A Floresta Nacional de Ritápolis, também conhecida como FLONA de Ritápolis, é uma floresta nacional brasileira localizada no município de Ritápolis, em Minas Gerais, no sudeste do Brasil. A unidade de conservação federal foi criada em 21 de setembro de 1999 e abrange no bioma da Mata Atlântica. É administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A floresta integra o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), no qual as florestas nacionais são unidades de conservação de uso sustentável. Entre seus objetivos estão o manejo dos recursos naturais, a proteção dos recursos hídricos, das paisagens cênicas e dos sítios históricos e arqueológicos, além do apoio à pesquisa científica, à educação ambiental, à recreação, ao lazer e ao turismo.No Brasil, as florestas nacionais são unidades de conservação de uso sustentável. Diferenciam-se das unidades de proteção integral porque o uso controlado dos recursos, a pesquisa e a visitação pública podem ser permitidos de acordo com o plano de manejo.
A unidade protege formações de floresta secundária, áreas de vegetação ripária e cursos d'água na bacia do Rio das Mortes. Também contém as ruínas da antiga Fazenda do Pombal, propriedade rural ligada à história familiar de Tiradentes e à memória da Inconfidência Mineira.
Criação e objetivos
A Floresta Nacional de Ritápolis foi criada por decreto federal de 21 de setembro de 1999. O decreto atribuiu sua administração ao órgão ambiental federal então responsável pelas unidades de conservação nacionais e determinou a elaboração de um plano de manejo para a área, com objetivos de preservação natural e cultural. Posteriormente, o ICMBio tornou-se o órgão federal responsável pela unidade.
A floresta foi criada para promover o manejo adequado dos recursos naturais, proteger os recursos hídricos e as paisagens cênicas, preservar sítios históricos e arqueológicos e incentivar a pesquisa científica, a educação ambiental, a recreação, o lazer e o turismo. No cadastro nacional de unidades de conservação, a unidade é classificada como de uso sustentável e como categoria VI da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A Lei do SNUC, promulgada em 2000, define as florestas nacionais como áreas de domínio público com cobertura florestal, predominantemente de espécies nativas, destinadas ao uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e à pesquisa científica, com ênfase em métodos para a utilização sustentável das florestas nativas. A Floresta Nacional de Ritápolis se enquadra nesse modelo por combinar a proteção dos habitats locais, o uso público controlado, a pesquisa e a gestão do patrimônio histórico.
Características ambientais
Localização e contexto físico
A Floresta Nacional de Ritápolis situa-se no município de Ritápolis, na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais. A unidade fica próxima ao Rio das Mortes, na região hidrográfica do Paraná. O Rio das Mortes e o córrego Santo Antônio estão entre os cursos d'água presentes na área.
Situa-se entre e de altitude. O clima local é classificado como clima subtropical úmido do tipo Cwa na classificação climática de Köppen-Geiger, com verões quentes e chuvosos e invernos secos. A estação chuvosa ocorre principalmente de outubro a março, enquanto o período mais seco se estende de abril a setembro. A precipitação média anual é de cerca de , e a temperatura média anual é de aproximadamente .
Vegetação
A floresta está inserida no bioma da Mata Atlântica. Sua vegetação inclui formações de floresta estacional semidecidual, vegetação ripária e elementos associados ao Cerrado. A área tem uma longa história de ocupação e uso humano, incluindo agricultura, pastagens, pomares e plantações de eucalipto associadas à antiga Fazenda do Pombal. A vegetação nativa remanescente é, portanto, formada principalmente por fragmentos de floresta secundária em diferentes estágios de regeneração.
O Rio das Mortes e o córrego Santo Antônio influenciam a vegetação ripária e a composição florística da floresta. Essas áreas mais úmidas diferenciam a vegetação próxima aos cursos d'água das partes mais secas da unidade, onde a floresta semidecidual e elementos de aspecto savânico ocorrem em mosaico.
Fauna
miniaturadaimagem|Rhinella rubescens, espécie de sapo registrada na floresta e em sua zona de amortecimento.
Levantamentos realizados na floresta e em seu entorno registram anfíbios, répteis, aves e pequenos mamíferos, além de espécies comumente associadas a ambientes de transição entre a Mata Atlântica secundária e o Cerrado. Em 2012, um levantamento registrou 283 indivíduos de anuros pertencentes a 19 espécies na floresta nacional e em sua zona de amortecimento. Rhinella rubescens foi a espécie mais frequentemente registrada nesse levantamento. Outro levantamento realizado na área mais ampla do Rio das Mortes e em fragmentos florestais associados registrou 29 espécies de serpentes entre janeiro de 2012 e julho de 2013. O estudo caracterizou a área como uma transição entre floresta estacional semidecidual e Cerrado dentro do domínio da Mata Atlântica.
