Ecologia pode ser entendida como o estudo das relações dos organismos vivos entre si e com o ambiente. Entendendo-se estas relações como de duplo sentido, ou seja, organismos afetam e são afetados uns pelos outros, assim como afetam o ambiente e são por ele afetados. A Ecologia Comportamental é considerada o estudo das origens evolutivas do comportamento animal devido às pressões ecológicas. Em que, baseando nos estudos desse tipo de comportamento forma-se uma ponte entre os aspectos moleculares e fisiológicos da biologia e da ecologia. Ou seja, o comportamento é a ligação entre os organismos e o ambiente e é uma das propriedades mais importantes da vida animal, pois apresenta um papel fundamental nas adaptações das funções biológicas.
O comportamento representa a parte de um organismo por meio do qual ele se interage com o ecossistema ( Charles T. Snowdon. 1999). E portanto, dentro desse aspecto, a ecologia comportamental é tida como um ramo da Etologia (do grego: ἦθος ethos, "hábito" ou "costumeiro" e -λογία -logia, "estudo", ou seja, é a especialidade da biologia que estuda o comportamento animal). Sendo que esse campo somente veio a ser classificado e especificado dessa forma após os estudos e aperfeiçoamentos de Niko Tinbergen que publicou um de seus artigos mais importantes denominado “On aims and methods of ethology” (Tinberguen, 1963) (“Sobre os objetivos e métodos da Etologia”). E que, o principal escopo do autor era discutir as questões epistemológica da Etologia e abordar diferentes níveis de análise dentro desse campo, onde mais tarde, portanto foram denominados “as quatro questões de Tinbergen”, que consistiam na causação, desenvolvimento, função e filogenia: (1) Qual é a causa fisiológica? (2) Qual é a função ou valor da sobrevivência? (3) Como isso evoluiu com o tempo? (4) Como ele se desenvolveu no indivíduo? Onde, segundo ele, é necessário abordar tais questões de forma equilibrada para que a ecologia comportamental florescesse.
Um organismo que possui alguma característica que dá alguma vantagem adaptativa em um novo ambiente, será favorecido pela seleção natural. Isto foi originalmente proposto pela teoria da seleção natural de Charles Darwin. Portanto, isto se refere a benefícios obtidos, em termos de sobrevivências e reprodução, pela característica em questão. Diferenças genéticas nos indivíduos levam a diferenças comportamentais que se tornam diferenças em adaptação, sucesso reprodutivo e evolução.
Alusão Histórica O interesse humano pelo comportamento animal, surgiu desde os primórdios de sua existência. Mais de 40.000 a. C., milhares de pinturas rupestres foram desenhadas nos tetos de cavernas da África, Ásia, Europa e Américas. Sendo os primeiros vestígios históricos do interesse humano pelo comportamento animal. Esse interesse, é claro, tinha como objetivo inicial, conhecer o animal, seus hábitos e comportamento para a partir disso, obter melhores maneiras de caçar, criar ou se proteger dos mesmos. miniaturadaimagem|Niko Tinbergen (1907-1988), Ecólogo - 7 Dec. 1973 A partir do século XVI, com as grandes navegações esse interesse começa a ganhar forma e cor com a explosão de informações sobre a vida e o comportamento de animais e hábitats nunca antes vistos por seus exploradores. Um dos documentos mais preciosos deste período data de 1526, escrito por Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés, intitulado Sumario de la Natural Historia de las Indias. O documento continha não apenas a descrição de comportamento animal, mas também o humano.
Entre o final do século XVIII e início do XIX, os cientistas viajantes, conhecidos como naturalistas, principalmente ingleses, alemães, holandeses, franceses e já alguns americanos, começaram a divulgar os resultados de suas expedições pelo mundo afora. Dentre eles, destacou-se o inglês Charles Robert Darwin, que publicou uma série de artigos e livros de Zoologia, sendo o mais famoso livro: A Origem das Espécies, estabelecendo o conceito de evolução por meio da Teoria de Seleção Natural. Contribuiu também, com algumas de suas obras, inaugurando o que, viria a ser, uma área de estudo do comportamento animal, a Psicologia Comparada.
