Métodos de ensino são as acções desenvolvidas pelo professor, apresentadas pelo educador pedagogo ou pedagogista, pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico relacionado com a educação.
Método vem do grego, méthodos, que significa caminho para chegar a um fim. Assim, ao abordar métodos de ensino e de aprendizagem, trata-se de um trajeto para se chegar ao objetivo proposto. No caso específico da educação escolarizada, o fim último seria a aprendizagem do aluno de maneira eficaz.MÉTODOS DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM: UMA ANÁLISE HISTÓRICA E EDUCACIONAL DO TRABALHO DIDÁTICO, Luciana Figueiredo Lacanallo⋅, Sandra Salete de Camargo Silva, Diene Eire de Mello Bortotti de Oliveira, João Luiz Gasparin, Teresa Kazuko Teruya, Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá - PR, Brasil.
Cada método procurou dar conta de promover aos educandos a apropriação do conhecimento necessário a cada momento histórico. Importante salientar que as posições pedagógicas nunca foram unânimes ou homogéneas.MÉTODOS DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM: UMA ANÁLISE HISTÓRICA E EDUCACIONAL DO TRABALHO DIDÁTICO, Luciana Figueiredo Lacanallo⋅, Sandra Salete de Camargo Silva, Diene Eire de Mello Bortotti de Oliveira, João Luiz Gasparin, Teresa Kazuko Teruya, Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá -Pr, Brasil.
Ensino direto e indirecto Existem várias possibilidades de classificar, ou criar taxonomias, dos métodos de ensino.
Este artigo partirá de uma classificação bipolar, por ser a mais simples: os métodos de ensino direto, centrados no professor, também designados de ensino activo e os métodos de ensino indireto, centrados nos alunos (student-centered).
Ensino direto De acordo com Finn & Ravitich (1996)Finn, C.E., & Ravitch, D. (1996). Educational reform 1995-1996. A report from the Educational Excellence Network. Indianapolis: Hudson Institute. o ensino direto pode ser encarado como um ramo do instrutivismo.
Para os defensores desta teoria, educar significa fazer surgir novos cidadãos.
Pretende-se assim possibilitar que mais indivíduos se integrem num grupo com um determinado conjunto de conhecimentos, princípios morais e capacidades. Tendo em vista a sua integração social é necessário descobrir as capacidades de cada indivíduo.
A integração, de acordo com Engelmann & Carmine (1991)Engelmann, S., & Carnine, D. (1991). Theory of instruction: Principles and applications (Revised edition). Eugene, OR: ADI Press. implica, designadamente, um investimento sério no processo educativo, uma participação numa cultura, comunidade ou classe, um corpo cognitivo-conceptual definido e um conhecimento prático bem vincado. Os mesmos autores afirmam que todos os alunos podem ter sucesso, e se não o têm algo correu mal com o processo de instrução, nomeadamente algum erro por parte do professor (Engelmann & Carnine, 1991, p. 376), pelo que haverá necessidade de afinar o processo.
Howard Gardner identificou uma ampla gama de modalidades na teoria de inteligências múltiplas. A tipologia de Myer-Briggs e o Classificador de temperamento de Keirsey, com base nos textos de Jung, focam em compreender como a personalidade do indivíduo afeta como ele interage pessoalmente e como isso afeta a forma como as pessoas reagem umas às outras no ambiente de aprendizagem.
Surgimento O ensino direto iniciou-se nos Estados Unidos da América (E.U.A) nos anos 50 do século passado, mas teve o seu maior desenvolvimento durante a década de 60, sobretudo com os trabalhos efectuados por Englemann & Bereiter com crianças desprotegidas e desfavorecidas.
No que consiste? De acordo com Kozloff (1994),Kozloff, M.A. (1994). Improving educational outcomes for children with disabilities: Principles for assessment, program planning, and evaluation. Baltimore: Paul H. Brookes Publisher. o que distingue este de outros métodos é o facto de os materiais e estratégias serem exaustivamente estudadas e rigorosamente testados.
Por seu turno, nos E.U.A., o National Institute for Direct Instruction , define o ensino direto como um modelo de ensino que enfatiza aulas bem preparadas e estruturadas nas quais estão bem definidas as tarefas do professor. Na mesma fonte pode ler-se que o método se baseia na teoria que uma clara instrução, sem azo a interpretações erradas, não só acelera como melhora o processo de aprendizagem, embora países como Estados Unidos não tenham conseguido aplicar estes resultados.Data: High school students aren’t ready for college
Validade e aplicabilidade Autores como Adams & Engelman (1966)Engelmann, S., Carnine, D., Kelly, B., & Engelmann, O. (1996). Connecting math concepts: Lesson sampler. Worthington, OH: SRA/McGraw-Hill. e mais recentemente Kameenui & Carmine (1998)Kameenui, E.J., & Carnine, D.W. (1998). Effective teaching strategies that accommodate diverse learners. Upper Saddle River, NJ: Merrill. promoveram diversos estudos da aplicação da teoria/método na aprendizagem das línguas, leitura, matemática e estudos sociais.
Nos E.U.A., num programa denominado Follow Through, o ensino direto foi comparado com mais de uma dezena de outros modelos, tendo-se chegado à conclusão que este foi o método que obteve melhores resultados no que diz respeito à aprendizagem da leitura e matemática (num nível básico) assim como na autoestima e conhecimento cognitivo e conceptual (Becker & Carmine, 1981).Becker & Carnine (1981). Direct instruction: A behavior theory model for comprehensive educational intervention with the disadvantaged. In S.W. Bijou & R. Ruiz (Eds.), Behavior modification: Contributions to education (pp. 145-210). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates.
