Rebeca Rodrigues de Andrade (Guarulhos, 8 de maio de 1999) é uma ginasta artística brasileira, bicampeã olímpica e a maior medalhista da história do Brasil nos Jogos Olímpicos, com 6 medalhas (2 ouros, 3 pratas e 1 bronze). Também foi bicampeã mundial no salto (2021 e 2023) e campeã mundial individual geral de 2022.

Nos Jogos Olímpicos de 2020, Rebeca conquistou a primeira medalha feminina da ginástica brasileira e também latino-americana com a prata no individual geral, e com o ouro no salto, sendo a primeira atleta brasileira a ganhar duas medalhas numa mesma edição das Olimpíadas. Nos Jogos Olímpicos de 2024, Rebeca se tornou a atleta olímpica nacional com mais medalhas nos Jogos, após conquistar o bronze por equipes, a prata no individual geral e no salto, e o ouro no solo. Tornou-se também a primeira brasileira bicampeã olímpica em prova individual.

Em 2021, ampliou seus feitos históricos no Mundial realizado em Kitakyushu, onde se tornou a primeira brasileira a conquistar duas medalhas em uma única edição do torneio, levando o ouro no salto e prata nas barras. Em 2022, se tornou a primeira brasileira a conquistar o ouro na categoria individual geral, feito que também a tornou a primeira a ser campeã mundial em duas categorias distintas (AA, VT). Em 2023, fez parte da equipe brasileira que ganhou a primeira medalha para o país na Ginástica em campeonatos mundiais, na Antuérpia, sendo a primeira seleção sul-americana a realizar tal feito, e se tornou a mais premiada ginasta no país em mundiais com suas sexta, sétima, oitava e nona medalhas, ao conquistar o campeonato no salto, vice-campeonato no individual geral e no solo, e bronze na trave no mesmo ano, além de ter sido a primeira no país a conquistar pelo menos uma medalha em cada uma das finais em campeonatos mundiais, e a 11ª ginasta feminina no mundo a realizar tal feito.

Em 2025, recebeu em Madri, na Espanha, o Laureus World Sports Awards, considerado o "Oscar do Esporte", tornando-se a primeira mulher brasileira a ser laureada com o prêmio.<ref name=":11"</ref

Vida pessoal Rebeca e seus sete irmãos foram criados por sua mãe solo, Rosa, que trabalhou como faxineira para poder pagar pelo treinamento da filha. O irmão mais velho de Rebeca era encarregado de levá-la de casa aos treinos, percurso que demorava duas horas a pé, até conseguirem uma bicicleta. De acordo com Andrade, o apoio de sua família foi fundamental para chegar ao nível de elite do esporte.

A atleta passou por três cirurgias de reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho direito.

Andrade ganhou status de celebridade em terras brasileiras após seus feitos nas Olimpíadas de Tóquio, participando de programas de televisão como o Altas Horas e o Saia Justa. Em outubro de 2021, ela foi capa da edição brasileira da revista Vogue. No mesmo ano, foi congratulada com o Prêmio Brasil Olímpico como melhor atleta feminina do ano.

Em 2024, foi uma das personalidades centrais do documentário Singulares, dirigido por Patrícia Travassos e produzido pela Prosa Press, que explora trajetórias marcadas pela autenticidade e diversidade.

A ginasta trabalhou com uma psicóloga esportiva por iniciativa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), e a terapia a incentivou a se matricular na faculdade de Psicologia.

A ginasta Rebeca Andrade assumiu publicamente o namoro com a empresária Gisele em julho de 2026. A oficialização ocorreu por meio de um vídeo romântico publicado no TikTok, onde as duas aparecem ao som da música "Numa Ilha", de Marina Sena, finalizando com um beijo no rosto. A atleta não assumia um relacionamento publicamente desde o fim do noivado com o fisiculturista Luiz Cleiton, com quem manteve união entre 2022 e 2024..

Carreira Juvenil Início de carreira Rebeca começou a treinar aos quatro anos no Ginásio Bonifácio Cardoso, em um projeto social de iniciação ao esporte da prefeitura de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, após incentivo de sua tia, por conta da disposição natural da jovem em treinar truques em casa. Ainda criança, ficou conhecida como a "Daianinha de Guarulhos" em alusão a Daiane dos Santos, uma de suas ídolos na ginástica, com quem chegou a treinar em 2009.

