O USS California foi um couraçado operado pela Marinha dos Estados Unidos e a segunda e última embarcação da Classe Tennessee, depois do . Sua construção começou em outubro de 1916 no Estaleiro Naval da Ilha Mare e foi lançado ao mar em novembro de 1919, sendo comissionado na frota norte-americana em agosto de 1921. Seu projeto era praticamente uma repetição dos couraçados anteriores da Classe New Mexico e era armado com uma bateria principal composta por doze canhões de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 33 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 21 nós.
O California teve um início de carreira tranquilo e passou as décadas de 1920 e 1930 atuando no Oceano Pacífico e realizando principalmente exercícios de treinamento de rotina junto com o resto da frota. Ele estava atracado em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 quando a base foi atacada pelo Japão, sendo moderadamente danificado com dois torpedos e uma bomba. Entretanto, incêndios incapacitaram seus sistemas elétricos, impedindo que suas bombas d'água funcionassem, o que permitiu que o navio lentamente inundasse por três dias até afundar nas águas rasas do porto. Ele foi reflutuado em abril de 1942, recuperado e amplamente reconstruído, voltando ao serviço em janeiro de 1944.
O couraçado foi enviado para atuar na Guerra do Pacífico nas funções de bombardeio litorâneo e suporte de artilharia para tropas terrestres, desempenhando este papel nas Campanhas das Ilhas Marianas e Palau e Filipinas ainda em 1944. Nesta última participou da Batalha do Estreito de Surigao em outubro, quando fez parte da linha de batalha norte-americana e enfrentou e ajudou a afundar uma força de couraçados japoneses. Foi danificado por um ataque kamikaze em janeiro de 1945, mas conseguiu voltar à frota em tempo para ajudar nas Batalhas de Iwo Jima e Okinawa. Voltou para casa após o fim da guerra em agosto, sendo descomissionado em fevereiro de 1947 e desmontado em 1959.
Características
A Classe Tennessee foi autorizada pelo Congresso dos Estados Unidos em 3 de março de 1915 e era em essência uma repetição da predecessora Classe New Mexico. As principais diferentes entre as duas eram pontes de comando maiores, maior elevação para os canhões da bateria principal e realocação da bateria secundária para o convés superior.
O California tinha 190 metros de comprimento de fora a fora, boca de 29,69 metros e calado de 9,19 metros. Seu deslocamento projetado era de toneladas e o deslocamento carregado era de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha oito caldeiras Babcock & Wilcox a óleo combustível que giravam dois geradores elétricos Westinghouse, que por sua vez proporcionavam energia para quatro turinas a vapor General Electric, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 29 mil cavalos-vapor (21,3 mil quilowatts), o que garantia uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Tinha uma autonomia de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação originalmente era formada por 57 oficiais e 1 026 marinheiros. Foi construído com dois mastros de treliça com plataformas de observação no topo para suas armas.
Sua bateria principal consistia em doze canhões Marco 4 calibre 50 de 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia triplas na linha central, duas à vante e duas a ré da superestrutura, em ambos os casos com uma torre sobreposta à outra. A bateria secundária era originalmente formada por catorze canhões calibre 51 de 127 milímetros montados em casamatas individuais à meia-nau na superestrutura, mais quatro canhões de duplo-propósito calibre 50 de 76 milímetros. Além disso, o California foi equipado com dois tubos de torpedo submersos de 533 milímetros, um em cada lateral do navio. Seu cinturão principal de blindagem tinha entre 203 e 343 milímetros de espessura, enquanto o convés blindado principal tinha 89 milímetros. As torres de artilharia tinham frentes de 457 milímetros de espessura, laterais de 254 milímetros, traseira de 229 milímetros e tetos de 127 milímetros, ficando em cima de barbetas com 330 milímetros de espessura. A torre de comando era protegida por laterais de 406 milímetros.
