Frederico da Áustria-Teschen (nome completo em alemão: Friedrich Maria Albrecht Wilhelm Karl von Österreich-Teschen; Gross Seelowitz , – Magyaróvár, ) foi um arquiduque austríaco e general austro-húngaro. Serviu como Comandante Supremo das Forças Armadas Imperiais e Reais durante a Primeira Guerra Mundial, tendo anteriormente servido como comandante-em-chefe da Landwehr Imperial-Real e inspetor-geral do Exército Austro-Húngaro.
A partir de 1895, foi também o último detentor do Ducado de Teschen e possuía outras extensas propriedades na Hungria e na Morávia. No total, possuía quase 200.000 hectares de terra e, no início do século XX, era um dos maiores proprietários de terras da Europa Central. Sua riqueza provinha principalmente da mineração de carvão na Silésia e da operação da Siderúrgica de Třinec, onde ele era um dos principais acionistas. Ele é o suposto "Marquês Ger" das Canções da Silésia (Slezské písně) de Petr Bezruč.
Biografia esquerda|miniaturadaimagem|282x282px|Retrato de Fernando, c. 1900, atribuído a Carl Atzker. O arquiduque Frederico era descrito como um homem tímido, de caráter simples e afável, além de possuir um senso de humor considerado ingênuo. Sua personalidade foi caricaturada de maneira mordaz pelo escritor Karl Kraus em Os Últimos Dias da Humanidade (Die letzten Tage der Menschheit), sob o nome de "Arquiduque Bumbsti". O apelido teria origem em um episódio ocorrido durante a exibição de um filme sobre um novo morteiro de 30,5 cm, quando Frederico supostamente comentava cada impacto dos projéteis com a expressão lacônica "Bem, Bumbsti!"
De estatura mediana e constituição robusta, Frederico era conhecido também por seu andar oscilante. Com o passar dos anos, porém, teria desenvolvido maior firmeza e compostura, qualidades que lhe foram úteis no exercício de suas funções como comandante do exército. Apesar disso, segundo alguns relatos, demonstrava apreensão diante de encontros com o imperador alemão e com o alto comando militar alemão.
Frederico também era considerado pouco à vontade em discursos públicos, que geralmente proferia a partir de textos previamente preparados. Segundo um relato, seu discurso por ocasião do 60.º aniversário teria sido um grande fiasco: teria segurado o texto de cabeça para baixo, pronunciado diversas palavras de forma incorreta e gaguejado durante a leitura. Essa versão, contudo, é parcialmente contestada por uma gravação de áudio preservada de Frederico, que sugere que ele possuía uma capacidade oratória ao menos razoável, marcada pelo característico alemão falado em Schönbrunn.
Relatos também afirmavam que Frederico era fortemente influenciado por sua esposa, Isabel, descrita como uma mulher ambiciosa e de personalidade dominante. Apesar disso, os dois mantinham uma relação de grande afeição, e Frederico teria sido profundamente apaixonado pela esposa.
A atriz Rosa Albach-Retty, última integrante do Teatro da Corte Imperial e Real e avó da atriz Romy Schneider, recordou Frederico em suas memórias como uma pessoa jovial e descontraída, que ocasionalmente participava, junto de parentes e conhecidos, de brincadeiras e travessuras consideradas infantis. Segundo seu relato, o arquiduque chegou a chorar na noite anterior à sua partida definitiva da Áustria, que havia se tornado uma república após o fim da monarquia dos Habsburgo.
Família direita|miniatura|Frederico com sua esposa (ao seu lado), mãe e irmãs, em 1878. Nascido em 4 de junho de 1856, em Gross Seelowitz (atual Židlochovice), no Império Austríaco (atual República Tcheca), Frederico era filho do arquiduque Carlos Fernando da Áustria-Teschen e da arquiduquesa Isabel Francisca da Áustria-Toscana) (1831–1903), irmã de Maria Henriqueta da Áustria, esposa do rei Leopoldo II da Bélgica. Por parte de mãe, o arquiduque era meio-irmão de Maria Teresa da Áustria-Este, esposa do rei Luís III da Baviera. Era também irmão de Maria Cristina da Áustria, esposa do rei Afonso XII da Espanha e regente do reino durante a menoridade de seu filho, Afonso XIII.
