João Frederico (em alemão: Johann Friedrich; Herzberg am Harz, – Augsburg, ) foi duque de Brunsvique-Luneburgo. Ele governou o Principado de Calemberga, uma subdivisão do ducado, de 1665 até sua morte.

Biografia Terceiro filho do duque Jorge de Calemberga, João Frederico realizou numerosas viagens de estudo pela França e pela Itália, onde, em 1651, em Assis, após um encontro com José de Cupertino, converteu-se do luteranismo à Igreja Católica Romana. Seu pedido para praticar privadamente a fé católica em sua terra natal, Celle, foi negado por seus irmãos, que invocaram o testamento de seu pai e o acordo firmado em 1646 entre os dois irmãos mais velhos. Assim, João Frederico deixou as terras ancestrais dos guelfos até assumir seu próprio governo.

Quando seu irmão Cristiano Luís faleceu em 1665, João Frederico tentou, com um golpe rápido, assumir o governo do Principado de Luneburgo, cuja residência era Celle, embora o trono coubesse a seu irmão mais velho, Jorge Guilherme. Este, porém, encontrava-se na Holanda com sua então amante, Eleonore d'Olbreuse, enquanto o irmão mais novo, Ernesto Augusto, estava em Heidelberg com sua esposa, Sofia do Palatinado, na corte do irmão desta. João Frederico havia acompanhado o casal em sua viagem à Itália até Roma, mas retornara antes do previsto, decepcionado porque o Papa Alexandre VII recusara recebê-lo. Mais tarde, Sofia escreveu: João Frederico ganhou fama de grande habilidade, como se tivesse preparado esse golpe há muito tempo, embora na verdade apenas tenha aproveitado a oportunidade que se apresentou.Memoiren der Kurfürstin Sophie von Hannover: Ein höfisches Lebensbild aus dem 17. Jahrhundert, herausgegeben von Martina Trauschke, Wallstein Verlag Göttingen 2014, p. 91

Após meio ano de negociações, mediadas pelo conde Jorge Frederico de Waldeck, João Frederico contentou-se com o Principado de Calemberga, que foi ampliado com os territórios de Grubenhagen e Göttingen, e assumiu o governo em Hanôver em 1665. Sofia explicou essa troca de territórios da seguinte forma: Por meio do testamento do duque Jorge, pai dos dois duques, considerado por todos um princípio de Estado, havia sido estipulado que o irmão mais velho deveria escolher entre os domínios de Celle e de Hanôver. Como a parte de Celle era a mais vantajosa, a escolha foi fácil.Memoiren der Kurfürstin Sophie von Hannover: Ein höfisches Lebensbild aus dem 17. Jahrhundert, herausgegeben von Martina Trauschke, Wallstein Verlag Göttingen 2014, p. 91 Os estados do principado só lhe prestaram homenagem em 1671, depois que ele assinou um termo garantindo que os súditos poderiam continuar professando livremente a fé luterana.

Em 1666, transformou a vila de Haringehusen em sua residência de verão, dando-lhe o nome de Herrenhausen, mandou construir um primeiro palácio simples e iniciou o projeto do Grande Jardim de Hanôver. Também foi de sua iniciativa a criação do Parque dos Cervos (Tiergarten) em Kirchrode. A igreja do Palácio Leine foi consagrada segundo o rito católico romano, e João Frederico trouxe capuchinhos para Hanôver. Nomeou o padre italiano Valerio Maccioni como seu capelão da corte. A pedido de João Frederico, o Papa Alexandre VII, em 28 de abril de 1667, criou o Vicariato Apostólico das Missões da Alemanha do Norte e nomeou Maccioni como seu primeiro vigário apostólico. Este foi consagrado bispo em 21 de abril de 1669 pelo arcebispo de Mainz, Johann Philipp von Schönborn, e em 1670, sob sua direção, ocorreu em Hanôver a primeira procissão católica pública desde a Reforma Protestante.Johannes Meyer: Kirchengeschichte Niedersachsens, Vandenhoeck & Ruprecht, Göttingen 1939, p. 143.

