Trigona é um gênero de abelhas sem ferrão da tribo Meliponini, descrito por Jurine em 1807. As espécies deste gênero ocorrem principalmente na região neotropical, desde o México até a Argentina, com grande diversidade na América do Sul. Espécies de Trigona são conhecidas por seu comportamento defensivo agressivo e pela ausência de ferrão funcional.
Estudos taxonômicos recentes resultaram em revisões no gênero, com a transferência de diversas espécies anteriormente atribuídas a Trigona para outros gêneros da tribo Meliponini.
As espécies de Trigona são altamente eusociais e formam colônias organizadas com divisão de trabalho entre operárias, rainhas e machos. Constroem seus ninhos em cavidades naturais, como troncos de árvores, ou em estruturas protegidas, utilizando uma mistura de cera e resinas vegetais.
alt=|direita|miniaturadaimagem|Colônia de trigona sp.
Algumas espécies apresentam necrofagia obrigatória, coletando material de animais em decomposição em vez de néctar ou pólen. Esse comportamento é extremamente raro entre as abelhas e se limita a poucas espécies dentro do gênero, como a Trigona hypogea.
alt=|direita|miniaturadaimagem|Existem diversas espécies do gênero Trigona. Na imagem, uma amostra de três espécies encontradas no Brasil, com diferenças morfológicas visíveis.
Espécies Até o momento, o gênero possui cerca de 37 espécies válidas, incluindo seis espécies recentemente descritas (2023–2024).
Ilustração Espécie Nome comum Distribuição Autor 100px Trigona albipennis Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru Almeida, 1995 100px Trigona almeidae Brasil Ribeiro, Nogueira & Oliveira, 2024 100px Trigona amalthea Jandaíra-preta Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname, Trinidad e Tobago e Venezuela (Olivier, 1789) 100px Trigona amazonensis corta-pelo, xupé-grande Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru (Ducke, 1916) 100px Trigona branneri topoé-negra, abelha-corta-cabelo Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Venezuela Cockerell, 1912 100px Trigona braueri abelha-cachorro Brasil Friese, 1900 100px Trigona chanchamayoensis arapuá-amarelo Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru Schwarz, 1948 100px Trigona cilipes Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Panamá, Peru, Suriname e Venezuela (Fabricius, 1804) 100px Trigona corvina México, Belize, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Panamá Cockerell, 1913 100px Trigona crassipes Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru e Suriname (Fabricius, 1793) 100px Trigona daianeae Brasil Ribeiro, Nogueira, Oliveira & Oliveira, 2023 100px Trigona dallatorreana arapuá-vermelho Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela Friese, 1900 100px Trigona dimidiata Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru Smith, 1854 100px Trigona ferricauda Colômbia, Costa Rica, Equador e Panamá Cockerell, 1917 100px Trigona fulviventris abelha-cu-de-vaca México, Belize, Brasil, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá Guérin, 1844 100px Trigona fuscipennis currunchus, mapaitero México, Belize, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá Friese, 1900 100px Trigona guianae cu-de-vaca-vermelha Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela Cockerell, 1910 100px Trigona hyalinata guaxupé Bolívia, Brasil e Paraguai (Lepeletier, 1836) 100px Trigona hypogea Abelha-abutre Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru Silvestri, 1902 100px Trigona juvenili Brasil Ribeiro, Nogueira, Oliveira & Oliveira, 2023 100px Trigona mandaloriana Brasil Ribeiro, Nogueira, Oliveira & Oliveira, 2023 100px Trigona muzoensis Muzo Colômbia, Costa Rica, Honduras e Panamá Schwarz, 1948 100px Trigona necrophaga abelha-carniceira Costa Rica e Panamá Camargo & Roubik, 1991 100px Trigona nigerrima México, Belize, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras e Panamá Cresson, 1878 100px Trigona pallens olho-de-vidro