William Howard Taft (Cincinnati, – Washington, D.C., ) foi um advogado e político norte-americano. Foi o 27.º presidente dos Estados Unidos de 1909 a 1913 e também 10.º juiz-chefe dos Estados Unidos entre 1921 e 1930, a única pessoa na história a ter estado nos dois cargos. Taft foi eleito presidente na eleição de 1908 como o sucessor escolhido de Theodore Roosevelt, porém foi derrotado para reeleição em 1912 por Woodrow Wilson depois de Roosevelt ter saído do Partido Republicano e concorrido como um candidato independente. O presidente Warren G. Harding posteriormente nomeou Taft como juiz-chefe, posição que ocupou até renunciar apenas um mês antes de sua morte.

Taft nasceu dentro de uma família modesta, porém extremamente exigente sobre sucesso. Ele estudou em Yale até 1878, tornando-se em seguida um advogado e depois juiz com menos de trinta anos. Ele continuou com sua rápida ascensão, sendo nomeado advogado-geral e juiz do Tribunal de Apelações. O presidente William McKinley o nomeou em 1901 como governador-geral civil das Filipinas. Taft tornou-se em 1904 o secretário da Guerra de Roosevelt, que pessoalmente o escolheu para ser seu sucessor na presidência. Ele recusou várias ofertas de nomeação para a Suprema Corte dos Estados Unidos, apesar de sua ambição pessoal de tornar-se juiz-chefe, por acreditar que seu trabalho político era mais importante.

Taft enfrentou pouca oposição para garantir a indicação Republicana a presidente em 1908, facilmente derrotando William Jennings Bryan, o candidato do Partido Democrata, na eleição. Na Casa Branca ele focou-se mais na Ásia Oriental do que na Europa e também repetidamente interveio para estabelecer ou remover governos em países latino-americanos. Taft procurou reduzir impostos de comércio, então uma grande fonte de renda governamental, porém o projeto de lei resultante foi muito influenciado por interesses especiais. Seu governo estava cheio de conflitos entre a ala conservadora, da qual Taft frequentemente simpatizava, e a ala progressista, da qual Roosevelt se aproximava cada vez mais. Controvérsias dentro da administração separaram mais os dois homens. O ex-presidente desafiou seu sucessor para renomeação em 1912, porém este usou seu controle do maquinário partidário para ganhar a maioria dos delegados. Roosevelt deixou o partido e Taft ficou com poucas chances de reeleição.

Taft voltou para Yale como professor após deixar a presidência, continuando sua atividade política e trabalhando contra a Primeira Guerra Mundial através da Liga para Reforçar a Paz. Harding o nomeou em 1921 como juiz-chefe. Taft era conservador em questões de negócios, porém durante seu mandato ocorreram avanços nos direitos individuais. Ele renunciou do cargo em fevereiro de 1930 devido problemas de saúde e morreu um mês depois, sendo enterrado no Cemitério Nacional de Arlington. Taft geralmente é avaliado como um presidente mediano em avaliações históricas de ex-presidentes.

Início de vida thumb|upright|left|Taft em 1878. William Howard Taft nasceu em na cidade de Cincinnati, Ohio, o segundo filho entre os seis de Alphonso Taft e sua segunda esposa Louise Torrey. A família Taft não era rica, vivendo em uma casa modesta nos subúrbios do distrito de Mount Auburn. Alphonso trabalhou como juiz, embaixador e no gabinete presidencial de Ulysses S. Grant como secretário da Guerra e procurador-geral.

Taft não era considerado como uma pessoa brilhante quando criança, mas sim como um trabalhador duro; seus pais eram exigentes e incentivavam ele e seus quatro irmãos homens em direção ao sucesso, tolerando nada menos. Taft estudou no Colégio Woodward em Cincinnati. Ele era corpulento e jovial, ficando popular depois de entrar em 1874 na Universidade Yale. Um de seus colegas de classe o descreveu como sendo bem-sucedido através de trabalho duro em vez de ser o mais inteligente, afirmando também que possuía integridade.