Como dito anteriormente, a ecologia comportamental como a conhecemos hoje é creditada ao Nobel Niko Tinbergen tendo como foco principal o comportamento atrelado aos processos evolutivos de seleção natural. Consequentemente, o campo da ecologia comportamental está preocupado com duas questões. Primeiro, o comportamento é adaptativo? Segundo, se uma característica é adaptativa, a questão então se torna: como é adaptável? Embora o comportamento produzido pelos indivíduos deve de alguma forma representar uma resposta adaptativa ao meio ambiente, isso não precisa ser o caso, os traços podem evoluir por muitas razões além da seleção natural, como a deriva genética ou o fluxo de genes. Além disso, os traços podem estar presentes em uma população porque evoluíram como adaptações no passado, mas já não são úteis.
Comportamento e Seleção Natural A ecologia comportamental é o estudo de como a seleção natural configura o comportamento (Tinberguen, 1963). A princípio, baseando-se no capítulo 1 do livro seleção natural, Ecologia e comportamento, o objetivo da ecologia comportamental é tentar entender como o comportamento de um animal se adapta ao meio ambiente em que vive. Ou seja, se um organismo possui alguma característica que dá alguma vantagem adaptativa em um novo ambiente, a seleção natural irá favorecê-lo. Isto foi originalmente proposto pela teoria da seleção natural de Charles Darwin. Que está relacionada, a diferenciação dos indivíduos em sua morfologia, fisiologia e comportamento (variação), dentro de uma espécie entre outras variâncias. Contudo, isto se refere a benefícios obtidos, em termos de sobrevivências e reprodução, pela característica em questão. Diferenças genéticas nos indivíduos levam a diferenças comportamentais que se tornam diferenças em adaptação, sucesso reprodutivo e evolução.
Ou seja, os indivíduos se comportam a promover a sobrevivência genética, como por meio da resistências e competições entre si por recursos limitados do meio ambiente, incluindo alimento, território e parceiros sexuais. Conflitos ocorrem entre predador e presa, rivais por cópulas, irmãos, parceiros sexuais e pais com filhos.
Vida em grupo Na natureza, é comum observarmos animais que vivem em grupos e animais de vida solitária, às vezes da mesma espécie. Essa escolha é determinante para decidir quem, na média, produz mais prole sobrevivente. Viver sozinho é melhor do que viver junto quando a razão custo-benefícioALCOCK, John. Comportamento animal: uma abordagem evolutiva. 9 ed. Porto Alegre: Artmed, 2011 é melhor para indivíduos solitários do que para os indivíduos sociais.
Mas o que quer dizer custo-benefício? Os custos são os riscos ou gastos energéticos que o animal tem, enquanto os benefícios são as vantagens e economias dessa vida social.
Podemos citar como custos:
Maior visibilidade de indivíduos agrupados para os predadores, Maior transmissão de doenças e parasitas entre os membros do grupo, Maior competição por alimento entre os membros do grupo, Tempo e energia gastos pelos subordinados ao se relacionarem com companheiros mais dominantes, Maior vulnerabilidade do macho ao adultério, Maior vulnerabilidade das fêmeas de terem ovos atirados dos ninhos ou terem seus ninhos parasitados, e outras formas de interferência reprodutiva realizadas por outros indivíduos.
Já como benefícios, temos os seguintes: miniaturadaimagem|299x299px|Alguns animais vivem em grupos Defesa contra predadores via efeito de diluição ou via defesa mútua (O aumento do número de indivíduos promove vigilância, reduzindo a s chances de um predador não ser detectado. Além disto, as chances de cada indivíduo ser predado reduzem consideravelmente conforme o grupo aumenta), Oportunidades de receber assistência dos outros ao tratar de doenças, Aumentar o forrageamento, Subordinados têm permissão concedida para permanecer a salvo dentro do grupo, Oportunidade para alguns machos tentarem adultério, Oportunidade para ejetar ovos alheios, parasitar ninhos e interferir na reprodução de rivais.
