, e da princesa Augusta de Baviera, teve lugar em Eichstädt a 22 de maio de 1823. O pai da noiva, o vice-rei de Itália, Eugenio de Beauharnais, caminhou com ela até ao altar da capela real até que um dos tios da noiva representou o noivo (um procedimento muito comum na época entre os monarcas e nobres europeus).

O casamento protestante teve lugar a 19 de junho na Catedral de Estocolmo. Nesse dia, os habitantes da cidade saíram das suas casas para ver o cortejo nupcial até ao Palácio Real, a noiva, que vestia um simples vestido de seda de prata, sapatos com fivelas de diamantes que foram herança da imperatriz da Áustria e um colar de diamantes oferta dos seus pais. O véu, um laço veneziano, foi uma oferta da Rainha da Baviera.

Josefina de Leuchtenberg fez uma breve paragem em Norrtull, onde foi recebida por o Governador de Estocolmo. Na sua chegada ao Palácio a esperava na Porta Oeste o seu futuro marido. O rei Carlos Juan e o Príncipe herdeiro, seguidos da Princesa e da rainha Desidéria, caminharam até à Catedral de Estocolmo, engalanada con dosséis de seda azul bordados com coroas de ouro. O Arcebispo conduzi-o a cerimónia, durante a sou a canção nupcial de Johan Olof Wallin e a congregação cantou os hinos Kom Helge Ande Herre God e Hela världen fröjdes Herran.

Na sua saída da catedral, os recém casados foram aclamados por os cidadãos suecos e por os sons dos sinos da igreja. Durante um retiro nos apartamentos dos Príncipes, a jovem esposa pousou a sua coroa na presença da princesa Sofia Albertina, irmã do rei Gustavo III. O casamento se prolongou por todo o mês de Junho e celebrou-se um baile nupcial para 2000 convidados na sala de estado.

Depois de celebrada a sua chegada à capital sueca, a nova Princesa herdeira residi-o com o príncipe Óscar no Palácio de Haga. O casal teve cinco filhos: Carlos (que reinou como Carlos XV), Gustavo, Óscar (que reinou como Óscar II), Eugenia e Carlos Augusto. Óscar I reinou na Suécia e na Noruega até à sua morte em 1859.

Príncipe Carlos (posteriormente rei Carlos XV Luis) e Luísa dos Países Baixos

A princesa Luísa dos Países Baixos (1828-1871), filha de Guilherme dos Países Baixos e de Guilhermina da Prússia, chegou a Biskopsudden em Djurgården a 15 de junho de 1850 e quatro dias depois casou-se com o príncipe herdeiro Carlos (1826-1872) na catedral de Estocolmo.

Os cidadãos da capital sueca não eram testemunhos de um desfile matrimonial havia alguns séculos. O noivo caminhou até à catedral precedido por guardas e cortesãos e acompanhado por o rei Óscar I e o príncipe Federico dos Países Baixos, pai da noiva. A rainha Josefina e a mãe da noiva, seguidas da Rainha mãe Desidéria, escoltaram a futura esposa até ao interior da igreja.

A noiva usou um vestido de seda com bordados de prata. A sua tiara estava decorada com ramas de mirto e o véu era de laço de Bruxelas e ao redor do pescoço levava joias que tinha trazido consigo da sua terra natal.

O Arcebispo oficializou a cerimónia do matrimónio, que foi assistida por o Capelão chefe da Corte e os bispos de Linköping e de Västerås. Os hinos incluiram Blifve många, blifve lugna, deras oåtskiljda år. Convertidos em marido e mulher, os recém casados abandonaram a catedral ao som da música de tímpanos e trompetes e dirigiram-se para celebrar um banquete familiar nas salas do palácio da rainha Josefina. Para os restantes houve um banquete separado.

O príncipe Carlos reinou como Carlos XV Luis desde 1859 até ao seu falecimento em 1872. Foi sucedido por o seu irmão Óscar, que reinou como Óscar II até 1907.

Príncipe Óscar (posteriormente rei Óscar II) e Sofia de Nassau

Todos os Bernadotte atuais descendem do príncipe Óscar (posteriormente rei Óscar II), que se converteu em Herdeiro do trono depois da morte do seu irmão em 1854 e foi proclamado Rei de Suécia e da Noruega em 1872. Diplomático e conciliador, evitou que a separação da Noruega se converte-se num drama.

O príncipe Óscar casou-se com Sofia de Nassau, filha do Duque Guilherme de Nassau e Paulina de Württemberg, no Palácio Biebrich em 1857. O enlace celebrou-se na sala do Palácio, decorada com urnas de flores e grandes palmas de árvore. A noiva levava uma coroa de mirto com diamantes entrelaçados. Os recém casados receberam uma salva de 21 canhões e o conjunto de Biebrich alegrou com música as festividades do casamento. Os noivos foram honrados com procissões de tochas e de canto coral, e os barcos iluminaram-se no rio.

O príncipe Óscar e a princesa Sofía foram recebidos em Estocolmo no dia 19 de junho. Viajaram para Logårdstrappan a bordo do Barco Real 'Vasaorden', e a partir daí foram transportados numa carruagem puxada por cavalos até ao Palácio Real. Viveram no Palácio Real do príncipe Gustavo Adolfo Torg e tiveram quatro filhos: os príncipes Gustavo (posteriormente rei Gustavo V), Óscar, Carlos e Eugenio. Sofia se converteu em Rainha em 1872, enviuvou em 1907 e morreu em 1913.

