Armando Moral Sendin (Rio de Janeiro, 6 de março de 1925 — Marbella, Espanha, 29 de julho de 2020) foi um pintor, ceramista, escultor, desenhista, gravador e professor brasileiro, reconhecido como importante nome da arte contemporânea brasileira. Destacou-se como precursor do realismo impressionista, conhecido também por alguns críticos como "instantismo", caracterizado pela precisão fotográfica e pela captura de momentos fugazes da realidade.

Biografia Armando Moral Sendin nasceu no Rio de Janeiro em 6 de março de 1925. Ao longo da vida, dedicou-se intensivamente aos estudos: cursou a Escola de Belas Artes de Priego na Espanha (por volta de 1940); filosofia na Universidade de São Paulo (1945 a 1949); especialização em estética, com Bogumil Jasinowsky, na Universidade do Chile (1950); e, como bolsista do governo francês, estética na Sorbonne, com o professor Étienne Souriau (1950 a 1953).

Durante suas viagens, trabalhou com Gensoli na Manufatura Nacional de Sèvres, França, e desenvolveu pesquisas com o ceramista Zuloaga e técnicas de cerâmica de origem oriental com Guardiola e com Gonzalez-Martí, na Espanha. Essa formação diversificada influenciou significativamente seu trabalho tanto em cerâmica quanto em pintura.

Após completar seus estudos, entre 1954 e 1964, ministrou cursos de pintura, cerâmica, escultura e desenho em seu estúdio, em São Paulo. Nessa mesma cidade, realizou sua primeira mostra individual, no Clube dos Artistas em 1960.

Depois de viver em Santos por muitos anos, mudou-se para Marbella, Espanha, onde residiu até seu falecimento em 29 de julho de 2020, aos 95 anos, devido a complicações de pneumonia e problemas cardíacos.

Carreira

Prestigiado nome da arte contemporânea do Brasil, Armando Moral Sendin transitou com maestria entre diferentes técnicas e estilos artísticos. Como ceramista, teve trabalhos destacáveis, dentre os quais está o painel de azulejos da famosa Biquinha de Anchieta, em São Vicente/SP, onde atuou como colaborador de seu irmão, o também artista Waldemar Moral Sendin. Este painel histórico retrata o Padre José de Anchieta catequizando os indígenas na fonte que existe desde 1553.

Foi como pintor, entretanto, que teve maior destaque como precursor do realismo impressionista, pós movimento Pop Art. Suas telas se destacam pela precisão fotográfica das figuras, quase sempre associadas a figuras humanas, em uma temática menos fria com um toque bem pessoal.

Segundo o crítico Antonio Abad, autor do livro "Armando Sendín: la génesis del instante", aproximar-se da obra de Sendin é aproximar-se de uma dualidade, pois seu procedimento artístico abarca duas direções: o realismo e o abstrato. O próprio artista contestava ser classificado apenas como realista, explicando que era um "instantista", pois retratava um instante fugidio da realidade, um fragmento da mesma e não a realidade em si, como faziam os hiper-realistas norte-americanos.

Em 1965, publicou um livro didático intitulado "Cerâmica Artística: Técnicas de Decoração", pela Editora Folco Masucci, com 165 páginas, 7 fotografias coloridas e 66 desenhos, que se tornou uma importante referência na área.

Em 1982, recebeu o Prêmio Ribeiro Couto como destaque do ano em Artes Plásticas. Ao longo de sua carreira, também recebeu diversos outros prêmios em salões de arte, como o Prêmio Unesco no 7º Gran Prix International D'Art Contemporain em Mônaco (1971), o Prêmio Santos Dumont na 12ª Bienal Internacional de São Paulo (1973) e o prêmio aquisição na 13ª Bienal Internacional de São Paulo (1975).

Em 2014, doou parte significativa de seu acervo à Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, composto por 127 quadros e 51 cerâmicas, obras que representam cada fase da sua trajetória profissional.