Taft formou-se em 1878 como o segundo de uma classe de 121 alunos. Ele cursou a Faculdade de Direito da Universidade de Cincinnati, formando-se em 1880 com um Bacharelado em Direito. Taft trabalhou no jornal The Cincinnati Commercial enquanto ainda estava na universidade. Ele era designado para cobrir tribunais locais e também passava parte de seu tempo estudando direito no escritório de seu pai; ambas as atividades lhe deram conhecimento prático da lei que não era ensinado em aula. Taft foi para a capital estadual Columbus pouco depois de se formar a fim de fazer a prova de admissão na ordem dos advogados, sendo aprovado com facilidade.

Ascensão política Advogado e juiz Taft dedicou-se em tempo integral ao seu trabalho no Commercial após ser admitido na ordem. Murat Halstead, editor do jornal, estava disposto a aceitá-lo permanentemente com um aumento de salário caso abrisse mão do direito, porém Taft recusou. Foi nomeado em outubro de 1880 como assistente do procurador do Condado de Hamilton, assumindo o trabalho em janeiro seguinte. Ele serviu como assistente durante um ano e participou de vários casos rotineiros. Renunciou em janeiro de 1882 depois do presidente Chester A. Arthur lhe ter nomeado Coletor das Receitas Internas pelo Primeiro Distrito de Ohio, a área ao redor de Cincinnati. Taft recusou-se a demitir empregados competentes que não eram favorecidos politicamente, renunciando em março de 1883 e escrevendo a Arthur que desejava praticar direito em sua cidade natal. Ele fez campanha em 1884 por James G. Blaine, o candidato presidencial do Partido Republicano, que acabou derrotado na eleição por Grover Cleveland, o candidato do Partido Democrata.

Taft, então com 27 anos, foi nomeado em 1887 pelo governador Joseph B. Foraker de Ohio para preencher uma vacância no Tribunal Superior de Cincinnati. A nomeação valia por um ano, depois do qual teria de ser confirmada pelos eleitores; ele procurou a eleição em abril de 1888. Taft foi eleito para um mandato completo de cinco anos. Algumas dúzias de suas opiniões como juiz estadual sobreviveram até hoje, a principal sendo Moores & Cia. v. Sindicato dos Pedreiros No. 1 de 1889, principalmente porque foi depois usada contra ele quando concorreu a presidente em 1908. O caso envolvia pedreiros que se recusavam a trabalhar para qualquer firma que lidava com uma companhia chamada Parker Brothers, contra qual estavam em disputa. Taft julgou que as ações do sindicato equivaliam a um boicote secundário, algo ilegal.

Não é claro quando Taft conheceu Helen Herron (frequentemente chamada de Nellie), porém não foi depois de 1880, quando ela menciona em seu diário ter recebido dele um convite para uma festa. Os dois estavam se encontrando regularmente por volta de 1884 e no ano seguinte, depois de uma rejeição inicial, ela aceitou em se casar. O casamento ocorreu na casa dos Herron em 19 de junho de 1886. Taft permaneceu dedicado à esposa durante seus quase 44 anos de casados. Nellie incentivava o marido tanto quanto os pais deste, sendo muito franca com suas críticas. O casal teve três filhos: Robert, Helen e Charles.

Advogado-geral Uma vacância na Suprema Corte dos Estados Unidos se abriu em 1889 e Foraker sugeriu que presidente Benjamin Harrison nomeasse Taft para a posição. Ele tinha 32 anos e seu objetivo profissional sempre foi ocupar um lugar na Suprema Corte. Taft ativamente foi atrás da nomeação, escrevendo ao governador para que fizesse seu caso, enquanto ao mesmo tempo afirmava a outros que seria improvável que conseguisse o trabalho. Em vez disso, Harrison o nomeou em 1890 como advogado-geral dos Estados Unidos. Taft chegou em Washington, D.C. em fevereiro, descobrindo que o trabalho estava acumulado porque o cargo estava vago há dois meses. Ele trabalhou para eliminar os atrasos enquanto simultaneamente estudava direito federal e procedimentos, já que não havia precisado deles como juiz estadual de Ohio.