Em 8 de outubro de 1878, Frederico casou-se com a princesa Isabel de Croÿ, no Castelo de l'Hermitage, em Condé-sur-l'Escaut, na França.L'Indépendance Belge (8 de outubro de 1878). "Mariage de S.A.I. et R. Mgr l'archiduc d'Autriche", nº 282, p. 2. Consultado em 26 de maio de 2022 O casal teve nove filhos, sendo oito meninas e um menino.
Em família, era chamada de Fritzel.Hamann, Brigitte; Hamann Georg. Die Habsburger: Ein biographisches Lexikon. Org. por Brigitte Hamann. Edição eletrônica revisada, ampliada e corrigida. Org. e com prefácio de Georg Hamann, Amalthea Signum Verlag. Consultado em 7 de julho de 2016.
Carreira militar esquerda|miniaturadaimagem|305x305px|Cartão postal de Frederico como comandante-em-chefe do Exército, em 1914. Frederico iniciou sua carreira militar em 1871, inicialmente com o posto de tenente no Regimento de Caçadores Tiroleses.
Ascendeu rapidamente na hierarquia militar, sendo promovido a primeiro-tenente em 1873 e a capitão em 1875. Serviu inicialmente no 42.º Regimento de Infantaria, em Terezín. A partir de 1877, já com o posto de major, passou vários anos no 25.º Regimento de Infantaria, em Praga, onde integrou a comitiva de Rodolfo, Príncipe Herdeiro da Áustria durante suas estadias na cidade. Em 1878, foi promovido a tenente-coronel e nomeado vice-comandante do 13.º Regimento de Infantaria, em Cracóvia. Em 1880, alcançou o posto de coronel e assumiu o comando do 52.º Regimento de Infantaria, do qual também era proprietário honorário.
Posteriormente, foi promovido a major-general e assumiu o comando da 27.ª Brigada de Infantaria, em Pressburg (atual Bratislava). Em 1886, já com o posto de marechal-tenente, passou a comandar a 14.ª Divisão de Infantaria, permanecendo em Pressburg. Entre 1889 e 1905, exerceu o comando do V Corpo de Exército do Exército Austro-Húngaro.
Como membro adulto da Casa de Habsburgo, Frederico também integrou, a partir de 1880, o Conselho Imperial.
Em 9 de novembro de 1893, Frederico foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santo Estêvão. Em 1 de maio de 1894, foi promovido ao posto de feldzeugmeister ("general de artilharia").
Primeira Guerra Mundial miniatura|291x291px|Fernando, fotografado em 1916 por Ernst Förster. Frederico deveria deixar seu comando em 1914 devido às suas divergências com Francisco Ferdinando. Após o assassinato do herdeiro do trono no atentado de Sarajevo, o imperador de 84 anos Francisco José designou Frederico, em 5 de julho de 1914, como comandante supremo em caso de guerra. Com a mobilização, ele finalmente assumiu o cargo de Comandante Supremo das Forças Armadas Imperiais e Reais em 31 de julho de 1914. Nominalmente, ele estava assim no comando do Exército e da Marinha de Guerra Austro-Húngara, mas a condução das operações estava, na realidade, nas mãos do chefe do Estado-Maior, Franz Conrad von Hötzendorf. Os dois já haviam se conhecido em 1871, quando eram tenentes no 11.º Batalhão de Caçadores de Campanha.