Brasil, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Peru e Suriname (Fabricius, 1798) 100px Trigona pampana Peru Strand, 1910 100px Trigona pellucida Brasil Cockerell, 1912 100px Trigona permodica Guiana Francesa, Guiana, Peru e Suriname Almeida, 1995 100px Trigona recursa feiticeira Bolívia, Brasil, Equador, Guiana e Peru Smith, 1863 100px Trigona rondoniensis Brasil Ribeiro, Nogueira & Oliveira, 2024 100px Trigona sesquipedalis Brasil, Guiana Francesa Almeida, 1984 100px Trigona silveirai Brasil Oliveira, Engel, Rasmussen, Ribeiro & Urban, 2024 100px Trigona silvestriana México, Belize, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá e Peru (Vachal, 1908) 100px Trigona spinipes arapuá, irapuá Argentina, Brasil, Colômbia, Guiana, Paraguai e Peru (Fabricius, 1793) 100px Trigona truculenta sanharão Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru Almeida, 1984 100px Trigona venezuelana Venezuela Schwarz, 1948 100px Trigona williana Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela Friese, 1900
Ecologia
As abelhas do gênero Trigona (tribo Meliponini) são polinizadores-chave nos ecossistemas tropicais e subtropicais da América, onde desempenham um papel ecológico fundamental semelhante ao das abelhas melíferas.GRÜTER, C. Stingless Bees: Their Behaviour, Ecology and Evolution. Springer, 2020. ISBN 978-3-030-60025-9. São eusociais, formando colônias perenes com milhares de indivíduos, e contribuem significativamente para a polinização de uma ampla variedade de plantas silvestres e cultivadas.
Habitat e distribuição O gênero Trigona distribui-se principalmente no Neotrópico, desde o sul do México até o norte da Argentina, incluindo ilhas do Caribe.MICHENER, Charles D. The Bees of the World. 2ª ed. Johns Hopkins University Press, 2007. Habitam florestas tropicais úmidas, selvas, áreas perturbadas, bordas de cultivos e ambientes urbanos. A maioria das espécies nidifica em cavidades preexistentes, como troncos ocos de árvores, fendas em rochas, paredes de construções ou ninhos abandonados de formigas e cupins. Algumas constroem ninhos expostos em ramos ou palmeiras. Os ninhos são elaborados principalmente com cerume (mistura de cera e resinas) e geoprópolis.ROUBIK, David W. Stingless bee nesting biology. Apidologie, v. 37, n. 2, p. 124–143, 2006.
Comportamento de forrageamento e polinização As operárias de Trigona coletam néctar, pólen e resinas. Algumas espécies, como Trigona hypogea, são necrófagas obrigatórias e alimentam-se de matéria orgânica em decomposição, sendo uma das únicas abelhas conhecidas com esse comportamento. Muitas espécies utilizam recrutamento em massa por meio de feromônios para explorar fontes de alimento de forma eficiente. Devido ao seu pequeno tamanho, podem polinizar flores pequenas às quais outros polinizadores maiores não têm acesso, atuando como polinizadores generalistas eficazes em cultivos como abacate, café e melão.
Interações ecológicas Atuam como competidoras e presas dentro da teia alimentar. Defendem seus ninhos por meio de comportamentos defensivos. Sua atividade favorece a biodiversidade vegetal ao promover a reprodução cruzada de diversas espécies. No entanto, são muito sensíveis à desmatamento, ao uso de agroquímicos e às mudanças climáticas.
Importância para a conservação Em diversas comunidades da América Latina, espécies de Trigona são tradicionalmente manejadas por meio da meliponicultura, devido à produção de mel, pólen e própolis com usos medicinais. Sua conservação é considerada prioritária, em razão do importante papel que desempenham como polinizadores tanto em ecossistemas naturais quanto em sistemas agrícolas.
Distribuição As espécies do gênero Trigona ocorrem principalmente na região neotropical, desde o México até a Argentina, incluindo grande diversidade na América Central e América do Sul.
Ver também Lista de abelhas sem ferrão do Brasil
Ligações externas Discover Life - Trigona
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