miniaturadaimagem|Efígie de João Frederico em táler de 1676. Durante o governo de João Frederico, iniciou-se o desenvolvimento de órgãos administrativos centrais e o fortalecimento do poder principesco, em linha com o absolutismo. Como seu pai e irmãos, ele procurou limitar a influência dos Estados (Stände). Em 1674, promulgou uma ordem administrativa que permaneceu em vigor até ser substituída, em 1808, pela reorganização do Reino da Vestfália.Karl Dietrich Hüllmann: Geschichte der Domainen-Benutzung in Deutschland. 1807, p. 55. João Frederico também expandiu o exército permanente, tornando Calemberga uma potência regional, embora dependente de recursos financeiros estrangeiros, especialmente subsídios franceses – dependência que continuaria sob seus sucessores.Barbara Beck: Die Welfen. Das Haus Hannover 1692–1918, Wiesbaden 2014, Marix Verlag, ISBN 978-3-86539-983-0, pp. 12–13

Em 1676, ele convidou o jovem erudito e filósofo Gottfried Wilhelm Leibniz para ser historiador e bibliotecário da corte. A criação da Biblioteca Real, hoje Biblioteca Gottfried Wilhelm Leibniz, também remonta a seu governo.

Em 1680, durante a viagem para sua quinta estadia na Itália, João Frederico faleceu em Augsburg e foi posteriormente sepultado na cripta do Palácio Leine, em Hanôver, com um grandioso funeral de Estado. Não tendo deixado herdeiros homens, foi sucedido após sua morte por seu irmão mais novo, Ernesto Augusto. Após a Segunda Guerra Mundial, seu corpo foi transferido para o Mausoléu de Welfen, no Palácio de Herrenhausen.Helmut Knocke, Hugo Thielen: Mausoleum. In: Hannover Kunst- und Kultur-Lexikon, p. 92.

miniaturadaimagem|centro|600px|Uma das gravuras produzidas por Johann Georg Lange para registrar em imagens a procissão fúnebre do duque João Frederico. Extraída da obra IIusta Funebria Serenissimo Principi Joanni Friderico Brunsvicensium et Luneburgensium..., editada por Gottfried Kaspar Wächter em 1685.

Descendência De seu casamento com Benedita Henriqueta do Palatinado, filha do conde palatino Eduardo de Simmern, que se converteu ao catolicismo em 1645, e de sua esposa italiana Ana Gonzaga, nasceram quatro filhas:

Ana Sofia (1670–1672), morreu na infância; Carlota (1671–1710), casou-se com Reinaldo, Duque de Módena, com descendência; Henriqueta Maria (1672–1757), morreu na infância; Guilhermina Amália (1673–1742), casou-se com José I, com descendência.

Bibliografia

Jill Bepler: Ansichten eines Staatsbegräbnisses. Funeralwerke und Diarien als Quelle zeremonieller Praxis. In: Jörg Jochen Berns, Thomas Rahn (Hrsg.): Zeremoniell als höfische Ästhetik in Spätmittelalter und Früher Neuzeit. Tübingen 1995, ISBN 3-484-36525-0, pp. 183–197 (über die Beisetzung von Herzog Johann Friedrich 1680 in Hannover).

Klaus Mlynek: In: Dirk Böttcher, Klaus Mlynek, Waldemar R. Röhrbein, Hugo Thielen: Hannoversches Biographisches Lexikon. Von den Anfängen bis in die Gegenwart. Schlütersche, Hannover 2002, ISBN 3-87706-706-9, p. 189. Waldemar R. Röhrbein: Die Schloßkirche wird katholisch. In: Hans Werner Dannowski, Waldemar R. Röhrbein (Hrsg.): Geschichten um Hannovers Kirchen. Studien, Bilder, Dokumente. Lutherhaus-Verlag, Hannover 1983, ISBN 3-87502-145-2, pp. 166–169.

Annette von Stieglitz: Landesherr und Stände zwischen Konfrontation und Kooperation. Die Innenpolitik Herzog Johann Friedrichs im Fürstentum Calenberg 1665–1679. Hahn, Hannover 1994, ISBN 3-7752-5895-7 (Veröffentlichungen der Historischen Kommission für Niedersachsen und Bremen 24; Untersuchungen zur Ständegeschichte Niedersachsens 7).

Ligações externas

Literatura sobre João Frederico de Brunsvique-Luneburgo (em alemão) no catálogo da Biblioteca da Baixa Saxônia

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