Antônio Carlos Dexheimer Pereira da Silva (Erechim, ), é um médico e político brasileiro; formado pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, com mestrado e residência pela USP/Hospital das Clínicas em São Paulo; ex-presidente do clube de futebol Ypiranga de Erechim (1980); eleito deputado estadual nas eleições de 1986 e 1990, prefeito de Erechim (1993-1996), diretor-presidente da Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (1997-1998); atua como cirurgião vascular e médico pericial do INSS, em consultório próprio, na cidade de Erechim; presta serviço através do sistema público de saúde como cirurgião nos hospitais Santa Terezinha e Caridade, ambos na mesma localidade.

Carreira médica Em 1964, Antônio Dexheimer foi aprovado na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), logo no primeiro ano de funcionamento do curso de medicina.

Após dois anos em Pelotas, consegue aprovação no vestibular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCS) e volta a morar em Porto Alegre.

Forma-se como médico no ano de 1970. Então com 24 anos, ele já tinha optado pela carreira de cirurgião e aguardava encerrar o curso para iniciar sua residência. Posteriormente, durante dois anos, adiou planos de continuar sua formação e trabalhou nos hospitais Ernesto Dornelles, Hospital de Clinicas e Hospital Santo Antônio.

Em 1973, Dexheimer foi aprovado no mestrado/residência da USP/Hospital das Clínicas e se mudou para São Paulo. Neste período de estudos, teve contato com a aprimorada técnica de cirurgia vascular, ramo da medicina que tomaria como atividade para o decorrer da carreira.

Em 1975, assumiu como médico cirurgião do Hospital São Roque, localizado em Seara, Santa Catarina. Foi em Seara que ganhou o título de “milagreiro”. Um jovem funcionário do frigorífico local tropeçou e caiu com a faca de abrir frango cravada nas artérias do entorno do coração. No hospital não havia equipamento que pudesse separar o conjunto ósseo do peito para que o médico efetuasse a cirurgia. Sem alternativa viável, solicitou que o frigorífico trouxesse o trabalhador mais forte, o homem encarregado de abater bois a machado. O operário, a força de braço, abriu o peito do jovem, pelo tempo que Antônio Dexheimer retirou a faca e restaurou o dano. O jovem viveu e se iniciou uma romaria de curiosos em torno do consultório para conhecer o médico .

Convidado pelo diretor do Hospital de Caridade Tulio Masquinham, volta a Erechim e assume como cirurgião no ano de 1976. Desde então se dedica a medicina nos hospitais da cidade – Caridade e Santa Terezinha - e também atende em seu consultório particular.

Presidente do Ypiranga Durante o ano de 1980, foi presidente do Ypiranga Futebol Clube de Erechim, em fase de reconstrução das finanças do clube que, no final dos anos 1970, deixou de disputar competições profissionais e se manteve atuante em ligas amadores locais.

Carreira política Exerceu mandatos como dirigente partidário, deputado estadual, prefeito, diretor-presidente de fundação de saúde e presidente da Associação de Municípios do Alto Uruguai (AMAU) entre 1993 e 1995.

Deputado estadual (1987-1990) Ainda que desde 1978 estivesse filiado ao MDB, partido de oposição à ditadura militar, Antônio Dexheimer relutou em se aventurar em pleitos políticos. A partir de 1981 assumiu a coordenação política do PMDB no Alto Uruguai. No ano seguinte, nesta região, comandou a campanha derrotada do então senador Pedro Simon ao governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Por insistência de Pedro Simon, novamente candidato a governador nas eleições de 1986, Dexheimer lançou candidatura a deputado estadual. Foi eleito com 26.411 votos, sendo o deputado estadual melhor votado de Erechim e região.

Assumiu o mandato em 31 de janeiro de 1987 e logo recebeu indicação para vice-liderança do governo Simon na Assembleia Legislativa. Destacou-se como habilidoso articulador político, com trânsito fácil em sua bancada e também junto de parlamentares opositores.

Suas pautas preferenciais eram a saúde pública e o agronegócio, com destaque à veemente defesa do produtor de trigo.

Na constituinte estadual de 1989, Dexheimer foi escolhido como presidente da Comissão de Defesa do Cidadão, Saúde e do Meio Ambiente.

Suas principais contribuições acolhidas naquele processo constituinte foram a criação do Instituto Geral de Perícias (IGP) e do Detran/RS, em cisão à policia civil; contributos à normatização ambiental e, sobretudo, no procedimento de legislação constitucional quanto à regionalização do direito à saúde.

Deputado estadual (1991-1992) Reeleito deputado estadual em 1990, com 14.864 votos, consolida-se novamente como candidato ao parlamento estadual mais votado em Erechim e região.

Assumiu o mandato em 31 de janeiro de 1991, porém seu período de legislatura não perdurou até o fim, por decorrência do acolhimento de ação judicial de Antônio Lorenzi, primeiro suplente de deputado estadual do PMDB, que contestava votos de urna manual não computados a ele.

Dexheimer deixa o mandato em 5 de maio de 1992, e fora então declarado primeiro suplente da bancada do PMDB.