Num estudo iniciado por Meyer (1984),Meyer, L. (1984). Long-term academic effects of the Direct Instruction Project Follow Through. Elementary School Journal, 84, 380-394. que teve por base a aplicação do método direto numa escola em Brooklin do ensino elementar (primeiro ciclo), no âmbito das disciplinas de Matemática e Leitura e mais tarde reanalisado por Keating e Becker (1988),Gersten, R., Keating, T., & Becker, W. C. (1988). The continued impact of the Direct Instruction model: Longitudinal studies of Follow Through students. Education and Treatment of Children, 11(4), 318-327. constatou-se que os referidos alunos, quando frequentavam o nono ano de escolaridade, possuíam ainda um desempenho superior a alunos que tinham aprendido com outros métodos. Em 2009, na Conferência Anual de Ensino Direto, o próprio Engelmann, apresentou um estudo recente que mais uma vez comprova a validade do método.
O que o define? De acordo com a NIFDI, a filosofia básica do ensino direto, no fundo a razão pela qual o método tem sucesso, é a assunção que: todas as crianças podem ser ensinadas, todas as crianças podem melhorar os seus conhecimentos académicos e a sua própria imagem e autoestima; todos os docentes podem ter sucesso se tiverem o treino e os materiais adequados; aos alunos com menor desempenho deve-se ir incrementando a velocidade por forma a conseguir que venham a aprender à velocidade dos seus pares; todos os detalhes do processo instrutivo deverão ser controlados de forma a minimizar a possibilidade dos alunos interpretarem de forma errada a informação e a maximizarem o efeito da instrução.
Segundo Gersten, Woodward & Darch (1986)Gersten, R., Woodward, J., & Darch, C. (1986). Direct instruction: A research-based approach to curriculum design and teaching. Exceptional Children, 53, 17-31. são os seguintes aspetos que definem o ensino direto: Focalizado na aprendizagem cognitiva; Assente num currículo onde se enfatiza o conhecimento, a forma como professor e aluno comunicam, o comportamento do aluno, etc. Esta realidade faz com que exista um desenho de instrução para o professor que pretende ser imaculado. Todas as atividades ocorrem numa determinada sequência que se crê sem falhas. Ênfase dada aos conceitos, estratégias, operações e generalizações. A este propósito Kameenui & Carmine (1998 p. 8) declaram que os conceitos mais amplos são o caminho para uma aprendizagem em que todos, desde os mais dotados aos menos, beneficiam e aprendem. Os conceitos mais restritos são a escada para os conceitos mais amplos. O respeito pelos diversos aspetos anteriores é a base para uma comunicação quase sem falhas por parte do professor. Sendo assim todos os alunos adquirem os conceitos e as respetivas relações.
Para os defensores e impulsionadores do método, nomeadamente Kameenui & Carmine (1998) só o estudo e o constante testar das atividades levará a uma comunicação sem falhas por parte do professor face ao aluno. Desta forma, os mesmos autores criaram estudos aprofundados que desembocaram em regras rígidas que levariam a esse desígnio. As aulas lecionam-se em pequenos grupos e todo o discurso do professor é pré organizado de modo a que o mesmo saiba exatamente o que dizer e quando.
A estratégia para os alunos adquirirem os conceitos é no início explícita mas à medida que o nível de ensino aumenta é cada vez mais dissimulada (Kameenui & Carmine, 1998). Na realidade, segundo Becker & Carmine (1981)Becker & Carnine (1981). Direct instruction: A behavior theory model for comprehensive educational intervention with the disadvantaged. In S.W. Bijou & R. Ruiz (Eds.), Behavior modification: Contributions to education (pp. 145-210). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. o importante é que com o decorrer do tempo os alunos distingam o essencial do acessório.
A avaliação das aprendizagens é realizada com frequência de modo a garantir que os alunos tenham o domínio do conceito ou técnica. Esta realidade permite o feedback constante e eventuais correções.
Os princípios da instrução direta assentam em mais de um século de estudos suportados em dois pilares: De que forma as pessoas ensinam e aprendem uns com os outros (Kozloff, 1994). De que forma a sequenciação das tarefas e atividades rotineiras (com as quais os indivíduos estão quotidianamente a confrontar-se) podem ser transpostas para sequencias maiores e mais complexas na sala de aula Fogol (1992).Fogel, A. (1992). Movement and communication in infancy: The social dynamics of development. "Human Movement Science".11(4), 387-423
Assim, a aprendizagem ocorre quando interagimos com os outros e mesmo quando interagimos com os elementos que nos rodeiam. Um dos aspetos mais importantes reside no facto de, na aprendizagem e na interação, a comunicação ser um elemento fulcral. De acordo com Kameenui & Carmine (1998) agimos muito em conformidade com três dimensões: Sinais, consequências e pistas.
Sinais – Os sinais, indicam, neste método, que algo está prestes a acontecer ou que o aluno tem a possibilidade de intervir e participar. Estes sinais poderão ir desde o bater de uma caneta numa mesa ou livro até ao apontar para os alunos. O importante é sinalizar que se pretende a participação.
Consequências – Todos os actos resultam em consequências, desta forma acabamos por aprender com essas mesmas consequências. Assim, estas funcionam como feedback. As consequências acabam então por ser um indicador do que acontece se agirmos de determinada forma. Utilizamos a consequência para agir de determinada maneira face a um dado problema ou situação ou, pelo menos, para evitarmos determinadas situações, quer dizer, para agirmos de forma completamente diferente.
Pistas – A sua principal finalidade é manter o aluno alerta para o que aconteceu, para um determinado acontecimento em particular, fruto de uma ação passada, para ter atenção a um aspeto particular de uma ação ou mesmo para servir de interligação. Podem assim ser gestos, instruções, sugestões para além das chamadas de atenção.
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