"Bop Gun" é o primeiro episódio da segunda temporada da série policial Homicide: Life on the Street. Ele foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos no dia pela NBC. No episódio, a unidade de homicídios de Baltimore investiga o assassinato da esposa de um turista, interpretado por Robin Williams.

O episódio foi escrito por David Mills e David Simon baseados em uma história criada pelo produtor executivo Tom Fontana, e direção de Stephen Gyllenhaal. Em resposta aos comentários da emissora e aos baixos índices de audiência da primeira temporada, "Bop Gun" marcou várias mudanças na série, incluindo um estilo visual menos sombrio e um foco maior em um enredo único, ao invés de vários sub-enredos. Foi um dos primeiros episódios a se focar principalmente na vítima do homicídio, ao invés de nos detetives. Simon achou que os diálogos eram realistas, especialmente o humor negro empregado pelos detetives para lidarem com os horrores de seu trabalho.

Williams havia anteriormente trabalhado com Barry Levinson, produtor executivo de Homicide: Life on the Street, nos filmes Good Morning, Vietnam e Toys. Isso gerou especulações que diziam que o ator aceitou o papel em "Bop Gun" apenas por consideração a Levinson, porém ele afirmou várias vezes que foi por realmente admirar a série. Um jovem Jake Gyllenhaal, filho do diretor do episódio, aparece como um dos filhos do personagem de Williams. O episódio também marca a estreia de Chris Tergesen como o coordenador musical da série, o que resultou no uso de mais canções do que em episódios anteriores, incluindo "Killer", de Seal, e "Feels Like Rain", de Buddy Guy.

"Bop Gun" foi assistido por 16,3 milhões de telespectadores, uma das audiências mais altas da semana, em parte graças ao interesse na aparição de Williams. O episódio foi bem recebido, com vários críticos elogiando a interpretação dramática de Williams. "Bop Gun" venceu o Writers Guild of America Award de Melhor Roteiro para um Drama Episódico. Williams também recebeu uma indicação ao Primetime Emmy Award de Melhor Ator Convidado em Série Dramática.

Enredo Beau Felton e Kay Howard investigam o assassinato de uma mulher de Iowa que foi baleada em frente de seu marido, Robert Ellison, e seus dois filhos durante um assalto. Já que a vítima é uma turista, o caso atrai uma atenção considerável da mídia, oficiais da cidade e da polícia. Tim Bayliss tenta interrogar as duas crianças, porém Ellison o impede, dizendo que a experiência já é traumática de mais para eles. Depois de obter informações com capangas de rua, a polícia prende Marvin, que possui um revólver .45 mm que combina com as balas encontradas no corpo da vítima. Um lúgubre Ellison ouve Feldon fazer piadas sobre a investigação e a hora extra que ele espera receber do caso. Ele furiosamente exige que Feldon seja retirado do caso, porém Al "Gee" Giardello o acalma e explica que os detetives tem que ficar distantes emocionalmente das vítimas porque eles encontram muitas. Ellison leva seus filhos de volta para o hotel, onde sua filha Abby se recusa a acreditar na morte da mãe, e seu filho Matt se recusa a falar com o pai.

A polícia prende um segundo suspeito chamado Tweety, que foi encontrado com o medalhão roubado da vítima. Os detetives interrogam Marvin e Tweety separadamente até Tweety identificar o atirador como Vaughn Perkins, de 19 anos. Howard fica surpresa ao descobrir que Perkins tem um histórico criminal praticamente limpo, e sua família insiste que ele nunca mataria alguém. Perkins é preso, porém Ellison não consegue identificar nenhum dos suspeitos porque ele não se lembra de seus rostos. Enquanto isso, Ellison vê o corpo de sua mulher no necrotério, ficando triste porque as roupas e o anel de casamento foram tirados. Bayliss mais tarde devolve o anel, e Ellison admite se sentir culpado por não ter protegido sua esposa ou por não ter parado o atirador. Ele pede para segurar a arma de Bayliss para saber como é a sensação, e o detetive deixa, relutamente.

