thumb|A Casa da Cultura de Fundão (à direita), ainda como residência da família Agostini, e a antiga estrada de ferro antes de1922, quando a sede do município era Nova Almeida. A história de Fundão, município brasileiro do estado do Espírito Santo, inicia-se em 1557, com a criação da Aldeia dos Reis Magos, que viria ser a vila e município de Nova Almeida. Com a decadência de Nova Almeida e a construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas no seu interior, floresceu, no início do século XX o vilarejo de Fundão, cujo nome vem do rio que o banhava. Durante as décadas vindouras, a localidade recebeu famílias italianas vindas de regiões vizinhas e diretamente da Itália. Em 1923 oficializou-se a emancipação do município de Fundão em relação a Nova Almeida, que, quinze anos mais tarde, foi transferida para o município da Serra.

Desde 2000, Fundão passa por uma série de escândalos políticos. Os quatro candidatos a prefeito mais bem votados de 1996 a 2016 (Gilmar de Souza Borges, Maria Dulce Rudio Soares, Marcos Fernando Moraes e Anderson Pedroni Gorza) respondem a processos. Marcos Fernando Moraes e seu vice foram afastados, e o presidente da Câmara de vereadores que os substituiu como prefeito interino, Anderson Pedroni Gorza, foi cassado.

Origens thumb|left|Vista de Fundão em 1926. Fundão sucede historicamente o antigo município de Nova Almeida, atual distrito da Serra. Nova Almeida foi fundada às margens do rio Reis Magos como a Aldeia dos Reis Magos em 6 de janeiro de 1557 por jesuítas e pela tribo temiminó, sob liderança do cacique Maracaiaguaçu, pai de Arariboia, trazida da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, em fuga dos tamoios. Em 1757, Nova Almeida foi elevada a paróquia e vila e, em 1760, a comarca. Boa parte dos registros históricos de Nova Almeida foi destruída por um preso.

thumb|Descendentes de italianos da família de Carli, em 1937. A partir da década de 1820, a população de Nova Almeida, que era de mais de 8 mil habitantes, começou a diminuir, levando a uma primeira decadência da vila. Pertenceu a ela até 3 de abril de 1848 a freguesia de Aldeia Velha, correspondente hoje ao município de Aracruz e cuja sede era onde atualmente fica seu distrito de Santa Cruz. Parte do território de Nova Almeida foi anexada à Serra em 5 de julho de 1852. Em 1856, um surto de cólera contribuiu para a diminuição da população. Com a necessidade de busca por terras de melhor qualidade e por metais preciosos, Nova Almeida decai ainda mais.

Os primeiros imigrantes italianos, da família Agostini, chegaram à região de Fundão em 1875, vindos do Tirol para se fixarem em Três Barras (atual Irundi). Nas décadas seguintes, dezenas de outras famílias viriam diretamente da Itália ou transferidos de outras regiões, especialmente de Santa Teresa.

A respeito do nome do lugar, Pedro Maria de Lacerda, bispo do Rio de Janeiro no século XIX, registrou em sua passagem por Fundão em 18 de setembro de 1880: "[...] há um [lugar] em que o rio é de água preta e tem muita fundura e daqui provém, disseram alguns, o nome de Fundão que tem  todo o rio. Será por isso? Não sei. [...]". A imprensa capixaba mencionava a localidade de "Fundão Grande" na segunda metade da década de 1900 e, especificamente, de uma escola em "Fundão de Baixo" a partir de 1910.

Entre o final de 1885 e setembro de 1886, as regiões de Nova Almeida, Fundão, Timbuí, Passossunga e Sauanha sofreram um surto de varíola, que causou oito mortes entre 45 adoecidos.

Durante as obras da Estrada de Ferro Vitória a Minas no interior de Nova Almeida, trabalhadores morreram nas águas do rio Fundão, assim chamado antes do fim do século XIX por sua profundidade. No mesmo lugar, na fazenda Taquaraçu, de propriedade do pioneiro Cândido Vieira, surgiria o vilarejo de Fundão. Em 29 de dezembro de 1904, entra em funcionamento a Estação Timbuí e, em 15 de maio de 1905, a Estação Fundão.

