A PARSUK, sigla de Portuguese Association of Researchers and Students in the United Kingdom, é uma organização sem fins lucrativos, independente e sem afiliação política, fundada em 2008, que reúne estudantes, investigadores e trabalhadores pós-graduados portugueses no Reino Unido.
A associação está registada em Portugal e tem sede em Londres, desenvolvendo atividade nas quatro nações do Reino Unido. Dirige-se a estudantes, investigadores e diplomados portugueses de todas as áreas do conhecimento e declara como missão promover a integração, a colaboração e o desenvolvimento dos seus membros no país de acolhimento, através da organização de eventos, de oportunidades de formação e de ações de diplomacia científica.
Desde 2019, mantém um protocolo com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) destinado a promover a diplomacia científica entre os dois países e a aproximar as respetivas comunidades científicas.
História
A PARSUK foi fundada em 2008 por um grupo de portugueses que então realizava investigação nas universidades de Oxford e de Cambridge, tendo surgido em torno do Luso, o encontro anual da comunidade académica portuguesa no Reino Unido.
Em 2013, o encontro anual realizou-se no Departamento de Engenharia Química da Universidade de Cambridge, na sua sétima edição, subordinado ao tema Frameworks for the Future e com a participação de convidados como José Mariano Gago, antigo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, e Miguel Seabra, então presidente da FCT.
Em janeiro de 2019, a associação contava com cerca de 1500 membros e acompanhava o processo do saída do Reino Unido da União Europeia, procurando esclarecer os associados sobre as suas implicações.
A 1 de junho de 2019, à margem do Luso 2019, o Governo português assinou em Londres, através da FCT, um protocolo de colaboração com a PARSUK para o desenvolvimento da diplomacia científica. O então ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, descreveu o modelo como alternativa à colocação de adidos científicos nas embaixadas, assente na rede de portugueses instalados em instituições estrangeiras; o protocolo previa financiamento para a dinamização de eventos e para a criação de um conselho científico. O ministro manifestou ainda a intenção de estender o modelo a associações congéneres em França, na Alemanha, nos Estados Unidos e no Canadá.
Em fevereiro de 2021, o jornal Público assinalou os treze anos de atividade da associação enquanto ponto de contacto para estudantes e investigadores portugueses chegados ao Reino Unido.
Em 2022, a associação declarava 2300 membros. Nesse ano, depois de duas edições em formato virtual motivadas pela pandemia de COVID-19, o encontro anual regressou ao formato presencial em Londres, com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato.
Em 2023, a associação assinalou quinze anos de atividade, dedicando o encontro desse ano à revisão do trabalho realizado desde 2008 e ao contributo para as relações entre Portugal e o Reino Unido.
Em outubro de 2025, a associação manifestou preocupação com a anunciada extinção da FCT e a sua integração, juntamente com a Agência Nacional de Inovação, na Agência de Investigação e Inovação (AI2), invocando o eventual impacto nas relações bilaterais e a incerteza quanto à continuidade do protocolo de diplomacia científica e do programa de bolsas. Nessa ocasião, a presidente Catarina Liberato anunciou a preparação de um estudo sobre a reorganização do sistema britânico de financiamento à ciência ocorrida com a criação da UK Research and Innovation.
Organização
Os órgãos sociais da PARSUK são a Comissão Executiva, responsável pela gestão corrente, o Conselho Fiscal, incumbido da supervisão da gestão financeira, e a Mesa da Assembleia Geral, que convoca e dirige os trabalhos da assembleia geral, órgão decisor máximo da associação. Os estatutos em vigor foram aprovados em assembleia geral em 2025.
A estrutura executiva é composta por voluntários e organiza-se em equipas temáticas. A comissão apresentada para 2025 integrava, além da presidência, do tesoureiro e da coordenação executiva e de estratégia, as equipas de Membros e Iniciativas, de Diplomacia Científica e Política Externa, e de Comunicação e Divulgação, bem como a coordenação de embaixadores, a assessoria de Diversidade, Equidade e Inclusão e a coordenação de eventos. A composição da comissão executiva é renovada anualmente e divulgada no início de cada ano.
Entre os presidentes da associação contam-se Luís Miguel Lacerda, em funções em 2019, Diogo Martins, que liderou a associação entre 2023 e 2024, e Catarina Liberato, que assumiu a presidência da direção em 2025.
A associação dispõe de um conselho científico, formado por cerca de dez investigadores portugueses com posições de relevo em instituições britânicas e com especialização em domínios como a saúde mental, a inteligência artificial ou a inovação e tecnologia. Mantém igualmente um programa de embaixadores, constituído por voluntários dispersos por Inglaterra, pela Escócia, pelo País de Gales e pela Irlanda do Norte, que asseguram a representação local da rede.
O recrutamento de novos colaboradores é feito por convite público à diáspora portuguesa no Reino Unido, em regime de voluntariado.
Membros
A adesão está aberta a estudantes, investigadores e diplomados portugueses com ligação ao ensino superior em Portugal ou no Reino Unido, incluindo quem planeie deslocar-se para o país. Os membros abrangem desde estudantes de licenciatura a académicos e investigadores estabelecidos, bem como profissionais que exercem atividade fora do meio académico.
O número de associados aumentou ao longo do tempo: cerca de 1500 em 2019, 2300 em 2022, e perto de 3000 em outubro de 2024, segundo o então presidente. Em 2025, a rede era estimada em cerca de dois mil membros. O sítio oficial refere uma rede de mais de dois mil membros.
Atividades
Encontro anual Luso
O Luso é o encontro anual da associação e apresenta-se como o maior evento da comunidade académica e científica portuguesa no Reino Unido, reunindo conferências, painéis de debate, sessões de networking e concursos de comunicação de ciência.
