Gustavo Corção Braga (Rocha, 17 de dezembro de 1896 – Cosme Velho, 6 de julho de 1978) foi um apologeta católico, crítico, cronista, engenheiro elétrico, ensaísta, escritor, jornalista, memorialista, polemista, professor e romancista brasileiro. Conhecido por suas posições culturais e religiosas reacionárias, críticas ao comunismo após sua conversão ao catolicismo em 1936.QUEIROS, A. Uma crónica sobre Gustavo Corção ou rompendo a conspiração do silêncio. Oito Colunas, 27 jul. 2004. Acesso em: 6 ago. 2026.
Escreveu para jornais e periódicos, como A Ordem, Diário de Notícias, Itinéraires, Sel de la terre, O Estado de S. Paulo, O Globo, Routes, e Tribuna da Imprensa.
Em 1954, seu romance Lições de abismo foi premiado pelo Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura. Biografia Seus pais eram Francisco Braga e Gracietta Amélia Corção Braga, um contador e uma costureira e professora.
Iniciou os estudos no Colégio Corção, na Tijuca, fundado por sua mãe, concluindo depois o ensino secundário no Ginásio Nacional, atual Colégio Pedro II.
Em 1936, após a morte da sua esposa Diva Cruz Paiva, passou por uma crise espiritual e pessoal até se converter ao catolicismo por influência de Carlos Chagas Filho. Recebeu de colegas as obras A Bola e a Cruz de G. K. Chesterton, e Reflexões sobre a Inteligência e sobre a sua Vida Própria de Jacques Maritain.
Em 1939, conheceu Alceu Amoroso Lima e tornou-se membro do Centro Dom Vital, escrevendo para A Ordem. Estudando tomismo, foi oblato beneditino do Mosteiro de São Bento.
Em 1963, seu nome foi mencionado entre possíveis candidatos ao Prêmio Nobel de Literatura. Também separou-se de Alceu Amoroso Lima e deixou o Centro Dom Vital.
Em 1965, foi indicado ao prêmio por Manuel Bandeira pela obra O Desconcerto do Mundo, que Bandeira descreveu como "um dos livros mais belos e mais fortes de nossas letras" em carta dirigida ao autor. O Desconcerto do Mundo, Agir, 1965 Leia a carta de Manuel Bandeira, propondo Corção para Prêmio Nobel por este livro.
Oswaldo Goedi ilustrou seu romance. Engenharia Em 1913, ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, atual Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, deixando o curso em 1922, posteriormente graduando-se em engenharia eletrônica na década de 60. Era filiado do Partido Comunista Brasileiro na época.
Em 1922, trabalhou em Ponta Porã, com serviços de astronomia e desenvolvimento de métodos de determinação de latitude. Posteriormente trabalhou com eletrônica, telecomunicações e radiocomunicações.
De 1923 a 1926, foi eletricista industrial em e Cachoeiro do Itapemirim e Barra do Píraí.
Em 1925, Corção retornou ao Rio de Janeiro e, a convite de Manuel Amoroso Costa, virou professor assistente na cátedra de astronomia da Escola Politécnica do Rio de Janeiro ao mesmo tempo que exercia o cargo de telecomunicações, telefonia e radiofonia.
De 1936 a 1950, trabalhou no setor de telecomunicações da Rádio Cinefon Brasileira.
Na década de 50, ministrou cursos na Escola Superior de Guerra em quatro ocasiões.
Atuou como professor na Escola Técnica do Exército, atual Instituto Militar de Engenharia, onde lecionou eletrônica aplicada às telecomunicações 1935 a 1966, na Companhia Telefônica Brasileira de 1948 a 1966 e na Escola Nacional de Engenharia de 1951 a 1966.
Em 1966, foi membro do Conselho Federal de Cultura.
Corção criou um aparelho de medir impulsos magnéticos do cérebro para Carlos Chagas Filho.
Ensinou também na Companhia Telefônica Brasileira e na Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Permanência Em 29 de setembro de 1968, fundou com Júlio Fleichman o movimento e a revista Permanência, grupo dissidente do Centro Dom Vital e a versão brasileira da revista Permanences, fundada por Jean Ousset. Morte Na missa do 7.º dia em sua homenagem, celebrada na Igreja de São Judas Tadeu em 14 de julho de 1978, compareceram Alceu Amoroso Lima, Vasco Leitão da Cunha, Hermes Lima, Sobral Pinto, Antônio Carlos de Andrada Serpa, Guedes Muniz, Manoel Caetano Bandeira de Melo, Mem de Azambuja Sá, Homero Homem, Baltazar da Silveira, um batalhão da Fortaleza de São João, na Urca, membros da Permanência e as colaboradoras do escritor Graça Pierotti e Anna Luiza Fleichman. Visões políticas Criticou a construção de Brasília, descrevendo-a como "demofobia" e "ideia de Faraó".