Prefeito de Erechim (1993-1996) Eleito na eleição municipal de 1992, em pleito que derrotou Narciso Paludo (PFL) e Waldomiro Fioravante (PT), obtidos 50,13% dos votos, Antônio Dexheimer destronou sequência de três mandatos da coalizão política que governava Erechim.

O principal legado do mandato de prefeito fora a municipalização, através de compra, em 1994, da fundação hospitalar Santa Terezinha. Antes hospital privado, a casa de saúde tornou-se referência em atendimento gratuito para toda região do Alto Uruguai.

Outras de suas principais realizações passam pela construção da Escola Municipal Caras Pintadas, a criação da feira do produtor rural de Erechim, reforma e revitalização do prédio histórico do Castelinho, a criação do festival gaúcho de teatro amador, o destacado projeto "Mil Estrelas Brilham em Erechim" para ornamentação do Natal de 1994, construção da usina municipal de asfalto, melhorias urbanas de infraestrutura, investimento em saúde que fez Erechim alcançar a meta de ter unidades básicas em todos os bairros e, junto à Corsan, a obra da barragem que propiciou melhor abastecimento de água à cidade.

Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (1997-1998) Entre 1997 e 1998, foi diretor-presidente da Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (FEPPS), na gestão do secretário de saúde Germano Bonow (PFL), no governo de Antônio Britto Filho (PMDB).

Em 1997, a gestão de Antônio Dexheimer bateu o recorde desta instituição de pesquisa na produção de medicamentos, com 117 milhões de unidades produzidas.

Em 1998, a FEPPS inicia a produção do AZT, com a fabricação de 2 milhões de caixas do medicamento referência no tratamento da AIDS.

Absolvição no Caso Daudt O chamado Caso Daudt trata do homicídio do jornalista e deputado estadual José Antônio Daudt. Assassinado a tiros em 5 de julho de 1988, na cidade de Porto Alegre.

Logo nas primeiras horas, após confirmado o falecimento do deputado, amigos levaram à polícia civil suspeita de que o autor do homicídio poderia ser Antônio Dexheimer, colega de parlamento e também amigo de Daudt. O motivo apontado seria suposto ciúmes de sua ex-esposa com Daudt. O casamento se encerrara recente, havia três meses.

Durante 30 dias de investigações policiais, quatro suspeitos foram investigados: um executivo do extinto Banco Meridional, um procurador do Estado do Rio Grande do Sul, um motorista do jornal Zero Hora e o próprio Antônio Dexheimer. Depois da  fase de inquérito, um tenente da Brigada Militar também foi alvo de investigações.

Todos foram descartados e Dexheimer indiciado. Posteriormente, em 15 de julho de 1988, é denunciado pelo Ministério Público e levado a julgamento ao pleno do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em razão do foro privilegiado por sua condição de deputado. O julgamento foi mais longo do judiciário do Rio Grande do Sul até então e o primeiro a ser transmitido ao vivo pelo rádio e pela televisão.

Enquanto a acusação sustentava que o crime ocorrera por ciúmes de Dexheimer com ex-esposa e Daudt, acompanhada de fatos como Dexheimer ser exímio atirador e praticante de caça; ter estado fora de casa próximo a hora que Daudt foi baleado; ter em sua posse veículo Monza assemelhado ao do autor dos disparos e armas de calibre idêntico às do crime (espingarda calibre 12). A defesa, patrocinada pelo escritório do afamado advogado criminalista Oswaldo de Lia Pires, pontuava sobre a condição de amizade de réu e vítima, sabida por todos; a orientação homossexual de Daudt; o álibi da cronometragem do tempo de chegada em casa se dar anterior a dos disparos que vitimaram Daudt; e a carência de provas técnicas que ligassem efetivamente Dexheimer ao crime.

No dia 23 de agosto de 1990, Antônio Dexheimer foi absolvido pelo pleno do TJ/RS. Relator do processo, o desembargador Décio Erpen votou pela condenação, mas foi vencido pela maioria. Foram 14 votos pela absolvição (cinco por não reconhecimento da autoria e nove por falta de prova) contra sete que pediriam a condenação.

Nas palavras do voto do desembargador Alaor Terra:Assim, resumidamente, embora reconheça que há elementos indicativos indiciários, esbarro na aceitação desses elementos naquelas duas dificuldades: a impossibilidade, para mim, de ter sido o réu quem esteve naquele auto, pelos argumentos já expostos, e porque o réu tem ainda aquele álibi, para mim, provável, se achar exagerado dizer provável, possível. Mas também as provas, os elementos, melhor dito, de que se vale, de que se dispõe a acusação, estão no mero grau de possibilidade, também. Então, na mesma categoria, anulam-se.Em 5 de junho de 2008, o Caso Daudt prescreveu.

Categoria:Cardiologistas do Rio Grande do Sul Categoria:Deputados estaduais do Rio Grande do Sul Categoria:Médicos do Rio Grande do Sul Categoria:Naturais de Erechim Categoria:Prefeitos de Erechim