Existem diferentes tipos de comportamentos de ajuda, como o mutualismo, a reciprocidade e o altruísmo, que pode ser obrigatório ou facultativo. O mutualismo é o ganho compartilhado quando se trabalha junto, por exemplo, um grupo de leões que, juntos, consegue capturar uma presa que um animal sozinho não conseguiria.
A reciprocidade é um tipo de interação feita por um indivíduo que estabelece benefícios quando retribuída. Como exemplo, temos o caso de morcegos-vampiros. Esses animais, que se alimentam de sangue, tem que buscar suas presas na noite e, quando não encontram, recebem um pouco do sangue regurgitado de indivíduos que tiveram sucesso no seu forrageio. Morcegos que regurgitam sangue para o companheiro fazem isso pois o custo de doar alimento é menor que o benefício de garantir "doações" de sangue caso não consigam se alimentar eventualmente. thumb|Morcego Vampiro - comportamento de reciprocidade
O altruísmo é um comportamento que beneficia outros em detrimento daquele que realiza o comportamento. Esse conceito é complexo, pois na natureza os animais estão todos competindo para deixar uma prole maior, portanto, por que ajudar outro indivíduo sem receber recompensa, e às vezes, abrindo mão da própria prole? Embora certos fatores genéticos talvez expliquem essa questão, fatores ecológicos que aumentem o efeito positivo da ajuda sobre a sobrevivência dos parentes são igualmente importantes. Então, no geral, a ideia é ajudar os parentes a se reproduzir e, assim, passar pelo menos parte dos genes para a prole é mais vantajoso que competir e não ter a certeza de reprodução.
Outro conceito importante para entender a vida em grupo dos animais é a eusocialidadeAndy Gardner, João Alpedrinha, and Stuart A. West, "Haplodiploidy and the Evolution of Eusociality: Split Sex Ratios.," The American Naturalist 179, no. 2 (February 2012): 240-256. https://doi.org/10.1086/663683
PMID: 22218313 Em organismos eusociais, indivíduos vivem em colônias e dividem-se em castas: uma casta real que produz filhotes, e um conjunto de castas estéreis que trabalham e protegem a colônia, e ajudam a casta real a produzir juvenis. Em geral, trabalhadores e soldados são parentes da casta real – filhos e filhas – e isso pode ajudar a explicar o seu desenvolvimento. Uma característica encontrada em quase todas as espécies eusociais é o seu sistema genético: a ""haplodiploidia"". Ao contrario dos mamíferos, onde cada individuo tem uma cópia materna e uma cópia paterna de cada gene (exceto nos genes sexuais), em espécies haplodiploides, os machos têm somente uma cópia de cada gene, transmitido pela mãe. Isto faz com que a fêmea seja geneticamente mais próxima das suas irmãs do que dos seus filhos. Apesar disso, alguns trabalhos mostraram que mais do que o sistema genético, as características ecológicas particulares a cada espécie, como vantagens de viver em grupo ou riscos elevados de dispersão, a permitir o desenvolvimento deste sistema social.
A territorialidade é um ponto a se considerar quando trabalhamos com a vida em grupo de animais, e também leva em conta a razão custo-benefício. A defesa de território para viver só acontece quando os indivíduos territoriais podem ganhar benefícios substanciais, como acesso especial a parceiros reprodutivos ou comida. Disputas territoriais, em geral, são decididas a favor dos donos dos territórios. A arma que os residentes territoriais têm para a competição pode vir de força física superior ou de reserva de energia (que lhes dá maior capacidade de defender recursos).
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