Suas obras podem ser vistas no Palácio do Itamaraty, Museu do Artista Brasileiro em Brasília, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte de São Paulo - MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Fundação Armando Álvares Penteado, Acervo FIEO, Osasco, São Paulo, Coleção da União Panamericana de Washington D.C., Houston University no Texas, dentre outros.

Estilo e Contribuição Artística

Armando Moral Sendin é reconhecido como um dos principais representantes do realismo brasileiro, embora seu trabalho transcendesse as limitações dessa classificação. Seu estilo único, que ele mesmo chamava de "instantismo", captava momentos fugazes da realidade com uma precisão técnica extraordinária, criando obras que parecem fotografias mas possuem a sensibilidade e a interpretação pessoal do artista.

Sua obra é marcada por uma dualidade interessante: ao mesmo tempo em que produzia trabalhos de intenso realismo, também desenvolvia obras abstratas, demonstrando sua versatilidade como artista. Essa característica dual constitui a essência de seu compromisso estético.

Entre os temas recorrentes em suas obras estão nus femininos, formas geométricas, animais e cenários cotidianos tratados com extraordinária atenção aos detalhes. Críticos destacam sua habilidade em representar elementos como fios de cabelo, marcas naturais da pele, transparência de roupas, além da perspectiva e o tratamento dado para criar profundidade.

Sua formação eclética e suas pesquisas em cerâmica, junto a mestres europeus, também influenciaram sua abordagem técnica, resultando em um trabalho de excelência tanto em pintura quanto em cerâmica.

Legado

Armando Moral Sendin deixou um legado cultural significativo para a arte brasileira. Suas obras estão presentes em importantes coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, e sua técnica meticulosa e visão artística continuam a influenciar artistas contemporâneos.

A doação de grande parte de seu acervo à Pinacoteca Benedicto Calixto em 2014 garantiu que seu trabalho permanecesse acessível ao público, permitindo que novas gerações conheçam e apreciem sua contribuição para a arte brasileira.

Seu painel de azulejos na Biquinha de Anchieta, em São Vicente, permanece como um marco histórico e cultural da região, enquanto seu livro "Cerâmica Artística" continua sendo uma referência importante para artistas e estudantes de cerâmica.