Aos dez anos, Rebeca mudou-se sozinha para Curitiba, no Paraná, para conseguir melhores condições de treino, e, um ano depois, em 2011, mudou-se para o Rio de Janeiro para tornar-se atleta do Clube de Regatas do Flamengo, clube onde permanece até a atualidade.

2012 Andrade fez sua estreia internacional aos treze anos de idade no Campeonato Pan-Americano de Ginástica Artística de 2012, realizado em Medellín, na Colômbia, onde conquistou, ao lado da seleção brasileira, uma medalha de prata no evento por equipes. Além da prova coletiva, conquistou, nas disputas individuais, medalha de ouro nas provas de individual geral, salto e solo, além de um bronze na trave. Em seguida, no Campeonato Sul-Americano Júnior em Cochabamba, na Bolívia, a ginasta conquistou ouros nas disputas por equipe e individual geral. Em sua estreia em uma disputa doméstica no nível elite, Rebeca tornou-se campeã do Troféu Brasil de Ginástica Artística, superando ginastas de renome no cenário nacional, como Jade Barbosa e Daniele Hypólito.

2013 Andrade manteve o sucesso na sua carreira júnior no ano seguinte, iniciando a temporada com mais um ouro na categoria individual no Nadia Comăneci Invitational em Oklahoma City, nos Estados Unidos. Em agosto, novamente ajudou a equipe brasileira a conquistar uma medalha de ouro no Campeonato Sul-Americano Júnior, além de ter ganhado ouro individual no salto e nas barras assimétricas, prata na trave, atrás apenas da brasileira Flávia Saraiva, e bronze na categoria individual geral, atrás das brasileiras Lorrane Oliveira e Flávia.

Em novembro, a atleta participou da Gimnasíada, em Brasília, na qual fez parte da equipe brasileira que conquistou o vice-título atrás da Rússia. Rebeca conquistou o bronze na competição individual geral, atrás da russa Alla Sosnitskaya e da brasileira Flávia Saraiva. Nas finais por aparelho, ela conquistou medalha de ouro no salto, mas o sexto lugar na prova de solo

2014 No ano de 2014, teve uma fratura no dedão do pé a tirou dos Jogos Olímpicos de Verão da Juventude de 2014, realizado em Nanquim, na China, onde foi substituída por Flávia Saraiva, e encerrou a sua temporada prematuramente.

Sênior 2015 Em abril de 2015, Rebeca estreou nas competições adultas internacionais na Copa do Mundo de Ginástica, em Ljubljana, na Eslovênia, onde competiu nas finais das paralelas assimétricas, ficando em terceiro lugar com 12,800 pontos e conquistando a medalha de bronze. Contudo, em junho, um rompimento no ligamento cruzado anterior do joelho direito impediu sua participação nos Jogos Pan-Americanos de 2015, realizado em Toronto no Canadá, e sua estreia no Campeonato Mundial, que ocorreu em Glasgow, na Escócia.

2016 No ano de 2016, Andrade retornou à competição após a cirurgia no joelho e conquistou cinco medalhas no circuito da Copa do Mundo, além de competir em sua primeira edição de Jogos Olímpicos de Verão na edição de 2016, realizada no Rio de Janeiro - cidade em que treina e reside desde 2011.

esquerda|miniaturadaimagem|250px|Andrade durante final por equipes da ginástica artística feminina nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Seu retorno aconteceu no Trofeo di Jesolo, onde a ginasta competiu apenas nas barras assimétricas, trave de equilíbrio e salto sobre a mesa. Ela contribuiu para que a equipe brasileira conquistasse a medalha de prata, ficando atrás da equipe dos Estados Unidos, que contou com a participação de Gabrielle Douglas e Aly Raisman. Classificou-se para a final das barras assimétricas, onde terminou em oitavo lugar. Em seguida, competiu na etapa da Copa do Mundo de Doha e conquistou a medalha de prata nas barras assimétricas, ficando atrás da ginasta sueca Jonna Adlerteg.