O senador William M. Evarts de Nova Iorque, ex-secretário de Estado no governo de Rutherford B. Hayes, tinha sido um colega de classe de Alphonso Taft em Yale. Evarts pediu para ver o filho de seu antigo amigo assim que Taft assumisse o cargo, com este e sua esposa sendo apresentados para a vida social de Washington. Nellie era ambiciosa tanto para seu marido quanto para si mesma, ficando irritada que as pessoas com que Taft socializava eram principalmente juízes da Suprema Corte em vez das principais figuras da sociedade da capital como Theodore Roosevelt, John Hay, Henry Cabot Lodge e suas respectivas esposas.

Apesar de Taft ter sido bem-sucedido como advogado-geral, vencendo quinze dos dezoito casos que defendeu diante da Suprema Corte, ele ficou feliz em março de 1891 quando o Congresso dos Estados Unidos criou uma nova vaga de juiz para cada Tribunal de Apelações do país e Harrison lhe nomeou para o Sexto Circuito, sediado em Cincinnati. Taft renunciou do cargo de advogado-geral em março de 1892 e voltou para sua carreira judiciária.

Juiz federal A nomeação de Taft como juiz federal era vitalícia e uma que possivelmente poderia abrir o caminho até uma posição na Suprema Corte. Seu meio-irmão mais velho. Charles P. Taft, era bem-sucedido nos negócios, suplementando o salário governamental de Taft e permitindo que a família vivesse em conforto. Seus deveres envolviam ouvir julgamentos no circuito, que incluíam os estados de Ohio, Michigan, Kentucky e Tennessee, e participar do julgamento de recursos junto com os outros juízes do Sexto Circuito e também com John Marshall Harlan, juiz associado de Justiça da Suprema Corte e também um juiz do circuito.

De acordo com o historiador Louis L. Gould, "apesar de Taft compartilhar os temores que dominavam a classe média durante os anos 1880 sobre agitações sociais, ele não era tão conservador quanto seus críticos acreditavam. Ele apoiava o direito dos trabalhadores de se organizarem e fazerem greve, e julgou contra empregadores em vários casos de negligência". Dentre estes estava Voight v. Cia. Ferroviária do Sudoeste de Baltimore & Ohio. A decisão de Taft por um trabalhador ferido em um acidente ferroviário violava a doutrina contemporânea da liberdade de contrato, sendo entretanto depois revertida pela Suprema Corte. Por outro lado, sua decisão em Estados Unidos v. Cia. Addyston de Canos e Metais foi mantida unanimemente pela Supremo. Sua opinião, de que os fabricantes de canos haviam violado a Lei Sherman Antitruste, foi descrita pelo seu biógrafo Henry F. Pringle como tendo "revivido definitivamente e especialmente" aquela legislação.

Taft tornou-se em 1896 decano e professor de sua alma mater a Faculdade de Direito de Cincinnati, um posto que requeria que preparasse e administrasse duas aulas de uma hora de duração toda semana. Ele dedicou-se à sua faculdade de direito e era profundamente comprometido com a educação legal, introduzindo caso gramatical ao currículo. Taft não podia se envolver com política por ser um juiz federal, porém a acompanhava de perto e permaneceu um apoiador Republicano. Ele assistiu em descrença enquanto a campanha presidencial do governador William McKinley de Ohio desenvolvia-se em 1894 e 1895, escrevendo "Eu não consigo encontrar em Washington alguém que quer ele". Taft percebeu em março de 1896 que McKinley provavelmente seria o candidato Republicano, dando seu tépido apoio. Ele passou a apoiar McKinley totalmente em julho depois do ex-deputado William Jennings Bryan de Nebraska carimbar a Convenção Nacional Democrata com um discurso contra o padrão-ouro. Bryan, tanto no discurso quanto em sua campanha, defendia fortemente padrão-prata, uma política que Taft via como radicalismo econômico. Ele temia que as pessoas iriam acumular e esconder ouro em uma antecipação à uma possível vitória de Bryan, porém não tinha nada que pudesse fazer além de se preocupar. McKinley acabou vencendo a eleição de 1896; uma vacância na Suprema Corte se abriu em 1898 e o presidente nomeou Joseph McKenna, a única nomeação para tal de sua presidência.

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