Príncipe Gustavo (posteriormente rei Gustavo V Adolfo) e Vitória de Baden

O compromisso da princesa Vitória de Baden (1862-1930) e do príncipe herdeiro Gustavo da Suécia e Noruega (1858-1950) foi anunciado no dia 12 de março de 1881. Conheceram-se num casamento em Berlim em fevereiro de 1881 e se enamoraram num instante. Ela era filha de Federico I, grão-duque de Baden, e da princesa Luísa de Prússia.

O seu casamento, a que assistiu toda a Família Real sueca, celebrou-se em Karlsruhe a 20 de setembro de 1881. A princesa caminhou até ao altar da capela real de braço dado com o seu avô, o kaiser Guilherme, e do seu futuro sogro, o rei Óscar II. Usou um vestido branco de seda adornado com grinaldas de flores de laranja, a flor de noiva clássica. Levava uma coroa de flores a jogo e mirto no cabelo, assim como um véu branco de cinco metros e de laço de Bruxelas.

A jovem recebeu como prenda dos seus pais um colar de 47 diamantes, uma peça que também podia ser usada como tiara, conhecida como tiara Fringe. A rainha Victória a usava frequentemente, e é tradição que seja usada por a Princesa herdeira de Suécia. A princesa herdeira Victória seguiu a tradição e usou a tiara Baden Fringe.

As damas de honor de Victoria levaram vestidos brancos decorados com grinaldas de rosas e as suas largas filas decoradas com grinaldas de mirto. O noivo ia vestido com um uniforme branco do regimento de Salva-vidas e fez a sua entrada acompanhado por a rainha Sofia e a Duquesa de Saxe-Coburg Gotha.

Os príncipes chegaram a Gothenburg na fragata Vanadis e viajaram no barco a partir de Estocolmo, que estava decorado magnificamente em sua honra. Norrbro e todas as estátuas reais brilharam com tochas de gás e chamas en forma de correntes, estrelas e Skeppsbron iluminou-se e os cidadãos de Estocolmo saudaram a Princesa da Coroa muito entusiasmados. Em Södertälje, os recém casados encontraram-se com os irmãos do Príncipe herdeiro. A última parte da sua viagem realizou-se por barco até ao Palácio de Drottningholm, onde se reuniram com a Família Real.

As festividades do casamento sucederam-se uma atrás da outra. Celebrou-se um baile de gala na grande galeria que terminou com fogos de artificio, um serviço na Capela Real, um baile no Palácio Real para 2000 convidados e uma gala na Ópera.

Os Casamentos do rei Gustavo VI Primeiro casamento, com a princesa Margarida da Grã-Bretanha

O príncipe Gustavo Adolfo (1882-1973), filho do rei Gustavo V e Vitória de Baden, casou duas vezes e nas duas saiu um herdeiro ao trono. A 25 de fevereiro de 1905, anunciou no Cairo o seu compromisso com a princesa Margarida de Connaught (1882-1920), filha do príncipe Arturo de Grã-Bretanha e Irlanda, Duque de Connaught e Strathearn e conde de Sussex, e da Duquesa Luísa Margarida da Prússia apanhou de surpresa os cidadãos suecos. Supõe-se que tenha sido amor à primeira vista.

Os Duques realizaram um longo cruzeiro por o Mediterrâneo até ao Nilo a bordo do Essex com as suas duas filhas, Patrícia e Margarida. O príncipe Gustavo Adolfo, que tinha na altura 22 anos, encontrava-se visitando a princesa herdeira Vitória em Capri e tinha sido convidado para um baile no Cairo, organizado em honra por os visitantes ingleses. Foi aí que conheceu a Princesa, um ano mais velha que ele.

O seu casamento realizou-se a 15 de junho e, apesar dos distúrbios provocados por a dissolução daa união entre a Suécia e a Noruega, a cerimónia contou com a presença de muitos convidados reais. O enlace, oficializado por o arcebispo de Canterbury, se celebrou na Capela de São Jorge no Castelo de Windsor. O casamento real despertou um grande interesse dos cidadãos se aglomeraram nas ruas para ver a os noivos e os seus convidados a percorrer a breve distancia entre o castelo e a capela.

O príncipe esperou a noiva no altar acompanhado por o seu tio o príncipe Eugenio e o seu irmão o príncipe Guilherme. A noiva chegou acompanhada por o seu pai ao às 13h15 e seguida de quatro damas de honor: a sua irmã a princesa Patrícia, a princesa Mary de Gales, a princesa Beatriz de Saxe-Coburg Gotha e a princesa Eugenia de Battenberg.

O vestido de noiva foi realizado a partir de tela de laço branco e seda. O véu, de laço, havia sido bordado por varias mulheres irlandesas em agradecimento por os quatro anos que a família ducal viveu na Irlanda. por cima do véu usava uma grinalda de flores de cor laranja, que também adornava o corpete. A revista The Lady elogiou o bom gosto da princesa Margarida, pois atreveu-se a ir contra as tendências da época e sempre elegeu a roupa que ressaltava a sua harmoniosa figura feminina.