Exposições Exposições Individuais 1960 - São Paulo SP - Primeira individual, no Clube dos Artistas de São Paulo 1970 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Zegri Gallery 1972 - Nova York (Estados Unidos) - Individual, na Iramar Gallery 1973 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Documenta 1974 - Washington (Estados Unidos) - Individual, na Galeria da União Pan Americana 1978 - Sevilha (Espanha) - Individual, no Museu de Arte Contemporânea de Sevilha 1979 - Madri (Espanha) - Individual, na Galeria Propac 1981 - Paris (França) - Individual, na Galerie Liliane François 1983 - Paris (França) - Individual, na Galerie Liliane François 1985 - São Paulo SP - Armando Sendin: brincar, flanar, na Galeria de Arte André 1987 - Paris (França) - Individual, na Galerie Liliane François 1988 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte André 1995 - São Paulo SP - Individual, na Galeria de Arte André Exposições Coletivas 1951 - Paris (França) - Salão de Pintores, Escultores e Gravadores da École Nationale Supérieure des Beaux-Arts 1958 - São Paulo SP - 7º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia 1966 - São Paulo SP - 15º Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia 1967 - Campinas SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MACC 1967 - Santos SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de Santos - Prêmio Prefeitura Municipal 1967 - São Caetano do Sul SP - Salão de São Caetano - prêmio aquisição 1967 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Arte Moderna 1967 - São Paulo SP - 9ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal 1967 - São Paulo SP - Mostra Roma e a Campanha Romana, no Auditório Itália - 1º prêmio em pintura 1968 - Campinas SP - 4º Salão de Arte Contemporânea de Campinas, no MACC 1968 - Curitiba PR - 25º Salão Paranaense, na Biblioteca Pública do Paraná 1968 - Ouro Preto MG - 2º Salão de Ouro Preto - Prêmio Hidrominas 1968 - Rio de Janeiro RJ - 17º Salão Nacional de Arte Moderna, na MAM/RJ 1968 - Santo André SP - 1º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - Prêmio Prefeitura de Santo André 1968 - Santos SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Santos - Prêmio Citibank 1968 - São Paulo SP - 17º Salão Paulista de Arte Moderna 1969 - Curitiba PR - 26º Salão Paranaense, na Federação das Indústrias do Estado do Paraná 1969 - Santo André SP - 2º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - Prêmio Cidade de Santo André 1969 - São Caetano do Sul SP - Salão de São Caetano - Prêmio Cidade de São Caetano 1969 - São Paulo SP - 10ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal 1969 - São Paulo SP - 18º Salão Paulista de Arte Moderna 1969 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no Masp 1969 - São Paulo SP - Salão de Arte da Pinacoteca do Estado - prêmio aquisição 1970 - Santo André SP - 3º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal - 1º prêmio 1970 - São Paulo SP - 19º Salão Paulista de Arte Moderna 1971 - Mônaco (Mônaco) - 7º Gran Prix International D'Art Contemporain - Prêmio Unesco 1971 - Santos SP - Bienal de Santos - prêmio aquisição 1971 - São Paulo SP - 11ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal 1971 - São Paulo SP - 20º Salão Paulista de Arte Moderna 1972 - São Paulo SP - 21º Salão Paulista de Arte Moderna 1973 - Santos SP - Bienal de Santos - 1º prêmio 1973 - São Paulo SP - 12ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal - Prêmio Santos Dumont 1973 - São Paulo SP - 22º Salão Paulista de Arte Moderna 1973 - São Paulo SP - 5º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP 1975 - São Paulo SP - 13ª Bienal Internacional de São Paulo - prêmio aquisição 1976 - São Paulo SP - 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP 1977 - São Paulo SP - 14ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal 1978 - Rio de Janeiro RJ - 18ª Arte e Pensamento Ecológico, na Biblioteca Euclides da Cunha 1978 - São Paulo SP - 16ª Arte e Pensamento Ecológico, na Cetesb 1979 - São Paulo SP - 11º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP 1979 - São Paulo SP - 15ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal 1979 - São Paulo SP - 4ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão 1980 - Espanha - 1º Certamen Internacional de Pintura - Prêmio Cemesa 1980/1988 - Paris (França), Joinville (Brasil) e San Francisco (Estados Unidos) - Participa anualmente da mostra Figuration Critique 1981 - São Paulo SP - 5ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão 1982 - Japão - Exposição da Fundação Mokiti Okada 1982 - Paris (França) - Salon Comparaisons, no Grand Palais 1983 - Atami (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão 1983 - Kyoto (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão 1983 - Rio de Janeiro RJ - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no MNBA 1983 - São Paulo SP - 14º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP 1983 - São Paulo SP - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, no Masp 1983 - Tóquio (Japão) - 6ª Exposição de Belas Artes Brasil-Japão 1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal 1986 - Paris (França) - Salon Comparaisons, no Grand Palais 1987 - Japão - Exposição da Fundação Mokiti Okada 1987 - Paris (França) - Salon Comparaisons, no Grand Palais 1987 - São Paulo SP - 20ª Exposição de Arte Contemporânea, Chapel Art Show 1988 - São Paulo SP - 15 Anos de Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, na Fundação Mokiti Okada M.O.A. 1991 - Santos SP - 3ª Bienal Nacional de Santos, no Centro Cultural Patrícia Galvão 1993 - Santo André SP - 21º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, no Paço Municipal 1993 - Santos SP - 4ª Bienal Nacional de Santos, no Centro Cultural Patrícia Galvão 1996 - Osasco SP - 3ª Mostra de Arte, no Centro Universitário Fieo 2001 - São Paulo SP - 4 Décadas, na Nova André Galeria 2005 - São Paulo SP - Acervo 2005, no MAB/Faap

Ligações externas