O imperador nomeou Frederico marechal de campo em 8 de dezembro de 1914. A direção efetiva das operações, contudo, cabia, conforme havia sido acordado entre o imperador e Frederico, ao chefe do Estado-Maior, o general Franz Conrad von Hötzendorf. Os aliados alemães consideravam Frederico uma figura meramente simbólica, pois ele nem sempre era informado integralmente por seu chefe do Estado-Maior. esquerda|miniaturadaimagem|Frederico (ao centro) como Comandante Supremo do Exército em campanha (setembro de 1916). No início da guerra, sob o patrocínio do Alto Comando do Exército Austro-Húngaro, foi criado o Escritório de Supervisão da Guerra, responsável pela fiscalização do estado de exceção e que deveria proteger as forças armadas contra inimigos externos e internos. O órgão nutria enorme desconfiança, especialmente em relação às nacionalidades eslavas. O Alto Comando do Exército, tendo o arquiduque Frederico à frente, procurou convencer os dois primeiros-ministros, Karl von Stürgkh e Stephan Tisza, de que a administração civil nas terras eslavas de ambas as partes da monarquia deveria ser abolida.
Após sua ascensão ao trono, em novembro de 1916, o imperador Carlos I assumiu pessoalmente o Alto Comando do Exército e nomeou o arquiduque Frederico como seu substituto, o que equivalia a uma degradação. Em 2 de dezembro de 1916, o novo soberano anunciou, em uma breve ordem do dia, que assumiria, "no exercício de seus direitos soberanos", o comando direto de todas as forças terrestres e navais da monarquia. Os rumores de que o arquiduque Frederico havia ficado ressentido com sua destituição eram apenas parcialmente verdadeiros. Ele próprio já desejava há algum tempo retirar-se para a vida privada e, segundo consta, havia discutido a transferência do comando com Carlos nas últimas semanas do reinado de Francisco José. Entretanto, diz-se que a ordem do imperador teve sobre Frederico um "efeito devastador", embora ele nunca tivesse escondido que não se dedicava de corpo e alma à função de comandante supremo do Exército. A relação entre Carlos e Frederico era tensa, provavelmente também por motivos familiares; o jovem imperador teria simplesmente chamado o arquiduque de "idiota". O Alto Comando do Exército foi transferido já no início de 1917 para Baden bei Wien, para o Castelo de Weilburg, pertencente ao arquiduque Frederido. Em 11 de fevereiro de 1917, o imperador destituiu Frederido de sua então função de comandante adjunto do Exército e o colocou "à disposição do meu alto comando".
miniatura|direita|Bastão de marechal de Frederico e a ordem de 2 de dezembro de 1916 no Museu de História Militar de Viena.Frederico passou então a viver em Pressburg e Halbturn, ambas na época situadas na Hungria histórica. Devido às suas numerosas empresas, tornou-se, querendo ou não, um dos principais fornecedores do Exército Austro-Húngaro e obteve grandes lucros tanto com o fornecimento de materiais de guerra quanto com o abastecimento da população do interior, mas não abusou dessa posição.
Em 13 de novembro de 1918, um dia após a proclamação da república na Áustria Alemã, a polícia de Viena relatou o clima na capital: "Em particular, são dirigidas fortes acusações contra o Arquiduque Frederico por sua suposta incapacidade como comandante do Exército, por sua alegada avareza e pelos enormes lucros de guerra que, segundo se afirma, teriam chegado a ele por meio dos latifúndios e estabelecimentos industriais que possuía."
Foi sobretudo contra ele que se dirigiram o sarcasmo mordaz e as críticas severas com que o satirista Karl Kraus ilustrou, em sua peça Os Últimos Dias da Humanidade (Die letzten Tage der Menschheit), as qualidades intelectuais e morais da elite dirigente austríaca durante a Primeira Guerra Mundial.
Por outro lado, Ludwig Ganghofer, que durante a guerra promovia o sentimento patriótico, descreveu Frederico como um príncipe afável e benevolente, de simplicidade serena e humanidade bondosa.
O marechal de campo Franz Conrad von Hötzendorf recordou a situação de maneira diferente: "[…] é significativo que eu […] não tenha recebido sequer a menor lembrança. […] Do Arquiduque Frederico, além de algumas fotografias amadoras, nada, nem sequer uma lembrança insignificante. […] Durante minha longa e grave doença […] não recebi de nenhum membro da Casa Imperial sequer uma pergunta sobre meu estado, uma manifestação de pesar ou um desejo de recuperação. Tampouco do Arquiduque Frederico, de quem fui chefe do Estado-Maior durante dois anos e meio na guerra mundial […]"