O Tarô de Marselha, também conhecido pela designação francesa Tarot de Marseille, é um baralho de cartas clássico e um dos mais reproduzidos por todo o mundo, sendo a fonte de que os outros baralhos modernos de tarô se derivam.

Trata-se de um jogo de 78 cartas, distribuídas em dois grupos: Os arcanos maiores, com 22 cartas ilustradas, e 56 arcanos menores, doze cartas dos quatro naipes clássicos que podem ou não serem ilustrados.

Origens O pesquisador Michael Dummett, filósofo e estudioso dos jogos de cartas, concluiu que - na falta de provas documentais anteriores - o baralho de Tarô foi provavelmente concebido no norte da Itália, no século XV e introduzido no sul da França, quando os franceses conquistaram Milão e Piemonte em 1499. Os antecedentes do Tarô de Marselha, então, foram introduzidos no sul da França. O jogo de tarô declinou na Itália, mas sobreviveu na França e na Suíça. Os desenhos são de caráter medieval e podem ter recebido influencia do vitral gótico, em razão de suas linhas ou de suas cores. Quando o jogo foi reintroduzido no norte da Itália, o padrão das cartas reconhecido como "de Marselha" foi introduzido na região.Michael Dummett. The Game of Tarot: from Ferrara to Salt Lake City, Duckworth, 1980.

Etimologia O termo "Tarô de Marselha" é utilizado pela primeira vez em 1859 nos escritos de Roman Merlin;Nouvelles recherches sur l'origine des cartes à jouer, Revue archéologique, 1859, p. 288 : "Prenons, en effet, les tarots de Besançon, de Genève et de Marseille qui représentent le plus fidèlement l'ancien tarot vénitien..." em sua obra - Origem das cartas de jogar 1793 - 1876 ,em seguida é utilizada pelo ocultista francês Papusqui présente, dans Le Tarot des Bohémiens (1889), au chapitre IX, les diverses formes du tarot : "Le Tarot italien, celui de Besançon, celui de Marseille sont les meilleurs sans contredit que nous possédions aujourd'hui" (Gérard Encause) no Capítulo IX do seu livro Le Tarot des bohémiens (O Tarô dos Boêmios); e é popularizado a partir de 1930 pelo cartier e escritor francês Paul Marteau. O uso desse nome coletivo refere-se a uma variedade de designs intimamente relacionados que foram produzidos na cidade de Marselha, sul da França, cidade centro de fabricação de cartas de jogar e que também (em tempos anteriores, contemporâneos e posteriores) foram feitos em outras cidades da França, Suíça, Bélgica e Áustria. O Tarô de Marselha é o padrão a partir do qual muitos baralhos de tarô do século XIX e, posteriormente, são derivados.

A tradução do termo original – Tarot de Marseille - para o português segue o exônimo usado para abordar o nome desta cidade francesa.

Estrutura Ocultistas e muitos leitores atuais do Tarô dividem as cartas em duas séries:

Os Arcanos Menores: assim como outros baralhos de tarô, o Tarô de Marselha contêm 56 cartas divididas em quatro naipes. Nas versões de língua francesa do Tarô de Marselha, esses naipes são identificados pelos nomes de: Bâtons (paus), Épées (espadas), Coupes (copas), e Deniers (moedas). Cada um destes naipes contam de Ás (1) ao 10. E para cada um, há quatro figuras da corte: um Valet (Valete ou Pagem), Chevalier ou Cavalier (cavalo-cavaleiro), Reine (Rainha) e Roi (Rei). As cartas da corte são às vezes chamadas de Les Honneurs (As Honras) ou Les Lames Mineures de Figures (As Cartas das Figuras Menores) em francês.

No Tarô de Marselha, como é padrão entre os jogos italianos, o naipe de espadas é desenhado como um símbolo abstrato em linhas curvas, formando uma forma que lembra uma mandorla. Nas cartas pares, só há essas linhas curvas e alguns detalhes florais fora da estrutura. Nas ímpares, uma única espada totalmente entrecruzada pelas curvas das outras. O naipe de paus é desenhado com objetos retos que se cruzam formando uma treliça cada vez maior; nas cartas ímpares uma única varinha vertical passa pelo meio da rede. Sobre as dezenas de ambos - espadas e paus - dois objetos totalmente entrecruzados aparecem impostos aos desenhos abstratos.Carole Sédillot. Ombres et lumières du Tarot. Tchou, 1997 - plates 1-4. As varinhas retas alinhadas e as espadas curvas continuam a tradição dos mamelucosPaul Huson Mystical Origins of the Tarot. Destiny Books, 2004. nas cartas, em que as espadas representam cimitarras e os paus os tacos de polo.