História Tempos de paz thumb|240px|esquerda|A cerimônia de lançamento do California em 20 de novembro de 1919 O batimento de quilha do California ocorreu em 25 de outubro de 1916 no Estaleiro Naval da Ilha Mare em Vallejo, na Califórnia. A construção foi paralisada por um breve período durante a Primeira Guerra Mundial enquanto o estaleiro se concentrava em embarcações menores. Foi lançado ao mar em 20 de novembro de 1919, quando foi batizado por Barbara Zane, filha de William Stephens, o Governador da Califórnia. Foi comissionado 10 de agosto de 1921 e designado para a Frota de Batalha como sua capitânia. O California passou a maior parte de sua carreira em tempos de paz ocupado com exercícios de treinamento de rotina, incluindo manobras conjuntas com o Exército dos Estados Unidos e os anuais Problemas de Frota. O primeiro lançamento de uma aeronave de um navio durante a noite ocorreu do couraçado em 11 de novembro de 1924. Mais experimentações com aviões continuaram no início de 1925 quando os navios da Frota de Batalha receberam em 31 de março um esquadrão de hidroaviões Naval Aircraft Factory TS. A Frota de Batalha atravessou o Oceano Pacífico na metade do ano para uma viagem diplomática pela Austrália e Nova Zelândia. No final do mesmo ano o California passou por reformas no Estaleiro Naval de Puget Sound em Bremerton, Washington.
Uma catapulta de aeronaves foi instalada em cima de sua terceira torre de artilharia em 1926, com o navio recebendo três hidroaviões Vought OU-1. O California participou em 4 de junho de 1927 de uma revista para o presidente Calvin Coolidge em Hampton Roads, na Virgínia. Foi equipado no final de 1929 e início de 1930 com oito canhões antiaéreos calibre 25 de 127 milímetros no lugar de seus antigos canhões de 76 milímetros. Participou do Problema de Frota X entre 10 e 15 de março de 1930 no Mar do Caribe, seguido pelo Problema de Frota XI também no Mar do Caribe de 14 a 18 de abril. O navio navegou para Nova Iorque ao final dos exercícios, em seguida participando de uma revista naval para o presidente Herbert Hoover em 20 de maio nos Cabos da Virgínia. Voltou para o Pacífico e visitou Port Angeles, em Washington, de 7 a 11 de julho. Ele operou próximo de Puget Sound até 11 de agosto, quando navegou sul até São Francisco, na Califórnia, onde permaneceu entre 17 e 24 de agosto. A Frota de Batalha seguiu para o sul até a Zona do Canal do Panamá no início de 1931 para mais exercícios.
O Problema de Frota XII aconteceu dos dias 15 a 21 de fevereiro nas águas próximas do Canal do Panamá, com os exercícios consistindo de um ataque de uma frota centrada ao redor de porta-aviões contra o canal, que seria defendido pelo California e os outros couraçados da Frota de Batalha. As manobras revelaram limitações importantes na autonomia e armamentos das aeronaves de porta-aviões da época, com os couraçados conseguindo facilmente derrotar a força de porta-aviões. O California em seguida ficou em Puget Sound de 1º de julho até 16 de agosto, navegando então para São Francisco e depois para Los Angeles. A embarcação participou de exercícios de artilharia no início de 1932 próximo da Ilha de San Nicolas. A fragata fez uma uma viagem pelos Estados Unidos entre 1931 e 1934 e chegou na Califórnia em março de 1933, com uma frota de 130 navios, incluindo o California, o recebendo no dia 9 ao chegar em Long Beach. Um terremoto atingiu a região no dia seguinte, causando grandes danos na cidade e matando por volta de 120 pessoas. A frota desembarcou aproximadamente quatro mil homens para ajudar nos esforços de resgate, incluindo tripulantes do California.
thumb|280px|O California na década de 1930 O California foi designado em 1934 para a Divisão de Couraçados 4, porém continuou com sua função de capitânia da frota. O Problema de Frota XV ocorreu de 19 de abril até 12 de maio no Caribe, em seguida o navio visitou o Havaí por duas semanas. As embarcações partiram em 25 de maio para mais uma revista naval em Nova Iorque, que ocorreu no dia 31 e teve a presença do presidente Franklin D. Roosevelt. O couraçado voltou para o Pacífico entre 27 de outubro e 9 de novembro, com a Frota de Batalha realizando exercícios enquanto atravessava o Canal do Panamá, incluindo ataques noturnos acompanhados por contratorpedeiros. As manobras culminaram em um ataque simulado de couraçados, interpretada por um grupo de cruzadores rápidos, mais o porta-aviões e vários submarinos. Em seguida o California participou de treinamentos de ataque anfíbio em 15 de novembro próximos da Ilha de San Clemente. O Problema de Frota XVI foi realizado de 29 de abril a 10 de junho de 1935, quando a frota realizou uma série de manobras no leste do Pacífico desde o Alasca até o Havaí e Atol Midway.
O navio foi transferido para a Divisão de Couraçados 2 em 1937, com as embarcações da divisão visitando Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de julho e então voltando para a Califórnia em 22 de agosto. O California e seu irmão fizeram uma visita a Ponce, em Porto Rico, que durou de 6 a 11 de março de 1938. A Marinha dos Estados Unidos decidiu em 1939 adquirir seis radares XAF experimentais, sendo redesignados CXAM ao serem entregues. Um foi instalado no California em 1940, com os outros indo para o porta-aviões e três cruzadores pesados. O couraçado participou do Problema de Frota XX em abril e maio, novamente realizado no leste do Pacífico. Logo em seguida Roosevelt ordenou que a Frota de Batalha permanecesse em Pearl Harbor permanentemente, calculando que isto desencorajaria agressões japonesas. As tensões mundiais estavam altas com a Segunda Guerra Mundial na Europa e a Segunda Guerra Sino-Japonesa na Ásia, com a Marinha cancelando o Problema de Frota XXII, que tinha sido programado para 1941. O California passou por reformas no início do ano que terminaram em 15 de abril, depois da qual fez uma visita a São Francisco.
Segunda Guerra Mundial Pearl Harbor
thumb|260px|esquerda|O California começando a adernar depois de ser torpedeado em 7 de dezembro de 1941 O California estava atracado no sudoeste da Ilha Ford em Pearl Harbor na manhã de 7 de dezembro de 1941. Naquela manhã, dois de seus canhões de 127 milímetros e duas metralhadoras M2 Browning tinham sido designadas como armas de prontidão, com cinquenta projéteis de 127 milímetros e quatrocentos para as metralhadoras disponíveis. Aeronaves japoneses começaram a atacar a base pouco antes das 8h00min. O tenente-comandante Marion Little, o oficial mais graduado a bordo no momento, imediatamente ordenou postos de combate. Os canhões receberam permissão para abrirem fogo e a embarcação foi preparada para partir. As tripulações nos canhões de prontidão começaram a atacar os aviões japoneses às 8h03min, disparando contra caças Mitsubishi A6M Zero que estava metralhando o navio. Os artilheiros rapidamente gastaram toda a munição disponível e os depósitos de munição precisavam ser destrancados antes que mais pudessem ser proporcionadas. Enquanto isso ocorria, dos torpedeiros Nakajima B5N aproximaram-se e soltaram seus torpedos contra o California. Os dois acertaram às 8h05min, um na proa e outro na popa. O primeiro detonou abaixo do cinturão de blindagem entre a segunda torre de artilharia e a superestrutura, criando um buraco de três metros de altura por 7,3 de largura, destruindo a primeira antepara antitorpedo e fortalecedores transversais, também perfurando a segunda antepara com fragmentos. O segundo abriu um buraco de doze metros de largura abaixo do cinturão. As anteparas antitorpedo internas resistiram aos dois impactos e ajudaram a conter as inundações.