Foi influenciado por contrarrevolucionários franceses, como Augustin Barruel, Charles Maurras, Joseph de Maistre e Louis de Bonald.
Fortemente anticomunista, criticou a Teologia da Libertação e Hélder Câmara.
Em O Século do Nada, Corção criticou e revisitou posições antigas, retratando-se sobre temas político-sociais e defendendo a posição anti-comunista liderada por Francisco Franco no contexto da Guerra Civil Espanhola.
Foi filiado à União Democrática Nacional. Influência A Abadia de Sainte-Madeleine du Barroux publicou seus livros La Découverte de l'Autre ("A Descoberta do Outro") e Le Siècle de l'Enfer ("O Século do Nada").
Seu pensamento foi influenciado pelo distributismo de G. K. Chesterton, influência explicitada em Três Alqueires e uma Vaca, e, inicialmente, por Jacques Maritain.
Na literatura, seu estilo e produção foram avaliados por Oswald de Andrade "à altura de Machado de Assis", autor o influenciou e motivou a antologia Machado de Assis.
Corção foi elogiado por Antonio Olinto, Ariano Suassuna,. Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Nelson Rodrigues, e Raquel de Queiroz.
Corção criticou Alceu Amoroso Lima, Carlos Lacerda e Sobral Pinto, contribuindo para o seu afastamento na segunda metade da década de 60. Curiosidades A Rua Gustavo Corção, do bairro Recreio dos Bandeirantes, homenageia-o.
O editor da Agir, Ernest Fromm, convidou Corção para escrever comentários e notas sobre os romances de Machado de Assis.
Golpe militar de 1964 Corção apoiou o golpe militar de 1964, argumentando que o governo de João Goulart favoreceria a expansão do comunismo no Brasil e defendendo o regime como um "mal menor", embora expressasse reservas quanto ao que considerava o possível "caráter revolucionário" de Humberto Castelo Branco.
Em uma correspondência, afirmou "não ser grande admirador do governo", reconhecendo o papel das Forças Armadas do Brasil na prevenção de uma invasão comunista, mas criticando a condução política subsequente.
Considerava o governo provisório e intermediário, defendendo a avaliação de seus atos mais por seus efeitos "revolucionários" do que por sua conformidade jurídica, e manifestava a opinião de que os militares teriam sido "tímidos" ao buscar rapidamente a normalização legal. Criticou negativamente os atos institucionais elaborados com participação de juristas.
Em 1964, Corção entendia a intervenção como temporária. Posteriormente, passou a apoiar à linha-dura do regime. Bibliografia A Descoberta do Outro (1944) Três Alqueires e Uma Vaca (1946) Lições de Abismo (1950) As Fronteiras da Técnica (1954) Dez Anos (1956) Claro Escuro (1958) Machado de Assis (1959) Patriotismo e Nacionalismo (1960) O Desconcerto do Mundo (1965) Dois Amores, Duas Cidades (1967) A Tempo e Contra-Tempo (1969) Progresso e Progressismo (1970) O Século do Nada (1973) Pequeno Tratado Sobre o Amor-Próprio (s.d.) Obras póstumas Conversa em Sol Menor (1980) As Descontinuidades da Criação (1992) Gustavo Corção Tomista (2012) Uma Teologia da História (2015) A Igreja Católica e a Outra (2018)
Categoria:Alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro Categoria:Alunos do Colégio Pedro II Categoria:Alunos do Instituto Militar de Engenharia Categoria:Anticomunistas do Brasil Categoria:Católicos tradicionalistas do Brasil Categoria:Convertidos ao catolicismo romano Categoria:Convertidos do ateísmo ou agnosticismo ao catolicismo romano Categoria:Distributismo Categoria:Ensaístas do estado do Rio de Janeiro Categoria:Engenheiros do estado do Rio de Janeiro Categoria:Engenheiros elétricos do Brasil Categoria:Escritores brasileiros do século XX Categoria:Escritores católicos do Brasil Categoria:Ex-marxistas Categoria:Jornalistas do Brasil do século XX Categoria:Jornalistas do estado do Rio de Janeiro Categoria:Membros da União Democrática Nacional Categoria:Membros do Centro Dom Vital Categoria:Membros do Partido Comunista do Brasil Categoria:Mortos em 1978 Categoria:Nascidos em 1896 Categoria:Naturais da cidade do Rio de Janeiro Categoria:Pessoas relacionadas à ditadura militar no Brasil (1964–1985) Categoria:Professores do estado do Rio de Janeiro Categoria:Romancistas do Brasil Categoria:Tomistas