O USS West Virginia foi um couraçado operado pela Marinha dos Estados Unidos e a quarta e última embarcação da Classe Colorado, depois do , e . Sua construção começou em abril de 1920 nos estaleiros da Newport News Shipbuilding na Virgínia e foi lançado ao mar em novembro do ano seguinte, sendo comissionado na frota norte-americana dezembro de 1923. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 406 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de pouco mais de 34 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora).
O West Virginia teve primeiros anos de serviço tranquilos e passou as décadas de 1920 e 1930 realizando principalmente exercícios de treinamento de rotina junto com o resto da frota. Ele estava atracado em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 quando a base foi atacada pelo Japão, sendo torpedeado e bombardeado várias vezes, afundando na água rasa do porto. O navio pode ser reflutuado, recuperado e amplamente reconstruído entre 1943 e 1944, voltando ao serviço em tempo para participar da Campanha das Filipinas. Ele esteve presente na Batalha do Estreito de Surigao na noite de 24 para 25 de outubro, usando seu radar para encontrar e disparar contra a força japonesa no meio da escuridão.
Ele permaneceu nas Filipinas com o objetivo de dar apoio às tropas travando a Batalha de Leyte no final 1944 e depois na invasão do Golfo de Lingayen no início de 1945. O West Virginia também participou das Batalhas de Iwo Jima e Okinawa, proporcionando suporte de fogo para as forças terrestres invadindo essas ilhas. Durante esta última foi atingido por um kamikaze, mas sofreu poucos danos. O Japão se rendeu em agosto e o couraçado fez parte da força inicial de ocupação e em seguida transportou soldados e marinheiros de volta para casa. O West Virginia foi desativado em 1946 e descomissionado em janeiro de 1947, permanecendo na reserva até ser descartado em 1959 e desmontado.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho do West Virginia em 1930 Foram finalizados em 1916 os trabalhos de projeto para a próxima classe de couraçados da Marinha dos Estados Unidos a ser construída a partir de 1917. Esses novos navios eram cópias quase diretas da predecessora Classe Tennessee, com exceção de sua bateria principal, que aumentou de doze canhões de 356 milímetros para oito de 406 milímetros. A Classe Colorado foi a última classe de couraçados norte-americanos no "tipo padrão".
O West Virginia tinha 190,27 metros de comprimento, boca de 29,72 metros e calado de 9,3 metros. Seu deslocamento projetado era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha quatro geradores elétricos alimentados por dois turbogeradores Westinghouse, com o vapor necessário provindo de oito caldeiras Babcock & Wilcox. Esse maquinário podia levar a embarcação a uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora) a partir de uma potência indicada de 29,4 mil cavalos-vapor (21,6 mil quilowatts). Sua autonomia normal era de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora), porém espaços adicionais podiam ser usados em tempos de guerra e ampliavam a autonomia para 21,1 mil milhas náuticas (39,1 mil quilômetros) na mesma velocidade. Sua tripulação era composta por 64 oficiais e marinheiros.
Sua bateria principal consistia em oito canhões Marco 1 calibre 45 de 406 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, duas na proa e duas na popa, em ambos os casos com uma torre sobreposta a outra. A bateria secundária tinha dezesseis canhões calibre 51 de 127 milímetros montados em casamatas individuais espalhadas a meia-nau na superestrutura. A bateria antiaérea era composta por oito canhões calibre 50 de 76 milímetros em montagens individuais. Como era costume para navios capitais do período, o couraçado também foi armado com dois tubos de torpedo de 533 milímetros abaixo da linha d'água, um em cada lateral. O cinturão de blindagem principal tinha entre 203 e 343 milímetros de espessura, enquanto o convés blindado principal tinha uma espessura de 89 milímetros. As torres de artilharia eram protegidas por uma frente de 457 milímetros de espessura, ficando em cima de barbetas com 330 milímetros de espessura. A torre de comando era protegida por placas laterais de 406 milímetros.
História Tempos de paz thumb|240px|O West Virginia durante uma revista naval em 4 de junho de 1927 O batimento de quilha do West Virginia ocorreu em 12 de abril de 1920 nos estaleiros da Newport News Shipbuilding em Newport News, na Virgínia. Originalmente recebeu a designação "Couraçado Nº 48", porém este sistema foi alterado e ele recebeu o número de casco BB-48 em 17 de julho. Seu casco completo foi lançado ao mar em 17 de novembro de 1921 e batizado por Alice Wright Mann. Foi comissionado na frota norte-americana em 1º de dezembro de 1923. O capitão Thomas J. Senn foi seu primeiro oficial comandante. O West Virginia embarcou para testes marítimos logo depois de entrar em serviço, seguido por um período de manutenção na Newport News. Rumou então para o Estaleiro Naval de Nova Iorque passar por alterações. O navio depois navegou sul para Hampton Roads, porém seu equipamento de direção deu problema no meio do caminho. Passou por reformas a fim de corrigir o problema e partiu novamente em 16 de junho de 1924. Na manhã do mesmo dia, enquanto passava pelo Canal de Lynnhaven, os telégrafos das sala de máquinas e compartimento de direção perderam a energia, deixando o couraçado imanobrável. Senn foi forçado a usar tubos de voz para se comunicar com a sala de máquinas, ordenando que os motores de bombordo operassem em força máxima e os de estibordo fossem parados, tentando assim desviar a embarcação do litoral. O West Virginia acabou encalhando no canal, porém praticamente não foi danificado. Um inquérito sobre o acidente culpou dados de navegação incorretos que exageravam a parte navegável do canal, exonerando Senn e o navegador de qualquer responsabilidade.