Howard interroga Perkins várias vezes, acreditando que ele está assumindo a culpa por seus dois amigos. Perkins não diz nada, porém eventualmente escreve uma carta para Ellison se desculpando. Felton fecha o caso apesar do protestos de Howard para um tempo maior de investigações. Perkins admite ser culpado de sua acusação e insiste em ser condenado a prisão perpétua sem direito a condicional. Marvin e Tweety são sentenciados a 30 anos de prisão, porém Ellison admite não se sentir melhor porque sua esposa ainda está morta. Howard tenta entregar a carta de Perkins, porém Ellison se recusa a aceitar. Howard eventualmente fala diretamente com Perkins na prisão, onde o prisioneiro admite ter segurado a arma durante o assalto porque ele achou que, com a arma, ele poderia controlar a situação e impedir que qualquer um fosse ferido. Ele diz ter perdido o controle do assalto, e insiste na prisão perpétua para se redimir. Howard, devastada, finalmente concorda com a opinião de Felton que Perkins realmente era o atirador.

Produção Apesar de muito elogiada, Homicide: Life on the Street sofreu com baixas audiências durante sua primeira temporada, fazendo com que a NBC considerasse cancelá-la. Depois de uma primeira temporada com nove episódios, a emissora aprovou a produção de mais quatro para a segunda temporada como um teste para determinar se o programa iria continuar ou não. O roteiro de "Bop Gun" foi completado antes do final da primeira temporada, porém os executivos da NBC pediram vários refinamentos – incluindo um número menor de subenredos e menos movimentos de câmera – antes de aprovarem uma segunda temporada. Em uma tentativa para apaziguar a emissora e melhorar a audiência, os produtores executivos Barry Levinson e Tom Fontana tentaram fazer mudanças sutis para deixar a série mais apelativa ao grande público, ao mesmo tempo tentando manter sua integridade e originalidade. Com "Bop Gun", os produtores diminuiram levemente o estilo visual sombrio e o uso de câmeras de mão. É também o primeiro episódio a se focar em uma única história, ao invés de vários subenredos, o que de acordo com Fontana permitiu que os roteiristas contassem a história principal de uma forma muito melhor. Fontana comentou as mudanças na série, "Estávamos experimentando com os nove primeiros episódios. Sempre que você tenta algo novo, você tende a errar em alguns pontos do pioneirismo. Porém preferimos ter mais pessoas assistindo, então as cores e a iluminação estão um pouco mais brilhantes, e os movimentos de câmera não são tão gritantes". "Bop Gun" marcou o primeiro episódio com Jean de Segonzac como diretor de fotografia. A primeira cena do episódio, que mostra os eventos imediatamente anteriores ao assassinato, justapõe planos da família Ellison admirando as atrações turísticas de Baltimore com os assaltantes jogando basquete antes de seguir a família. A fotografia mostra os lados diferentes de Baltimore ao apresentar a família Ellison em planos coloridos como uma propaganda turística, com os outros planos mostrando uma imagem mais dura da cidade.

thumb|right|185px|David Simon (foto) escreveu o episódio junto com David Mills. "Bop Gun" também foi o primeiro episódio exibido em uma novo horário, quintas-feiras às 22h, ocupando o horário ocupado anteriormente por L.A. Law. A série era exibida às quartas-feiras às 21h, onde era regularmente superada na audiência pela comédia Home Improvement, da ABC. O episódio foi escrito por David Mills e David Simon baseados em uma história criada por Fontana. Ele foi dirigido por Stephen Gyllenhaal, um diretor de cinema mais conhecido por filmes como Waterland e A Dangerous Woman. Foi o primeiro roteiro televisivo escrito por Mills, que anteriormente havia trabalhado como repórter e se tornou amigo de Simon enquanto estudavam jornalismo na Universidade de Maryland. Mills disse, "O roteiro me fez sair do jornalismo. Foi uma oportunidade de ouro, apesar de não saber o que eu estava fazendo. Desenvolvi hábitos ruins como escritor de jornal. Eu sempre estenderia um projeto para ocupar meu tempo livre". "Bop Gun" também se diferenciou dos episódios anteriores de Homicide: Life on the Street ao se focar na vítima do assassinato, ao invés que nos detetives. Simon achou que os diálogos, particularmente o uso de humor negro por parte dos detetives como um mecanismo para lidar com os horrores da unidade de homicídios, eram fieis à realidade. Ele particularmente citou a cena em que Felton deixa Ellison nervoso ao falar com animação sobre a hora extra que espera receber. Simon disse, "Aquela é uma conversa que aconteceria. Aconteceria em qualquer unidade de homícidios dos Estados Unidos, e quando eu vi ela realmente acontecer fiquei muito feliz porque pensei, 'Sempre quando detetives de homicídios assistirem isso, eles darão risada porque sabem que isso é verdade'".

"Bop Gun" originalmente foi escrito com a intenção de ser o último episódio da temporada, porém a NBC decidiu fazer dele o primeiro na esperança de aumentar a audiência com a aparição de Robin Williams. William interpretou Robert Ellison, o marido de uma turista assassinada. Vários veículos midiáticos indicaram que Williams aceitou o papel em consideração a Levinson, que o dirigiu nos filmes Good Morning, Vietnam e Toys. Porém Fontana disse que o ator concordou em interpretar o papel por ter uma impressão positiva tanto da série quanto do roteiro de "Bop Gun" em particular. Fontana disse, "[Williams] leu o roteiro, respondeu instantaneamente e disse, 'Quando você me quer lá?' Ele não poderia estar mais preparado e ter sido mais cavalheiro com todos, e ele trabalhou muito bem. Toda a experiência foi um prazer". Williams comentou o programa, "Visualmente, era tão diferente que qualquer outra coisa na televisão". Apesar do ator ser mais conhecido por seus papéis cômicos, os produtores de Homicide: Life on the Street e o próprio Williams conscientemente decidiram se manter fieis ao roteiro original, rejeitando a ideia de colocar humor ou piadas no episódio. As cenas de Williams foram filmadas em três dias, e os atores acharam que os papéis foram emocionalmente desgastantes. Fontana disse, "[Williams] trabalhou como um cachorro. Foi um evento muito especial para nós. Muito intenso".

Jake Gyllenhaal, então com 13 anos, filho do diretor do episódio, fez uma de suas primeiras aparições como ator em "Bop Gun" interpretando Matt, filho de Robert Ellison. Williams e o regular Richard Belzer já se conheciam por terem trabalhado em um especial cômico produzido pela HBO, apesar deles nunca terem atuado juntos. Os dois frequentemente brincavam entre as tomadas, exceto durante as cenas mais dramáticas. O episódio também tem Vincent Miller, uma ator que trabalha principalmente em Washington, D.C., como Tweety.

Música

"Bop Gun" foi o primeiro episódio a ter Chris Tergesen como o coordenador musical, e dessa forma mais canções aparecem do que em episódios anteriores. Durante a cena de abertura, a canção "Killer", de Seal, toca sobre uma breve montagem de imagens de Perkins, enquanto Marvin e Tweety se preparam para assaltar a família Ellison. Quando é preso, Marvin está usando fones de ouvido, ouvindo a canção "Get Off My Back", de Public Enemy. A canção "Chinese Arithmetc" da dupla Eric B. & Rakim toca durante a cena em que Marvin e Tweety são interrogados simultaneamente pela polícia. "Feels Like Rain", do cantor e guitarrista Buddy Guy, toca quando Howard chega para falar com Perkins na prisão, e quando ela deixa o lugar, na cena final do episódio. A canção "Don't Start Me to Talkin'", do tocador de gaita Sonny Boy Williamson II, também aparece no episódio.Homicide Life on the Street - The Seasons 1 & 2, Song Listing [DVD]. Estados Unidos: A&E Home Video, 2003.