Foi tentada a construção de uma estrada de rodagem entre Santa Teresa e a Estação Fundão em 1911 pelo governo do Espírito Santo na gestão de Jerônimo de Sousa Monteiro, mas as dificuldades inerentes ao terreno levaram a obra ao fracasso.

Formação administrativa thumb|150px|Lei estadual 1.383, de 5 de julho de 1923, que institui o município de Fundão, publicada no dia seguinte na primeira página do Diario da Manhã A sede do município Nova Almeida fica por um ano situada em Timbuí. Pela lei estadual 1.383, de 5 de julho de 1923, o "antigo município de Nova Almeida" tem a sede transferida de Timbuí para Fundão, de modo que o município passa a se chamar Fundão e a nova sede é elevada à categoria de vila, entrando a lei em vigor em 1º de janeiro de 1924,ESPÍRITO SANTO (estado). Lei 1.383/1923:Transfere séde de municipio e eleva povoação á categoria de villa. Governo do Espirito Santo: Victoria, 1923 quando foi inaugurada a Câmara municipal na nova sede. Contraditoriamente, fontes como a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e o próprio brasão e a bandeira de Fundão referem o dia 5 de julho de 1933 como a da criação do município.

thumb|left|Fonte que marca a inauguração do sistema de água da cidade pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, em 11 de setembro de 1949. A data já foi feriado.Por decreto-lei de 2 de março de 1938, Fundão foi elevado à categoria de cidade. Ainda nesse ano, em 11 de novembro, o distrito de Nova Almeida passou a fazer parte do município da Serra. Na mesma ocasião, o distrito de Três Barras (atualmente, Irundi) foi transferido de Santa Teresa para Fundão a fim de arrecadar mais impostos, especialmente da firma Agostini, que por si só superava toda a arrecadação de Nova Almeida.

Fundão passou a ser servido de energia elétrica por usina própria na gestão do prefeito coronel Guilherme Pimentel, que governou o município até a Revolução de 1930, sendo substituído pelo coronel Manuel do Nascimento Silva. Nessa ocasião, a prefeitura estava sem dinheiro e acumulava elevadas dívidas.

Em visita oficial a Fundão em 11 de setembro de 1949, o presidente do Brasil da época, Eurico Gaspar Dutra, o ministro da Educação e Saúde, Clemente Mariani, e o governador do Espírito Santo, Carlos Lindenberg, inauguraram o sistema de abastecimento de água do Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp). A importância da primeira visita de um chefe de Estado ao município depois da feita pelo imperador Dom Pedro II a Nova Almeida em 1860 levou à criação de um feriado, proposto pelo vereador Alcino da Costa Carvalho e aprovado na Câmara por unanimidade, vigorando de 1950 a 1964.

Desde meados da década de 1930 a da década de 1970, todos os prefeitos de Fundão, empossados através do voto direto ou não, foram impostos por Enéas Castor Ferreira (ca. 1893–1983), considerado o último representante do coronelismo no Espírito Santo. Nesse período, foram prefeitos seu genro Jasson Rodrigues Sarmento (duas vezes) e seu filho Jeovah Miranda Ferreira. A escalada do coronel só foi interrompida em 1973, com a eleição do então emedebista Sebastião Carreta (1934–).

História recente

Governos de Gilmar de Souza Borges (1989–1992 e 1997–2004) Em 2000, foi criada contra o prefeito Gilmar de Souza Borges uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), inconclusiva, em relação a uma denúncia de que a prefeitura teria adquirido 20 mil tijolos para a construção de um muro que nunca teria existido. Gilmar também foi denunciado, ao Ministério Público, por vereadores que responsabilizavam-no por supostamente não aplicar verbas destinadas à mão de obra da construção de casas; irregularidades no serviço e na contratação de transporte escolar; desconto irregular de 10% do benefício de R$ 90,00 mensais a menores de idade do projeto Projovem; e superfaturamento no aluguel de dragas e na compra de um trator em Carapina, distrito do município da Serra.