Foi selecionada para competir no Evento-Teste Olímpico ao lado das atletas Jade Barbosa, Daniele Hypólito, Lorrane Oliveira, Carolyne Pedro e Flávia Saraiva, na tentativa de qualificar o Brasil para os Jogos Olímpicos. Andrade competiu apenas no salto sobre a mesa e nas barras assimétricas, realizando um salto duplo twist Yurchenko e uma passagem limpa nas barras assimétricas. A equipe brasileira conquistou a medalha de ouro no evento por equipes e garantiu uma vaga na disputa por equipes para os Jogos Olímpicos de 2016. Individualmente, ela classificou-se para a final das barras assimétricas, onde conquistou a medalha de bronze, ficando atrás das alemãs Elisabeth Seitz e Sophie Scheder.

Em seguida, ela competiu na etapa da Copa do Mundo de Ginástica em São Paulo, onde classificou-se para as finais das barras assimétricas e trave de equilíbrio. Na final das barras assimétricas, empatou com a alemã Kim Bui e conquistou a medalha de prata. No dia seguinte, na trave de equilíbrio, ela conquistou a medalha de bronze, ficando atrás de sua compatriota Daniele Hypólito e da chilena Simona Castro. Posteriormente, competiu a Copa do Mundo de Anadia, em Portugal, onde conquistou duas medalhas de prata na trave de equilíbrio e no exercício de solo, ambas atrás de sua companheira de equipe, Flavia Saraiva.

Após a etapa da Copa do Mundo de Anadia, Andrade foi selecionada para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, ao lado de Jade Barbosa, Daniele Hypólito, Lorrane Oliveira e Flavia Saraiva. Sua última competição de preparação para as Olimpíadas foi um torneio amistoso que ocorreu na Holanda em julho, onde ela empatou com a ginasta holandesa Eythora Thorsdottir e conquistou a medalha de ouro na disputa individual geral.

Nas Olimpíadas de 2016, disputadas no Rio de Janeiro, Andrade teve um desempenho satisfatório na fase de qualificação e ajudou o Brasil a se classificar para a final por equipes em quinto lugar. Também classificou-se individualmente para a final do individual geral em terceiro lugar, com uma pontuação total de 58,732, ficando atrás apenas das ginastas americanas Simone Biles, Aly Raisman e Gabrielle Douglas. Na final por equipes, contudo, Andrade teve uma queda na prova de solo, e a equipe brasileira terminou em oitavo lugar. No individual geral, terminou em décimo primeiro lugar, com uma pontuação total de 56,965.

Após as Olimpíadas, Andrade competiu no Campeonato Brasileiro em novembro. A atleta ajudou a equipe do Flamengo na conquista do ouro por equipes. Nas disputas individuais, conquistou a medalha de ouro no individual geral, barras assimétricas e trave de equilíbrio, e a medalha de prata no solo, ficando atrás de Thais Fidelis.

2017 Rebeca mais uma vez começou sua temporada no Trofeo di Jesolo, onde a equipe brasileira conquistou a medalha de prata, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Andrade ganhou a medalha de prata no individual geral, atrás da ginasta americana Riley McCusker. Nas finais por aparelhos, ela terminou em quinto lugar nas barras assimétricas, sexto na trave de equilíbrio e quarto no exercício de solo.

No dia 13 de maio de 2017, na etapa da Copa do Mundo de Koper, Eslovênia, Rebeca conquistou sua primeira medalha de ouro nas competições adultas após conquistar a prova de salto sobre a mesa. Posteriormente, no Osijek Challenge Cup, competiu apenas nas barras assimétricas devido a um incômodo no pé direito, mas não se classificou para a final do aparelho, terminando em décimo lugar. Poucas semanas depois, Andrade sofreu uma lesão no tornozelo durante os treinamentos e teve que usar uma bota de proteção por dois meses. Retornou às competições em agosto no Campeonato Brasileiro, onde participou apenas nas barras assimétricas e conquistou a medalha de ouro. Em seguida, ela competiu no Varna Challenge Cup e conquistou a medalha de ouro tanto no salto sobre a mesa quanto nas barras assimétricas.