A edição de 2022, realizada a 4 de junho em Londres sob o título «PARSUK para todos: unidos para o conhecimento», incidiu sobre o valor social da ciência e incluiu sessões sobre carreiras científicas fora da academia, educação e comunicação de ciência, desinformação científica e as relações entre arte e ciência. Entre os oradores estiveram o embaixador de Portugal no Reino Unido, Nuno Brito, a cônsul-geral em Londres, Cristina Pucarinho, o vice-presidente da FCT, João Paulo Esperança, e o físico Carlos Fiolhais.
O Luso 2023 decorreu a 28 de outubro em Londres e destinou-se a assinalar os quinze anos da associação, com sessões sobre o contexto da sua criação, as novas formas de trabalho remoto e o papel dos membros em áreas como a sustentabilidade e a inovação. O programa incluiu um concurso de comunicação de ciência, em que os candidatos apresentavam o respetivo projeto de investigação em três minutos, com um prémio de 500 libras.
O Luso 2024 realizou-se a 19 de outubro em Londres, sob o tema «(R)Evolução: Meio Século de Transformação», tomando como mote os cinquenta anos da Revolução de 25 de Abril de 1974. Reuniu mais de 120 participantes e contou, entre outros, com a secretária de Estado da Ciência, Ana Paiva, o antigo ministro da Ciência Manuel Heitor e o embaixador Nuno Brito.
O Luso 2025 teve lugar a 18 de outubro em Londres, subordinado ao tema «Horizontes Plurais: A diversidade como catalisador de colaboração», com painéis sobre diversidade, igualdade e inclusão em contextos organizacionais e sobre os impactos sociais e éticos da falta de diversidade no desenvolvimento e aplicação da inteligência artificial.
Programas de bolsas
A PARSUK promove anualmente programas de bolsas destinados a facilitar o intercâmbio de experiência e de conhecimento entre Portugal e o Reino Unido.
Bilateral Research Fund
O Bilateral Research Fund (BRF) é um concurso anual dirigido a investigadores doutorados e em início de carreira, que atribui financiamento até 3000 euros para atividades de investigação colaborativa e mobilidade científica. O candidato principal deve estar afiliado a uma instituição de investigação em Portugal ou no Reino Unido e, pelo menos, um dos co-investigadores tem de estar sediado no país parceiro.
O programa é financiado pela FCT, que desde 2020 apoia um conjunto anual de cinco bolsas, tendo contado em determinadas edições com o apoio adicional da Embaixada Britânica em Lisboa e da UK Science and Innovation Network. O concurso beneficiou igualmente de financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito do investimento «Ciência Mais Capacitação».
Bolsa PARSUK e programa Xperience
A Bolsa PARSUK destina-se a estudantes de primeiro e segundo ciclos do ensino superior inscritos em instituições portuguesas, de todas as áreas do conhecimento, e permite realizar um estágio, um projeto académico ou um trabalho de investigação numa universidade ou centro de investigação britânico, sob orientação de um membro da associação. O apoio corresponde a 1500 euros para o bolseiro e, na edição de 2024, a 250 euros para o orientador.
Na edição de 2023, o programa esteve reservado a estudantes de instituições com protocolo em vigor com a associação, previa uma duração máxima de seis meses e foi financiado pela Caixa Geral de Depósitos, com apoio da plataforma RUMO.
Em edições anteriores, o programa foi designado Xperience e destinava-se ao desenvolvimento de um projeto de investigação com a duração de quatro semanas durante o verão, também com o valor de 1500 euros por bolsa; a edição de 2021 atribuiu duas bolsas, com apoio da Caixa Geral de Depósitos.
Diplomacia científica
A diplomacia científica constitui uma das linhas de ação da associação, formalizada no protocolo celebrado com a FCT em 2019 e destinada a aproximar as comunidades científicas portuguesa e britânica.
No Luso 2024, a PARSUK apresentou ao embaixador de Portugal em Londres a proposta de produzir «telegramas científicos», documentos breves de periodicidade trimestral com informação sobre desenvolvimentos da ciência britânica considerados de interesse para Portugal, incluindo atualizações setoriais, oportunidades de financiamento e identificação de potenciais parceiros. A iniciativa, elaborada pelo conselho científico da associação, visava suprir a ausência de um adido científico na embaixada.
A associação participa ainda em iniciativas conjuntas com congéneres europeias. Em maio de 2023 integrou, como parceira, a organização do primeiro evento EU Research in London, promovido pela Society of Spanish Researchers in the United Kingdom em colaboração com o Gabinete de Ligação do Parlamento Europeu no Reino Unido e com associações de investigadores italianos, polacos, finlandeses, neerlandeses e franceses.
Parcerias e apoios
A PARSUK conta com o apoio institucional da Embaixada de Portugal em Londres e identifica como patrocinadores a Caixa Geral de Depósitos, a Fundação Calouste Gulbenkian, a UK Science and Innovation Network e a Embaixada Britânica em Lisboa. Entre os parceiros figuram, entre outros, a FCT, o Instituto Camões, o British Council, a Ciência Viva, a AICEP Portugal Global, o Millennium BCP e a Native Scientist.
A associação mantém também protocolos com instituições de ensino superior portuguesas, que condicionam o acesso de estudantes a alguns dos seus programas de bolsas.
Reconhecimento e cobertura mediática
A atividade da associação tem sido acompanhada pela imprensa portuguesa e pelos órgãos de comunicação dirigidos às comunidades portuguesas no estrangeiro, incluindo programas de televisão da RTP vocacionados para a diáspora.