A maioria dos baralhos preenchem os espaços em branco das cartas com decorações florais. O II de copas, normalmente, contêm um caduceu floral terminando em duas heráldicas cabeças de golfinhos. O II de Moedas normalmente possui uma união entre as duas moedas representada por uma fita, esta fita é um lugar comum para o fabricante incluir o seu nome e a data.Carole Sédillot. Ombres et lumières du Tarot. Tchou, 1997 - plates 1-2.

Os Arcanos Maiores: totalizando 21 cartas numeradas e uma sem número (Le Fol, Le Mat, o Louco, a desculpa etc) Muitos tarotistas hoje em dia chamam essas 22 cartas de Atouts (Trunfos) ou Les Lames Majeures de Figures (as cartas das figuras principais), em francês.

As imagens acima são do Tarô gravado no começo do século XVIII no ateliê de Jean Dodal, na cidade de Lyon - França. Imagens diversas O Tarô de Marselha segue o padrão milanês das cartas. Originado na corte de Visconti em Milão, deste originaram os tarôs franceses e suíços, e é provavelmente o mais conhecido. Jean-Claude Flornoy denomina essa categoria como a tradição milanesa, a tradição dos imagineiros medievais.Jean-Claude Flornoy. Le pèlerinage des bateleurs, LeTarot, 2007.São suas características: A ordem dos 22 trunfos, numerados ao alto e com seus nomes embaixo das cartas (com pequenas variações de grafia e ortografia): I bateleur, II papesse, III impératrice, IIII empereur, V pape, VI amoureux, VII chariot, VIII justice, VIIII ermite, X roue de fortune, XI force, XII pendu, XIII mort (carta geralmente sem nome), XIIII tempérance, XV diable, XVI maison dieu, XVII etoile, XVIII lune, XVIIII soleil, XX jugement, XXI monde, e Fou (fol, mat) sem número; Numeração das cartas seguem os números romanos. As variações gráficas dos desenhos são divididas pelos especialistas em dois tipos de tarôs de Marselha: TdM I e TdM II. Esta classificação segue características de algumas cartas.

A orientação à esquerda (de quem vê) do cupido, na carta VI, a cortina do Chariot, a figura central de Le Monde possui uma capa. Seguindo esta iconografia estão os exemplares mais antigos e ainda preservados, os baralhos de Jean Noblet, cartier parisiense do século XVII e o de Jean Dodal (cartier de Lyon), do fim do século XVII ou começo do século XVIII. Fazem parte da categoria denominada de TdM I.J-M David, Reading the Marseille Tarot. ATS, 2009.

O TdM II é uma categoria em que o modelo mais antigo de baralho corresponde ao século XVIII, o mais antigo desta categoria é o baralho de Pierre Madenié, em Dijon, de 1709. Os exemplares conhecidos do Tarô de Marselha e que foram efetivamente produzidos nesta cidade são essencialmente mais tardios. François Chosson (1736), Jean Tourcaty (1745), Nicolas Conver (1760), para citar alguns.Cartes à jouer et Tarot de Marseille, Alors-hors-du-temps, 2004. Os tarôs marselheses, propriamente ditos, possuem certas particularidades em comum (a visão de perfil da carta La Lune, o desenho da cortina de Le Chariot etc.).

Arte divinatória do Tarot de Marseille. Para o uso do Tarot de Marseiile como arte divinatória, podemos afirmar que o estudo de Alejandro Jodorowski, realizado no fim do século passado, é a forma mais próxima da verdade que encontramos na literatura. Como não conhecemos o autor dos desenhos ou da estrutura original das cartas, o livro "O Caminho do Tarot" de Jodorowski e Marianne Costa nos dá uma visão completa e sem deturpação ou correspondências com outras formas ocultas. Ele estruturou a numerologia decimal como a chave para a interpretação primária, original, das cartas e seus desenhos, e a carta 21 ,O Mundo é o razão da construção completa da estrutura do Tarot.

Na numerologia decimal, o número 1 é a totalidade em potência que gera no 2 um acúmulo de energia para uma futura ação do número 3. Depois dessa explosão temos um equilíbrio no número 4 que é rompido pelo 5 e superado no número 6. Voltamos a ação, mas agora com a experiência de já ter experimentado os acertos e os erros com o número 7, enfrentamos as consequências dessas ações no 8 e concluímos, refletindo no número 9. Renovados, recomeçamos no 10, que é a totalidade realizada.

Como no Tarot, os Arcanos maiores vão do número 0 até o número 21, ele retirou da numerologia decimal a carta 0, o Louco e a 21, o Mundo, que são um impulso e o fim, respectivamente, e fez pares entre as outras 20 cartas, usando a unidade final de cada número da carta. Então a carta 1, O Mago e a carta 11, A força, carregam a energia do número 1. As cartas 2, A Papisa e a 12, O Enforcado, a energia do número 2 e assim até as cartas 10, A Roda da Fortuna e 20, O Julgamento, com a energia do número 10. Para as figuras da corte, ele associou cada uma das 4 figuras com 2 números. O Valete tem as características das energias dos números 2 e 3. A Rainha, do 4 e 5, o Rei do 6 e 7 e o Cavaleiro dos números 8 e 9. Para maior entendimento sobre esse estudo, o livro "O caminho do Tarot" de Jodorowski e Marianne Costa é indispensável.

Os estudiosos de Tarot de Marseille designam através desse estudo, uma característica singular para cada carta. Para os Arcanos Maiores. a carta O Louco se classifica como uma ideia, uma energia, a carta O Mago, uma totalidade em potência, A Papisa, uma preparação para uma futura ação que será realizada pela A Imperatriz. O Imperador tem as características de estabilidade, controle e poder, O Papa é o guia, a tradição, o mediador. O Namorado, uma escolha, o encontro do amor em harmonia, livre arbítrio. O Carro, uma direção a conquista, A Justiça, a severidade das leis, a organização. O Ermitão, a luz interior, a maturidade para ir além e A Roda da Fortuna modifica, traz alterações nos planos. A Força, um domínio, calma, um novo início. O Enforcado, estagnação, sofrimento. A carta Treze, sem nome, é o fim do sofrimento. A Temperança, a ponderação, a cura, o nosso anjo protetor, e O Diabo, a tentação dos vícios, das ilusões. A Casa de Deus, é a abertura, a liberdade das amarras que adquirimos, A Estrela, o entusiasmo, a orientação para seguir em frente. A Lua, as emoções, o enfrentamento dos medos e traumas do passado, O Sol, o novo amanhecer, sucesso, O Julgamento renova e ajusta o que ficou pendente, e por fim, O Mundo, a totalidade realizada.

Para os trunfos menores podemos classificar assim:

As Espadas são o mundo da mente, seus conflitos sem limites. O Ás é acreditar no desejo, uma ação triunfante, o 2 os bloqueios pessoais, os conflitos, o 3 uma decisão tomada doa a quem doer , o 4 é conservador, uma espera, o 5 é a mente aberta, criativa e também instável, o 6 é o descanso, a superação, o 7 uma estratégia que pode ser uma vingança, o 8 a restrição dos pensamentos, o 9 uma reflexão sobre a realidade , e o 10 traz a verdade, tudo ficará como aprendizado. O Valete é inexperiente, gosta de ajudar, a Rainha guarda no coração as experiências da vida para poder agir no futuro, o Rei é estrategista, inteligente e o Cavaleiro está sempre em busca da verdade, da justiça.

As Copas são o mundo dos sentimentos, das emoções. O Ás é o êxtase, o desabrochar das emoções, o 2 traz uma descoberta feliz, uma parceria, o 3 um entusiasmo, o 4 emoções estáveis que podem causar desconforto, o 5 novas emoções com instabilidade, o 6 uma revisão do que está vivendo, o 7 traz as possibilidades de realizações, os sonhos, o 8 as escolhas, abandono dos supérfluos, o 9 traz maturidade nas decisões e o 10 Novos ares, a felicidade almejada. O Valete é amoroso, tímido e está pronto para ajudar, a Rainha é romântica e usa de sua experiência para resolver os problemas, o Rei usa de suas habilidades, é caprichoso, gosta de ser bajulado mas é um grande amigo e o Cavaleiro está sempre em busca de emoções.