Em 2010, o ex-prefeito Gilmar de Souza Borges chegou a ser condenado em primeira instância à perda de direitos políticos por quatro anos e ao pagamento de R$ 10,2 mil de multa, em processo sobre suposta irregularidade na autorização de pedido de empréstimo para investimentos em iluminação pública em 2004 à Eletrobras. Para o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a aprovação da lei municipal 279/2004 lesaria o patrimônio público. Sete vereadores daquela época (Ailson Abreu Ramos, Aloísio Miranda Nascimento, Alvino Kohler, Benedito de Jesus Pimentel, Carlos Henrique Dalapícola, Eloízio Tadeu Rodrigues Fraga e Wilson Gasparini Bromonschenkel) também foram condenados, com perda de direitos políticos por três anos e multa de R$ 5,1 mil, mas, em novembro de 2013, a 1ª Câmara Cível do TJES absolveu o ex-prefeito Gilmar de Souza Borges e os ex-vereadores na ação de improbidade.

O ex-prefeito Gilmar de Souza Borges foi condenado pela Justiça em novembro de 2012 por contratar irregularmente servidores durante o mandato de 1989 a 1992, sendo punido com multa, perda de direitos políticos por três anos e proibição de ganhar benefícios ou incentivos fiscais por dez anos. O advogado do ex-prefeito disse que entrariam com recurso. Para o advogado, o fato prescrevera quando o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) processou o político em 2006.

Primeiro governo de Maria Dulce (2005–2008) thumb|Guarita do Parque Municipal do Goiapaba-Açu, cuja construção teria sido superfaturada na gestão de Maria Dulce Rudio Soares.A partir de 2008, último ano de seu mandato de prefeita, Maria Dulce Rudio Soares foi acusada em uma série de ações civis públicas e denúncias do Ministério Público do Espírito Santo por suspeitas de nepotismo, improbidade administrativa, compra de votos, superfaturamento (inclusive de empresa de limpeza pública), contrato de empresa sem licitação, promoção pessoal em publicação da prefeitura e formação de quadrilha.

Quanto à improbidade administrativa, Maria Dulce foi acusada pelo MPES de superfaturar a construção de uma guarita no Parque Municipal do Goiapaba-Açu no valor de R$ 38 mil. Haveria também irregularidades na compra de cartuchos de impressora e toners remanufaturados. Um funcionário público municipal teria usado uma agente de saúde e estudante de Santa Teresa como laranja para participar da licitação. Alertada dos riscos de licitar enquanto tinha uma bolsa de faculdade, a própria agente denunciou o esquema. Uma ligação telefônica entre os dois dava conta de que a prefeita tinha conhecimento do caso. Foi constatado mais tarde o pagamento por 195 cartuchos além dos fornecidos. Na ocasião, Maria Dulce não falou sobre esta acusação, sendo condenada em 2012. Ainda em 2008, uma empresa de limpeza urbana teria sido contratada irregularmente pela prefeitura por R$ 1,4 milhão anual. Por fim, a festa de aniversário de emancipação do município teve a data adiantada para coincidir com a convenção de seu partido em Fundão, realizada próxima ao palco principal da festa, que não chegou a acontecer. O juiz Gedeon Rocha Lima Júnior considerou "Absurdo, inacreditável e audacioso [...]". A prefeita disse na época não se manifestar antes de contactar seus assessores jurídicos.

esquerda|miniaturadaimagem|Maria Dulce em sua posse como prefeita em 2013. Durante a campanha eleitoral de 2008, a candidata à reeleição foi acusada de distribuir cestas básicas em troca de votos, o que resultou em momentânea cassação de sua candidatura e da de seu vice, Sebastião Carreta. Em 22 de agosto, nove cestas foram encontradas em seu comitê eleitoral pela Polícia Civil do Estado do Espírito Santo e duas mulheres foram presas, sendo uma a secretária de Administração da prefeitura e a outra dona da casa onde funcionava o comitê que teria confessado o esquema à Polícia. O juiz eleitoral Gedeon Rocha Lima ouviu vinte testemunhas do caso em 10 de setembro e, no dia 23, cassou as candidaturas de Maria Dulce e Sebastião Carreta, ordenou aos dois pagamento de R$ 50 mil de multa e, à secretária e à dona da casa do comitê, aplicou multa de R$ 1 mil. Na sentença da Justiça Eleitoral, o juiz Gedeon Rocha Lima Júnior disse: