250px|miniaturadaimagem|Manifestantes anti-governo marchando pelas ruas de Homs O Cerco de Homs foi uma série de operação de combate conduzidas por forças militares leais ao presidente Bashar al-Assad, no âmbito da Guerra Civil Síria, contra a cidade de Homs que, segundo o governo, estava sob controle de "grupos terroristas"."Syrian activists denounce 'siege' of Homs". Página acessada em 9 de abril de 2013."Syrian forces continue siege of Homs". Página acessada em 9 de abril de 2013. Enquanto isso, a oposição ao regime e a comunidade internacional chamavam os ataques de tentativas de supressão de movimentos pró-democracia. Começando em abril de 2011, os protestos populares contra o governo rapidamente virou uma sangrenta batalha, com combates nas ruas sendo travados pelas forças de segurança contra soldados desertores e civis armados do auto-proclamado Exército Livre da Síria, apoiados por milicianos jihadistas. Homs, a terceira maior cidade da Síria, tinha uma população de aproximadamente 800 mil pessoas antes da guerra e fica a 160 km da capital, Damasco. Muitos sírios se referiam a Homs como a "Capital da Revolução"."Homs: Syria revolution's 'capital'". Página acessada em 15 de março de 2013. Em maio de 2014, os últimos combatentes rebeldes se retiraram e o regime anunciou que havia assumido total controle da região.
Segundo informações de ativistas de direitos humanos, em meados de 2014, mais de 28 mil pessoas já haviam morrido em Homs."Síria: quase 200 mil mortos em um conflito abandonado". Página acessada em 22 de agosto de 2014. O total real ainda não é possível de ser medido, mas acredita-se que muitas mais mortes tenham acontecido. A grande maioria das fatalidades acabaram sendo de civis, mortos nos bombardeios e no fogo cruzado.Martyr Counts in Homs City by Neighborhood. Acessado em 13 de abril de 2012.
A batalha Movimentos iniciais Em 15 março de 2011, uma série de protestos anti-governo tomaram conta das grandes cidades da Síria. As manifestações chegaram a Homs em 18 de março. Os protestos continuaram em abril, mas o governo decidiu enviar tropas do exército para retomar o controle total da cidade. O resultado foi centenas de mortes entre os manifestantes.
Em 6 de maio, após uma operação bem sucedida para sufocar protestos em Daraa, os militares sírios iniciaram um pesado cerco contra Homs a fim de dominar de novo o município. Só no primeiro dia, 15 manifestantes foram mortos, segundo a oposição, e ao menos 11 soldados e policias também perderam a vida, segundo o governo. Em 8 de maio, tanque do governo avançaram pela cidade e pesados combates foram reportados por vários distritos de Homs. Para essa ofensiva, o fornecimento de eletricidade para a cidade foi cortado. Em 20 de maio, forças do exército abriram fogo contra outra manifestação da oposição matando ao menos 30 pessoas.
Primeiros grandes combates Em julho, os militares lançaram sua primeira grande ofensiva para tomar a cidade e o resultado foi uma enorme quantidade de mortos em ambos os lados. Em julho, o bairro de Bab al-Sebaa foi tomado pelo Exército Livre da Síria, milícia formada por soldados desertores do exército e civis armados, em uma ofensiva relampago. Os distritos de Baba Amr e al-Qusur também foram palcos de intensos tiroteios entre forças contrárias e leais ao regime da família Assad.
Em novembro, novas ofensivas do governo terminaram na morte de mais de 100 pessoas.Syria: Homs military attacks continue, say activists Os combates se intensificaram neste mês com os rebeldes contra-atacando para recuperar o terreno perdido e com o governo lançando várias investidas contra áreas controladas por opositores. Nestas operações, centenas de pessoas foram mortas e a situação humanitária da cidade se deteriorou.
A luta torna-se generalizada No fim de dezembro de 2011, cerca de dez monitores árabes chegaram na cidade como parte de uma missão da Liga Árabe para monitorar a situação dos direitos humanos naquele país.The Independent, 'Arab league observers arrive in Syria to monitor crackdown', 27 December 2011 A missão foi duramente criticada por não pressionar o governo sírio a cessar os ataques. Frente a uma escalada da violência, a missão dos observadores foi suspensa.Liga Árabe suspende missão na Síria após escalada da violência. Acessado em 10 de fevereiro de 2012.
Em 3 de fevereiro, o exército rebelde atacou postos de controle das forças armadas sírias, matando 10 soldados. As forças do regime sírio então intensificaram o bombardeio a cidade com tanques, helicópteros, artilharia, foguetes e também disparos de morteiros. O governo Assad negou o bombardeio indiscriminado de civis e culpou "grupos armados" pela morte de civis e inocentes, incluindo também as mortes de jornalistas estrangeiros.
Em 4 de fevereiro de 2012, tanques de guerra sírios e artilharia pesada abriram fogo contra a cidade matando pelo menos 200 pessoas, segundo a opisição. De acordo com o Exército da Síria Livre, além das mortes civis, 14 militares do governo e 4 combatentes da oposição também foram mortos no bombardeio ou nas lutas pelas ruas da cidade.
Em 6 de fevereiro, o bairro de Bab Amro, um reduto da oposição em Homs, voltou a ser bombardeado e em 24 de fevereiro foi recuperado por forças do governo. Um total de 12 pessoas teriam sido mortas.http://www.nowlebanon.com/NewsArticleDetails.aspx?ID=361328 Um outro grupo de ativistas falaram que o número de mortos pode passar de 50. Moradores testemunharam que cerca de 150 veículos blindados do governo estavam nas cercanias da regiãoSyrian Army Pounds Homs In Deadly Offensive. Acessado em 10 de fevereiro de 2012. Em 8 de fevereiro, ativistas também reportaram mais 48 mortos nos ataques. Eles também relataram que tanques de guerra entravam no bairro de Inshaat.Turks seek world action as Syria's Homs bleeds. Acessado em 10 de fevereiro de 2012. Em Bayyada, um bairro de Homs, um carro-bomba teria matado centenas de pessoas entre civis e militares.Car bomb rips through Syria’s Homs. Acessado em 10 de fevereiro de 2012.
Em 9 de fevereiro, ativistas reportaram que mais 93 pessoas foram mortas em Homs devido a artilharia.http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2012/02/201229142032794961.htm Outro grupo de ativistas, contudo, reportaram que o número de mortos não passou de 57.Thu, 9 Feb 2012, 16:09 GMT+3 - Syria Em 25 de fevereiro 2012, os bombardeios continuaram e causaram muitas mortes.
Em 28 de fevereiro, reforços das unidades de elite do exército sírio, comandados diretamente pelo irmão do presidente, assumiram suas posições em Homs e cercaram completamente a cidade.http://www.nowlebanon.com/NewsArticleDetails.aspx?ID=370304
Impasse Em 1 de março, a situação ainda era confusa devido a um "blackout" da mídia no importante bairro de Baba Amr. Enquanto os rebeldes declaravam que mantinham o controle do quarteirão, os militares anunciaram que estavam fazendo grandes progressos. O Conselho Revolucionário em Homs afirmou que não recebia mais informações vindas de Baba Amr.http://edition.cnn.com/2012/03/01/world/meast/syria-unrest/index.html No fim deste mesmo dia, soldados sírios assumiram o controle do bairro de Baba Amr, de acordo com um anunciou do governo. Os rebeldes reportaram que o recuo da área foi uma decisão estratégica."Syrian National Council forms military body; rebels pull out of Baba Amro". Acessado em 2 de março de 2012. Durante a retirada, pelo menos 17 combatentes da oposição teriam sido mortos por militares leais ao governo."8 Syrian soldiers, 7 deserters killed near Golan". Acessado em 2 de março de 2012. Logo após o termino dos combates no bairro, o exército sírio teria dado o sinal verde para que grupos de direitos humanos levassem ajuda em forma de alimentos e remédios para os poucos moradores que ainda estavam residindo no local.Aid plan set as army moves into Baba Amr. Acessado em 2 de março de 2012. Porém, os grupos depois teriam sua entrada negada em Baba Amr, local onde a ajuda era mais necessária, e classificou a interferência como "inaceitável". BBC News, 2 de março de 2012 "Red Cross convoy arrives in Homs bringing Baba Amr aid" O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) afirmou ter recebido relatos de execuções sumárias em Homs cometidos por forças do governoBBC Five Live News, 2 de março de 2011. e o Rádio da BBC também relatou que militares estariam prendendo todos os cidadãos acima de 14 anos. BBC 5 Live News, 2 de março de 2011. Ainda em março, os Estados Unidos acrescentaram a rádio e televisão públicas da Síria a lista de sanções e de pessoas afetadas por elas, sendo, segundo o comunicado, apenas uma medida simbólica, para condenar um instrumento usado para ocultar e legitimar a violência perpetrada pelo regime.Estados Unidos acrescentam rádio e televisão públicas da Síria a lista de sanções. Acessado em 5 de março de 2012. Em 6 de março, a TV estatal síria divulgou imagens de armas expostas nas ruas, granadas lançadas por foguetes, que segundo a TV eram dos "terroristas" e também mostraram imagens de dezenas de pessoas retornando as suas casas em Baba Amro entre ruas sujas e prédios parcialmente destruidos, embora Saleh Dabbakeh, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, tinha falado que eles não tinham recebido permissão ainda para entrar naquele bairro e checar a situação humanitária da região, mas de acordo com sua equipe, Homs aparentava estar mais tranquila.Moradores retornam para bairro destruído de Homs, diz TV síria. Acessado em 6 de março de 2012. thumb|250px|Destruição em Homs, após pesado bombardeio pelo exército da Síria, em abril de 2012 Frente aos bombardeios das forças de Assad, muitos moradores da cidade fugiram. Muitos deles falaram com jornalistas estrangeiros e relataram algumas das atrocidades que estariam acontecendo em Homs. Eles alertaram que tropas do governo haviam encurralado 36 homens e meninos em um distrito e então os mataram a queima-roupa. Testemunhas também falaram que soldados do exército do país estavam cortando a garganta de prisioneiros. Isso teria sido em resposta a deserção de uma unidade de militares de elite que teriam se recusado a obedecer ordens de assassinar civis.Fleeing Homs with tales of slaughter Em 5 de março de 2012, a agência de noticiais Channel 4 filmou um hospital militar em Homs mostrando evidências de abusos, de ferimentos de civis submetidos a torturas - eletrocutados, membros do corpo quebrados, espancados, etc. Channel Four News, 5 de março de 2012 . Acessado em 8 de março de 2012. Moradores do bairro de Bab Amr teriam dito que estavam infurecidos com o Exército Livre da Síria e sua decisão de se retirar e um deles até teria dito que os rebeldes estavam sendo covardes. Nos dias que se seguiram, a oposição continuou em retirada frente ao avanço implacavel das forças do governo.http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-17259471#Syria Em resposta a essas acusações da ONU de que os hospitais do país se transformaram em "centros de tortura", a Síria garantiu à organização que estes locais estam atendendo a todos os feridos independente da sua posição política, convidando a enviada das Nações Unidas, Valerie Amos, a checar todos os hospitais alegando que estes sofreram com sabotagens e "ataques terroristas"."Síria garante à ONU que hospitais do país atendem a todos os feridos". Acessado em 8 de março de 2012. De acordo com os números do Observatório de Direitos Humanos da ONU, em março de 2011, a quantidade de mortos na Síria já passava de 8 mil, vitimas principalmente de confrontos armados, atentados e ações de repressão do regime.[http://noticias.r7.com/internacional/noticias/mais-de-8-500-pessoas-morreram-na-siria-desde-marco-de-2011-20120307.html "Mais de 8.500 pessoas morreram na Síria desde março de 2011"]. Acessado em 8 de março de 2012.