Fazenda do Pombal
A antiga Fazenda do Pombal é o principal sítio histórico da Floresta Nacional de Ritápolis. A propriedade situava-se na margem direita do Rio das Mortes, perto do antigo povoado de Santa Rita do Rio Abaixo, em uma paisagem rural ligada à agricultura, à extração mineral e aos caminhos que conectavam o interior de Minas Gerais durante o século XVIII.
miniaturadaimagem|Ruínas da Fazenda do Pombal, associadas aos primeiros anos de vida de Tiradentes.
O local está intimamente associado à infância de Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. Seus pais, Domingos da Silva Santos e Antônia da Encarnação Xavier, viviam na propriedade. Ele nasceu ali em 1746 e permaneceu no Pombal até 1757, quando, após ficar órfão, foi morar com seu padrinho Sebastião Ferreira Leitão em São José del-Rei, atual cidade de Tiradentes.
miniaturadaimagem|Ruínas da Fazenda do Pombal, em Ritápolis.
Era uma propriedade rural e mineradora em atividade, que produzia açúcar e ouro e contava com pelo menos 35 pessoas escravizadas. A casa-sede tinha dois pavimentos, com os aposentos da família no andar superior e áreas de armazenamento, ferramentas e ferraria no inferior; nas proximidades havia senzalas e uma cozinha coletiva. A água chegava ao engenho por um canal construído com troncos ocos de palmeira ao longo de cerca de 4 quilômetros.
A casa original e a capela não chegaram intactas aos tempos atuais. Em 1884, o coronel Emídio de Mendonça desmontou a casa-sede e a capela de Nossa Senhora da Ajuda, reutilizando seus materiais na Fazenda Ouro Fino, a cerca de 3 quilômetros do antigo local do Pombal. Imagens barrocas, o sino, o altar e a porta da capela também foram removidos; alguns desses objetos posteriormente passaram a integrar o Museu de Arte Sacra de São João del-Rei.
No século XX, a antiga propriedade havia sido reduzida a . O Ministério da Agricultura adquiriu a área em 1948, aparentemente incluindo a parte onde se situara a casa principal e onde permaneciam as ruínas da sede e do engenho.
A área voltou a ser modificada entre 1945 e 1950, quando o terreno ao redor da antiga casa-sede foi nivelado para a implantação de uma estação agrícola com pomares e criação de animais. Dentro da unidade de conservação, as fundações remanescentes, as ruínas do engenho e as estruturas associadas integram a paisagem patrimonial do sítio, juntamente com seus fragmentos florestais, cursos d'água e áreas de uso público.
Os remanescentes da Fazenda do Pombal foram incluídos no processo federal de proteção patrimonial nº 832/1970, no âmbito do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em 1999, o sítio passou a integrar o sistema federal de unidades de conservação com a criação da Floresta Nacional de Ritápolis, cujos objetivos incluem a proteção dos recursos naturais, dos cursos d'água, das paisagens cênicas e dos sítios históricos e arqueológicos.
Gestão, uso público e conservação
A Floresta Nacional de Ritápolis é administrada pelo ICMBio. Sua gestão combina a conservação dos fragmentos de Mata Atlântica, a proteção dos recursos hídricos locais, a educação ambiental, a visitação controlada, a pesquisa e a conservação dos remanescentes históricos existentes na unidade.
O uso público concentra-se na educação ambiental, na visitação guiada, no atendimento a escolas locais, na pesquisa e na interpretação dos aspectos naturais e históricos da floresta. As atividades de pesquisa exigem autorização e estão relacionadas às necessidades de gestão da unidade, especialmente ao monitoramento da fauna, da vegetação, dos recursos hídricos e das pressões provenientes do entorno.
Os remanescentes históricos da Fazenda do Pombal são administrados como parte da floresta nacional. Os visitantes encontram as ruínas em um cenário associado à memória de Tiradentes e à paisagem florestada ao redor do Rio das Mortes. O acesso às ruínas da fazenda é gratuito e autoguiado. Isso cria um contexto de gestão em que a recuperação da vegetação, o acesso dos visitantes, os cuidados arqueológicos e a interpretação histórica precisam ser tratados dentro da mesma área protegida.Os bens históricos e arqueológicos situados em unidades de conservação federais brasileiras devem ser administrados de forma compatível com os objetivos ambientais da área protegida.
Ver também
Mata Atlântica, bioma no qual a Floresta Nacional de Ritápolis está inserida Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão federal responsável pela administração da unidade Floresta nacional, categoria de unidade de conservação de uso sustentável Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, sistema federal de classificação e gestão das unidades de conservação brasileiras Tiradentes, inconfidente ligado historicamente à Fazenda do Pombal, situada na área da floresta nacional
Ligações externas
Página oficial da Floresta Nacional de Ritápolis no ICMBio Relatório do CNUC sobre a Floresta Nacional de Ritápolis Perfil no Protected Planet
Categoria:Fundações no Brasil em 1999 Categoria:Fundações em Minas Gerais em 1999 Categoria:Florestas nacionais do Brasil Ritapolis Categoria:Áreas protegidas de Minas Gerais Categoria:Áreas protegidas da Mata Atlântica + Categoria:Ritápolis