O navio se tornou em 30 de outubro a capitânia do Comandando da Divisão de Couraçados da Frota de Batalha. Ele passou a década de 1920 realizando treinamentos de rotina e manobras com a frota, com períodos de manutenção periódicos. O cronograma anual de treinamento culminava nos grandes Problemas de Frota que testavam doutrinas operacionais e estratégicas que provaram-se cruciais para as operações posteriores na Segunda Guerra Mundial. Essas ações ocorriam no Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico, ao norte até o Alasca e ao sul até o Panamá. O capitão Arthur Japy Hepburn assumiu com oficial comandante em 1925 e neste mesmo ano os artilheiros do West Virginia conquistaram a primeira posição em uma competição de tiro de curta distância. O couraçado também venceu no mesmo ano a fita de Eficiência em Batalha, reconquistando-a em 1927, 1932 e 1933. A frota realizou manobras conjuntas com o Exército dos Estados Unidos no final de 1925 no Havaí com o objetivo de testar as defesas da ilha, embarcando então em um grande cruzeiro para visitar a Austrália e a Nova Zelândia. O Problema de Frota X foi realizado em março de 1930 e o West Virginia foi "bombardeado" por aeronaves do porta-aviões . O Problema de Frota XI ocorreu no mês seguinte, com a embarcação e o couraçado acidentalmente atacando o porta-aviões , um colega membro da chamada "frota preta", tendo-o confundido com o Lexington, que pertencia à "frota azul" inimiga. Este incidente simulado de fogo amigo custou à frota preta seu porta-aviões e levou a pedidos para melhorias na comunicação e maior treinamento na identificação de navios.
thumb|esquerda|280px|O West Virginia em São Francisco em 1934 A embarcação passou por modificações na década de 1930. Seus canhões de 76 milímetros foram removidos e substituídos por armas calibre 25 de 127 milímetros e metralhadoras calibre .50, instaladas em seus dois mastros. Também foi equipado com uma catapulta de aeronaves em seu tombadilho e outra no topo de sua terceira torre de artilharia. O Problema de Frota XIV ocorreu em fevereiro de 1933 e o West Virginia e o couraçado foram "danificados" em um ataque surpresa de submarinos. Planos para moderniza-lo amplamente surgiram em meados da década de 1930; o Escritório de Construção e Reparo planejou adicionar protuberâncias antitorpedo que teriam restaurado uma quantidade significativa de flutuabilidade ao casco, elevando-o 510 milímetros ao custo de duas mil toneladas de deslocamento. Este trabalho não foi realizado e novos planos para modernizar os couraçados da Classe Colorado e da Classe Tennessee foram considerados em 1937. As modificações propostas incluíam novas caldeiras e equipamentos de controle de disparo, mais as previamente sugeridas protuberâncias. Desenvolvimentos desse programa de modernização em 1938 foram rejeitados por motivos de custo e também porque, mesmo se modernizados, essas embarcações ainda assim seriam inferiores aos novos couraçados das Classes North Carolina e South Dakota, então em construção ou planejamento.
A Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e o almirante Ernest King presidiu um conselho a fim de avaliar a situação das defesas antiaéreas dos navios da frota, recomendando a adição de protuberâncias para restaurar a borda livre, a adoção de canhões de duplo-propósito calibre 38 de 127 milímetros e fortalecimento das blindagens de convés. O almirante Harold R. Stark, o Chefe de Operações Navais, decidiu que apenas as protuberâncias seriam instaladas devido à probabilidade de guerra, com o West Virginia estando programado para passar pelas alterações entre 10 de maio e 8 de agosto de 1941, porém estas modificações não foram realizadas. O Problema de Frota XXI, o último pré-guerra, ocorreu em abril de 1940, época em que as tensões com o Japão sobre a Segunda Guerra Sino-Japonesa tinham levado os Estados Unidos a transferir sua frota da Califórnia para Pearl Harbor, no Havaí, a fim de dissuadir os japoneses contra mais agressões. A frota passou 1941 ocupada com grandes treinamentos em preparação para a antecipada guerra contra o Japão, com a situação diplomática piorando muito nos últimos meses do ano. A Marinha dos Estados Unidos procurou durante esse período fortalecer a bateria antiaérea de seus couraçados, porém a produção dos novos canhões de 28 milímetros estava lenta, assim antigos canhões de 127 milímetros foram instalados como uma medida temporária. Onze metralhadoras também foram instaladas no West Virginia nessa época. Seus tripulantes fabricaram em junho um escudo experimental para as armas de 127 milímetros, que deveria ser aplicado nos outros navios. Foi programado que o couraçado receberia seus canhões de 28 milímetros em fevereiro de 1942.
Segunda Guerra Mundial Pearl Harbor
thumb|260px|O West Virginia afundado e em chamas em 7 de dezembro de 1941 enquanto uma lancha resgata um sobrevivente; o Tennessee pode ser visto atrás Os couraçados estavam atracados próximos da Ilha Ford em Pearl Harbor na manhã de 7 de dezembro de 1941, com o West Virginia ao lado do Tennessee. Aeronaves japonesas apareceram pouco antes das 8h00min e iniciaram um ataque surpresa. Torpedeiros acertaram o navio com sete torpedos Tipo 91 a bombordo, enquanto bombardeiros o acertaram com dois projéteis perfurantes de 410 milímetros que tinham sido convertidos em bombas. A primeira bomba acertou a bombordo e penetrou o convés da superestrutura, causando grandes danos às casamatas abaixo. Explosões secundárias das munições armazenadas nas casamatas causaram incêndios sérios no local e na cozinha um convés abaixo. A segunda bomba acertou a parte de trás da terceira torre de artilharia, penetrando-a mas não explodindo. Mesmo assim destruiu um dos canhões, o hidroavião Vought OS2U Kingfisher que estava na catapulta da torre e derrubou um segundo Kingfisher para o convés principal. Este espalhou gasolina que pegou fogo.